Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Meus demônios
Me perseguem
Em botecos sombrios
Fumam de meu cigarro
Bebem de minha cerveja
Apagam as luzes
Tudo se escurece
Até outro dia chegar
E meus demônios
Voltarem a me assombrar.
Que a minha presença seja sempre significante a todos que vier ao meu encontro sintam um brilho de carinho em mim.
Me perco as vezes no caminho por reflexões alheias que me sugam tempo e energia, logo acesso meu silêncio e trago a tona a lembrança de onde vim e o que sou, para assim então saber onde quero chegar.
Deixe em paz meu coração de poeta
Deixe em paz meu coração de poeta
Que até aqui, só há pó
Solidão me queimando
E dizendo...
— Um pobre coração que ninguém tem dó
Quem sabe?
É melhor assim?
Ficar só?
Vou amargando as palavras
Numa página pálida e vazia
Bem mais pálida e vazia é a minha vida
Que por horas e horas
Me tranca no caos obscuro da alma.
Deixe em paz meu coração de poeta
Onde as minhas lágrimas
Me afogam, como uma onda silenciosa e mortal
E que no final, como uma rocha...
Elas se petrificam
Mas logo uma chuva de ilusão me rasga
É como quando alguém se apaixona
A ilusão te preenche e depois...
O amor te rasga pelo meio.
Deixe em paz meu coração de poeta
É que o amor é um naufrágio
Ele vai nos afundar no final
O amor é feito um vidro...
Que quando cai no chão se parte
E se transforma em cacos
Então, é isso, eu e você seremos cacos
Amor é nada, é uma chama que ascende e apaga
Acaba!
No fim tudo é solidão-lágrimas-dor
Não meu bem
Não adianta bancar a durona e fingir ser forte
Lá vem o amor nos rasgar pelo meio de novo.
Os Olhos que Choram
Todas as noites elas estão aqui
Insistem em sair e escorrer pelo meu rosto
Meu peito se aperta e minhas mãos tremem
A angustia de estar presa aqui dentro sozinha
Ela está me destruindo cada vez mais
Eu não tenho mais pra onde correr nem me esconder
Ela vem atrás de mim todos os dias e leva uma parte de mim a cada noite
Rouba meus sonhos é minha felicidade
As malditas lágrimas que insistem em cair...
CONSENTIDO
Meus ouvidos estão vendo demais.
Minha boca escuta o que não deve.
Meu nariz ficou totalmente surdo.
Meus olhos falam pelos cotovelos.
Mas meu coração respira tranquilo.
Faltam poucos minutos para o fim, ainda assim sinto me aprisionado entre as paredes do meu corpo, respiro profundo em busca de oxigênio mas o ar é rarefeito. Me sinto perdido entre o espaço e o tempo, afinal qual a finalidade de todo esse movimento? As ilusões são todas dissolvidas pelas portas da percepção e os pólos abrem portais invertidos que conectam sua dualidade.
Somente a morte pode trazer a paz que aprecio, e caminhando sozinho pelo lado sombrio onde vivo, hei de enfrentar todos os medos olho no olho porque nada dura mas nada está perdido.
O que é que há?
A maldade de fora
nunca vai me alcançar !
Meu mundo é muito Puro e Colorido .
Tem um Anjo me sorrindo
Uma borboleta me aplaudindo
E um bando de pássaros me vestindo .
No meu mundo ...
Os maus olhos dos corvos não adentra .
Deus sempre me bloqueia
de Alegria me sustenta
e de Paz de espírito me alimenta .
- Paula Monteiro
16 / 01/2018
Foi tudo tão de repente, nem pude me preparar...
Sua partida foi minha maior perda, meu maior tombo. Hoje ainda lembro dos momentos alegres, do seu riso fácil, do seu abraço (que abraço, né, Voinha), sinto ainda a saudade como uma ferida aberta, que dói sem explicação. Por toda a minha vida imaginei que seria eterna, hoje eu choro de saudade, choro quando me lembro da sua voz, todos os dias a saudade vem machucando.
Agora está chegando o Natal, sempre foi uma data marcante, onde as pessoas ficam mais sensíveis, mais amáveis, mais alegres... Lembro dos eternos cartões de Natal, da árvore decorada, dos pisca-piscas, do presépio, lembro de cada detalhe. Hoje em dia eu só queria o teu abraço, me sinto tão perdida, tão sem chão, não faz sentido comemorar essa data sem tua presença, sempre achei que Natal era pra estar com a família, mas como fazer isso? Realmente eu não estou conseguindo, tá difícil, Voinha...
Quanta saudade...
Quanta falta a senhora me faz...
Te amarei sempre, por toda a minha vida.
DE MEFISTO
A raça retraída
tão próxima de meu príncipe
tão facilmente degustável
- toco-te? -
lucidez de paralisias.
Hábitos do Limbo da Luz
placenta de ideias recurvadas
Antinaturais.
Teu Deus não te quis
raça em fuga
e minha imensa desgraça
é indiretamente a ti servir
como a mão canhota e definhada
dum demiurgo empalado.
Dormi ao relento das eras
bêbado
rescendendo à cerveja de taverna
e de certa e luz, caída de dor.
Teu deus te quis
desejo que se ensejou carne
canícula do abismo
cisma dos elementos naturais
fratura dos tempos
de onde jorra a voz sublime de mundos abaixo
ocas vozes, cravejadas de atropelos
e de um luto eterno
onde te perderás pelo gosto da Beleza
e da leveza infinita da Coroa
em sua queda.
(de "Kleine Faust")
já foi primavera no meu jardim, já brilhou o astro-rei... agora na sua ausência uma infinita paciência, e a saudade a perfumar, o lento colapso deste caminhar...
O cosmos é uma orquestra
Regida por braço destro,
Os planetas e as estrelas
Aos quais dirijo meu estro
São sinfonias compostas
Pelo Divino Maestro.
