Evangelho
A dispensação do Espírito é o pleno dia do Evangelho, do qual os tempos proféticos eram apenas a aurora.
Three Essays on the Spiritual Manifestation of the Son of God, Essay II, Works, Vol. 4, p. 112.
Que o seu ano novo seja uma nova vida conforme a vontade de Deus e guiada pelo Evangelho de Jesus Cristo e protegido pelo Espirito Santo de Deus!
ORGULHO, IGNORÂNCIA E INFLUÊNCIA ESPIRITUAL À LUZ DO ESPIRITISMO E DO EVANGELHO.
PARTE I
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Para enriquecer o título e a reflexão doutrinária, dois capítulos bíblicos dialogam profundamente com os ensinamentos espíritas sobre orgulho, soberba, vaidade, limitações humanas e influência espiritual.
No Antigo Testamento, destaca-se o capítulo 16 do livro de Provérbios. Nele encontramos uma das mais conhecidas advertências sobre a soberba:
" A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. "
Provérbios 16:18.
Sob a ótica espírita, esse ensinamento revela uma lei moral observável em todas as épocas. O orgulho cria ilusões sobre si mesmo. A criatura passa a acreditar que está acima das leis divinas, acima da correção e acima da necessidade de aprender. Mais cedo ou mais tarde, a realidade lhe apresenta lições que restauram a humildade e o senso de proporção.
No Novo Testamento, merece destaque o capítulo 23 do Evangelho de Gospel of Matthew. Nesse capítulo, Jesus dirige severas advertências aos escribas e fariseus, denunciando a vaidade religiosa, a hipocrisia e o desejo de superioridade moral.
Entre suas lições mais profundas está:
" O maior dentre vós será vosso servo. Porque aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. "
Mateus 23:11 e 12.
Essa passagem harmoniza-se integralmente com os ensinamentos de Allan Kardec. O verdadeiro progresso espiritual não consiste em aparentar santidade, erudição ou autoridade. Consiste em transformar o próprio caráter, vencer as imperfeições e servir ao próximo com sinceridade.
Enquanto o orgulho busca ser admirado, a humildade busca ser útil.
Enquanto a vaidade procura aplausos, a consciência reta procura o dever cumprido.
Enquanto a soberba afasta a criatura da verdade, a humildade abre as portas para o aprendizado contínuo.
Por essa razão, o Espiritismo ensina que o combate mais importante não ocorre contra os outros, mas contra as imperfeições que ainda carregamos em nós mesmos. A reforma íntima constitui a grande batalha da alma em sua jornada rumo à plenitude espiritual.
Fontes Fidedignas
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Questões 115 a 133 e 459 a 472.
Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. Capítulos XXIII e XXIV.
Allan Kardec. A Gênese. Capítulo XIV.
Allan Kardec. Revista Espírita. Diversos estudos sobre obsessão, orgulho e educação moral.
Bíblia Sagrada. Provérbios, capítulo 16.
Bíblia Sagrada. Mateus, capítulo 23.
José Herculano Pires. Traduções e comentários das obras de Allan Kardec.
"Toda vez que a humildade cresce, o orgulho perde terreno, e toda vez que o orgulho recua, a luz da verdade encontra espaço para iluminar a consciência."
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FELICITA O TEU DIA.
Do Livro: Florais do Evangelho.
Pelo Espírito: Catarina Labouré / Irmã Zoé .
" Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal. "
Mateus 6:34. - Jesus.
Eis que amanhece mais uma vez,surgem-te uma nova oportunidade de aceitá-lo embora não te esqueças,que ontem fizestes planos similares para estar bem no transcorrer no dia de hoje,não obstante,as decepções que te assaltam em todos os campos,se impõem não como inimigos mas como um cadinho que te avalias as promessas anteriores.
Vem o dia para atender-te no que pedistes na noite.
Mas por tudo que rogastes deves parar e refletir,se de fato és merecedor e mesmo que sejas,já parastes para notar que muitos se lamentam por lograrem o mesmo êxito?
A natureza normalizada da humanidade é pedir e tão pouco agradecer.
Teus sonhos são permitidos o que não implica a realização deles,pois poderás se lamentar mais tarde em pesadelos profundos e abismais.
Acima da vontade terrestre impera por amor a celeste.
Aproveite o dia feito o dia mesmo,erguido,que gradativamente vai se afirmando até o anoitecer novamente.
Nada te é negado para o teu bem estar ou a tua agonia,analise isso e terás a comprovação,que poderias lamentar e muito se tudo te fosse atendido,mas podes iluminar-te sob os auspícios da alegria e da positividade mental que malgrado tua atenção,guiam-te e te amam incondicionalmente.
Não te contentes apenas com o amanhecer,mas te realizes também sob as sombras,não procures reclamar do sol a pino,mas movimente-se como ele que cumpre todos os dias o seu mister até dar a oportunidade à noite que de mansinho e caprichosa logo chega para servir como provas magestosas que há momentos para tudo e para todos por entre dias na imortalidade para todos e para todo o sempre.
Muita Paz!
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO:
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No capítulo XVIII — “Muitos os chamados, poucos os escolhidos”. Ele desenvolve duas grandes ideias de Jesus:
“A quem tem, mais será dado” — não significa privilégio ou favoritismo divino.
“Pelas suas obras é que se reconhece o cristão” - a verdadeira fé se revela pela transformação moral.
Na visão espírita apresentada por Kardec, o ensinamento de Jesus trata principalmente da capacidade espiritual de receber, compreender e multiplicar o bem.
O Espírito amigo, em Bordeaux (1862), explica que aquele que “já tem” é aquele que conquistou uma disposição íntima para a verdade. Não basta possuir conhecimento religioso; é necessário que o indivíduo cultive esse conhecimento no campo do coração. A luz recebida aumenta quando é utilizada.
É semelhante a uma semente: quando lançada em solo preparado, ela germina, cresce e produz frutos. Porém, quando a criatura recebe ensinamentos elevados e não os pratica, a própria negligência faz com que perca a percepção espiritual que poderia desenvolver.
Por isso o texto afirma:
“Não é Deus quem retira daquele que pouco recebera: é o próprio Espírito que, por pródigo e descuidado, não sabe conservar o que tem e aumentar, fecundando-o, o óbolo que lhe caiu no coração.”
A justiça divina, portanto, não é uma punição arbitrária. É uma lei de desenvolvimento espiritual: aquilo que não é cultivado se enfraquece; aquilo que é exercitado se fortalece.
A comparação com o campo herdado do pai é muito significativa. Deus oferece a todos os Espíritos recursos para evoluir: inteligência, consciência, liberdade, oportunidades de aprendizado e crescimento. Mas cabe ao Espírito trabalhar esse patrimônio. O campo abandonado não produz frutos não porque o proprietário lhe retirou a fertilidade, mas porque o agricultor deixou de trabalhar.
No segundo texto, atribuído ao Espírito Simeão (Bordeaux, 1863), encontramos a continuação desse princípio: a autenticidade espiritual não está nas palavras exteriores, mas nas obras.
Jesus já havia ensinado:
“Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai.”
Kardec ressalta que o Cristianismo é uma árvore divina, plantada pelo Cristo. Entretanto, os homens muitas vezes alteraram seus ensinamentos conforme interesses humanos, “mutilando” seus frutos. A árvore continua boa; o problema está nos jardineiros que não souberam cultivá-la.
Dentro da compreensão espírita, isso significa que a religião verdadeira deve produzir:
renovação moral;
caridade;
humildade;
perdão;
fraternidade;
esforço constante de aperfeiçoamento.
O conhecimento espiritual sem transformação interior torna-se apenas informação. A fé sem obras permanece incompleta.
Por isso a frase “muitos são chamados e poucos escolhidos” não representa uma seleção arbitrária feita por Deus, como se alguns fossem destinados à salvação e outros à condenação. Segundo o Espiritismo, todos são chamados ao progresso; os “escolhidos” são aqueles que escolhem responder ao chamado, trabalhando sobre si mesmos.
O ensinamento central é:
Deus oferece a todos a oportunidade de crescimento, mas cada Espírito decide se cultivará ou abandonará os talentos que recebeu. A luz divina aumenta naquele que a compartilha; a luz se apaga naquele que prefere permanecer na inércia.
Assim, o verdadeiro cristão não é reconhecido pelo nome que carrega, pela posição religiosa que ocupa ou pelas palavras que pronuncia, mas pelos frutos que produz no campo da vida.
Como ensina o próprio Evangelho:
“Pelos frutos os conhecereis.” (Mateus, 7:16)
E, sob a ótica espírita, esses frutos são as conquistas morais que acompanham o Espírito para além da existência física.
ENTRE OS MORTOS E OS VIVOS.
Marcelo Caetano Monteiro.
A passagem do Evangelho segundo Lucas (9:59-60) provoca, à primeira vista, certo desconforto no leitor. Eis o diálogo:
“E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá enterrar meu pai.
Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus.”
Sob a ótica atual, a resposta do Cristo poderia parecer dura ou até impiedosa. Entretanto, compreender o contexto histórico e antropológico é essencial para captar a profundidade de suas palavras.
O Contexto Antropológico.
Na cultura judaica do século I, cabia ao filho o dever de enterrar os pais, ato visto como obrigação sagrada e sinal de respeito. Mais que isso, havia um costume segundo o qual o filho permanecia junto à família até a morte dos pais, e só então assumia compromissos religiosos ou sociais mais amplos.
Aqui reside um ponto fundamental: o pai do discípulo poderia estar vivo naquele momento. O pedido não significava, necessariamente, sair para um sepultamento imediato, mas adiar o seguimento de Jesus até que a morte ocorresse — o que poderia levar meses, anos ou mesmo décadas. Dessa forma, a desculpa tinha o peso de uma postergação indefinida.
Jesus, conhecendo o costume, rompe com a convenção e convida à decisão sem adiamentos: seguir ao chamado do Espírito não pode ficar condicionado a prazos incertos.
O Sentido Filosófico.
A frase “deixai que os mortos sepultem os seus mortos” é simbólica. Jesus não se refere literalmente aos cadáveres, mas distingue entre os vivos no corpo, mas mortos no espírito — aqueles presos apenas às convenções e ao materialismo — e os verdadeiramente vivos, que atendem ao chamado do Evangelho. A filosofia do Cristo desloca o eixo da vida da rotina social para o despertar da consciência.
A Dimensão Psicológica.
Sob o prisma psicológico, a fala do Mestre representa a superação da procrastinação espiritual. Quantos de nós adiamos decisões íntimas, alegando compromissos exteriores? O discípulo buscava tempo, mas Jesus indica que o verdadeiro tempo é o agora. A vida interior não pode ser adiada sem risco de estagnação.
Joana de Ângelis observa que “as desculpas para a postergação da renovação íntima apenas mantêm o ser no círculo vicioso da dor” (Plenitude, cap. 9). O Cristo, portanto, convida à ruptura com o apego psicológico a hábitos e justificativas.
O Aspecto Moral.
Moralmente, a lição é de despertar. Jesus chama à ação imediata, sem evasivas. O dever filial não é anulado, mas colocado em perspectiva. Como ensina Emmanuel: “Os que permanecem apenas no culto às formas externas da vida estão mortos para a grandeza do espírito. O discípulo fiel, porém, não deve perder tempo em adiamentos.” (Caminho, Verdade e Vida, cap. 89).
A Codificação também sustenta essa interpretação. Em O Livro dos Espíritos, questão 685, Kardec registra que o trabalho e o progresso espiritual devem se sobrepor à ociosidade e à negligência, mostrando que a vida material é meio, não fim.
Conclusão Convidativa.
A lição de Jesus é clara: o Reino de Deus não admite espera. O Mestre não desrespeitou o luto, mas expôs a necessidade urgente de superar a inércia espiritual. O apelo ecoa para nós hoje, em meio às nossas desculpas cotidianas:
“Seguir a Jesus é escolher a vida plena, sem adiamentos. Quem posterga o chamado íntimo permanece entre os mortos; quem aceita o convite do Espírito, já caminha entre os vivos.”
Convidados estamos, pois, a refletir: em qual grupo queremos estar?
O EVANGELHO EM NÓS — aspectos morais espíritas
O Evangelho não foi apresentado por Jesus como um conjunto de palavras destinadas apenas à contemplação. Seu ensinamento convida à transformação da criatura, à renovação dos sentimentos e à construção diária do homem de bem.
Em O EVANGELHO EM NÓS, Marcelo Caetano Monteiro percorre diferentes passagens, ensinamentos e imagens do Evangelho, trazendo-os para o território concreto da existência humana. Cada reflexão procura ultrapassar a leitura superficial e alcançar aquilo que realmente importa: o que fazemos, hoje, com aquilo que Jesus nos ensinou?
Perdão, caridade, paciência, verdade, responsabilidade, família, renúncia, egoísmo, fé, escolhas morais e transformação interior são examinados sob a perspectiva da Doutrina Espírita, sem transformar o Evangelho em mera teoria religiosa. O propósito é aproximar o ensinamento do Cristo das decisões silenciosas que tomamos todos os dias — justamente onde a reforma íntima deixa de ser discurso e começa a tornar-se realidade.
O livro nasce, assim, de uma pergunta que acompanha toda a sua proposta: o Evangelho está apenas diante de nós ou já começa a viver dentro de nós?
Porque conhecer Jesus é importante. Admirá-Lo é sublime. Estudá-Lo é necessário.
Mas vivê-Lo é o verdadeiro desafio.
O EVANGELHO EM NÓS é um convite à consciência, à lucidez e ao esforço sincero de transformação moral — para que o Evangelho deixe de ser somente uma página lida e se converta em presença viva na maneira como pensamos, sentimos, escolhemos e amamos.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
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O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO.
CAPÍTULO XIII — QUE A MÃO ESQUERDA NÃO SAIBA O QUE FAZ A DIREITA
A CARIDADE QUE NÃO HUMILHA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
“Meus irmãos, amai os órfãos!”
A caridade verdadeira não está somente naquilo que oferecemos, mas na maneira como oferecemos. Um auxílio material pode aliviar a fome, o frio e a necessidade; uma palavra afetuosa, porém, pode alcançar uma dor que os recursos materiais não conseguem tocar.
Kardec nos apresenta uma lição de profunda humanidade: não basta fazer o bem; é preciso fazê-lo sem ferir a dignidade de quem recebe.
A caridade não comporta superioridade, ostentação nem constrangimento. Quem estende a mão deve também oferecer respeito, ternura e fraternidade.
Porque, diante da lei divina, aquele que recebe e aquele que auxilia são apenas dois espíritos caminhando, em circunstâncias diferentes, pela mesma estrada da evolução.
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- O Evangelho Segundo o Espiritismo -
A COERÊNCIA ENTRE A PALAVRA E O SER.
A advertência contida no capítulo 18, item 8, de O Evangelho Segundo o Espiritismo não se limita a uma exortação moral superficial. Trata-se de um princípio de rigor ético absoluto, que estabelece a supremacia da coerência entre aquilo que se professa e aquilo que se vive.
A sentença evangélica registrada em Evangelho de Mateus 5:19 enuncia uma lei de responsabilidade espiritual que transcende o discurso e alcança o domínio das ações. Não basta reconhecer a autoridade do bem, nem pronunciar fórmulas de devoção. O critério que rege a justiça divina é a prática efetiva da lei moral. Aquele que viola os mandamentos, sobretudo influenciando outros à transgressão, compromete não apenas a si mesmo, mas amplia o desequilíbrio no tecido moral coletivo. Por isso, é considerado “o menor”, não por condenação arbitrária, mas por consequência lógica de sua própria conduta.
Em contrapartida, aquele que cumpre e ensina, isto é, que harmoniza ação e palavra, eleva-se na hierarquia espiritual. Aqui se revela um princípio antropológico profundo. O ser humano não é julgado por sua aparência religiosa, mas por sua estrutura íntima, por sua adesão real ao bem. A pedagogia do Cristo não admite a duplicidade moral. Há, portanto, uma exigência de autenticidade que se impõe como condição de progresso.
A exortação “Nem todos que dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus” constitui uma crítica direta à religiosidade meramente formal. Sob a ótica da razão espírita, essa passagem desvela a insuficiência do ritual desprovido de transformação interior. A fé, para ser legítima, deve ser raciocinada, consciente e operante, conforme estabelece a codificação kardequiana. Crer, sem viver, é instaurar uma cisão interna que inviabiliza o avanço espiritual.
Daí decorre a necessidade de um movimento integral do espírito. Ler, meditar, estudar, conhecer, viver, praticar e divulgar não são etapas isoladas, mas dimensões interdependentes de um mesmo processo de assimilação da verdade. O conhecimento que não se converte em conduta torna-se estéril. A prática que não se fundamenta no entendimento degenera em automatismo.
A declaração “Espiritismo, doutrina consoladora e bendita, felizes os que te conhecem e tiram proveito dos teus ensinamentos” revela um ponto essencial. O consolo verdadeiro não reside na promessa vazia, mas no esclarecimento que ilumina a consciência. Somente aquilo que se compreende pode ser incorporado de modo duradouro. O consolo espírita não anestesia, ele esclarece. E ao esclarecer, responsabiliza.
Quando se afirma que “Deus é amor, e aqueles que amam santamente ele os abençoa”, apresenta-se a síntese suprema da lei moral. Amar santamente não é um sentimento passivo, mas uma disposição ativa de viver segundo a justiça, a caridade e a verdade. A bênção divina não é privilégio, mas efeito natural da sintonia com essa lei.
Assim, a lição central deste trecho impõe-se com clareza inexorável. Não é o verbo que eleva o homem, mas a vivência. Não é a aparência de fé que o transforma, mas a sua incorporação na intimidade do ser. Entre dizer e fazer, é no fazer que se decide o destino espiritual.
ABENÇOADA LUTA.
Há uma forma de evangelho que não se encontra apenas nas páginas escritas, nem repousa exclusivamente nos templos erigidos pela tradição humana. Trata-se de um evangelho vivo, silencioso, invisível aos olhos apressados, porém profundamente legível à consciência que se encontra em sintonia com o bem, o bom e o belo. É o evangelho da doação, aquele que se escreve com gestos e se consagra no sacrifício cotidiano.
Aquele que se entrega ao próximo sob a luz do amor de Jesus não apenas auxilia, mas transforma-se em instrumento da própria luz que oferece. E, nesse movimento sublime, ocorre um fenômeno espiritual de alta significação moral: ao doar-se, o indivíduo é também abençoado pela mesma claridade que irradia. A lei de reciprocidade espiritual não é mecânica, mas profundamente ética, conforme ensina a doutrina quando afirma que "fora da caridade não há salvação", indicando que a verdadeira ascensão se dá pelo exercício constante do amor ativo.
Consideremos uma simples narrativa.
Em uma pequena casa de paredes simples, vive Helena, uma mulher já avançada em idade, cujo tempo, aos olhos do mundo, seria de descanso. Contudo, para ela, o tempo deixou de ser propriedade pessoal. Ao despertar, antes mesmo de cuidar de si, dirige-se ao quarto do marido enfermo. Ali, a primeira oportunidade de luta se manifesta: não uma luta ruidosa, mas íntima, contra o cansaço, contra a impaciência, contra a tentação de desistir. Cada gesto de cuidado é uma página desse evangelho invisível.
Mais tarde, ao sair para a rua, Helena encontra uma vizinha abatida pela dor de uma perda recente. Ainda que seus próprios fardos sejam pesados, ela interrompe seu caminho. Eis outra oportunidade de doação. Não há discursos elaborados, apenas presença, escuta e silêncio respeitoso. Nesse instante, o amor não se proclama, mas se faz sentir.
No mercado, um jovem em dificuldade tenta organizar suas compras com recursos escassos. Helena, discretamente, completa o valor que lhe falta. Ninguém observa, ninguém aplaude. Contudo, no plano moral, essa ação reverbera como um ato de elevada dignidade espiritual. Aqui se revela mais uma face da luta: vencer o egoísmo silenciosamente.
Ao retornar ao lar, já ao entardecer, o corpo cansado revela o preço físico de sua jornada. Porém, sua alma encontra-se em serenidade. Ela compreende, ainda que intuitivamente, que o tempo não lhe pertence quando é consagrado ao amor. Nesse entendimento, repousa uma liberdade profunda: a de não viver para si, mas através do bem.
Essa narrativa simples evidencia que o campo da luta bendita não se limita a grandes feitos. Ele se encontra no lar, na rua, nas relações cotidianas, nos encontros aparentemente banais. Cada circunstância é uma convocação. Cada necessidade alheia é uma porta que se abre para o exercício do amor.
A doutrina esclarece que o verdadeiro espírita é reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. Tal ensinamento não se restringe a um ideal abstrato, mas se concretiza exatamente nesses momentos descritos. É no domínio de si mesmo que o amor se torna ação legítima.
E mais ainda, quando se afirma que a prece é um ato de adoração, compreende-se que a vida inteira pode converter-se em prece quando orientada pelo serviço ao próximo. Cada gesto de auxílio é uma oração viva, cada renúncia é um cântico silencioso, cada ato de paciência é uma elevação da alma.
Assim, aquele que vive esse evangelho invisível não busca reconhecimento, pois sua recompensa não está nas aparências transitórias, mas na íntima comunhão com a lei divina, que é justiça, amor e caridade.
Que se compreenda, portanto, que a abençoada luta não é um peso imposto, mas uma dádiva concedida àqueles que já conseguem perceber a grandeza de servir. E, mesmo quando o mundo não vê, quando o cansaço se impõe e quando o retorno não vem, ainda assim, cada ato de amor permanece inscrito na eternidade moral do espírito.
FONTES DE APOIO.
"O Livro dos Espíritos", questões 886 e 659.
"O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo XV.
"Obras Póstumas", estudo sobre a caridade e a moral espírita.
Que cada instante da existência seja reconhecido como solo fértil dessa luta bendita, onde o espírito que ama não se perde, mas se engrandece na mais alta dignidade do bem vivido.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
NO JARDIM DO EVANGELHO.
No jardim do Evangelho, cada palavra do Cristo assemelha-se a uma semente lançada sobre a terra fatigada da alma humana. Algumas germinam entre lágrimas silenciosas. Outras florescem apenas depois de longos invernos interiores. Contudo, nenhuma delas perece diante da Eternidade, porque a verdade espiritual possui raízes mais profundas do que os abismos da dor humana.
Os homens edificaram impérios de pedra e orgulho. Levantaram muralhas para proteger os próprios interesses e coroaram a inteligência sem compaixão. Entretanto, sob a claridade serena do Evangelho, toda soberba transforma-se em pó transitório. Apenas o amor permanece incorruptível diante das eras.
O jardim do Cristo não é cultivado com triunfos mundanos. Suas flores crescem na renúncia silenciosa da mãe que sofre. No perdão do homem humilhado. Na oração daquele que chora sozinho durante a madrugada. Na mão estendida ao miserável quando ninguém mais deseja vê-lo. Cada virtude é um lírio invisível brotando sobre os escombros morais da humanidade.
Muitos procuram Deus nos estrondos exteriores da glória humana, mas o Evangelho continua florescendo em regiões discretas do espírito. Ele vive na consciência que desperta para o dever. Na lágrima que se converte em entendimento. Na dor que educa sem destruir. E na esperança que permanece acesa mesmo quando o mundo inteiro parece coberto pela noite.
O Cristo jamais prometeu caminhos adornados de facilidades. Sua voz, porém, atravessou os séculos oferecendo ao homem algo infinitamente maior do que o conforto terrestre. Ofereceu sentido. Ofereceu redenção moral. Ofereceu a possibilidade sublime de o espírito transformar as próprias sombras em claridade.
No jardim do Evangelho não florescem apenas rosas. Também existem oliveiras antigas de sofrimento, ciprestes de saudade e espinhos necessários ao aprendizado da consciência. Ainda assim, sobre cada dor sincera repousa a luz educadora da Providência Divina, conduzindo lentamente a criatura para estados superiores de entendimento e sensibilidade.
Feliz daquele que aprende a caminhar entre essas flores invisíveis da alma. Porque o mundo poderá retirar-lhe os bens passageiros, as honrarias efêmeras e até os afetos terrenos. Porém, jamais conseguirá arrancar do espírito humano a fragrância eterna do Evangelho vivido em profundidade.
Quando os séculos consumirem os monumentos da vaidade humana, ainda permanecerá intacta a voz do Cristo ecoando entre os jardins silenciosos da consciência, chamando cada criatura para a grande ascensão moral do espírito imortal.
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O evangelho nos chama a sermos especialistas em amar e servir, porque foi isso que Jesus fez. Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos (Marcos 10:45).
A verdadeira coroa dos santos
é o amor praticado.
O verdadeiro diploma do céu
é ter sido especialista em ajudar.
