Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Deus e o Diabo armaram um plano
Disseram que eu ia ter que ajudar
E depois
Se eu ajudar Deus perco meu dinheiro
Se eu ajudar o Diabo, perco minha alma
Daí ajudei Deus
E o Diabo matou minha alma
E Deus tirou meu dinheiro
Então pensei
Estou livre!
Pois sem alma e sem dinheiro
Ninguém pode me tirar mais nada.
Então eu vim
Para este mundo
Sem saber o que tinha que fazer
Conheci pessoas alegres
Que se disseram minhas amigas
Que criavam coisas lindas!
Que eu adimirava.
Descobri num relance
Para que eu vim
E vi as pessoas se transformar
Em montros
Algumas não pude ver os rostos
Algumas não sabia se haviam mudado
Mas eu mudei
E já não confio muito em nada
As vezes a verdade deixa a gente triste
Tudo que eu mais queria era ser feliz
Mas escolhi ser triste e saber a verdade
Felicidade te traz Bem Estar
Verdade te traz Liberdade.
Teve um tempo, em que eu sentia dor
mas encontrava felicidade
Mas sempre vinha mais dor
Chegou um tempo que eu comecei
a não ligar mais se tinha dor
e passei a gostar dela
Muita gente ficou feliz com isto
Era o que eles queriam
Chinelo sujo
Estávamos em uma noite vazia
Aquela que eu tanto aguardei
Ela se aproximou ao meu lado
Da mesma forma como sonhei
Bem-vestida, um odor exalando
E eu, num chinelo sujo de barro
Por vezes deveras me preocupei
Que de sua boca saísse o escarro
Mas com sua boca ela me beijou
Daquela noite para a eternidade
Alguns minutos e o telefone tocou
Sorriu-me, então, com sinceridade
Nós éramos bem diferentes, eu sei
Por um instante, ficamos tão perto
Desfrutando da brisa do amor puro
Nunca me esquecerei, isto é certo.
Socializar
Há muito tempo eu socializava com meu exemplo
Ensinou-me tudo do que hoje sei e descobrirei
Personagem marcante este, cravado na memória
Bem como na história do que fui e ainda serei
Há um ano eu socializava com meu amor
Levou-me a acreditar no infinito e na magia
Contemplando o nascer do sol, imagem única
Mas infelizmente ele se põe ao final do dia
Há alguns meses eu socializava com meu quase amor
Fez-me acreditar novamente na beleza pura e simples
Parecia uma chuva de verão, daquelas que enriquecem
Infelizmente a distância nos impõe certos limites
Há alguns dias eu socializava com meus amigos
A conversa era longa, a esperança nutria a chama
O riso soava claro num ritmo um tanto quanto raro
Só que muita felicidade também lágrimas derrama
Hoje eu socializo com a minha solidão
Fiel companheira, chegou e nem avisou
Se faz presente toda hora, sem restrição
E aos poucos o meu espírito ela tomou...
Graça
E hoje eu percebi o quanto preciso
Na madrugada novamente sozinho
Do seu sorriso que é o meu paraíso
Estou voltando ao mesmo caminho
Cabelos negros jogados ao vento
Em cada fio posso ver meu futuro
Nesse dia a dia cheio de lamento
Faria de tudo para te ver, eu juro
Por mais que a distância nos separe
Por mais que a nossa canção acabe
A conexão mental nos une de novo
Ligue o rádio e ouça, é ela tocando
Inevitavelmente nos encontraríamos
Como o caçador diante da sua caça
E então nós simplesmente diríamos
Palavras vagas, mas não sem graça
A graça, não de piada, mas da beleza
Beleza dos fatos, outra vez é chegada
Assim se faz, simples, abala a moleza
Incendiando o coração em disparada.
Batida inexata
Eu a vi parada na sacada
Surpresa e sem ter reação
Dura e longa foi a jornada
Batida inexata a do coração
Exatidão não combina com nós
Números diversos e complexos
Sedento por um momento a sós
Geometria de ângulos retos
A chuva que me embriagava
Estava para mim somente
O sinal que ela me dava
Fazia germinar uma semente
Todos sabem o tempo todo
Quem eu quero ter comigo
Penso um pouco e discordo
Seremos apenas bons amigos
Julgo necessário este vazio
Tratando da questão subliminar
Preenchido estaria eu de frio
Sem a sua ternura neste lugar.
Às vezes eu penso que os pingos de chuva nada mais são do que lágrimas de Deus caindo sobre a estupidez humana.
Reflexão (tardia)
Entre a insanidade e a lucidez
A sobriedade e a embriaguez
Eu pego apenas mais um copo
Se for pra apostar agora, topo
Crescemos e envelhecemos
Desaprendendo a usufruir
Trabalhamos e perdemos
A experiência de curtir
Entre o fim do dia e o de tudo
Algumas letras, alfabeto mudo
Eu mantenho-me em silêncio
Um disparo pro alto, inexato
Nos alimentamos da carne
De algum animal sacrificado
A reflexão chega sempre tarde
Depois do jovem ser assassinado
País, sociedade, razão e religião
Porre, porrada, falta de opção
A continuidade é um erro fatal
Em um amanhã de pleno temporal.
Caiu a ficha
Eu saí com ela depois de um tempo sem nos vermos. Conversamos, rimos, concordamos em muitas coisas e discordamos em outras. Ficamos horas nesta apreciação pura e mútua de um momento, até que chegou o instante em que ela teve que partir. Na ordem cronológica dos fatos, era só mais um lance a passar desapercebido pela maioria, mas o vazio que senti ao seu adeus foi bem perceptível para mim. Então, caiu a ficha: eu estava gostando dela.
Teto blindado
Antes que eu me esqueça
Inicio com uma pergunta
Será que tu sabes como é
Tomar um banho de chuva?
É que quando sinto falta
Eu procuro satisfazê-la
Será que tu também sentes
Ou somente teces a teia?
A aranha, irracionalmente
Ela devora o seu par
Há gestos diplomáticos
E outros de se suspirar
Sob o teu teto blindado
Já me pus a declarar
Chamo alto, ninguém ouve
Quanto tempo a esperar
Não lhe julgo, pois saiba
Há magia em se ausentar
Nem estamos muito longe
A campainha pode tocar
A presença é um presente
A quem tanto aguardou
Eu até vejo nos vultos
O que ninguém apagou
Entre toda essa mesmice
Tu aparentas ser divina
Muito mais que passageiro
O seu impacto de menina
Pouca gente anda ao lado
Tanta gente anda por aí
Nas trilhas que percorres
Eu bem sei que tu sorris!
A estrangeira
Estrangeira vinda de um lugar qualquer
Hoje eu preciso conhecer o teu jardim
Essa beleza que trazes junto ao peito
É um delírio total para mim, sem fim
Me contaram que és muito solitária
E que tu és repreendida pelos pais
Tua banda favorita não é do Brasil
E que preferes pintar com o azul anil
Me contaram que tu não lês poesia
E que trocas o romance pelo terror
Talvez quem disse seja uma inimiga
Que ainda não percebeu o teu valor
E eu lhe conto: que incrível o efeito
Do vento que antes passou por mim
Associei às conquistas adolescentes
Quando, de repente, pensei em ti
Demonstras em gestos carinhosos
Que, de fria, não tens quase nada
Desejaria se, realmente, fria fosses
Que a minha vida fosse congelada.
Super-heróis
Frequentemente sonho que estou voando
Que posso levitar ou atravessar paredes
Eu nunca me vesti como os super-heróis
Mas que bom seria poder contar com eles
Nós somos minúsculos diante das injustiças
Crianças são assassinadas na Faixa de Gaza
O Super-Homem, se real fosse, deprimido
Provavelmente ficaria trancafiado em casa
Precisamos de poderes especiais todo dia
Para superarmos a insensibilidade imensa
A segurança inexiste entre quatro paredes
E as novas gerações permanecem tensas
Sangue é entretenimento para as massas
Terrorismo na manchete dos telejornais
O homem baleado está na capa da revista
Desvirtuadamente esperamos por mais
No intervalo das notícias, o horário eleitoral
Então o voto se torna uma escolha aleatória
Vamos girando a roleta sem ouvir propostas
No lugar de tentar construir outra história
Temos escolhas, mas não sabemos escolher
Nos acostumamos com uma realidade desigual
Enquanto assisto filmes com os super-heróis
Logo penso que eles não seriam no mundo real.
Ela só tinha uma condição diferente em relação às demais: era o que eu havia visto de mais bonito em toda a minha vida.
Este terno
Vê se você muda
Eu tô falando sério
Ler Pablo Neruda
É cheio de mistério
Vento de regresso
Vidas a conflitar
Outra gambiarra
Não irá me chocar
Uh... tira logo este terno
Você nunca avisa
É frio e impontual
Vejo no seu punho
Uma atração fatal
Estufa bem o peito
Antes da mancada
Ao menos você ri
Na hora marcada
Uh... eu já tirei este terno.
