Fogão
A água tá no fogão a lenha , fervendo que chega geme, a água ferveu ficou tão quente que chega fez bolha nas mãos da gente.
Sonho Perfeito
Ontem sonhei com você!
Esfregava meu chão, limpava meu fogão,
E ainda dava um trato na pia!
Você sempre foi tudo o que procurei,
Prática e eficaz o sonho de qualquer rapaz!
Minha mãe já aprovou e até se espantou,
No começo até não acreditou.
Mas quando encontrei você,
No supermercado,
Na Prateleira, logo abaixo do sabão,
Do lado dos sacos plásticos,
Foi paixão a primeira vista,
Meu pano mágico.
Havia onze pratos de mingau em cima do fogão à lenha na manhã do dia vinte e cinco de dezembro. Havia onze crianças felizes com a cara lambuzada de mingau ao redor da mesa. Não me "comove" saber que nenhuma daquelas pobres crianças esperava por bolas, bonecas, bicicletas, jogos, ou coisas da época. "Comove" saber que hoje, quando elas olham para trás e se lembram disso, dizerem que nunca mais houve presente de Natal como aquele prato de mingau, nem natais como aqueles. "Comove" saber que muitas das vezes o importante não é o que está sobre a mesa, mas quem se senta conosco, ao redor dela.
Ricardo F
Tem dias que eu só queria ter um tempo pra fazer um café, me esquentar no fogão que tem perto da mesa, apreciando tudo que um bom gole de café na roça faz. Aquela fumacinha bailando ao sair do bule é uma dança bonita de se ver, leva a gente com ela e a gente sai voando pela janela também. Lá na sala, no radinho de pilha, uma velha música caipira pra gente lembrar das bonanças e sofrências da vida, dos causos da roça, da lida, dos bichos e ter no estampado dos olhos uma natureza cheinha de provas da existência de Deus. Às vezes, tudo que quero é uma cadeira de madeira, bem velha, bem pesada e um lugar na janela pra ver o tempo passar, pra ouvir o sabiá cantar lá na laranjeira, pra ouvir o ronco que o rio faz quando chega à cachoeira, pra ouvir o miado da gata faceira, fazendo das minhas pernas brincadeira e lugar de coçar. Tem dias que eu quero só isso, o estalar da madeira no velho fogão de lenha, a panela cozinhando milho verde, o biscoitinho de polvilho frito pipocando, quentinho feito pela vó. O barulho do gado no curral, do vento chacoalhando o buritizal, das galinhas tudo à toa ciscando pelo quintal, eu com meu violão, brincando, cantando e tocando mal. Isso tudo é a orquestra menos ensaiada e mais bonita do mundo todo. Nada se compara ao que eu queria agora, sossegado, mundão afora montado no meu burro, chapéu véi na cabeça, sol na moleira, cabaça cheia de água fria do rio, um ou dois tecos de rapadura e um punhado de farinha pra enfeitar o céu da boca. Deitado na sombra da mangueira, estirado na esteira, admirando o céu azulzinho e perfeitinho com que Deus me presenteia toda vez que o procuro lá em cima, lá pra riba daquelas nuvens que insistem em se desenhar, indo pra lá é pra cá, como se dissessem: Menino, vem dançar! Ah, como eu queria, que vontade que dá, inveja do gavião carcará, desejo de ser como ele, bem alto, confiante e tranquilo, saber voar!
Tem dias que eu só queria ter um tempo pra fazer um café, me esquentar no fogão que tem perto da mesa, apreciando tudo que um bom gole de café na roça faz. Aquela fumacinha bailando ao sair do bule é uma dança bonita de se ver, leva a gente com ela e a gente sai voando pela janela também. Lá na sala, no radinho de pilha, uma velha música caipira pra gente lembrar das bonanças e sofrências da vida, dos causos da roça, da lida, dos bichos e ter no estampado dos olhos uma natureza cheinha de provas da existência de Deus. Às vezes, tudo que quero é uma cadeira de madeira, bem velha, bem pesada e um lugar na janela pra ver o tempo passar, pra ouvir o sabiá cantar lá na laranjeira, pra ouvir o ronco que o rio faz quando chega à cachoeira, pra ouvir o miado da gata faceira, fazendo das minhas pernas brincadeira e lugar de coçar. Tem dias que eu quero só isso, o estalar da madeira no velho fogão de lenha, a panela cozinhando milho verde, o biscoitinho de polvilho frito pipocando, quentinho feito pela vó. O barulho do gado no curral, do vento chacoalhando o buritizal, das galinhas tudo à toa ciscando pelo quintal, eu com meu violão, brincando, cantando e tocando mal. Isso tudo é a orquestra menos ensaiada e mais bonita do mundo todo. Nada se compara ao que eu queria agora, sossegado, mundão afora montado no meu burro, chapéu véi na cabeça, sol na moleira, cabaça cheia de água fria do rio, um ou dois tecos de rapadura e um punhado de farinha pra enfeitar o céu da boca. Deitado na sombra da mangueira, estirado na esteira, admirando o céu azulzinho e perfeitinho com que Deus me presenteia toda vez que o procuro lá em cima, lá pra riba daquelas nuvens que insistem em se desenhar, indo pra lá é pra cá, como se dissessem: Menino, vem dançar! Ah, como eu queria, que vontade que dá, inveja do gavião carcará, desejo de ser como ele, bem alto, confiante e tranquilo, saber voar!
A arte de pilotar um fogão não é apenas uma prática ao descobrir
e preparar novos sabores, com a medida equilibrada entre oaçúcar, o sal, os temperos, as especiarias e os objetos que auxiliamno cardápio, não só de uma refeição, mas da própria existência a serdegustada e aproveitada
e, com você, é no sofá, na escada, no tapete, no chão, na cama, na parede, na cozinha, no fogão, no banheiro, lá na rua, lá na contra-mão, na parede, na escada, no sofá, no fogão, no sofá, na escada e acelera o coração de uma maneira estranha, de um jeito arrasador, que me atormenta a noite toda, que é desesperador, avassalador, surpreendedor, que me ama, me abraça e acaba com a dor. acaba e volta novamente totalmente de repente, sem me deixar respirar, é, ao mesmo tempo, rápido, intenso, eterno e devagar. e, no meio disso tudo, a gente pára, olha nos olhos, na hora da dor, na hora do prazer, a gente pode perceber a presença do amor. um amor que é contundente que não precisa estar presente constantemente para sabermos que ele está ali, você lá e eu aqui esperando que aconteça tudo muito sem querer, mesmo que eu queira, que você deseje e que é difícil de esquecer. nos demos o melhor de nós ;)
No fogão a cantoria
que borbulha da chaleira
assim começa meu dia
com um café de primeira
e o cuscuz que é a magia
que transforma em energia
quem trabalha a vida inteira.
Quantas vezes o leite transbordou e molhou o seu fogão inteiro em 10 segundos que você virou as costas? É meus amigos não adianta ficar de plantão esperando o leite ferver, o leite só ferve quando você sai de perto. É assim com o leite e é assim com a vida. Nada vai acontecer se você continuar esperando que aconteça, a vida gosta de te pegar de surpresa. E é justamente quando você para de aguardar ansiosamente por algo, é que ele flui, é que o leite ferve, é que a vida caminha. Não adianta ficar programando roteiros, ensaiando encontros, planejando acasos, você não vai se esbarrar com ele quando tiver toda arrumada e com cabelo feito, é aquele esquema né você sai toda arrumada e não encontra um conhecido na rua, mas você sai no portão toda esquisita e encontra até o papa. Percebeu né? que não adianta ficar bolando estratégias pro destino, a vida é como o leite, ela não liga pra sua ansiedade, não tá nem aí pra sua pressa. A vida te ensina a ser paciente e a esperar que as coisas aconteçam não no momento que você quer, as coisas só acontecem quando tem que acontecer. Espere, não queira adiantar os ponteiros do relógio, não seja a lagarta que sai do casulo antes de aprender a voar, não seja a pessoa que atravessa a faixa no sinal verde. Tenha paciência o leite vai ferver.
"Velho Fogão"
Num ranchinho de torrão...
Coberto por santa-fé...
Caçarola no fogão...
Eu sei bem como é.
Um cantinho sagrado...
Chaleira de ferro e frigideira...
Um mate bem sevado...
Proseando com a companheira.
O minuano atrevido...
O rancho rondando...
E bem aquecido...
A gente nem tá se importando.
cheiro
O cheiro de mato pó queimado
As cinzas do fogão a lenha
Tudo compõe esse desejo
Ei morena põe fogo em mim.
Quanto mais vermelho
Mais quente o olhar
Que sai de dentro da carne
Para te comungar amor perfeito.
Esse lugar forte relâmpejos
para nosso melhor beijo.
Eu aceito tudo que te vem
Porém me deixa acesso.
Mais um lampejo a gente foge
Para a alma do matagal.
A natureza nos abraça instinto maternal
E nosso amor ficar camuflada.
Onde é apenas o principio de uma nova caminhada.
Eu vou fazendo a trilha,
E batizo de namorada
Tudo é tão azul e verde
Por onde o amor passa,
Seu beijo é esperança eternizada.
Eu vi quando você sorriu pra mim
Não era pra mais ninguém
Eu fui além do quintal
Buscar presente com brilho de cristal.
Uma flor cheirosa
Um milagre perdido
O ver ser o destino
A colocasse no meu colo ferido.
Não espere o café esfriar,para toma-lo.
Não espere o arroz queimar,para desligar o fogão.
Não espere o amanhã,para dizer que ama.
Não espere morrer,para dar flores.
Não espere perder,para querer dar valor e não espere o tempo passar para viver.
Acender o fogão a lenha é criar uma lembrança de afeto aos que ficarão e reviver a lembrança dos que já foram.
O Brasil de hoje está tão esquisito, que, para comprar um reles fogão a gás, andam indagando a ideologia do vendedor.
Ser Mineiro...
Ser Mineiro é bão... bão dimais
Minas tem rios, parques, montanhas
Tem fogão a lenha, lenha pra fogueiras
Tem gente humilde, Fé e cachoeiras
Minas tem o canto das lavadeiras
Nas janelas do Vale, as namoradeiras
Tem as obras sacras de Aleijadinho
Tem o Barroco que dá vida às Catedrais
Ser Mineiro, é bão dimais
Tem galope de vento ao pé da serra
Tem broa quentinha, o queijo, o requeijão
O cafezinho, nascido do moído grão
Tem benzedeira, tem parteira
Tem viola, que desperta a emoção
Tem cachaça e confusão
Que termina em abraço de irmão
O que não falta em Minas
São estórias e férreas estações
Que trazem, navegando em vagões
Doutores, galos, mães e peões
Tempo de Verão.
Eita, dia bão! Parece até verão.
O calor do cão parece que me colocou no fogão.
O sol de meio-dia, a noite de São João...
Que tempo bão! Tempo de verão.
Malucos de samba-canção,
Cantores sem paixão,
Amores de ilusão,
Vidas sem padrão.
Doutores de plantão,
Loucura em ação,
Sinhô me dá uma aspirina
Pra acalmar meu coração.
