Fim de tudo
Não tema a morte como o fim de tudo o que você foi e representou.
Preocupe-se apenas em deixar boas lembranças e você ficará imortalizado naqueles que aqui ficarem...
" Já não consigo definir
o começo e o fim,
parece tudo misturado
jogado à própria sorte
já não existe o medo
daquelas luas da infância
dos lobos que vigiavam as esquinas
acho que foram todos mortos
já não há desejos intensos
apenas o caminhar lento
procurando tua mão
que em vão o coração
ainda tenta encontrar...
Aprendi a não esperar nada de ninguém e simplesmente fazer minha parte, porque no fim de tudo, a conta será entre eu e Deus!
ROSAS MURCHAS
As rosas murchas são a mensagem de que tudo tem fim; que tudo se resume a isso: "o fim". Não sucederá eterna, nem a beleza e nem a perfeição; e diante da inexorabilidade do Universo por mudar tudo, mais dia, menos dia, tudo se acabará. O que de fato será mantido é a essência boa das coisas. Tudo porque Deus é aquilo que se renova em gesto e cor, em beleza e atitude. É ELE quem cria, é Ele quem a tudo transforma; é ELE quem a tudo permite; pois que ELE é, Aquele que vê e ouve, e por vontade age; sem a abstração de ser notado. E porque é absoluto, é ELE quem julgará, a nós todos.
Fim
Hoje tudo em mim é saudades.
Ponteiros sem rumo apontam uma vida fora do prumo.
Não há magia nos minutos...
Só há horas partidas em mil pedaços perdidas.
Dia e noite confabulam entre si palavras vazias...
Não há sonhos... não há alegrias..
Na verdade, não há dias...
Só noites seguidas de outras noites sempre mais frias...
A cada segundo tudo se cobre de mais e mais nostalgia...
Não há mais poesia...
Só uma vida estragada... cortada em fatias.
UMA BRISA
Parece-me, que no fim de tudo,
o que de fato buscamos é aumentar o prazer
sempre mais prazer.
Queremos o prato feito, perfeito
com mais gordura, mais azeite e vinho.
Queremos o ponto final na obra-prima
o fim do capítulo, resolver o conflito
do nosso mal fadado enrendo.
Queremos o epílogo, um posfácio honroso
como uma lápide escrita em ouro.
Contudo, ao contemplar tudo isso
o que temos é apenas um prefácio
da obra que almejamos escrever.
Queremos o fim da temporada
a plateia animada, em êxtase
com o fim da comédia
ou da tragédia que engendramos.
Ensaiamos tantos atos,
e nunca conseguimos chegar ao fim do espetáculo
à última cena, ao aplauso derradeiro.
Somos só estreia, iniciantes,
aprendizes desse viver comum
sem honra ou gloria imortal.
As cortinas se abrem
e nós nos apresentamos
como digníssimos palhaços
doutores, advogados,
escritores, poetas, artistas,
pintores, cantores, alfaiates,
políticos, prostitutas,
pai ou mãe de família abnegados,
alcoólatras inveterados.
Mas em um belo dia, num fatídico dia
as cortinas se fecham, antes que a temporada se acabe
então nos encontramos com o nosso verdadeiro eu,
é quando tudo termina, e a existência se finda
e a nossa personagem se despe do natural disfarce
assim, o homem não conclui seu último ato
não põe o ponto final na obra-prima,
não resolve o conflito, não escreve o posfácio.
Em vez de eternidade, fatalidade,
estrela cadente,
uma brisa,
sutil e distraída.
Evan do Carmo 30/12/2018
"O céu pode ser o limite, mas nunca o fim de tudo...!"
Otávio ABernardes, Tavinho, o "Joli"
Goiânia, 04 de março de '24.
