Falecimento
"Um casamento não dura até que a morte os separe; dura enquanto nenhum dos dois estiver morrendo por dentro."
Intimidade da morte
É engraçado como eu e a morte somos próximos. Ela me avisa que vai tirar alguém de mim, como se isso fosse fazer doer menos, mas ela não me explica por que isso tem que acontecer.
Ela chega sem pedir licença, senta ao meu lado em silêncio e me encara como quem já conhece todas as minhas fraquezas. Às vezes diz quando, às vezes dá um aperto no coração, mas nunca diz como. Apenas deixa a sensação de que algo está prestes a mudar para sempre.
O curioso é que mesmo odiando sua presença, eu aprendi a reconhecer seus passos. Antes de cada despedida, existe um silêncio diferente, um peso no peito que nenhuma palavra consegue aliviar. E eu fico tentando negociar com o inevitável, como se o universo aceitasse barganhas feitas com lágrimas.
A morte sempre leva alguém, mas nunca leva apenas uma pessoa. Ela também arranca pedaços de quem fica. Rouba risadas que ainda não aconteceram, conversas que nunca serão terminadas, abraços que estavam guardados para outro dia qualquer.
E ainda assim, a vida insiste em continuar. O sol nasce como se nada tivesse acontecido, as pessoas seguem seus caminhos, o relógio não atrasa por causa da nossa dor. Talvez seja essa a parte mais cruel... descobrir que o mundo não para quando o nosso desaba.
Talvez um dia eu entenda por que algumas histórias terminem, talvez eu nunca entenda. Mas até lá, vou carregar comigo a saudade de quem partiu e o privilégio de ter vivido momentos que nem a morte foi capaz de apagar. Porque ela pode levar corpos, vozes e presenças, mas nunca conseguirá apagar o amor que ficou.
E sem perceber, a cada despedida ela volta a me visitar... Já não somos mais estranhos.
Entre perdas, silêncios e saudades, eu e a morte vamos nos tornando íntimos, não porque eu a aceite, mas porque ela insiste em fazer parte da minha história.
Ninguém está preparado para a morte de quem ama, porque algumas presenças parecem eternas até o dia em que se tornam saudade.
São corredores da morte. São condenados que carregam a sentença cravada no próprio corpo, na própria carne. Na face, nos pulmões, no fígado, no pâncreas, na próstata, nas pernas, nos braços, enfim, onde o veredicto imposto pela cruel e desumana caneta da vida consegue alcançar. São olhos marejados que se perdem no espaço e, em silêncio, fazem perguntas, a maioria delas, sem respostas. Será culpa minha? Será um castigo? Será que sobrevivo? Será...Será...Será...E dor...Dor que faz questionar a própria essência, caráter...Os anjos? Os anjos são aqueles que acompanham os condenados por entre os corredores da morte...São aqueles que já conseguiram remissão se foram mesmo expulsos do céu pelo Criador...São aqueles para os quais não existe mais pecado, simplesmente por serem anjos...Anjos em momento de dor...Para estes e para os condenados, a vida não é somente vida, é presente, é perdão, é amor...E o Criador, por amor, desenha e redesenha o destino dos condenados...Somente por amor...
O mar não está morto; a morte é um paradigma de vida que contempla aquilo que não foi esquecido.
Reno Fioraso
morte nem sempre chega em silêncio.
Às vezes ela cresce devagar
dentro dos olhos cansados,
nos sonhos abandonados,
na parte da alma
que desaprende a sentir.
Há mortes invisíveis
que ninguém enterra.
A da esperança,
a da inocência,
a daquela versão nossa
que um dia acreditou demais.
Helaine machado
"A verdadeira imortalidade não é vencer a morte, mas viver de tal modo que ela não consiga apagar aquilo que fomos."
Chamamos de irmã a morte,
embora dela fujamos sem cessar.
Ela não nos rouba a esperança;
apenas a conduz para além do olhar.
É dura para quem fica,
silêncio que rasga o peito e faz chorar.
Mas, para quem parte em Deus,
é a porta por onde a Vida vem abraçar.
A morte fere os vivos,
não porque vença o amor,
mas porque o amor sente a ausência.
E, ainda assim, nossa irmã
leva o peregrino ao encontro
da Vida que jamais terá fim.
O meu quarto tem cheiro da morte.
A minha janela reflete a escuridão
A minha cama vazia me ensina o que é a solidão.
A morte não é o contrário da vida,
mas o limite que lhe dá forma.
É porque o tempo não retorna
que cada escolha adquire peso;
e é porque o ser pode cessar
que existir nunca é indiferente.
O amor é tão forte como a morte;
A tua segurança é como uma armadura, então não se perca por qualquer pensamento indevido;
LUTO
O amor dói.
O amor dói na vida e estraçalha o coração na morte.
Mas se não doesse, seria amor?
O bom de amar, talvez seja o fato de que a dor cruel que sentimos é a maior prova de que tudo valeu a pena!
Ao partir um ente querido, um pedaço de nós parte com ele mas é a parte de nossa alma que pertencia a essa pessoa e, se dói quando arrancada, é porque realmente, como dito acima, valeu a pena!!!
O luto talvez não seja pra nos acostumarmos com a falta de quem foi embora, mas pra nos habituarmos a viver sem o pedaço de nós que foi junto. E, sabemos, não nos pertenceu. Por isso valeu a pena!
Amar alguém é entregar parte de nós a esta pessoa e, mesmo na morte e principalmente nela, sabermos que não temos direito a esta parte que entregamos por amor.
Por amar sofremos e somente por amar, é que vivemos.
Infelizmente a conexão entre a vida e a morte, a Luz e as Trevas, entre relacionamentos e amizades, não raro, é uma mera linha tênue. Apegue-se a vida, ao amor e não aos pregadores do seu oposto.
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