Quando a Barbárie Clama por Justiça: A... Prof. Jeferson Botelho...

Quando a Barbárie Clama por Justiça: A Necessidade de Reconhecer os Maus-Tratos a Animais como Crime Hediondo


Fundado em argumentos jurídicos sólidos e irrefutáveis — especialmente diante da gravidade extrema da conduta, do elevado grau de censurabilidade social e da necessidade de reafirmação ética do Direito Penal — o Professor Jéferson Botelho propõe levar ao Congresso Nacional uma reflexão legislativa inadiável: a elevação dos crimes de maus-tratos contra animais à categoria de crimes hediondos.


A proposta repousa nos pilares constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, compreendidos não como instrumentos de leniência, mas como mecanismos de justiça material, aptos a proteger bens jurídicos sensíveis e a conter a banalização da violência. A crueldade contra animais não é um ato isolado ou menor; é, antes, um sintoma de degradação moral, um ensaio da barbárie e uma afronta direta à civilização jurídica.


Nesse sentido, a classificação dos maus-tratos como crime hediondo impõe consequências jurídicas compatíveis com a repulsa social que tais práticas despertam, dentre as quais: a vedação de fiança, a proibição de indulto, graça e anistia, a ampliação do prazo de prisão temporária para 30 (trinta) dias, bem como o endurecimento dos critérios para progressão de regime, em consonância com o sistema penal vigente. Trata-se de uma resposta estatal firme, necessária e pedagógica, destinada a romper o ciclo da impunidade e a reafirmar a centralidade da dignidade da vida — humana e não humana.


Mais do que punir, a proposta pretende educar, prevenir e civilizar, reafirmando que o Estado não pode ser indiferente à violência gratuita, sob pena de legitimar a crueldade como linguagem social aceitável. Onde o Direito se cala, a barbárie avança; onde o Direito se impõe com equilíbrio e firmeza, a sociedade se preserva.