Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Fiz do teu riso meu latíbulo, meu paraíso
Declamei aos ventos,
Silêncios, perfumes
Noites com ar de improviso
Naveguei por entre versos
Transbordei minha alma
Nas folhas de um caderno
Réu confesso
Magia e Sedução!
Quando passas tudo se ilumina
Mudas magicamente o meu clima
Como quero seu amor ah! Quem dera
Faz-me ver no inverno, flores da primavera!
Ismael Santana Bastos
Meu silêncio carrega tantos pensamentos, sonhos escondidos... Meu silêncio! Esse que me protege, mas as vezes me deixa tão vulnerável.
A cicatriz
O meu fardo segue ileso
No vespertino e na manhã
Estou entre a cruz e a esperança
Esperando o cair da espada
Ao mais correto e ao mais bonito
Ao infinito e tudo além disso
Além de tudo vou guardar minhas palavras
Entre o ar seco e o céu puro
Entre nós dois e a escuridão
Eu me mantenho sempre alerta
E as palavras vêm com pressa
Pra me tirar toda razão
Nas ruas vêm homens marchando
E na alegria transformando
O que não temos de melhor
Passos pálidos grosseiros
Vem sem calma, vencem o medo
Estendem braços já sem mãos
A nossa história é de longe
Luta e vitória prometida
Eu estou em suas mãos
Corpo, alma e brasão
Eu vou lutar por existir
Hoje nós acordamos cedo
Com corpo e alma indiferentes
Ainda estamos afastados, acreditamos na mudança
E por toda a nossa fé, estamos esperando
O que? O que eu ainda não sei
Da nossa glória e nosso pão
Hoje eu não vejo mais ninguém
O ego incha a dor corrói
Mentem no que faz enxergar
Somos escravos e reféns
Da nossa crença no ideal
Seja bem-vinda, dona Alegria,
volte a reinar no meu lar...
Dona Tristeza, aprendi com você
que vale a pena viver.
Então, obrigada pela lição
e larga mão de me encrencar
porque o que eu quero é amar,
contemplar o mar, sorrir feliz
e quem sabe ir à Paris...
E se chover, aconchega-te em meu coração.
E vem colorir minha alma com teu sorriso.
Inebria-me de sol, e se tudo for difícil, então dancemos na chuva e esquentemos os sonhos.
Dias e noites dizendo pra mim mesma que vai ficar tudo bem,
mas todo mundo sabe que o meu bem está onde você estiver.
Entre plantas e prantos cultivei meu jardim
com gotas de acalanto vindas do céu
com bromélias e trevos esperei você vir
a demora fez as abelhas não produzirem mais mel.
Entre dias chuvosos e calor escaldante
margaridas morreram, as rosas não tem cor
sua ausências murchou as flores num instante
de todas só restou meu perfeito amor.
Se você não bebe, não me critique e nem impeça de o fazer. Há dores em meu interior que só se aplacam quando embebidas em álcool, depois do efeito passar se tornam mais lancinantes do que eram, por isso bebo sempre. Deixe-me beber, ter a doce ilusão de que por um instante sou feliz, crer que não faço parte desse mundo e que logo retornarei ao meu verdadeiro onde não há bares muito menos motivos para eu querer me embriagar.
Canto Escuro
No meu canto escuro, adormeço
Sonho com o passado e o presente
Penso em um futuro, um começo
Onde tudo será diferente
No meu canto escuro eu choro
Penso que a Felicidade não existe
Sofro com tudo, eu imploro
No meu canto escuro a solidão insiste
Vivo na solidão, sorrindo, chorando
Angustiado, desamparado
Me sinto fragilizado, com o coração desolado
No meu canto escuro
Começo minha solidão
Me fazendo rir, chorar, implorando por atenção
"O caçador de emoções e a jovem mãe"
Ela estava ali sentada amamentando seu filho.
Meus olhos viram duas necessidades: a necessidade de ser amparado e a necessidade de se doar. Um encontro bonito e perfeito que de longe eu fitava admirado.
Absorto naquela realidade que discretamente eu contemplava; refletia sobre a mágica do amor que transcendia a rotina do cotidiano.
Meus olhos pararam para olhar aquele quadro vivo pintado sobre a tela da vida.
Em silêncio eu assistia o fluxo natural e ininterrupto do amor entre mãe e filho. Aquele sentimento maternal deixava a jovem mãe mais bela e radiante enquanto a criança transmitia a sensação de se estar segura e feliz no colo da mãe.
Que sentimentos eram aqueles que naturalmente transbordavam do semblante daquela mulher?
Poderia existir no mundo sentimento mais nobre e verdadeiro?
Minha alma permanecia em silêncio e meus olhos acompanhavam os gestos delicados daquela jovem mulher que embalava em seu colo seu filho tão amado.
Após alguns minutos ela levantou-se e partiu para sua vida comum sem se dar conta de que eu, absorto em minha contemplação, a levaria comigo para todo o sempre na memória do meu coração.
Pois como um caçador de emoções estava eu ali diante do maior mistério da vida: o sublime e inexplicável Amor de mãe!
"E pouco a pouco
Se esvai meu corpo
Mas não fico louco
Por morrer assim.
E pouco a pouco
Se esvai minha mente
Mas fico contente
Por morrer assim.
Quero minha bicicleta, sim, a bicicleta do meu tempo de criança de volta, quero minha velha bola de futebol e minhas bolinhas de gude novamente, quero empinar Pipa no quintal de casa e depois ir pra rua correr atrás daquelas que são cortadas no ar... No ar, quero correr como criança de volta, quero ir para casa...
Crônicas de Júlio Filho
