Fiz de Mim o que Nao Soube
Numa folha se esconde alguém
Não sei quantificar a descoberta
nem a variedade de toda a planta
mas, sei que encantos tem a terra
e nesta terrra a belezas se encerra!
Não sei dizer o que mais encanta,
se é a flor ou se é o verde da planta
que em folhas trazem mil formas
em tons e mistério que os contornas!
Se eu fosse fazer coleção de tudo
O mosaico colorido seria uma santa
em folha escondendo a libido...
porque foi assim no jardim do Éden
em que Eva revelou à todo o mundo
que nas folhas se esconde alguém!
Maria Lu T S Nishimura
Caipirinha da cidade
Caipirinha da cidade não sou eu
Caipirinha da cidade já morreu
Fui cabloca lá do morro
Da minha origem eu não corro
Da colheita fiz fartura
Trabalhei com compostura
E pra cidade me mudei!
Sei que de caipirinha me chamou
Do meu jeito até zombou
Mas, o tempo passou e aqui estou
Cidadã do mundo é o que eu sou
A caipirinha da roça a vida transformou...
Bati o limão e a pinga e tu o açúcar colocou!
Fiquei doce, doce, e todos gostam assim
Sou caipirinha da roça, sou sim!
Não sou a caipirinha da cidade,
mas em qualquer tristeza boto fim!
Maria Lu T S Nishimura
DE QUANTO TEMPO?!
De quanto tempo a gente precisa
Para entender que a vida não é um teatro,
Que as pessoas não são panos de prato
E que há sentimentos sentidos de fato?!
De quanto tempo a gente precisa
Para entender que o futuro é agora,
Que a vida não espera a boa hora
E que o tempo passa logo, sem demora?!
De quanto tempo a gente precisa
Para aprender a fazer empatia,
Para saber que nem toda dor irradia
E concluir que no sorrir não há só alegria?!
De quanto tempo a gente precisa
Para aprender a amar sem sofrer,
Para aprender a perder e vencer
E crer no dia que vai amanhecer?!
De quanto tempo?!
A vida é uma só!
O tempo também!
Por que uns aproveitam melhor
Todo o tempo que têm,
Enquanto outros sequer enxergam
As oportunidades quem lhes veem?!
Oh, quanto tempo se perde
Desperdiçando-se o tempo que não se tem!
Nara Minervino.
INFINITUDE DO "OITO"
O OITO é um número complexo:
não tem começo nem fim.
O OITO volteia e passa sempre no mesmo ponto.
Onde o OITO termina é, exatamente, onde ele recomeça.
Quem tem um OITO tem o infinito!
Nara Minervino
EU ME NEGO À MALDADE
Não vejo um palmo diante do meu nariz,
Porque a minha visão eu refiz.
Escureci para esse mundo que não quis
Desfazer-se da agonia
De fazer o mal todo dia.
Eu me nego à maldade,
Ao egoísmo ou à falsidade.
Me nego ao que me incomoda,
Mas que a tantos engorda:
Regozijar-se sobre quem
Vive sem um vintém;
Sobre quem é fraco de verdade
Porque é vítima da crueldade.
Eu enxergo distante.
Enxergo longe.
Enxergo grande.
Busco o amor que se esconde
No coração de quem
Só pensa em fazer o bem,
Sem mesmo olhar a quem.
Espero pela cumplicidade
De quem só quer a igualdade.
Acredito na bondade,
Na partilha e na irmandade.
Acredito nas almas boas
Que habitam em algumas pessoas.
Acredito no que duvido:
Que não haja amor entre os humanos
E que todos os homens são tiranos.
O mundo só é mau para quem se nega
A amar uns aos outros sem distinção
E sem fazer sobreposição.
O mundo pode o bem dividir,
Se cada um, que sabe de si,
Reconhecer que amando o outro
É que se pode ser feliz.
Nara Minervino
POR QUE ESCREVO?
Eu não escrevo a esmo,
sem motivo ou sem razão.
Escrevo porque tenho desejos,
fantasias, inspiração.
Escrevo porque tenho planos
que não cabem no coração.
Nara Minervino
EU
Não me aborreço facilmente,
mas a raiva que me alcança
eu domino fácil demais,
porque meu coração,
que é amor,
não abre precedentes
pro rancor.
Nara Minervino
MINHAS PALAVRAS
Se minhas palavras não servirem para consolar,
Não tenho por que escrever.
Nara Minervino
MUDANÇAS
Não me importa saber
que vou mudar as coisas.
Importa-me saber
que eu tento mudá-las.
Nara Minervino
Não temos vergonha de ver a nossa sombra. Aceitamos a sombra como parte de nós mesmos, porque senão ela não diminui.
Não precisamos de muito, para sermos felizes, mas precisamos do amor, para sermos completos!
Nara Minervino
