Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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RAINHA DAS CAUSAS

Eu não sabia que essa vida
que levo, fosse tão treteira assim
... Carrego-a por tanto tempo
confesso, eu até adoro ela mas,
ela com certeza, não me adora
tanto assim.

Por aqui, eu não esperava essa
eternidade tão falada
nem também nunca gostei d'essa
idéia de me ir, tão sedo.

Mas essa vida que carrego, até parece
que todavia, escondeu-me do seu
mais vil segredo... Ela nunca,
demonstrou-me que podia me levar
agora, nessas altura do tempo
ela mostra-me ao relento.
fazendo rascunho do meu fim,
sem fazer nem um juramento.

Em seu cacoete de vida, me diz...
Que vai abraçar, uma outra causa
que essa causa na qual, ela é eu
agora, não sou mais assim tão seu
e que meu tempo arde em brasa
e os frutos do tempo, não são meus.

A causa da paixão é fraca
mas, a do coração me leva
outra causa com o corpo
talvez do estomago ou arroto...
Do pulmão ou outro órgão qualquer,
já que não sou mais garoto.

Vida, vida, vida!
Disse-me ter tantas causas
que o fim pode me causar
e que ela mesmo escolherá uma
para ambas me buscar.

Porque não posso ser eterno
aqui respirando assim
já que o barro o qual fui feito
continuará por ai...

Oh vida!
Eu quero o controle das causas
para me casar com você
para que assim, as outras causas
nunca venham me querer.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

"A estrada é longa e ainda tem muitas paradas, numa delas eu armo o meu palco e faço o meu SHOW".

Inserida por AntonioSabino

INESQUECÍVEL

Passei pelos passos teus,
e n'aquele espaço, eu senti
o teu cheiro, vi o seu olhar!
Um sorriso seu me fez voltar.

... Eu disse um dizer...
Um adeus, um olá
Tudo ok!
Como vai...
Eu gostaria que fosse, meu bem,
e andássemos, pelos meridianos,
dos anos e dos planos...
E com meus braços, te abraçar
e nos abraçar com a vida...
Viver contigo, te amar, me amar,
acalentar essa vida tão frigida.

Depois que eu te vi...
eu não consigo andar só,
o que faço é sonhar contigo
e todavia, não paro de te lembrar,
eu gostaria de lhe ter, para aliviar
... As retas, e as tortas voltas,
do meu caracol.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

LONGE PERTO

Na estação do seu olhar,
eu me perdi sob primavera
florida e estacionei o meu desejo
o meu amor, meus beijos...
Estacionei essa esperança,
de viver a minha vontade sob
seus ansiosos anseios... Estacionei
esse desvendar impregnado no
meu misterioso sonhar.

Sacudir-te-ei, sobre os lampejos
do seu coito, E te envolverei
nesse amar insaciável e louco!
Como se ama a vida...
'Esse amor' esse amar, te amar...
Te amar, como se fosse o ultimo
fio de ar.

Te amar como se ama...
A água no ultimo oásis do deserto
Ou, um chegar de uma caminhada
longe, sobre a felicidade de uma vida
e sonhos que estão tão perto.

Te amar como pássaro ama
a alvorada de sol, as flores de um jardim
onde o verde em harmonia, nos faz esquecer
a, austeridade de um ardente deserto...
Te amar, te amar, sim, assim!
Tão perto, tão perto

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

Nunca antes, eu quis tanto que o tempo voltasse, e ao mesmo tempo, que ele passasse depressa.

Inserida por ketantonio

A BOLSA

Aquela bolsa com tanta roupa...
Eu carreguei,
Continha calça, camisa e touca...
P'ra mais de seis,
Tinha suspençol e fios dourados de lençol,
Que alguém fez,
Uma taça e garrafa, aquela branca cachaça
... Para embebedar vocês.

A bolsa, serve de toca para vagabundo, e...
Embolsa reembolsando o fundo do mundo
Toda cheia de roupa, grave, aguda e rouca,
já não tem sensatez
É na alça da bolsa, os esfregão de uma boca
que abocanha a embriaguez.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

ENTREVERO

O ônibus... Não veio!
Será que estava cheio?
Eu, fiquei, como se fosse...
Bola do canto, bola do meio,
pura sensação de escanteio!

Um entrevero só,
e eu aqui no meu canto,
ouvindo canto...
Em ares de sapateio,
logo eu...
Eu, que qualquer coisa fico cheio...
para mim, isso é desencanto!
Sabe... Como se fosse quebranto,
ou mesmo, praga d'algum santo...

Agora tudo me parece branco...
Assim, como se eu estivesse tonto!
Tonto, capengando em um ponto...
Que tanto aponto.

Inserida por Amontesfnunes

ESCREVA

Escreva escrava... Escrevi
balas embala, não deva
essa bela opala eu li, reli
na cara da Clara atreva.

Pegue o pato, pá tu vê
as penas voar no... ar!
quem sabe, atenha você
sem condenar meu amar.

Escreva, escrava, escreva...
Faz muito bem escrevinhar
escreva na pagina da presa
... Manteiga p'ra mordiscar.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

SORRIO E TREMO

Eu te vejo e ao te ver...
tenho empenho
tenho medo,
sorrio e tremo
inebrio no desejo, desse querer
e também me perco,
me perco no labirinto da vontade
e no medo de perder você.
Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

MURO DE PEDRA

Mãe, eu não sabia... Que eu era
tão pequeno!
Não no tamanho é claro,
mas na posição social.
É mãe... Crescendo eu descobri
que sou pequeno... Talvez,
talvez menor que um animal.
Descobri que existe um muro
que me separa dos grandes...
Não um muro qualquer!
Mas, um muro intransponível de pedra...
Pedra que separa os pequenos dos grades.
Mãe eu quero ser grande e morar
do lado de lá do muro...
Eu vou crescer, servir o exercito
defender o País para ser respeitado
Se possível, morrer pela pátria...
Assim quem sabe mãe!
Se quando eu morrer, terei uma
lapide de pedra, com inscrições,
do meu nome! Quem sabe se essa
não será a única forma para me
lerem e saber de mim, através
de gerações e gerações desse mundo
... Saber que... Eu, mesmo pequeno
eu morri defendendo os grandes
do lado de lá do muro.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

TOMA TOMO

Eu tomo...
Enquanto não me toma...
Essa dona, essa goma,
que adorna a minha redoma.

Eu tomo,
enquanto não me toma...
Essa bomba que me estronda
essa onda, esse andar...
Essa paina enfadonha,
que desanda a minha banda.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

MEIO A MEIO

Eu tenho vivido pelos meios
que creio...
Pelos santos que não creio
a cada passo, um começo...
A cada suspiro, um meio.
Meu meio, meu recheio.

A cada manhã, amanheço seco
e a cada tarde, anoiteço cheio.

Eu tenho vivido... Seco, cheio
... Cheio, meio... Meio cheio.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

POEMA MADURO

Eu aqui, calado, talhado no meu silencio
a procurar ele e o desvencilhar de mim
Ele, solto ao tempo, navegando canção
a dentro, sem deixar que eu o encontrasse,
até então, tudo que ele queria, era alforria...
E diante desse feito, ele corria pelas ruas
saltava pelas calçadas e jogava pedras
aos alpendres, e as janelas.
As vezes para varias ele jogava pedrinhas
nas poças d'água, só para vê-las pular como
desvairadas piabas.

Outro dia ele fugiu de mim...
Sorrateiro, correu para o horizonte
de pois se escondeu atrás dos montes
Foi apreciar o crepúsculo do sol...
Antes porem, pintou as sete cores
sob o diadema do céu e expandiu fumaças
sob os vales e as nascentes dos rios.

E eu aqui sem saber o que fazer,
na procura que procura...
E nada desse, poema da as caras a mim
... Todavia quando eu procuro,
ele fica daqui, dá li, a se esconder por ai.

E no esconde, esconde eu percebi
que quando ele saltou do caís,
abraçou o mar...
E saiu navegando em seu barco,
era noite e para saciar o seu frio...
Ele rebuçou no lençol prata da lua
e dormiu, navegando em seus sonhos,
e remando em suas saudades...
Depois fugiu por ai se camuflando
em sua diversidade.

Outro dia eu fiquei sabendo
que não adianta eu querê-lo
se ele não me quiser,
e eu pega-lo... Ele fica comigo
mas é como se eu não conseguisse tê-lo.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

AMOR SUJO

No fundo do meu mundo
eu não queria ter-te tido
agora descobrimos juntos
que nossa pauta é de fel
e nosso momento é bandido.

Se perto corremos risco
com palavras de fulgor
estamos perto de um cisco
fagulha nos olhos do tempo
lagrimas no olho do amor.

Uma palavra a explosão
nada mais que isso basta
quase saímos nas mãos
pelo espeto do jardim
e com mímica do tapa.

Essa desconfiança nossa
confiscou meu coração
temos, relâmpagos trovão
uma cisma de mentira
uma bomba de explosão.

Um tempo éramos peixe
nadando n'um lindo aquário
em meio de tanto queixe
viramos um jogo sujo
no carteado de baralho.

Estamos vivendo restos
em um ar todo macabro
deixa, disso, deixa disso
em fim, o fim ta marcado
esse amor, já é um lixo
fedendo para todo lado.

Antonio Montes 08/04/17

Inserida por Amontesfnunes

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Inserida por ketantonio

NÃO TRAGA PEIXE

Meu amor diz... Vá pescar...
Pode ir, vá!
Mas não traga peixe, para eu limpar.

Um certo dia, bem cedo, me levanto...
Pego as varas e os anzóis,
as iscas e as chumbadas, assoviando,
a moda da roda da ciranda, eu saio
com destino as águas, alagadas.

Lá, protegido pela sombra do meu chapéu
arrumo um lugar na margem do rio e me assento...
Desenrolo a linha com chumbada isco o anzol
com a minhoca toda torta e diante d'aquela miragem... Bum! Lá esta...
A paisagem ao meu redor, o rio em silencio
sobre seu leito estreito o reinar da calmaria.

Tudo que se ouvia, era o chilrear dos pássaros
e farfalhar do vento, sob as folhas...
Não via, mas sentia o tempo escorregando
pelas horas, e o movimentos dos ponteiros
indicando a distancia do dia.

Água passando, peixe nadando, anzol com
sua volta as voltas com o remanso das águas
nele... Uma minhoca e nada de peixe pegar!
Com muito custo e nada justo...
Pega um... Lá vem o peixe, dando rabanadas
saindo da água com suas escamas e fato
agora de fato vou embora e vou limpar.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

MEU VOOU

Como piloto...
Eu vou abordo de um voou,
no qual eu voou todo dia...
Voou sem asa, sem pena,
sem lacunas de sentimentos...
Voou de roda, rota e radar,
voou mais que os ventos
voou pelo ar, p'ra lá, p'ra cá,
vou voando por ai...
Com esse jeito estranho, de voar.

Voou de linhas aéreas traçadas ao tempo,
editado pelos controladores de voou
eu posso voar...
voou pelo alto, acima das nuvens,
quase que, lá no firmamento
vou de motor ou de turbina
como manda os mandamentos.

Quando voou estou rodando...
Pelo asfalto pela linha,
abordo estibordo, vou voando
espezinhando o ar...
Com motores e fumaça,
que pulmão, não podem respirar.

Voou quilos e quilos!
Da minha carne, da sua carne
até mesmo dos nossos animais...
Nossos empecilho de corpos,
nossos ossos com os ofícios,
das nossas entraves, e nossas...
Bagagens sentimentais.

O voou, é da forma que eu posso,
que você possa,
primeiro ele nos enche de felicidades
logo mais, ele nos enche
com o fedor de nossas fossas.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

INTERESTELAR

Nos da terra, estamos indo pra marte...
Exceto eu é claro! Se eu não posso,
passar com os meus passos, então passe.

Quem dirá, quem diria, quem dera!
Eu sair desse impasse...
Todavia o tempo, quando passa, me bate.

Estão fazendo guerra, e eu... Eu não tenho
culpa nem uma dessa estupidez estranha,
mas nesse telha de aranha, que queira, que
não queira, vou pagando tudo, que tenho,
e mesmo assim, se eu não pagar imposto,
nesse mundo, nada é meu, nada é seu.

Estão fazendo guerra, e eu que nunca tive
arma, nem nunca treinei para isso...
Terei que lutar pra ganhar, talvez medalha
porque vida... Eu nunca tive, nunca terei
e talvez, nem tenho.

Não sou dono de nada, e para esse
embaralhado baralho, pago imposto, tachas
aluguel, pedágio das minhas estradas pagas
... Pago, luz água, IPTU da minha casa
pago tudo que me cerca e até o rodar desse
meu carro, eu pago, pago com o soado
grosso do soldo do meu trabalho.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

O DITO

No disse digo da vida
eu decide a partida
dizendo como dizer.

Foi editando o digo
que o dito disse aquilo
que não queria saber.

Esses ditos são dizeres
que ao dizer fica o dito
que disseram de você.

No dito por não dito
permeando meus gritos
tento eu compreender.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

UNHAS E DENTES

Quando eu arranco
as cutículas das minhas unhas...
Elas não me unham,
assim como não me unhava antes
... Com seus cotocos cortados
e seus cortados cutucados!

Mesmo assim...
Tão logo vem a anciã
e as dentadas desenfreadas
desencadeiam uma serie de tique
e com eles, as cutiladas nas unhas,
como se quisesse mantê-las na linha...
De uma, acabrunhada rua.

Para a ansiedade da anciã...
As unhas são como se fosses impunes
e como castigo da inquietação...
Cortam as unhas, já cortadas!
Pelos os tique das suas trivelas
e suas, incorrigíveis dentadas.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes