Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
VAIDADE DE PEDRAS
Uma vaidade de pedras
em suas cidades... Saudades!
Futuro como concretos esvoaçados
fumaças, em suas janelas e varandas
calçadas, paredes e abobadas, pinchadas
deturpação dos silêncios corrompidos
almas na fila das reclamações...
Jazidos de cerâmicas combalidos.
Cidades, pedras duras feitas e naturais...
Seus retos, retângulos seus restos
banners e ângulos, ótica da caótica torta
seus triângulos losangos, orangotango
e suas estatuas esboçando tangos
loucos sem planos, bocas sem rango.
mundo de enganos,
tempo arrastando seus preciosos, anos.
Cidades... Suas verdades
veredas cheias de placas
suas celas de pedras
seus confortos de latas.
Cidades, pacas e opacas
enveredando-te...
sob os muros das desgraças
Antonio Montes
Aprendi,
Que por vezes que tentamos acertar, falhamos!
Todos somos sujeitos a erro e falhas apesar de conhecer o jeito certo de se proceder.
Diante do fato duas vertentes se abrem para para superar o erro:
uma sugere que se continue o caminho sem se preocupar, temendo a repercussão negativa do ato,
e que de certa forma seria uma aceitação de fraqueza;
outra que se aconselha a se humilhar e confessar a falha, reparando-a ou corrigindo o ato falho,
reconhecendo o erro e aceitando a humilhação.
Se, prosseguir o caminho sem reparar a falha, sempre terá sobre os ombros a sombra do ato falho e,
precisará se desdobrar para superar ou não ser descoberto porque a vergonha será maior.
Agora se a falha foi reconhecida e reparada através do reconhecimento/confissão, o ato falho por sí só morre e desaparece
e a pessoa passa a ser admirada e reconhecida pela sua humildade e capacidade de superação.
Falhar não é defeito,
o defeito é errar e permanecer ou esconder o erro por temor de represália
ou mesmo por fraqueza em assumi-lo.
Errou? diga: errei... pronto, conserte o estrago!
... vai em frente e não torne a errar, né (Palavras do Mestre),
e é errando que se aprende,
é apanhando com os erros que se arrepende de não ter feito melhor.
A partir daí esmere-se nas próprias realizações,
faça cada coisa como se fosse um agrado sagrado,
em em cada pequeno gesto ou realização seja não apenas um feito mas,
uma oração de carinho e amor!
UMA PEÇA
Menino... Deixe de ser mofino
Pegue aquela sua bicicleta
saia por aquela rua e vá, vá lá,
no auto-peças, chegando lá...
Fique calmo, não se estressa!
Peça uma peça d'aquela terça
e uma cesta para colocar caneca.
Aproveite e compre um leite
leite alvo, natural da vaca....
Vá logo bichinho, não se queixe!
cuidado com a chuva, desvie das poças
pedale do jeito que você possa
esse caminho da roça, esta uma joça.
Vê se apreça em seu mandado
não pregue, nem uma peça...
É por essa estrada reta que passa
aquele trilho esta com, inhaca
e volte logo, para evitar uma taca.
Antonio Montes
FOLHAS SECAS
As folhas secas
despencam sobre a sua calçada
de concreto asfaltada.
Folhas que serão pisadas
afastadas com sua vassouras
ou varridas junto aos ventos.
Folhas que te deram. ar sombras e frutos
te deram saudades e flores
até brilharam seus olhos de amores.
Hoje ensacadas, sem alentos...
São colocadas em uma lata de lixo
levada pelas enxurradas
ou pela degradação do tempo.
Antonio Montes
FOLHAS SECAS
As folhas secas
despencam sobre a sua calçada
de concreto asfaltada.
Folhas que serão pisadas
afastadas com sua vassouras
ou varridas junto aos ventos.
Folhas que te deram. ar sombras e frutos
te deram saudades e flores
até brilharam seus olhos de amores.
Hoje ensacadas, sem alentos...
São colocadas em uma lata de lixo
levada pelas enxurradas
ou pela degradação do tempo.
Antonio Montes
RELÓGIO E SOL
Fora das sombras e da noite
o sol, em sua vil solidão...
Pendula-se em seu branco solidário
aquecendo seus dias, mantendo
vida e, sufixando seus amores.
Enquanto o relógio por ai...
Com seus braços e suas torres,
suas paredes, e seu tic, tác...
Não conta o tempo,
não mede momento, mas com
suas marcas, demarcam seus dias,
separam seus meses...
E ainda, arrasta seus planos,
empurrando a sua idade
contra as rugas dos seus anos.
Antonio Montes
CERCA NO AR
O boi, não voa
a vaca... Não voa!
Mas tem cercas no ar,
quase, quase...
Aonde aviões podem voar.
Arames farpados...
Fios elétricos,
cachorro que ladram
para que, ninguém possa entrar.
Filho... Nada de bom dia!
Nada de boa tarde!
com estranho, nunca!
Nunca se pode falar.
Boi, não voa...
vaca não voa!
cachorro não fala
mas ladra em seu cercado
só para te acordar.
Antonio Montes
POETISA COM PIOLHO
A poetisa... Lá da serra
joga palavras aos ventos
e juntos as suas entrega
as palavras lhe escorrega
e sem ter trava na língua
embola ai, os sentimentos.
Um dia os poemas deitaram-se
como se estivessem de molho
seus cabelos com seus charme
aos ventos pediram socorro!
e a poetisa em seu entrave
coçava os seus piolhos.
Meche molho, coça poema
coça o mundo na cabeça
nos dias de sexta a sexta
a poetisa ainda pequena
coça piolhos serena
e espera que vida cresça.
Vai coçando a sua ância
e enquanto o tempo inferniza...
Coça o tino do pensamento
e no coça a coça desatina
enquanto os piolhos d'ela...
Lhe traz poemas com rima.
Antonio Montes
COÇA POEMAS
A poetisa coça rumos
coça a cabeça e piolho
coça, poemas da vida
poesias e desaforo.
Tilinta a chave do mundo
com suas frases projetadas
abrindo, fechaduras de tudo
como se não fosse nada.
Poetisa coçadeira
já coçou também o amor
e n'uma carta derradeira
se coçou com chororôs.
Um dia coçou a lua
para sorrir para o sol
e a lua caiu na rua
por cima do seu lençol.
Coça, coça poetisa
coça enquanto a vida coça
não esqueça de coçar
aquilo que tanto coça.
Antonio Montes
A leitura da Bíblia Sagrada é capaz de mudar não apenas nossa visão de mundo, mas nosso modo de viver.
NUNCA VIU ?
Quem foi que nunca viu um zaroio!
quem não teve piolho
ou nunca comeu um molho?
Piolho eu tive
zaroio eu vi de lado
e o molho, eu comi, disfarçado.
Eu vi o bem-te-vi que te viu
no trilho em que o vento sumiu
antes mesmo de partir.
Eu tive um molho de chaves, vivas
um olho molhando a ferida
antes da chuva cair.
Eu vi a saudade partida
sem tropicar sem dividir
laqueando o amor da vida
sob o tempo da despedida
sem direito de sair.
Antonio Montes
FULGOR DA VIDA
Na madrugada escura,
de uma rua estreita...
Explode um pau-de-fogo
... E um grito, projeta-se, sobre...
O beco macabro, de um momento fúnebre,
marcando o ultimo tíc, tác de um peito
dilacerado.
Uma bala e duas lagrimas rolam...
E sobre o leito de uma dor finda,
o arrependimento tomba apagando
o ultimo fulgor, de uma triste vida.
Nesse ínterim...
Como se fosse lençol de uma branca
mortalha... Brada o silencio sufocado
sob, o ultimo sopro da estupidez...
E os olhos, se enchem de nevoa branca,
impregnado de frio e de tremor, de uma
alma, que nunca foi aquecida,
pelo fulgor da doce vida.
Antonio Montes
Bem vindo julho
com suas paisagens lindas, frias, geladas... e sua paisagem branquinhas em neve,
seu vento gelado que bate forte até na porta da alma.
É o convite para se olhar para outros
que desprovidamente são órfãos da inclemência do tempo
e, que nos pedem para abrir o coração...
e à eles oferecer dádivas e doação sem que se faça
menção ou distinção
se merecem ou não, sua abertura de mão;
O ser em sua suprema carência vem fortemente munido
de vergonha e de sabida rejeição...
não tem coragem de estender a mão.
Espera até sem esperança que o céu se rasgue em pedaços e por suas frestas
se lhe escapem gotas de misericórdia e amor,
que aliviem não apenas o tempo de escassez
mas também encontrem misericórdia que não conhecem
e nem sequer sabem onde se buscar;
mas aguardam com aquela esperança que mais se assemelha,
a um fino fio de fim do fim do que jamais se pudesse imaginar.
É o tempo...
Se o tempo é de peso ou de pesar,
com certeza sempre trará motivos para amar e repensar.
Amar não apenas o que nos toca o coração,
mas acolher a mão ao que nos estende na ocasião que mais necessita
e não possui forças para elevar os olhos,
pois o peso de seu fardo turva-lhe a visão e lhe encurva o corpo.
tirando-lhe a noção e brilho do significado de humanidade.
Julho aconselha aconchego, carinho e muito amor
Bem vindo julho!
ahhh...de preferência, munido de um abraço bem quenteee,
de calor, fulgor e claro...muito amor!
TIC, TÁC, DO AMOR
Na ampulheta do amor
tic, tác, tic, tác
tic, tác vou subindo
pelo tempo...
tic, tác tic, tô,
o tempo passa
e eu vou...
Tic, tác, tic, tác
tic, tác, tic tô....
No tic, tác, tic, tác
tic, tác vou descendo...
Não me peça por favor!
Se eu vou no tic, tác...
Tic, tác, tic, tác
tic, tác estou vivendo
tic, tác, tic tác...
Tic, tác para o amor.
Antonio Montes
BAY, BAY ARCO-ÍRES
Há centenas de dias, não garoa
a felicidade deu... Bay, bay ao querer,
não chove, e a densa cerração...
deixou de nos envolver,
partículas do ar, secaram e as nuvens
d'água... E essas, não cruzam mais céu,
nem as minas, das ires de você.
Dos rios o que sobrou, foi margens....
... Margens secas... Até as lagrimas dos olhos,
deixaram de existir.
Outro dia eu vi uma mãe, tentando chorar,
só para com as lagrimas do choro seu...
Sanar, a desidratação do seu filho.
A tempo, eu ouço que, a umidade do ar
se acabou, e tudo que nos restou foi seca,
eu vejo a poeira cobrindo as paredes das
casas e dos edifícios, vejo corpos secos,
cambaleando sob a sequidão do mundo
Vejo as crenças pegando racha,
disputando o pódio para galgar o paraíso.
O sol deixou de ser alvo...
Agora, ele se apresenta por de traz
de camadas: Vezes cinzas, vezes vermelhas,
nunca mais presenciamos a sua felicidade
através da sua alvura, o amanhecer perdeu-se
em meio a desilusão, e o entardecer, é apenas
um ponto demarcando a indecisão da
nossa esperança. O vento que um dia...
Abríamos as nossas narinas para que ele
nos soprasse vida, hoje usamos mascaras
para que ele não nos traga a morte.
O arco-íres desagregou do seu amor...
Nunca mais subiu aos céus para
demonstrar a sua cor,
a flora perdeu a sua vitalidade,
e as arvores sem seu verde,
deixaram de dar frutos e flores...
Para alimentar, o verdadeiro amor.
Hoje... Quantos sonhos para o futuro!
sendo que o futuro, outrora...
Fazia parte de uma pintura, que um
dia reinou no passado.
Todavia, tentamos fazer de tudo
para irmos morar no paraíso; fixo nas alturas
nunca paramos para observar que somos
os maiores parasitas planetário...
Nem nunca, demos o menor valor, muito
menos conta que vivíamos no próprio paraíso
terrestre.
Hoje pagamos pela estupidez da ganância
essa ambição insaciável, na qual...
Cobiçamos mais e mais, cada vez mais!
Agora tudo que podemos fazer é, olhar
e ver.
É uma pena que não podemos, retroceder.
Antonio Montes
Fale, que te ouço
Fale,
sobre o que gostaria que te ouvissem
das coisas que sempre te incomodaram,
mas foram relevadas a segundo, terceiros, "n" planos.
Conte o que te incomoda hoje ou incomodou no passado,
ou o que imagina ocorrer no futuro.
Suas dúvidas são minhas preocupações,
suas certezas... minha estabilidade
e suas imaginações também caminharão juntas às minhas realizações.
"Ao longo do caminho, duas almas confiantes, andavam em busca do elo perdido imaginando ser este o caminho que conduzia à chave ou segredo da eterna felicidade.
Dias e dias se passavam e tudo se tornavam tão iguais que mais parecia representação do que se ocorria a cada par de momentos, sem saber se distinguir o quê ou quem era quem...
tudo o que imaginava era de que alguma coisa bombástica ocorreria quando se avistasse ou tocasse o tal elo, mas que nada, tudo parecia vão.
Sol e sóis se punham, num eterno ciclo vicioso de manhã, tarde e noite.
Num determinado momento resolveram parar e descansar e, no descanso já exaustas adormeceram
e foi então que o inusitado aconteceu:
uma luz de forte intensidade girava entre os plexos: solar e cardíaco delas, proporcionando-lhes uma calma e tranquilidade nunca antes experimentada.
Perceberam então que a tal felicidade que sempre buscaram e desejaram sempre esteve ao lado delas,
nutrindo desejo ardente de as abraçar e as envolver
mas foi desdenhada tal a simplicidade e facilidade com que se apresentava.
Então...vamos falar de quê agora?...
...ou melhor, deixe a fala para depois e vamos abraçar a tal felicidade!
"Dona Felicidade gruda ni nóis e não se aparte jamais!"
( suficientemente incompleto)
Não suponho que estou pronto. Pois, o mundo e as pessoas mudam. O que serve hoje não servirá amanhã. Acredito na metamorfose ambulante que é o ser humano, conforme Raul Seixas destacou.
Aprendemos a viver de acordo com as tecnologias e de acordo com os sentimentos que são desenvolvidos dia a dia. Não há conhecimento que perdure e nem sabedoria que seja sábia para sempre.
Por isso sou incompleto na minha plenitude da consciência de que observo coisas mutáveis de acordo com o bel-prazer da insuficiência de conhecimento humano. Ou seja, mudo de acordo com o sistema. Por isso, sou suficientemente capaz de absolver o vazio do mundo.
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