Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
O único modelo ilegítimo e condenável de felicidade é o construído sobre a infelicidade dos demais. Todas as outras formas se constituem em um direito inalienável do indivíduo e devem ser defendidas até o fim, em nome das liberdades e ao preço de se abrir mão da dignidade enquanto ser humano.
Poder-se-ia comparar erroneamente a missão do Pensador ao da formiga-operária, que garante a sobrevivência de seu formigueiro pelo alimento. A diferença é que ele não vê sentido em alimentar apenas seu formigueiro de origem. Seu “trabalho de formiguinha” – incessante e invisível – é o de prover o grande formigueiro humano de pensamento, fazendo chegar a cada indivíduo a compreensão do seu papel na construção de uma sociedade muito melhor da que encontrou, tendo o infinito por território e sem uma “rainha” definindo o que precisa ser feito. Faria mais sentido comparar seu trabalho ao de uma abelha que, na ação natural de buscar alimento para os seus, poliniza cada flor onde pousa e potencializa a vida pelo simples fato de não conseguir fazer nada que beneficie apenas a si mesma.
O grande equívoco da humanidade é insistir em adicionar um complemento ao verbo pensar, quando todas as soluções de que precisa surgem apenas pela colocação de um ponto.
Sempre rejeitei colégios em que me vestissem uniformes, escolhendo o turno da noite por não se mostrarem obrigatórios, mesmo não estando ainda consciente das razões. Olhando hoje para os das torcidas ou de qualquer coisa que remeta a corporações, bem como este repúdio a tatuagens, slogans, igrejas, clubes e associações, entendo agora que já nasci avesso ao que me sugerem, como o de avelhas colocadas num aprisco ou de reses marcadas e mantidas em curral, tendo um dono a puxá-las pelo cabresto. Descobri mais tarde que já eram sintomas inconscientes dos “cercados” e “marcas a fogo” a que minha rebeldia não me permitia ficar submetido.
Qualquer tipo de dominação é desprezível.
Toda espécie de submissão é degradante.
A menor complacência com ambas é repulsiva!
Todos podem escolher a forma pela qual gostariam de ser lembrados, o que não quer dizer que o conseguirão, pois podes ter te empenhado toda tua vida em não cometer erros, e só se lembrarem de ti como uma dessas almas mornas que não conheceram vitórias nem derrotas por teres escolhido ser “uma pessoa boa” em lugar de lutar por um mundo melhor do que encontraste. E isso nunca irás conseguir sendo apenas possuidor de um coração “frapê” e conciliador, pois são os inconformados, os rebeldes e os corajosos que fazem a diferença entre “passar pelo mundo” e deixar sua marca nele.
Só não comete erros quem não se empenha o bastante para fazer o que precisa ser feito pra entender que o caminho possível nem sempre é o mais simples.
Muitos não entendem porque tenho mais receio da velhice do que da morte: é que para a morte todos temos autonomia de vôo, mas para a velhice nem sempre.
Sentes necessidade de integrar um time? Que seja pelo menos o dos que lutam por justiça. Precisas que lhe mostrem um caminho? Que troques então o de um líder pelo de alguém que admiras por conta de uma trajetória admirável, sem ter querido impô-la a ti. Só te sentes com voz quando o fazes em coro ou em meio a torcidas? Pois prefere os espontâneos aos organizados, que se unem em batalhas apenas quando se fazem necessárias. Sentes necessidade de uma religião? Pois que te seja ditada pelas leis naturais da harmonia, e não pelos dogmas que te legaram sem que lhes entendas as razões. Sentes falta de um “ismo” a te guiar pela vida? Ouve aquele que te dita o coração, em vez de assumir o de alguém que não se baseou no teu modelo de mundo; e se não o trazes em ti, escolhe o universalismo. Careces colocar-te sob bandeiras, siglas, rótulos e etiquetas dos infindáveis fragmentos humanos? Pois que tua igreja seja tua decência, teu partido o dos espíritos fortes, e tua pátria a humanidade inteira. Melhor que não tenhas senhores nem muletas, pois só precisam deles quem não tem força o bastante para caminhar por seus próprios meios!
Entre refutar o que se desconhece e admitir o não experimentado reside a diferença entre a ignorância assumida e a inteligência possível.
A overdose mental a que sou submetido na maior parte do tempo, enquanto uma esmagadora maioria se recusa a pensar no óbvio, me leva a crer às vezes que o Criador escalou alguns “burros de carga” para levar nas costas a cangalha que os fracos de espírito não se dispõem a carregar.
Imaginem se o soberano máximo de uma nação precisasse executar, ele próprio, cada tarefa que compõe o elenco imenso de responsabilidades que lhe compete administrar. As igrejas, entretanto, continuam mostrando Deus como o sujeito que tanto lhes dá os presentes mais caros do reino quanto lhes varre o chão da cozinha. Por outro lado o cercam de anjos, arcanjos. querubins, serafins, santos, ungidos e “serviçais” de todos os tipos que aparentemente se comportam como servidores públicos, pois que usufruem do paraíso para não fazer absolutamente nada!
O Brasil não vai mudar enquanto não formos governados por brasileiros, antes de partidos políticos. Somente pela ascensão de quem se proponha a reunir pessoas sérias e competentes que se coloquem acima de legendas partidárias – que hoje não veem no país mais do que seu cofre particular – conseguiremos promover desenvolvimento econômico e social, assim como formas de nos libertarmos do estado de degradação moral em que estamos mergulhados.
O dia em que meu nome aparecer associado a qualquer sigla política, filosófica ou religiosa, sugiro dar prosseguimento à pesquisa até descobrir o dia da minha morte, pois que só assim não o teria desmentido de pronto. Minha única bandeira é a liberdade, e meu sentido nunca será o de integrar qualquer delas, mas me posicionar a uma distância que me permita mantê-las bem visíveis tanto para aplaudir as que encontraram seu rumo quanto para combater as que não têm nenhum, mas seguem iludindo seus convertidos de que estão trilhando o único.
A verdade se apresenta como um modelo retratado por diferentes artistas: por mais que as obras mostrem a mesma pessoa, cada pintor dará ao quadro seu toque pessoal e lhe emprestará estilo próprio, ao final do que se terá sempre múltiplas versões para uma mesma realidade; e mesmo que o tenham feito em um mesmo momento o que chega ao público nunca será igual, já que visto por diferentes ângulos conforme a posição dos retratistas. E ainda a quem depois aprecia a obra cabe interpretá-la à luz do seu próprio entendimento, abrindo um leque infinito de visões em que nenhuma expresse necessariamente a realidade do modelo. Apesar disso muita gente confunde com ela a sua versão pessoal, colocando-se pronto a destruir quem não concorde.
Por mais que se cultive a compaixão como direcionamento de vida, existe um tipo de pessoa que transforma em tragédia qualquer instinto de solidariedade, mesmo quando figura como o principal beneficiado dele, ao trata-lo como a chance que buscava para a aproximação que transformará as vidas de seus benfeitores num verdadeiro inferno. O que tais pessoas não percebem é que, em longo prazo, elas se tornam as maiores inimigas delas mesmas, pois que acabam fechando todas as rotas de escape que poderiam salvá-las de um abandono cada vez mais amplo e iminente, levando-as ao inevitável infortúnio que já se vislumbrava como tragédia anunciada.
Não é dinheiro nem celebridade que torna alguém notável. Sua não-conformidade interna é que o impele a romper a fronteira do medíocre.
Não é trocando um governo anárquico por outro autoritário que conseguimos resgatar o estado de direito. Historicamente as grandes rupturas com força para gerar transformações sociais definitivas ocorreram de baixo para cima, e não de cima para baixo, assim que se chegue ao ponto de saturação como reação espontânea aos abusos dos dois extremos. Esqueça-se, portanto, a ideia de que colocar no poder uma força contrária e igualmente sem freios para combater os excessos cometidos antes dela será solução para alguma coisa, pois tudo se resume a inverter tão somente a natureza do problema.
Já me perguntaram a razão de tantos pensamentos lançados sem destino certo. Respondo que não escolho fazê-lo, pois que brotam de mim como lavas de um vulcão a que não resta alternativa senão lança-las para fora. Assim como ao pensador, ao vulcão não importa que distância alcançam, e menos ainda o tipo de terra que cobrem. O que a ambos suscita é que a mesma lava que parece tão destrutiva no momento da erupção, ao longo de toda a eternidade continuará fertilizando o solo que a acolhe.
A tirania de direita jamais se mostrará como alternativa de combate à tirania de esquerda ou vice-versa, pois que ambas se mostram igualmente aviltantes e contrárias à dignidade humana, independente de qual seja alçada ao poder. Daí que a batalha do homem livre – que lhes oporá uma resistência ferrenha e incansável – será sempre a travada entre a liberdade e a opressão, entre seus valores e a concupiscência, e não entre os extremos que se enfrentam, já que estes passam, e o que permanece é sua consciência.
- Relacionados
- Frases de quem sou eu para status que definem a sua versão
- Frases para namorada que mostram o quanto ela é especial para você
- Poemas que falam quem eu sou
- Frases de motivação: palavras para encontrar o incentivo que você precisa
- Poemas Quem Sou Eu
- Você é especial para mim: frases que tocam o coração
- Quem sou eu: textos prontos para refletir sobre a sua essência
