Excesso
A simplicidade é o luxo mais raro.
Em um mundo que valoriza excessos, ser simples é quase um tesouro escondido.
O luxo verdadeiro não está em ter muito, mas em precisar de pouco.
Pâmela nunca foi metade.
Era decisão, intensidade, excesso.
Cabeça dura, dessas que não recuam,
dessas que ensinam sem pedir licença
onde a gente precisa mudar.
Você sonhava alto demais…
e eu sempre com os pés presos no chão,
vendo o copo meio vazio
enquanto você insistia em transbordar.
Eu via maldade em tudo,
você via beleza onde eu já tinha desistido de procurar.
E talvez por isso a gente tenha se perdido.
Porque você também era fogo
e fogo não sabe ficar parado.
Gostava de flertar com o mundo,
de viver no limite,
de sentir tudo no máximo…
até quebrar o que não podia.
Você quebrou.
Sem grito, sem aviso.
Só quebrou.
Mesmo assim, tem coisa que fica.
A gente na estrada,
Formosa passando pela janela,
e o Salto do Itiquira despencando
como se tudo fosse eterno naquele instante.
E olhando o Salto do Itiquira cair,
eu pensei…
talvez eu nunca tenha sabido saltar.
Sempre fui chão,
enquanto você era queda.
E talvez tenha sido isso
que nos quebrou.
E talvez tenha sido.
Porque mesmo depois de tudo,
mesmo depois de você ter sido
tudo o que me construiu
e o que me destruiu…
ainda tem um pedaço de mim
que lembra de você
como se não soubesse
como deixar de lembrar.
A quietude provoca pensamento no outro, enquanto o excesso de palavras gera ceticismo. A arte de falar pouco e escutar mais é um conhecimento valioso mantido em segredo pelos sábios, ao passo que a verbosidade excessiva revela a fragilidade dos ingênuos.
A vida nunca para. Às vezes só precisa tirar o excesso, ajustar o ritmo e deixar o mínimo dizer o que importa.
O que leva um ser humano a odiar, destruir o outro, o mundo; é o excesso de poder, egoísmo, soberba, ganância por riqueza.
Que pobreza!!!
Evite o excesso de pensamento, mas não abra mão da sabedoria nas decisões, planejar pode custar tempo, mas costuma trazer melhores resultados.”
Para uns, um excesso de ousadia é coragem; para outros, um excesso de coragem é ousadia. Talvez seja sobre isso: ser ousadamente corajoso ou corajosamente ousado.
Já fui tempestade em corpo humano.
Corria, entregava, me doava tudo em excesso, tudo por quem não merecia.
O descanso era luxo, o sono um privilégio raro.
E mesmo assim, eu seguia, quebrado por dentro, inteiro por fora.
Fui chão para muitos que nunca se abaixaram para me levantar.
Hoje, minha vida mudou.
Não porque ficou mais fácil, mas porque aprendi a escolher.
O que antes era urgência virou direção.
O que era excesso virou equilíbrio.
O que era entrega virou cautela.
E agora, quando me permito parar, respirar, dormir… incomoda.
Incomoda quem nunca viu o quanto já fui além dos meus limites.
Mas não me julgue por descansar.
Não me chame de preguiçoso.
Veja em mim alguém que aprendeu a se respeitar.
Porque meu descanso não é fuga.
É cura.
É reencontro.
É o silêncio que me devolve a paz que o mundo tentou roubar.
Eles não veem.
Não é falta de olhos.
É excesso de certezas.
Vivemos como se fôssemos habitantes do planeta mais provinciano do universo onde pensar diferente incomoda, onde questionar ameaça, onde o novo assusta.
Reagem antes de refletir.
Julgam antes de entender.
Atacam antes de estudar.
E o mais curioso?
Acreditam que são evoluídos.
Mas quem tem medo do pensamento livre nunca saiu do próprio quintal.
Enquanto isso, eu sigo expandindo.
O presente se torna leve quando o amanhã perde a tirania, o excesso perde o lugar e o passado perde o peso.
Otimismo sem medida cega; pessimismo em excesso retrai. A virtude exige serenidade e lucidez diante do real.
