Fantasma da Opera
O trem
(Verso 1)
Num trilho sombrio, onde a noite persiste,
Um trem fantasma, onde o tempo desiste.
Carruagens de névoa, deslizando no ar,
Desejos tecendo o destino, num silencioso mar.
(Refrão)
No trem misterioso, onde o passado é presente,
Passageiros espectrais, rostos indiferentes.
Desejos dançam, tornam-se realidade,
Eu sou o único vivo, na eternidade.
(Verso 2)
Sombras dançam nos corredores sem fim,
Almas perdidas, buscando um destino enfim.
O condutor invisível guia a jornada,
Onde o desconhecido se torna uma estrada.
(Pré-Refrão)
No eco do apito, o tempo se congela,
Nesse trem de mistérios, a verdade se revela.
Olhares vazios, segredos entre suspiros,
Cada estação, um portal para devaneios.
(Refrão)
No trem misterioso, onde o passado é presente,
Passageiros espectrais, rostos indiferentes.
Desejos dançam, tornam-se realidade,
Eu sou o único vivo, na eternidade.
(Ponte)
A neblina se adensa, encobrindo a visão,
O trem se perde, na última estação.
Na penumbra, um sussurro, uma metamorfose,
Eu me vejo refletido, numa sombra que se propaga.
(Verso 3)
No vagão final, a névoa se entrelaça,
O tempo desvanece, a realidade embaraça.
Eu, outrora vivo, agora parte do espectral,
Numa jornada sem fim, onde tudo é celestial.
(Pré-Refrão)
No eco do apito, o tempo se congela,
Nesse trem de mistérios, a verdade se revela.
Olhares vazios, segredos entre suspiros,
Cada estação, um portal para devaneios.
(Refrão)
No trem misterioso, onde o passado é presente,
Passageiros espectrais, rostos indiferentes.
Desejos dançam, tornam-se realidade,
Eu sou o único vivo, na eternidade.
(Outro)
Na névoa dissipada, eu me reconheço,
Um passageiro etéreo, num destino confesso.
No trem misterioso, onde o tempo se desfaz,
Eu me torno sombra, na dança que nunca jaz.
aqui no fundo do mar, em sombria água
busquei redenção como náufrago fantasma
para sempre vivendo nos versos esquecidos
na escuridão do fundo do mar em um livro
Riz de Ferelas
Livro de poesia Novos Ventos
Fantasma do amor
Fácil é fazer corações se perderem
Difícil é encontrar motivos para não sofrerem
Sou abrigo, a paz a fluir
Onde sonhos se encontram e podem ressurgir
conforto onde muitos se aquecem
o calor que abraça
fogo que nunca se apaga
Figurante a brilhar
Modéstia disfarçada, sabendo meu valor no ar
Você é o sol, o centro a reluzir
Desejo que brilhe que venha a surgir
Posso ser um caminho, luz em sua jornada
abrindo espaço para a vida sonhada
Mas nem sempre o amor é um mar profundo
no primeiro erro me afasto desse mundo
Como um sussurro no vento
serei sempre parte do seu mais intenso momento
Apenas um fantasma que passa a vagar
ecoando na sua mente, deixo imaginar
Perdeu-me e nunca vai me encontrar
Fazia sentir-se único na multidão
Vi sua essência e perfeição
Agora restou um eco, um vazio profundo
tentando preencher com coisas do mundo
Mas saiba que nada preencherá essa dor
Você busca o que é vazio, e não o amor
E eu sigo aqui, sombra de quem fui
o amor que deixou escapar
Um lembrete do amor que nunca mais construiu
NOITE SEM NOME
Beijei o asfalto
com lábios de cachaça,
Fumaça,
no Cais...
um abraço fantasma,
Ecoava,
Recife chorava
comigo,
Madrugada.
Vejo fantasmas de meu passado voarem para meu presente,
Cada fantasma lembra uma lástima, cada lástima me faz querer desistir.
Escuto fantasmas de meu passado gritarem alto,
Berros tão tensos como uma tempestade violenta, e isso me prende, me acorrenta.
Teu sorriso faz meu coração bater densamente,
Tão belo que me faz esquecer do mundo.
De pessoas, coisas, fantasmas;
Meu coração bate tão alto que a tempestade de torna um calmo rio ao se comparar.
Teu abraço é um abrigo, um abrigo seguro e confortante
Meus medos e fantasmas somem no mesmo instante.
Isso é amor?
Não, o que chamam de amor,
eu chamo de proteção.
Então enfie os dez dedos na garganta pois é
Bote pra fora o fantasma cinza que padroniza sua alma e te habita
Então eu afogo como sempre faço
Dançando pela nossa casa com o seu fantasma
E vou persegui-lo, com um tiro de verdade
Que meus pés não dançam como dançaram com você
Desejo que não acontece
Fica guardado no peito.
Se transforma em fantasma e vira e mexe volta pra nos assombrar.
Amor fantasma!
O amor que a gente alimenta so no pensamento.
O amor dos que não pode expressar, dos que não podem tocar, o amor que sufoca as vezes.
O amor que vaga em corações, e que padre nenhum consegue exorcizar. O amor dos que calam, por não ter coragem de falar. O amor, dos que não conseguem perdoar.
O amor dos corações fantasmas, que viveu ou vivem nas lembranças que não pode voltar. Que passam os dias vagando na esperança de se libertar.
Janayne Oliveira
12/06/23
"Sabe por que nordestino não tem medo de fantasma? Porque aqui a gente já vive assombrado com as contas pra pagar, não sobra tempo pra ter medo de assombração!"
Sinto-me como um fantasma
Para alguns invisível,
Para outros uma assombração
Para mim uma alma que vaga sem rumo
Em busca de aceitação.
Você não foi embora. Você não é um fantasma, ainda. Você é a indócil e amarga realidade. Você é a vida presente com gosto de vômito. E eu não sei se isso me conforta ou corrói minhas entranhas em puro nojo e desgosto.
Muitas vezes pego-me a observar-me, como se fora um outro, um terceiro, até mesmo um fantasma assombrando a si próprio. É um sentimento estranho, outro dia, enquanto conversava com uma amiga sobre nossas experiências sexuais, eu não parava de me perguntar internamente o porquê de estar fazendo aquelas escolhas de palavras, não seria as palavras que eu falaria se eu fosse realmente eu. Não é estranho esses momentos em que percebemos que deixamos de ser.
Ali, de repente, fui tomado por um outro, a quem fui observando de longe, um outro que eu não conhecia, mas que ainda acho ser eu em algum espectro, alguma nuance. Um eu reprimido.
Outras vezes que percebo esse fenômeno é quando me apaixono por alguém, abandono-me fácil de mais. Meu espirito sóbrio foge do meu corpo, como em uma espécie de projeção astral. Mas meu corpo não fica oco, logo trata de si preencher e penso, falo e ajo de um jeito absurdo, clamando pela atenção de estranhos. Por isso não gosto muito de mim quando me apaixono e isso tem acontecido com certa frequência, digo que conheci um menino na segunda e na sexta não paro de pensar na nuca de um outro. É repugnante me assistir agindo dessa maneira, se apaixonando por puro tédio e se convencendo de que esses sentimentos são reais. E chega a ser patético me ver me humilhando assim.
Quem sabe esse não seja um problema a ser resolvido, tenho que aprender a conviver com essas versões espaçosas de mim.
