Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade
Consumido pela poesia.
De continente á continente...
A saudade é o acaso de um poema...
As lágrimas derramadas...
É e sempre serão os escritos de minha alma...
As divisões e as subtrações confundem-se na matemática das minhas inspirações...
Escrever me faz bem...
Ao mesmo tempo...
Me consome...
Tento me alimentar...
Sem apetite não me convém...
Vou dando fantasias....
Ornamentando meus pensamentos....
A lua cinzenta mistura com o prateado das estrelas...
Os vazio é imenso....
O por so Sol me conduz ao um sono leve...
A madrugada chega...
Corpos celestiais me fazem sonhar...
Infinito céus...
Contínuo á me consumir...
Até onde...?
Onde...?
Irei com isso chegar....
Autor:Ricardo Melo.
O Poeta que Voa.
O jogo
Te conheci por um acaso, na frente de um cassino.
Por você me apaixonei.
Por você decidi enfrentar o mundo.
Na sua insana mente de mulher do mundo.
Aquela mulher que eu sonhei em resgatar das mãos da luxúria.
No entanto, você fez de mim um jogo.
Como cartas de baralho,
me jogava nas mãos de uma e de outra.
Era desprezado ,disputado e usado.
Passando de mãos em mãos.
com a cabeça embaralhada, fiquei.
Chegou o dia,
em que você acordou para a vida e tentou me reconquistar .
Mesmo com suas mãos ainda enfraquecidas, senti uma delas me segurar e não mais me soltar.
Em silêncio e confuso
fiquei.
Por ironia do destino, ressurgiste como uma fenix e tuas mãos seguras e firmes me socorreram e me amaste como eu queria ser amado.
Essas mãos,
Me fizeram reviver, acordar de um sonho tão pouco real e frutífero.
Porém, tudo não passou de um jogo,
E para sempre você me perdeu;
Me perdeste porque não soubeste valorizar o amor que a ti,
Dediquei......
Autor:Ricardo Melo
O Poeta que Voa
Tudo depende do meu ponto de vista, de como processo o esperado, ou o por acaso. Posso sentir por um tempo o poder do desespero do por acaso, mas logo o mesmo se aproxima do esperado, e o que é dor, torna-se aprendizado, fortalecimento. Então eu rio por dentro, e em minha face floresce um sorriso tímido, para em seguida resplandecer em meus olhos a alegria de um sorriso maroto, mais gracioso e realmente feliz. Enfim, entendi que o meu tudo sou eu, e que a felicidade reside em mim.
É como um útero cinza que habito:
ar, água, vias de sangue
circulam entre mim e sonhos.
Ruas se entrecruzam
com alguma surpresa:
trompas.
Na esquina, pode estar
qualquer forma de claustro, desespero,
antes mesmo do fim:
ovário.
A indiferença se disfarça de beleza, proximidade:
religiões, bares, barracas
de comida urbana disputam convivas.
O tempo não nos absolve
dessa correria encardida.
Dias nos fazem deixar um pouco do que somos
para trás:
placenta em lixo hospitalar.
Relicário
Animado com a nova compra,
abre a caixa branca,
geométrica,
como relicário:
retira plástico, papel, película
que recobre o produto, manual,
tomada, fone e tela de vidro.
Ligado em 127 volts, é o primeiro
olá que recebe hoje.
ÁLGEBRA
A vida se mede com alguns cálculos:
anos em dezenas;
propriedades em metros;
dinheiro em milhares;
amores em bodas,
mas a medida vaga do sorriso
se perde entre alaridos.
Desde tempos distantes
gostamos de juntar comida,
pilhas, roupas, vinho;
nosso cérebro vestiu essa fantasia.
Acreditamos que ao juntar,
medir, sistematizar;
marcaremos um tempo
para além do que nos foi entregue
em frágil vidro.
Esquecemos, entretanto, que ele
já veio trincado..
Sós
Olhar perdido
dizendo:
a vida é assim mesmo.
Entre vazamento de tubulação na via,
lixo incendiado na calçada,
calor, som de carro
no lava a jato,
me explica o menino,
de talvez
dez anos.
Rosto
De espelho em mãos,
observa cada detalhe.
Traços esquecidos e ainda vindouros
carregam igual geometria:
bolsa sob os olhos,
pêlos ressaltados,
boca diminuta.
Segmentos de aurora e ébano
se igualam:
tantas faces habitam um rosto.
Sou uma entre tantas sonhadoras, nada mais do que uma idealista, ou até uma lunática que levantou o seu próprio universo de fantasias, ficções e sonhos.
Os sussurros rompem as barreiras do som
Damos para o amor um novo tom
Compomos as mais lindas melodias
Dedilhadas na sintonia
Cantadas em nosso olhar....
Maria do Carmo Barreto Campello de Melo nasceu no Recife em 21 de julho de 1924-2008.Passou parte da infância no antigo Engenho da Torre e no Rio de Janeiro.Jornalista, escritora, poetisa.Principais obras poéticas: Música do Silêncio; O Tempo Reinventado; Verde Vida; Partitura sem Som; De Adeus e Borboletas; Solidão Compartilhda; A Consoada e muitas outras. Ocupava a cadeira de nº29 na Academia Pernambucana de Letras.
Meu poema é mudo
meu poema é opaco
não te vislumbrem subjacentente
entre as palavras que te cercam.
Mítico e indecifrável
é o poema pelo avesso que te contruo
íntima muralha que te construo.
Enquanto te pensava
um poema se ergueu no chão das minhas mãos
ereto e insondável
como uma flor noturna.
Passaste
e me revesti de ti
atingiste minha substância íntima: quem me vê
não se sabe que está vendo
uma parte de ti que me adere.
Interira e lúcida
perco-me e me revigoro no poema
que me recompuseste o teu nome no meu nome
com sílabas e vogais acesas.
Assina-me
sou teu texto
Minha luta, não foi por ti, mas por nós. E então, tive que partir.
Shihan Cícero Melo - Hoshō Ryū Ninpo
Série
Poemas de marcio melo
____Na vida andamos por caminhos empoeiramos os pés em meio aos tropeços tristezas e sorrisos pelo caminho a vida é uma caminhada longa com acertos e desacertos a quentura do sol queima os pés e o Fusca os olhos assim tudo que buscamos é o que encontramos e deixamos pela estrada já longe não se pode voltar pois o tempo segue sempre adiante e quem caminha pela vida sabe o que ficou lá atrás não se pode recuperar mais é assim a vida é estrangeira e o tempo seu guia a vida nunca acaba somente aquele que caminha
A caminhada
Em Algum Lugar
Por Marcio Melo
Há lugares onde estamos
sem nunca deveríamos estar,
mas de lá não saímos.
São lugares que evitamos,
mas neles moramos.
Talvez sejam só isso:
lugares que nunca deixamos.
E onde quer que formos,
eles irão também.
Estarão sempre lá.
Em algum lugar.
O Mundo de Gente
Por Marcio Melo
No mundo tem gente de todo lado,
De cima, de baixo, sem parar,
Gente que se mexe pra sobreviver,
Gente que aprende e vem ensinar.
Tem gente que fez sua história,
Tem gente que a sorte ajudou,
Outros lutam com esperança,
Sem perder a linha que traçou.
Uns nem tanto, a sorte atrasa,
Mas Deus dá força pra aguentar,
E as desventuras do caminho
Não conseguem nos derrubar.
Cedo se aprende nessa vida
Que é caindo que se vai levantar,
Que é cedo que começa a lida,
Que é na luta que se faz lugar.
O trabalho é duro, isso é certo,
Mas não é o sufoco que importa não,
O que traz respeito e confiança
É a dignidade no coração.
Eita, mundo!
Eita, vida!
Povo que se mexe não para,
Parecem formiga na corrida.
Esse mundo de gente,
De tudo quanto é lado,
Gente a perder de vista,
Cada um no seu recado.
Cada um faz o que pode,
Da melhor forma que puder,
E é assim que o mundo de gente
Segue firme a caminhar, você há de ver.
O Cardápio e o Juízo
Por Marcio Melo
Adeus a este mundo que chama de normal
O ódio que impera sobre o sangue dos inocentes.
Eu não caibo aqui,
Pois prefiro o meu mundo interior,
Onde a música e a poesia dançam abraçadas,
E a primavera não morre nunca.
Mas todo dia o cardápio é servido:
Mulheres, crianças, homens,
Partes colhidas das guerras, da fome, da miséria,
Montadas com sofisticação
Pra o mundo comer sem culpa.
Então eu acredito em Deus de novo.
Não por medo,
Mas por esperança.
Porque haverá um tribunal divino,
Um juízo final
Que há de consertar o que quebramos.
A natureza, as espécies,
Toda a criação profanada.
E nesse dia, salvos ou não,
Quem destruiu será queimado como palha seca,
Pulverizado da existência.
Porque justiça sem conserto não é justiça.
Até lá, eu fico no meu mundo.
Até lá, eu escrevo.
Porque alguém precisa dizer
Que o banquete da crueldade
Um dia acaba.
"Assoreamento"
Marcio Melo
Sou rio corrente,
arrasto o que me dói.
Mas no peito se assenta
a lama que corrói.
Assenta devagar,
soterra o que eu sou.
Cobre o leito antigo,
apaga o que jorrou.
Sou só correnteza
sem fundo pra voltar.
Peso no meu peito
que não deixa amar
Lugar de Mato
Marcio Melo
Eu queria ir pra um lugar
onde o vento sopra paz,
onde revoada canta alto
e o mato tem cheiro de mais.
Cheio de pássaro e terra
nos pés sem pressa de andar.
Sentado na porta da casinha de sapê,
só vendo o tempo passar.
Longe da cidade imunda,
poluída de gente vazia,
que se consome e se acaba
morrendo sem alegria.
Quero uma vida que não seja
só passagem sem sabor.
Quero erguer lembranças minhas
como quem ergue um castelo.
Um lugar onde se sonha
e o sonho vira real.
E morrer abraçado ao mato,
com a paz no coração.
Meu Amor
Marcio Melo
Em algum momento desta vida
eu terei meu amor.
E aí a gente vira sentido,
complemento, um só coração.
Até que os beijos, os abraços,
as carícias virem eternas.
Cada instante virando inspiração
pra quem se entrega sem preço.
Pra amar sem medo,
arriscar tudo por um beijo,
se aventurar no verdadeiro
e não soltar mais depois.
Só quero dormir e acordar
do lado de quem faz tudo ter sentido.
E amar cada dia
como se fosse pra sempre amar.
