Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Aqueles que só nos constrangem o espírito são como arquivos deletados do computador: se abrirmos a lixeira sabemos que os veremos lá, mas para efeito de funcionalidade não existem.
Os que defendem seus postulados doutrinários como caminho único acreditam-se humildes por se mostrarem inteiramente submetidos à sua fé, imputando aos que não o fazem a pecha de prepotência e presunção. Pode haver, no entanto, maior soberba do que a daqueles que se arrogam possuir a única verdade possível, em oposição a quem se mostra receptivo o bastante para ouvir e tentar entender as de todos?
Não me submeto a leis divinas nem humanas, mas tão somente às de minha consciência, as quais continuariam me norteando independente da existência de um Deus ou de governos que me sejam impostos com o intuito de tutelar as minhas prerrogativas de escolha.
A diferença do convívio harmonioso em que acredito para essa utopia de que me acusam os envolvidos nas disputas é que, apesar da supremacia que eles arrogam para si, o mundo continuará evoluindo até chegar lá.
Dentro de um elenco universal de crenças não professo nenhuma fé maior que a dos meus valores, que não me manipulam com culpas, ensinam-me que eu e meu próximo temos livre arbítrio para nossas escolhas e as ações a partir delas só precisam da consciência como guia.
De que modo entender sua posição no tabuleiro se ele não fosse todo dividido equitativamente entre casas pretas e brancas? E como imaginar o jogo sem se ter definidas as dimensões das casas que o compõem, se cada peça as desenhasse buscando supremacia no espaço sobre as outras ao longo de toda a disputa?
Alguém consegue imaginar um jogo de xadrez composto só por reis, ou apenas por peões? Cada qual tem seu papel fundamental no tabuleiro, e é justamente do entendimento do papel que possui, e da importância de haver outros diferentes do seu, é que o jogo se torna possível.
Preocupante não é ver “a instituição da família ser destruída por gays”, nem praticantes serem tolhidos no seu direito legítimo de professar livremente a sua fé. Assustador é como ambos podem fazer uso do direito que possuem para pregar o ódio uns contra os outros... mas, sobretudo como podem usar seu direito à liberdade para demonizar o que se mostre diferente; ou tentar antes ser-lhe indiferente, caso não consiga entendê-lo.
Todas as vezes que decidem interferir no que me compete decidir, também decido fazê-los descobrir que não renuncio à soberania sobre decisões que me cabem, e que minhas escolhas jamais se dobrarão sem luta à qualquer tipo de tutela.
Não existem argumentos que consigam se mostrar mais inúteis do que os utilizados para demover-nos de uma decisão que nos tenha devolvido a qualidade de vida, ou contribuído de forma inequívoca para que nosso mundo se tornasse melhor do que antes de termo-la tomado.
Existem pessoas tão egoístas que, mesmo quando lhes oferecemos desinteressada e generosamente tudo o que precisam, elas tratam de impor regras sobre aquilo de que indevidamente se apropriam de forma a exercer controle sobre nossa própria contribuição. São capazes, inclusive, de arrogar para si direito indiscutível sobre quaisquer ganhos presentes ou futuros que possam fugir-lhes ao controle, e dos quais pretendem extrair todas as vantagens possíveis sem dividi-las com quem lhas proporcionou
Para quem traz uma natureza generosa pode ser extremamente doloroso mostrar-se duro e impessoal, mas a generosidade passa pela promoção do crescimento alheio, e muitas vezes esse crescimento pede um comportamento oposto ao que se possui, e do quão doído se mostre, para que o outro possa perceber o sofrimento que produz. Relevá-lo não apenas se mostraria ineficaz quanto injusto em relação aos que exercem sua generosidade como recíproca natural.
Sabem qual a principal diferença entre um bandido oportunista – que entrou no esquema por uma vantagem imediata – e o pulha de carteirinha, contumaz e consciente? É que o primeiro treme nas bases quando é apanhado, morre de vergonha de ter sua foto nos jornais e depois entrega o jogo todo em que foi envolvido. O segundo jamais! Vai subir na tribuna, desafiar todo mundo a apresentar as provas, aparecer na TV, dar entrevistas e continuar segurando seu cargo até o último instante, e mesmo quando já estiver na cadeia com tudo provado, vai erguer o punho triunfante e se posicionar perante a sua gangue como um paladino da coragem frente à corja de "justiceiros" que "armaram" para o deixarem fora do front de batalha! De admirável mesmo, só possuem o cinismo inabalável e a obstinação para sustentar o insustentável!
Sempre se disse, e não há como desmenti-lo, que a criatividade é uma das mais importantes qualidades do ser humano. Mas seu excesso produz como efeito colateral um impacto paralisante sobre as rotinas obrigatórias, que lhe é contrária, mas que se prestam a garantir a estrutura onde a criatividade floresce. Se abrirmos espaço somente para o novo trazido por esta, a rotina que a sustenta entra em arriscada paralisia que acaba por inviabilizar a ambas. Há que encontrar tempo, portanto, para não tratar a uma como tortura e a outra como compulsão.
Ainda que passe tal impressão, arrogante é quem se arroga uma competência que não possui, ou esteja imbuído da pretensão de mostrar o que não consegue se impor como verdadeiro. Quem possui o conteúdo que exibe pode não agradar os desprovidos dele, mas nunca poderá ser taxado de impostor, ou ter subtraído o seu legítimo valor.
Não só se mostra desgastante quanto absolutamente improdutivo dispender energia medindo forças com quem se ocupe em esvaziar o valor de que te sabes detentor. Concentra-te apenas em deixar patente que tua inteligência é bem mais eficaz para defender-te do que a usada pelo oponente com o intuito de te sobrepujar.
Depois de chutar o balde junto com a vaquinha que mal dava pra uma ordenha, é hora de mudar a dieta e descobrir que tem um monte de coisa melhor do que leite pra repor os nutrientes... E não fosse a coragem pra se livrar da vaca a gente nem conseguia perceber.
O risco de não se dar tratamento digno e justo às pessoas é que, a partir da hora em que um primeiro se rebela, estabelece-se um referencial para que outros o imitem ao se perceberem na mesma situação de subserviência. No momento seguinte o agente dominante terá em todos os demais uma potencial ameaça de desmantelamento em cascata de sua estrutura de poder, tendo então que conviver com uma espada pendendo sobre sua cabeça durante todo o tempo em que permanecer repetindo com os que ficam os mesmos erros cometidos com o rebelado. Se for inteligente, restar-lhe-á então usar a experiência para mudar o rumo ou caminhar inexorável e seguramente para sua tragédia anunciada.
Em alguns momentos nos descobrimos adotando medidas tão rudes que chegam a doer-nos no peito. Tal sentimento, entretanto, passa mensagens importantes sobre nós mesmos: a primeira permite que tenhamos a exata dimensão da agressão sofrida, grande o bastante para acordar nossos demônios; a segunda é a de que, se doem em nós, provam que produzir danos não é inerente à nossa essência; e a terceira é a de que fomos despertados para o irrenunciável sentido de renovação que estivera adormecido – e do quão tardia se fez a decisão – apenas pelo tamanho da alegria frente à vastidão do horizonte que se descortina. Mas o ápice do prazer ocorre quando, lá de dentro de nós, eclode o vulcão que expele a pergunta que, como lava fervente, nos atinge em cheio a consciência: “Meu Deus!... Por que precisei demorar tanto?”
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