Falecimento
No silêncio dos pensamentos mais profundos, nasce um questionamento que reverbera em nossas almas inquietas: a vida que vivemos é real ou apenas uma miragem? Será que existe um véu de ilusão que encobre nossos sentidos, ocultando uma outra vida, mais genuína e verdadeira?
Caminhamos pelas estradas da existência, envoltos em um tecido de experiências, desafios e prazeres efêmeros. Por vezes, somos tomados pela sensação de que há algo além do que podemos tocar e ver, algo que transcende a superfície da realidade que conhecemos. É como se houvesse um universo paralelo, oculto aos nossos olhos, onde residem respostas esperando para serem reveladas.
A vida cotidiana nos envolve com seus afazeres incessantes, enquanto a inquietude da alma persiste em questionar. Será que essa rotina frenética é tudo o que há? Será que existe um propósito maior, além dos limites que nos são impostos? A busca por essas respostas é como uma chama acesa em nossos corações, uma chama que nos impulsiona a transcender as aparências e mergulhar no âmago da verdade.
É nos momentos de contemplação solitária que nos aproximamos dessa fronteira, desafiando a realidade que nos cerca. Aí, no encontro entre o efêmero e o eterno, entre o tangível e o intangível, percebemos que a resposta está além dos nossos sentidos físicos. A verdadeira vida não se limita à matéria, ela é um estado de consciência que transcende o tempo e o espaço.
É como se estivéssemos envolvidos em um sonho coletivo, onde a realidade se desenha através de nossas percepções individuais. O despertar para a verdadeira vida requer coragem, desapego e uma busca incessante pela essência da existência. Somente quando nos libertamos das amarras da ilusão é que vislumbramos um horizonte onde o ser e o cosmos se entrelaçam em perfeita harmonia.
Portanto, ergamos nossos olhos para além do horizonte conhecido, abracemos a incerteza e a magia do desconhecido. Pois é nessa jornada de autodescoberta que encontraremos a verdadeira vida, aquela que vai além das convenções sociais e das limitações impostas. Nessa vida autêntica, despidos de ilusões, somos a expressão pura de nosso ser mais profundo.
Que a busca pela verdadeira vida seja nossa bússola, nossos sonhos a vela que nos guia nas águas turbulentas do tempo. Não percamos a fé e a esperança, pois no âmago da existência, além do véu da ilusão, encontra-se a essência divina que nos conecta ao universo. Em meio às incertezas, lembremo-nos de que a verdadeira vida é uma dança sublime entre a eternidade e o efêmero, entre a ilusão e a realidade.
A liberdade, o bem que os homens mais desejam, é a recompensa de termos concluído nosso objetivo na terra.
Se hoje passei pela tarde
foi porque ela estava lá
Se depois de amanhã não morrer
foi porque eu não estava lá
Costumo brincar com a vida
Porque brincar deixa a vida mais amena
A vida não tem que ser fácil ou sofrida
Só tem que valer pena
Brinco também com a realidade, que é dura
Dura, mas é pior se ficar densa
Brincar de tudo me cura
E sorrir é minha maior recompensa
Brinco até com minhas tristezas
Como se minhas lágrimas não fossem de verdade
Meu mundo da fantasia não tem certezas
Mas também não tem mentiras e nem maldade
Sempre brinco com as palavras
E quando brinco, as frases surgem assim
Nem sempre sai um poema
Mas o que escrevo sempre fala de mim
Não viver é mais triste que morrer
Ninguém chora por ter morrido
Mas chora por chegar às portas da morte sem ter vivido.
Pessoas infelizes dão valor a bens materiais e desvalorizam o próximo que sempre lhe estenderam as mãos. Assisto de camarote, logo eu, cercado de pessoas fracas, podres por dentro e de alma imundice. No final, a arrogância e soberba não as socorre em quanto definham aos poucos, nos braços daqueles, que essas pessoas já mais valorizou.
Daqui à 100 anos, todos estaremos enterrados, com nossos parentes e amigos. Estranhos viverão nas nossas casas e terão tudo que hoje é nosso...todas nossas propriedades serão de desconhecidos que sequer nasceram ainda!
Nossos descendentes nem se lembrarão de nós depois da nossa morte. Alguns poucos se lembrarão, por pouco tempo, depois só um retrato na estante de alguém, que também não será duradouro. Se pudéssemos, nesse momento póstumo, pensaríamos o quão tolo é querer ter tudo...trocaríamos esse tudo por viver mais, desfrutar de passeios que nunca tivemos, dos abraços que não demos, do amor que não compartilhamos, esses momentos que encheriam nossas vidas de alegria, e desperdiçamos.. dia após dia. Mas ainda há tempo de mudar, se não o desfecho, pelo menos o trajeto!
Chuva interior
Sinto as folhas dobrarem com o carinho da chuva.
Fico encolhido como os pássaros.
O vento fica mais frio.
Sinto a brisa que entra pela janela.
Fecho os meus olhos e ela está dentro do meu ser.
Chorando não sei por quê?
Chove no meu interior!
A água transborda pelos meus olhos
Fico cego de dor!
Saudades de um grande amor
Talvez a vida tenha me deixado com muita dor.
Receio não ter mais dias alegres.
Minha alma está cinzenta como este dia
Iluminado apenas por raios perigosos.
Trovões e relâmpagos sacodem meu coração;
São registros de amores que se foram
E do amor que está por vir.
Ou simplesmente é uma chuva dizendo
Que o meu tempo já passou
E que é hora de partir...
"E quando chegar o dia que não houver choro nem tristeza em um sepultamento, então o ser humano descobriu o que veio fazer neste mundo."
Vida nascendo era tão mais sangrento do que morrer. Morrer é ininterrupto. Mas ver matéria inerte lentamente tentar se erguer como um grande morto-vivo... Ver a esperança me aterrorizava, ver a vida me embrulhava o estômago.
O caixão da alma
Presa em uma casca de dor,
Aprisionada em uma pele d’onde se transita flor.
Releio Augusto dos Anjos,
poeta preso em fantástico caixão alheio,
Sinto similaridade com a dor dele, hoje.
Dor, coração e um triste sossego.
Presa em teu sonho selvagem,
curto metáforas de Clarice Lispector,
repenso Antônio Nóbrega,
todos poetas que profetizaram a dor,
a morte, o caixão em badalado, triste e feio.
Presa. E estar em cárcere machuca.
É um acordo feito consigo mesma.
É um contrato social a qual a gente olha e diz:
-Por que você está destruída?
-Se sou eu a única pessoa que precisa ser salva?
Ora, por que me fazes chorar?
Suas cicatrizes são minhas, sabia?
Presa na obra de um carpinteiro,
meu corpo lança um: “não te amo, mais”,
A alma na pele que habito,
tal como Almodóvar e seu percevejo.
Presa em uma cama fria,
Em um hospital onde a morte olha, vazia.
Aprisionada entre o sim e o não,
Entre a vida e o não.
Presa em um corpo de morte,
tal como preconiza Paulo,
presa, simplesmente aprisionada,
Rousseau já dizia que por todos lados
sigo acorrentada.
Presa. Simplesmente aprisionada.
À minha alma que segue inerte,
desejando que a dor galope e não me veja.
Mas, Clarice só me apontou a hora,
e “dos Anjos” me avisou da mão que apedreja.
Presa em muros poéticos,
onde o sonho e a morte dançam e combinam,
juntas, o seu mais próspero desejo.
Presa em um caixão d’alma,
aprisionada pelo karma, ancestralidade,
herança genética, por traumas e desejos.
Morta em um vivo caixão de peles,
de feles e méis. Simplesmente, presa.
(instagram: @claudia.valeria.kakal)
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