Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Todas as crenças humanas afirmam buscar a Verdade, mas ao se virem diante dela escolhem manter as velhas mentiras para não ter que enfrentar as certezas.
Quando o homem não consegue entender o percurso real entre A e B, ele cria uma trajetória inversa a partir de B repleta de elementos precipuamente reunidos para sustentar sua tese, construindo uma “verdade” à sua imagem e semelhança que se sobreponha a todas as demais.
Quando nos deparamos com uma “verdade” previamente estabelecida, ponderá-la ou apresentar argumentos se mostra totalmente improdutivo, pois que já está decidido em que se quer que acreditemos. E é quando o bom-senso nos recomenda poupar tempo e energia!
A distinção entre crenças libertadoras e crenças limitantes passa pelo rigor dos filtros que instalamos em nossos cérebros graças a uma habilidade conhecida como bom-senso!
Crenças insanas são resultado de escolhas. Crenças sensatas resultam do exercício da inteligência, que as converte em hipóteses, e por último em consciência.
O que distingue uma crença legítima de uma forjada é que a primeira é resultado de um profundo trabalho de pesquisa e comparação de elementos aparentemente desconexos, enquanto que a falsa é produto de uma opção pura e simples por um cérebro não habilitado ao exercício da lógica, que lhe permitiria comparar coisas distintas e extrair deduções do que elas que lhe revelam.
O problema de lidar com pessoas indiferentes e auto-alimentadas é que, pouco a pouco, as demais se cansam de desperdiçar energia com elas, desistindo de tentar outras vezes. Num dia em que algum lampejo de luz as atingir, poderão descobrir que se transformaram em ilhas isoladas e estéreis pela certeza dos antigos doadores de que o mar aproveitaria melhor as pérolas enviadas a elas do que se chegassem ao seu destino.
Existe a ilusão de que o acesso ao conhecimento automaticamente nos conduz ao Despertar, mas isso não é real. Não raramente buscamos apenas o conhecimento de temas que sustentariam nossas próprias teses. Chegamos a selecionar aqueles que se prestem a “comprová-las”, mas isso não vai além de trocar a ignorância de antes pela falsa verdade de agora, ou apenas substituir crenças erradas por novas.
Existe, porém, um teste que nos mostra, de forma inequívoca, quando chegamos ao Conhecimento – aquele real, com C maiúsculo – que se traduz pelo patamar mais elevado do saber: acontece quando os julgamentos errados dos outros não mais nos atingem, nem mexem com nossas emoções para provarmos “a crença verdadeira” a quem quer que seja. O Conhecimento real é silencioso e consciente. Ele nos fala de dentro de nós que basta que O sintamos, em lugar de O exibirmos. Portanto, enquanto te sentires tomado pela emoção, enquanto precisares provar que és tu quem está certo, então apenas trocaste teu obscurantismo de antes por crenças novas, mas elas continuam tão obscuras quanto antes, e segues acreditando nas verdades que tu mesmo criaste para ti apenas para alimentar tuas vaidades e garantir tua sobrepujança!
É comum dizer-se que a geração do século XXI é mais autêntica que as anteriores. O que se constata, no entanto, é a perda da fronteira entre o público e o privado, e da distinção entre emoções autênticas e “emoções de plástico”. Nossos jovens de hoje se esforçam por mostrar felicidade por não conseguir senti-la, devassando toda sorte de mazelas nas redes porque, de tão vazios por dentro, não aprenderam o valor de um momento especial. Ações que antes integravam a vida privada por serem desimportantes ou até mórbidas assumiram conotação de “transparência”.
A sociedade da comunicação instantânea trocou sua humanidade pela função de protagonistas de um espetáculo cenográfico montado para encantar sua plateia com cenários impecáveis, falas e gestos ensaiados para impactá-la, mas sem vínculo algum com a realidade dos atores.
Chega um momento em que não desejamos mais acumular aqueles “dispositivos bonzinhos” que não agregam coisa alguma ao que precisamos melhorar, além de ocupar um espaço precioso do HD biológico que queremos produtivo e funcional pelo resto de nossos dias. E é quando acordamos para o fato de que a lixeira não foi feita para o descarte de vírus, mas de todo e qualquer componente que não exerça uma função indispensável em nossas vidas.
No desafiante xadrez que a vida nos impõe, é mister que façamos uso do que de melhor trazemos no tabuleiro:
A firmeza do Peão, em que só a certeza do ganho o desvia de seu curso;
A flexibilidade do Cavalo, que pula por cima da adversidade seja do branco para o preto ou vice-versa;
O destemor do Bispo, que num único movimento se lança de grandes distâncias para seu objetivo;
A majestade da Rainha, que dá passos curtos ou longos de enorme impacto em qualquer direção;
A sábia prudência do Rei, que sabe o momento certo de trocar de lugar com a Torre o defende.
Não fosse a ininterrupta atuação de uma minoria pensante, a esmagadora maioria de anencéfalos funcionais já teria aniquilado nossa espécie.
Ouvi de um pensador desconhecido que “o problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as idiotas estão cheias de certezas”. Discordo dele apenas num ponto: esse não é um problema de nossos dias uma vez que, desde que o mundo é mundo, a inteligência decorre da necessidade dos que assumem suas dúvidas de sair atrás de respostas, enquanto os idiotas se tornam cada vez mais idiotas por acreditar que já se assenhoraram de todas elas!
Na incessante batalha entre o bem e o mal a Consciência e a Ignorância se apresentam como adversárias perenes. Não se achará o bem onde impera a ignorância, e brotando o mal onde haja consciência, um sutil ajuste o extirpa pela raiz. A ignorância flutua na tona do espírito, a consciência busca a zona mais profunda que, após atingida em seu cerne, jamais será revertida.
“Vão-se os anéis e ficam os dedos”, diz o ditado popular. Mas em se tratando de política, para se ter um casamento perfeito essa lógica precisa ser invertida: a lealdade tem que ser prometida aos anéis, e não a quem os usa.
Em política, independente do lado que se defenda o erro mais crasso dentre todos é o de guardar lealdade a quem governa, em vez de vinculá-la à proposta!
Em política, separar joio do trigo é muito mas simples do que se pensa: quem quer poder defende o político, quem quer avanços defende a proposta.
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