Fale de seus Sentimentos se Nao Quiser Adoecer
Aprendi a ser poeta
com seus olhos azuis...
com seus olhos castanhos
aprendi a ver o tamanho
de uma grande dor
aprendi que a paixão se perde
com seus olhos verdes...
e com seus olhos pretos
aprendi a ser correto e
confiar no amor
sem seus olhos aprendi que nada posso ver...
A SERPENTE
O diamante duro e resistente
adornado ao ouro branco no seu dedo,
os seus cabelos brilhantes de bronze
tinha o olhar da multidão e as luzes da tarde,
sua pele de tecido macio,
seda persa, perversa, me induz ao pecado,
ao inferno que arde em meu peito,
eu sem jeito, demônio tímido atraído pela santa serpente,
não ouso olhar nas esmeraldas dos seus olhos,
não ouso sonhar com seus dentes mordendo meus medos,
não ouso os demônios urbanos,
nem os anjos da periferia,
não ouso espíritos campestres...
a serpente desliza entre as vitrines, hipnotizada pelo neon,
Outdoors e grifes;
sonha virar diva e viver mil historias de amor,
mas na madrugada a paixão domina o encanto
e a serpente rasteja na relva de uma floresta...
e a mulher se perde nas abstrações que edificam a vida,
esbarra em paredes e em escadarias,
se perde nos números, nos passos, nos rostos da multidão;
então percebe que existir é exatamente essa indefinição,
essa magia, esse prazer de estar sempre procurando...
procurando... até o momento que a porta se abre
e você dá de cara com a naja...
JIA
A princesa beijou o sapo e virou uma jia
E tudo que o sapo coaxava
Aos seus ouvidos era poesia,
E todo pulo, todo arroto era estripulia...
A língua esticava, o mosquito pegava,
As estrelas luziam...
Se todas as constelações habitassem a lagoa
E todos os beijos habitassem as canções
Onde estaria a sapa?
Valas são partituras nas periferias
Onde cantam as jias e ecoam as pererecas
A princesa conheceu esse mundo
E saiu beijando tudo o que era vagabundo
E o coaxar dos batráquios ecoava em todo canto
E o encanto da princesa se perdia
Que príncipe beijaria uma jia?
Então só lhe restava o pântano,
O espanto das sombras, as sobras na lama...
O drama de se aceitar como jia,
E ter a certeza que o conto de fada mentia...
Conheço seus infernos e seus demônios
Mas com eles eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos
Mas o perfume que eu sinto e você não tem
Seu jeito doce e seu olhar terno
Só se eu fosse o que eu não sou
Eu não tenho um castelo
Somente o sabor agridoce
do beijo que eu ainda não dei,
Tanto amor... jamais imaginei
te vejo ardendo no leito
E vejo o que te consome
Esse desejo proibido e sem jeito
Mas com a Pomba-gira eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos
O que você tem de bom é ingênuo
O que você tem de grande é pequeno
Eu amo esse anjo escondido no teu guarda-roupa
mas essa porta não abre
Você se protege com facas, espadas e sabres
quem já teve um amor verdadeiro
um dia e perdeu
herdou nos olhos a nostalgia...
mas perdeu seus horizontese suas referências
minha primavera, minha Vera prima
eles verão este inverno no meu olhar
eles verão o meu outono e outras estações
fases de lua e suas consequências
eles verão e eu inverno a derramar
o amor que transbordou no tempo e na saudade
quem já teve um amor verdadeiro e um dia perdeu
jamais será triste
triste é quem um amor verdadeiro nunca viveu
mas quem pode entender o amor,
o amor é um deus
ou se vive o amor e tem fé...
ou não vive e padece
e se torna um ateu
preciso lembrar que o amor me esqueceu
e que os sonhos que eu tinha
não são mais sonhos meus
ESQUARTEJADOS
saboreou seus dedos
lembrando o medo
das seis da tarde quando ele regressava
investigou suas golas, espionou suas etiquetas
roeu falange, falanginha e falangeta
lavou seu tênis e seus testículos
lembrou momentos bonitos
que já pareciam longe
quando fingia chupar seu sangue
e morder sua glande
fez picadinho do coração
ao som de um violino e um violão:
''mas não me olhe assim,
nem pense que eu sou ruim
e nem sou revanchista
eu só quero o céu do teu olhar
no olhar do meu céu
e me enganar que você foi fiel"
"eu rejeito o amargor desse fel
e esta angústia cruel
de imaginar-me traída...
e parecia absurdo
o ar de pânico do cadáver todo duro
com os olhos fixos e arregalados
depois vamos pra serra,
depois da serra elétrica
e da imperfeita métrica desse poema "
depois do último raio do crepúsculos
relaxa os músculos
vamos pra serra, depois da serra elétrica
vamos pra caverna dos esquartejados
te disse que nosso amor era pra sempre e infinito
terei esse olhar aflito terei teus gritos
terás companheiros: Osmar, Raul e Benedito
Perdoa! A fila anda...
Milputasiuma é capital de Hamilputápolis que tem Cornópolis e Piranhópolis como seus maiores municípios; Vagabundagenhense é um de seus bairros; no centro da capital muitos bares e bordeis onde se ouve músicas bregas num volume alto, mulheres com maquiagens carregadas, trajando saias muito curtas e decotes exagerados, ingerem bebidas alcoólicas com olhares perdidos na abstração de suas vidas miseráveis. nas praças elas fumam suas ansiedades e confidenciam seus descaminhos que lhes conduziram às drogas e a prostituição.
Vagabundagenhense tem como pilar o tráfico que alimenta a prostituição e recruta jovens adolescentes para a vida do crime; tudo decorre numa total normalidade e por conta de guerras entre facções, jovens são executados muitas vezes por estarem em lugares errados na hora errada; repito, tudo dentro da maior normalidade.
Mas tudo Isso é ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Vou escrever um conto; ando sem inspiração, mas tenho o mar e todos os seus mistérios; toda essa coisa grandiosa e o que inventam; as sereias, os tesouros, as ilhas misteriosas, os mundos perdidos... Vou escrever um conto... eu invento um amor; uma grande paixão... algo digno de Shakespeare; alguém que renunciou a não sei o que e se entregou de corpo e alma e me espera não sei onde... vou falar desse amor, olharemos o arco-íris e a neblina primaveril acinzentando a lagoa e o corcovado. toda a melancolia dos anos dourados que repousa no passado, mas nos incomoda como uma farpa entre a unha e a carne. Vou escrever um conto... eu invento um álien meio ianque, meio soteropolitano, dançando despido na calçada de Copacabana; lembrando o hit do Caetano, ''sem lenço sem documento"; dançando um axé, um xaxado, um samba-rock... qualquer coisa entre a preguiça baiana e a esquisitice americana. Vou escrever um conto sobre amores inesquecíveis, paixões impossíveis; gente que se jogou da ponte, se revolve nas águas e seus espíritos perambulam nas praias em noites de lua cheia... quem pode entender o amor? Vou escrever um conto sobre o que não conto pra ninguém, esse pavor, esse momento delicado, que expande o pânico com o terror de chacinas e ameaça eminente que nos torna refém de milícias e nos tortura com funk de apologia à droga, à prostituição e à violência. Toda essa violência propriamente dita e a violência estarrecedora da corrupção que nos venda à qualquer possibilidade de uma luz no fim desse túnel.
O fraco ri pois está imerso numa fumaça de preconceitos que corporifica seus pensamentos mais rasos sobre o outro, protegendo-se, assim, da cansante necessidade de gastar energia intelectiva sobre o real sentido do argumento alheio. Resumindo, está é a base do bonachão acostumado ao leitinho quente.
Sou casado,
sem sim sim da igreja
nem eu deixo do estado.
Somos um casal em seus lares
compartilhando todos os ares
de serem eternos namorados.
Além dos seus olhos...
Estava além...
– do que eu conseguia ver –
Muito além do que eu queria perceber...
E isso me levou aonde eu nunca soube que existia.
Onde eu nunca deveria ir.
Mas fui.
Mesmo sem querer.
E lá estava você.
Realmente como é.
Não como eu imaginei.
E o sonho se desfez.
A magia já não tinha mais encanto.
E, em seus olhos, a verdade se revelou.
E, pela primeira vez, isso me assustou.
Onde está aquele brilho que tanto me conquistou?
Esse estava além.
Muito além do meu amor.
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