Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
PEDIDO MELEIRO
Garçom...
Eu quero uma mesa no canto
aonde calado eu possa chorar
... O encanto d'essa saudade.
Quero enxugar meu sentimento
em silencio com meu mundo
fundado em minas verdades.
Garçom...
Aquela mesa afastada
para lá eu esconder as lagrimas
perdidas pela minha amada.
Relembrar com recordação
do tempo em que meu amor
viveu intenção paixão.
Antonio Montes
LAGRIMAS D'ÁGUA
Eu choro as minhas lagrimas
que ninguém pode chorar
lagrimas atiradas aos ventos
para no chão se acabar.
São lagrimas desse meu eu,
imposto d'elas, não pagarei
se pagasse o mundo era breu
sem chorar, não sei, não sei.
Lagrimas que são empurradas
pelos sentimentos internos
elas aparecem do nada
movendo céus, e infernos.
Eu choro as minhas lagrimas
para aliviar a grande dor
lagrimas que sonhos afaga
lagrimas pelo grande amor.
Antonio Montes
CAÓTISMO DO MUNDO
Aqui, nesse apartamento,
... Do meu olhar eu vejo...
A lua com vidros
a rua com tiros
a paz, perambulando pela guerra
E os clamores, dos olhares de socorro
não são mais vistos, diante da clemência
... É pena, que todos querem amor
mas, nunca aprenderam a dá-lo.
Aqui desse meu olhar eu vejo...
A ganância todavia espojada
na cadeira do impero
a insaciável caneca dos desejos
do comando humano... Todavia seca
... Vejo lagrimas de sofrimentos,
escorridas pelos rostos dos inocentes
a esperança no caminho do mundo
a debater-se pelo suspiro do amanhã.
Aqui nesse apartamento
... Do meu olhar, eu vejo...
Os livros do mundo lidos, mas
seus ensinos, nunca foram seguidos
A coerência subjugada pelas correntes
da inconsequência,
a curiosidade sendo levada
pelos trilhos, dos perigos
as feiras dos ensinos vendendo
todo tipo de crença, e todas as
crenças, ludibriando a inocência.
Antonio Montes 13/03/17
ALEM DA QUINZENA
Hoje é dia dezesseis do mês
Eu sei... Já passou do meio
estrondou a minha vez.
Esta caindo um toro tenso
Agregando enxurrada
e transbordando poentes
Infligindo sentimentos.
Com o rio cheio...
Não tem como ir ao correio
que fica lá do outro lado
no sopé d'aquele monte.
Antonio Montes
NA CORAGEM
Brincando de gigante
Eu me perco, diante da coragem
No beco, quem sabe?
Tremendo... Um vulto?
Pode ser uma visagem!
Existe um aviso, perigo!
Faça o que lhe digo
Não ouça e castigo!
E então?
Salgando os costumes da vida
O viver sobre o tempo
Um chorar no sentimento
Alento... Partida.
Antonio Montes
MEU CAMARADA
Oh meu camarada!
Eu vendi todos os meus garrotes
Já comprei o meu passaporte
Vou meter os meus pés na estrada.
Ser feliz nessa jornada
Não se importe
Apenas porte
Se comporte
Eu sou forte
Vou conhecer o sul
Eu vou conhecer o norte.
Se me der na teia
Vou correndo
Vou de trote
Ah... Eu ia me esquecendo
Não é que eu comprei
Duas pernas de garrote!
KKKKK E não vou fazer geleia...
Não é mocotó!
Eu vou fazer estilingue!
Atirar pedra no mundo
Sem pena nem dó
Isso não é nó.
Talvez eu derrube uma estrela
Lá do céu
Uma estrela linda! Mais que flor
Brilhante com seu pó cintilante
Só para dá-la ao meu amor
Rô, rô, rô.
Antonio Montes
Desde que eu me lembre, milhares de planos foram sendo destruídos, milhares de histórias feitas/prontas foram sendo eliminadas, uma a uma, de modo que fosse como que se quer existiram. Foram planos lindos, para uma vida toda, e eis que vem a palavra "foram", milhares de vezes.
Me pego perdido nos meus próprios pensamentos, afundado no mar de solidão que é a vida. A "depressão" tem um nível tão elevado, capaz de se encostar em outra galáxia, e ao mesmo tempo tão forte, capaz de segurar até mesmo todo o universo. Eis que a solução da perdição total, toma conta da minha mente... Eu me deixo de me conter se eu me der um fim ? Se eu não for mais gente ? Gotas de sangue mancham toda minha história, que infelizmente não tem um final feliz. Mas, ainda bem que acordo assustado, já é dia, o pesadelo se foi.. pena que todo dia, é essa mesma agonia. Agonia é essa que me mutila e que eu caio no chão, pois parece muito que é de verdade. Então, choro, e ainda me pergunto, 'Por que no mundo tem tanta maldade ?'
CABOCLO
Eu sou caboclo,
e o meu feijão de toco...
com nó nas quatro pontas
Eu carrego para o terreiro.
No lençol todo bordado
com suor dos quatro lados
e bato as vagens no cambal.
Peneiro grãos com a peneira
ou com prato jogados aos ventos
e a tarde no fim da caseira
na cadeira, eu me assento.
Ali refaço meus planos
viajando em pensamentos
eu sinto o vento na área
com a felicidade por dentro.
Antonio Montes
ENLAÇO
Eu me enleio
e me entorno em arrepios,
nesse arreio...
Duas taças ao meio
rebuliços nos entremeios
de dois seios...
Eis aqui,
os desejos
do alheio.
Antonio Montes
Duarte - Pai, sabes que os teus abraços duram um dia.
Eu - Então porquê filho?
Duarte - Quando tenho frio e tu me abraças fico todo o dia quentinho.
É tão bom ouvir isto não é?
MOMENTO DOCE
Contigo:
Eu queria um momento doce...
Para me lambuza em seu desenho,
me delirar em seu rascunho
e demarcar o tempo...
Com gemidos, e alucinações
dos ardentes desejos.
Antonio Montes
CONCRETO NAS NUVENS
Eu tenha um sonho
por dentro... Lá dentro
Como se fosse pó de cimento.
Que como pó voava...
Voava como se tivesse penas
Voava, como se batesse asas.
Mas o sonho de cimento
com o orvalho, virou grude
e veio as lagrimas d'água...
Fazendo concreto nas nuvens.
Antonio Montes
TRILHOS DA SOLIDÃO
Como, colecionador de solidão
eu colecionei... A minha solidão
sozinho!
Sem canto de passarinho
sem chuvas pra se molhar
sem vento de redemoinho
sem musica ecoando no ar.
A minha solidão...
É um bonde encarrilhado, no meu trilho
Sem apito, sem grito, cheia de duvidas
... Toda sonsa, cheia de grilos.
Ela, dotada de silencio...
Apagou meu riso, meu astral,
agora trilha em clima propenso...
me deixando tenso,
... Me deixando mal.
Antonio Montes
A VENDA
Para o bem do seu desempenho
vendeu-me com seu preço...
O preço que eu não tenho.
Agora, não sei o meu peso
perdi o meu endereço...
No apreço, do meu empenho.
Antonio Montes
O DITO
Eu disse ontem...
Mas hoje eu penso, o dito do passado
até fico suspenso nos passos
que o dito editou errado.
Eu penso...
No grito assombrado, e tenso,
que hoje, direi a você,
para que no amanhã, logo de manhã
esse grito não me assombre...
E eu não venha me arrepender.
Antonio Montes
LAGRIMAS NA ESTAÇÃO
N'aquela estação, eu chorei...
Chorei, não pude conter aquela...
Lagrima, expelida pela sua partida.
Então, veio a saudade extravasando
e eu atirei, meus choros de sentimentos
sob os ventos da despedida.
N'aquela estação, eu chorei...
Chorei o amanhã da minha vida
nos braços da minha dor desvalida.
Chorei igual condenado ao tempo
sob o escuro da solidão concebida
chorei sobre as águas das lagrimas, caídas
N'aquela estação, eu chorei
chorei pela partida d'aquela vida.
abandonando a minha vida sentida.
Antonio Montes
MINHA POESIA
Eu te conto poesia...
Na forma de poesia
essa minha poesia...
No sonho de poesia,
todavia poesia!
Colhida de poesia
da cesta da poesia.
Poesia com euforia
poesia: Noite, e dia
poesia, poesia...
Poesia pela vida
pela vida, poesia
Antonio Montes
VINHO VIVO
Eu vi o vinho, vivinho...
O vinho do parreiral do vizinho
frutos maduros, frutos verdinhos...
junto ao chilrear dos passarinhos.
Ouvi o sino tinindo...
no labirinto do velhinho
que outro dia ouvindo
tiniu com o seu carinho.
Eu vi a idade, subindo...
a cada ano, um pouquinho
mosquitos zunindo a pino
enrugando o vovozinho.
Vem idade, não me leve
entregando as rugas suas
essa vida já é tão breve
por favor, não me destrua.
Não me entregue por ai
como se eu fosse um pacote
tu sabe, que meu existir
nunca foi assim, tão forte.
Não sou vinho, sou menino
para idade do planeta
menino ainda novinho
candidato ah perneta.
Antonio Montes
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