BODINHO, O FIAT Bodinho, velho... Jose Vidal de Negreiros Neto...

BODINHO, O FIAT


Bodinho, velho guerreiro,
Fiat Uno afamado,
Nas estradas da memória
Seu nome ficou gravado.
Por onde passava firme,
Sempre era respeitado.


Tudo começou um dia
Quando Israel o comprou,
Com zelo e muito carinho
Seu destino encaminhou.
Depois ao Sargento Damásio
A chave ele repassou.


O tempo seguiu ligeiro,
Fez a vida seu roteiro,
Até chegar às mãos certas
De um novo companheiro.
Negreiros Neto o guardou
Como peça de museu inteiro.


Mas pense que está parado?
Isso ninguém acreditou!
Pois dentro daquelas chapas
Muita história se alojou.
Cada risco da lataria
Uma aventura contou.


Saiu de Aldeia ligeiro,
Sem nunca olhar para trás,
Por Araçoiaba corria
Como quem queria mais.
Subia Três Ladeiras rindo
E vencia os canaviais.


Nas estradas de barro grosso
Nunca teve aflição,
Enquanto outros atolavam
Pedindo socorro ao chão,
O Bodinho seguia em frente
Com coragem de campeão.


De Itaquitinga partia
Cheio de disposição,
Passava por Santo Antônio
Com firme determinação.
Entrando pelas pedras de Sapé
Mostrava sua vocação.


Quando surgia um riacho
Não mudava direção,
Cruzava a água sorrindo
Sem perder a precisão.
Dava um olé nos obstáculos
Com sua velha tradição.


Foi também para Condado
Levando sonho e alegria,
Passou por Matary primeiro
Naquela mesma energia.
Visitou Upatininga e Esconso
Antes de clarear o dia.


Seguiu viagem pra Goiana
Num passo firme e certeiro,
Só não foi pra Ponta de Pedras
Por escolha do companheiro.
Que desistiu da jornada,
Mas não por medo do guerreiro.


Nazaré e Tracunhaém
Conheciam seu roncar,
Carpina também o via
Pelas ruas passear.
Era um amigo da estrada
Sempre pronto pra rodar.


Não tinha hora marcada,
Nem relógio pra mandar.
De dia ou mesmo de noite
Bastava alguém chamar.
Entrava, girava a chave
E o motor queria cantar.


Nas festas de padroeiro
Era rei da procissão,
No Carnaval desfilava
Misturado à multidão.
No São João se enfeitava
Com bandeira e balão.


Muitos diziam sorrindo
Ao vê-lo em circulação:
"Esse carro não tem motor,
Nem trabalha com pistão.
O que move o Bodinho
É alma e coração."


Hoje repousa tranquilo
Na garagem a descansar,
Mas quem conhece sua história
Sempre volta a recordar.
Que há carros que envelhecem,
E outros que aprendem a sonhar.


E assim vive o Bodinho,
Fiat Uno tão valente,
Guardado como relíquia
Na memória de muita gente.
Mais que carro, virou lenda,
Patrimônio permanente.