Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Eu sou uma constante mudança. Assim como tu és. O que não consigo compreender é: Por que julgas minhas metamorfoses e as tuas não?
Alguns desejam fama, notoriedade. Algo que marque sua existência. Já eu, desejo apenas quietação da alma!
Nunca soube lidar com perdas, sempre fui muito dependente das pessoas que eu amava, e isso não era bom, não é. As vezes é como se nada fosse real, as pessoas, os sentimentos, nada além de um nada.
Lembro-me de quando não sofria por ninguém, as amizades eram sinceras, e não me lembro de ter gostado de algum menininho da minha classe, lembro que alguém gostava de mim, mas eu era apenas uma criança. E hoje, as coisas são tão difíceis, tão complicadas, as pessoas são tão mais ruins, talvez já fossem assim, mas minha inocência não me permetia sofrer por isso... Eramos tão mais alegres, tão mais cheios de esperanças, e hoje restou a ilusão, a decepção, as mágoas, tudo o que é de mais ruim. Não me lembro direito da última vez em que sorri de verdade, da felicidade injenua, daos olhos brilhando, da dor na barriga de tanto dar risadas.
Lembro-me de quando fui morar com o meu pai, pessoa tão maravilhosa, mas que se deixo influenciar e foi embora, ou talvez não me quisesse alí, e me deixou. Não sinto tanta falta, acho que não sinto nada, só poderia ter sido diferente, ele poderia se orgulhar de mim, ele teria presenciado os meus primeiros passos, mas não, nunca deu importância, se fez algo por mim, foi por medo ou obrigação, mas não guardo mágoas...
Eu sofri tantas vezes, chorei tantas vezes, sempre calada, para não me expor ao rídiculo, talvez achasse isso, hoje não, mas ninguém se importou com isso, ninguém percebia, ninguém me ajudava em nada, tive que aprender tudo sozinha, o certo e o errado, o bom e o ruim. Não. tive uma mãe presente, sempre fui sozinha, e acho que isso me fez ser forte, ram... externamente.
Lembro-me agora, a última vez que sorri, que me senti feliz, foi quando pude estar perto de quem gosto, foi uma noite incrível... sempre me lembro desse dia quando estou triste.
Têm dias em que eu simplesmente queria sumir, sair um pouco de mim. Sempre achei isso possível. Mas a verdade é que fugir ou se esconder não irá ajudar em nada...
O mundo vai partir seu coração de diversas maneiras. Eu garanto. E nem sei como começar a explicar essa loucura que de tem dentro de mim e de todo mundo. Mas adivinha, sempre que queremos amar outra vez. Queremos acreditar.
“Pra todo canto que eu olho. Vejo um verso se bulindo.”
vamos para a vida, que ela não espera. quem fica enseja o fim que [re]mata.
O Esvair dos Versos
Eu era palavra
Tu eras minha rima
Nós éramos estrofe
Juntos éramos frase
Juntos éramos rima
Juntos formávamos poesia
A poesia se desfez
A rima se foi
A frase acabou
Só a palavra restou...
O primeiro dez de dezembro.
E hoje faz um ano.
Um ano daquele dia.
Um ano que eu não esqueço,
O que esquecer eu devia.
Faz um ano que troquei de livro,
Já que virar a página foi impossível.
Hoje faz um ano.
Sem o ser.
Sem o ter.
Sem o ver.
Sem saber,
O porquê do destino.
As cores da tela da minha vida já foram diferentes.
Foram preta e branca.
Nós também éramos diferentes.
Talvez eu compreenda que o destino quis assim.
Compreender e aceitar.
Verbos diferentes.
Éramos diferentes.
Já passei uns quatro anos te escrevendo.
Meus versos eram feitos de você.
Agora as mágoas acumuladas,
Só revelam que nem mais na poesia eu consigo te escrever.
Eu só quero dormir tranquila, com aquelas mesmas estrelas coladas no teto do meu quarto.
Eu só quero dormir tranquila.
Não consigo te escrever,
Que dirá esquecer.
Ontem foi um daqueles dias terríveis João, desses em que eu deixo de ser durona e viro uma gelatina doce e despedaçada. Eu tive insônia de novo, daquelas na qual você se mantinha acordado, só pra não me deixar ficar só. Eu fiquei doente, daquele jeito que você me via chorar e se desesperava porque não sabia o que fazer, mas eu aguentei mesmo sem você. Lembrei que queria que você me contasse algo sobre seu dia, pra entretenimento. Sempre funcionava João, e no fim das contas as dores já haviam ido. Senti fome durante a noite, mas não queria cozinhar. Que graça tem sem você pra reclamar da bagunça na cozinha? Então eu me propus a acreditar que estava gorda para não cozinhar nada que lembrasse você, então lembrei você me dizendo que eu estou ótima e não existia gordura alguma. Não sei João, fizeste muita falta na dor, mas cá estou feliz, cheia de energia e querendo dividir com você, então entendi que te recordo muito mais na alegria. Então João, me dita a regra do tão temido meio-termo, pra eu ficar entre a linha tênue entre a tristeza e a alegria. Tá tudo bem, eu até tomei café hoje e só fiz uma reclamação durante a manhã inteira. Que incrível não é? Era isso João, só mais uma carta, pra te dizer que de alguma forma eu lembrei de você, mas está ficando estranho, olha pra mim ó, eu engasgo o choro e algumas vezes fico sem ar, mas outras eu não sei sentir nada, nem raiva, nem amor, nem calor, a única coisa que eu sinto é frio. E não João, isso nunca foi bom!
Ah, mas eu não te falei logo porque eu te conheço.
- Não. Não conhece, porque se conhecesse saberia que prefiro à dor passageira da verdade do quê a mágoa eterna da mentira.
“Ali estava eu, construindo árvores com suspiros, girando na órbita errada e tendo espasmos dos sentimentos mais variados possíveis. Bukowski, com profunda certeza, estaria me fitando com uma mão na testa e certo ar de desapontamento do outro lado da praça. E ali estava você. Daquilo que não temos controle, senti dores musculares como se tivesse carregado um peso de cem quilos nas costas, mas, na verdade, apenas fiquei lendo os seus pensamentos em posições desconfortáveis. Estranho, você tem cheiro de poesia mansa que me dá a motivação errada para fazer a coisa certa. Tem cara de gente que dá carona no guarda-chuva, que não dorme com o barulho da tempestade. Olhar incisivo, rugas cansadas, expressão vacilante de quem soletra os clichês de trás pra frente. O rosto descarregava pieguice na escrita e frieza nas ações. Será que estaria disposto a compartilhar um silêncio confortável comigo? Tinha cara de quem aparecia, parecendo até que gostava que ficar, daqueles que gosta quando a pessoa chama pelo nome como se fizesse carinho nele. Então vamos numa apresentação de circo, num bosque de ecos convictos e alívios imediatos conversar e “sentimentar” sem compromisso, sem descaso. Ne me quitte pas dançando com a saudade, não deixe a solidão sem par. Vamos compartilhar dessas motivações que renascem do nada, vasculhar gavetas, estantes, instantes, coisas que a gente pode empilhar. Dormir para adiar dores, quem sabe até amores.
Vale a pena, não vale a pressa.
Olhei dos pés à cabeça e disse: “Moço, até que você é abraçável.”
E ele sorriu de volta.
Minha alegria naquela tarde me embalou num sussurro e não queria soltar mais.
Se não eu conseguir cantar alto com os meus desejos alcançados, eu tenho que solfejar baixo com as notas que a vida me oferece
Eu decidi não me deixar corroer, enferrujar, entristecer, ainda que me recriminem, me condenem, me julguem... Decidi que não posso mais viver de faz de conta, pois me pesa muito este fardo. Decidi que mereço experimentar da vida, o viver, e essa vontade gigante que grita dentro de mim - todos os dias - para que eu crie coragem em se permitir ser novamente feliz.
Eu não sei ainda quantas pessoas irão se machucar com esta minha decisão, só sei, que eu me salvarei. Tem quem chamará isso de egoísmo, mas eu prefiro chamar de vitória!
Eu não sei exatamente se vai dar certo, mas eu sinto que poderemos sim ser felizes para sempre e é nesta expectativa que eu vou me casar, com a expectativa de que seja eterno.
Eu não quero fotos, nem flores, nem buffet, eu não quero brilhos, nem arranjos, nem luzes, eu apenas quero me concentrar que a nossa união seja de fato um compromisso firmado por nós dois.
É desafiador casar depois dos quarenta anos, é uma maturidade sem fim. Não existe briguinhas por ciúmes, não existe alguma negligencias da solteirice, de querer estar solteiro e na farra.
Eu não me lembro de ter lido sobre casamento aos quarenta, não me lembro de ter tomado alguma referência, a única coisa que eu me lembro é de que senti que era o momento de casar.
Ele é irresistível, apaixonante, gente boa, sincero, leal e tem todas as qualidades de um homem admirável, ele é fruto de uma relação respeitosa e aprendeu que isso era uma família de verdade.
É uma revelação em tanto o que vou dizer, mas o amo com todas as minhas forças, ele dá sentido à minha existência, faz de mim um ser melhor, está disposto a construir nossa casa sobre a rocha.
Eu fui bem sucedida na escolha, confesso que tenho certeza que acertei, sinto-me feliz e plena com a nossa caminhada juntos, sei que posso contar com ele e sei que ele pode contar comigo sempre.
Minha respiração para por alguns momentos quando o sinto bem perto de mim, existe uma química inexplicável entre nós, algo que transcende, algo que nos faz querer estar juntinhos sempre.
