Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me
Um dos meus maiores desejos ao entrar na psicoterapia era descobrir quem eu era. Após cinco anos me deparo com o mesmo questionamento. Me deparo com o mesmo questionamento mas, o que mudou, foi o espanto da descoberta. Se segue assim, no inicio: o mundo. Logo depois vem a ideia: associação livre. Quando a apreendi, nunca mais parei. Meu inconsciente não se segurava mais. Ainda o seguro. Estava prestes a descrever uma série de etapas que se seguem quando se quer seguir etapas afim de obter uma máxima quando percebi que, depois da associação livre, me perdi. Descobri tantos novos caminhos. Poderia falar da série de fragrâncias com cheiros exóticos que descobri: sangue, plástico, pele, iodo. Não, não era isso o que queria dizer. O que quero dizer é que: aprendi a gostar de fragrâncias! Lembro de quando era pequeno, ia ao mercado central da cidade. La encontra-se de tudo: Galinha, pombo, cobra, rato, queijo, tempero, goiabada. Tudo isso misturado me gerava uma extrema náusea - odor fétido. O estranho que, depois de organizado, se tornou cheiro. Sei que, quando criança não era capaz de distinguir todos os odores, acabava misturando tudo em uma coisa só. E ai vinha um odor fétido - que não pode nem ser chamado de cheiro. Ah.. as produções humanas. Todas sempre me fascinaram assim como seus criadores. Gosto mesmo é de pegar um pensamento e escamá-lo. Moldá-lo. Emaranhar-me em sua elasticidade, tocá-lo de dentro para fora a tornar visível externamente o relevo de meu toque sob a superficie. Depois quero virá-lo do avesso. Durante o processo, caso o locutor se perca assim como perde-se entrando em uma rua desconhecida, seu corpo é passível de acomodar-se entrando em sincronia invertida, descompasso de onda - pulsar, assim como se faz o coração: Tu dum. Percebe, entre o _Tu_ e o _Dum_ existe um espaço, eles não são no mesmo tempo mas também não são espaços iguais em tempos diferentes. Uma vez li que a diferença de um pulsar para o outro indica a capacidade do ser vivo de se adaptar e permanecer vivo em meio as mudanças. Quem diria que, através do coração se pudesse saber da mente. Milênios que separam a mente do coração. Nunca pensamos na possibilidade de serem um sistema conjunto. Meu coração bate, minha mente age. As vezes minha mente bate de frente, mas meu coração não mente: age! Não é todo dia que isso acontece, mas quando acontece, sinto que posso enfrentar o mundo: A brisa do amanhã oferece, ao encontrar-me em meu caminhar, um suspiro aldeídico de esperança - movo-me, ajo! Os dias ordinários continuam, o que muda é a lente ocular. Foi tarde que descobri a possibilidade de troca. Claro, está muito abstrato. Amiúde, quando lhe desabrocharem as graças, troque-as. A mudança exige um certo tipo de expertise. Esteja disposto a encontrá-la e aprimorá-la, afinal, ninguém anda por ai com os óculos sujos. Mas chega de falar de óculos até porque, não faço uso. As vezes não enxergo. Não por falta de luz. Não enxergo à luz do dia! Não como Diógenes. Não enxergo pois estou tão entranhando em uma linha de pensamento que, as vezes esqueço de processar as imagens que estão sendo recebidas e processadas. Deixo esse processamento em Stand-by. Ah como seria bom se pudéssemos levar as coisas mais no stand-by. Logo sinto um calafrio, assusto, começo imediatamente a ação mecânica de analisar e categorizar toda luz que entra nesse cano que chamo de olhos. Não sei, poderia falar mais quanto quisesse. Não estou falando! Me dispus de um tão mais renomado trabalho, o da seleção de palavras para dizer - mas dizer o que se não falo nada? A diferença entre dizer e falar é da mesma natureza ontológica entre hear e listen, no inglês. Seguimos com o exemplo:
Can anyone hear me?
Alguém pode me ouvir?
Curiosamente podemos escrever e traduzir:
Are you listening to me?
Você esta me ouvindo?
Percebe? O emprego de duas palavras, em inglês, distintas se deu em uma tradução, em português, idênticas.
A diferença esta no afeto. Há sim! As palavras afetam. Primeiro: Nossas cordas vocais geram ondas físicas que são percebidas por partes do nosso aparelho auditivo que separam e, com a ajuda do cérebro organizam o som para nosso entendimento. Ufa...! Não só isso, estava prestes a dizer o modo que a diferença ontológica entre hear e listen se dá: Hear é vago, pense, podes ouvir um ruido na rua de um carro. O som se torna tão insignificante que sei bem que mal percebeu. Agora, acredito que, ao primeiro contato da onda do som de um homem aos berros aos seus tímpanos, o interesse florescerá e a atenção será furtada de modo tão sutil como o da arte dos batedores de carteira. Define-se essa diferença ontológica através da atenção do ser que se coloca naquilo. Quando se fala, se pode falar qualquer coisa, minha mãe dizia: Até papagaio fala! Mas quando se diz, deposita-se a verdade da existência de si ao que está sendo proferido: Quando digo Digo, digo Digo, não digo Diogo. Quando digo Diogo, digo Diogo, não digo Digo. Na maioria do tempo estamos falando - ah, e como falamos! Mas quando queremos dizer algo, em inglês diríamos: _I mean it_. Em tradução literal: Eu significo isso. Em tradução livre: quero dizer. A palavra interpola entre a ideia e o ser da coisa, o sentido. Nem sempre funciona muito bem, mas pra isso, temos as outras artes. Claro, como exprimir os infinitos pensamentos do ser humanos nas palavras? Delas, faço de instrumento. E, nessa repetição mecanicamente instrumental que é falar, um dia, disse. Disse: Não quero ser! Mal sabia o que era, mas, o que era, não me dizia mais. Mal sabia se era, mas se o era não queria mais o ser. Quero ser! Mas o que ser? Não sei, quero ser, não importa o que ser, além do mais, passei a achar o ser em seu singular muito tedioso. Quem é, é! Não há de ser outra coisa. Se a maçã é vermelha é porque é! A não ser que seja maçã verde - não é. Nunca vi uma maçã cor de rosa.
E se um dia eu, como maçã, não querer mais ser vermelha? A quem devo à suplica de meu ser? Pergunto pois, no mesmo instante rogarei: quero ser cor de rosa! E se o Deus das maçãs escutar as minhas preces, ficarei feliz ao saber que, ao mínimo pigmento que cobre a superfície lisa e brilhante de meu ser, fui inventada enquanto maçã. Bom, é da palavra que tenho então hei de usá-la! Usarei-a sem sentido dessa vez: Biboca, Pimpolho, coração de neném, cão, gato, sapato, amianto, aparelho, internato. Proponho um desafio, já propus o dizer - e o falar - bem como o escutar - e o ouvir. Agora peço que, escute o que vou lhe escrever. Não. Não. Melhor. Escute as palavras. Não! Não! Melhor! Se escute as palavras que tenho a lhe dizer:
Biboca, Pimpolho. Coração de Neném. Cão, gato, sapato, amianto, aparelho. Internato!
Se pões atenção ao que se ouve, creio que tenha sacado de inicio o rimar das palavras antes mesmo de eu as dividir na ordem que devem ser faladas. Aqui _faladas_ pois aqui o que importa é seu som, não seu sentido. Repita mecanicamente e verá que criou-se do que se imaginava não ter serventia alguma, a mecanização instrumental de falar as palavras, uma rima! Usai-vos os sentidos! Acredito que a ideia acerca da existência de sentido quando a palavra falta tenha se lançado a luz da dúvida aos instrumentalistas de plantão. Repito: Para isso temos outras artes. Se o que tenho é a palavra, hei de usá-la. Desta vez, usarei-a com sentido: preciso ilustrar uma imagem que ganhe sentido através da palavra: eis o ser. Sendo assim, comecei a falar dizendo. Sempre que falo, digo! Sempre que digo, digo de mim. Por ai, digo que escuto o que dizem de mim e assim, sou sendo.
Uma vez namorei um escritor a quem, certa manhã, comuniquei os desejos mais profundos: quero não ser. Sem entender, disfarçou, riu e fitou a atenção para outro assunto. Escritor de araque! Se fosse escritor mesmo, saberia exatamente onde é esse não-lugar em que não se é! Onde não se vai para não ser! Saberia exatamente que caminho trilhar, pois, para ter desejo de escritor, deve-se não ser.
E, ao não ser, saberás da existência do vazio, do real. Saberás que ali, onde não se é, é que é a vida. Conhecerás os mundos profanos que teus leitores esperam — se o autor espera apenas leitores, espera em vão. Pode ler-me, mas será capaz de decifrar-me?
Afinal, de que servem as palavras senão para esconder aquilo que, de dia, se expressa no brilho ofuscante, no branco ríspido que reflete o sol nas superfícies dos átomos terrestres: a pura natureza divina? E, à noite, na vasta imensidão cósmica, a alma, em sincronia com o mar de energia, que viaja em busca de sentido e significado?
Se crês que, com esta viagem, desfrutarás apenas daquilo a que se chegou, és um homem enganado, que desperdiçou seu bilhete único simplesmente por não olhar pelas janelas do vagão.
Habitar-se é um tipo de exílio sagrado!
Minha infância era um espelho embaçado, onde ninguém parecia me reconhecer. E, por muito tempo, tampouco soube distinguir meu rosto daquilo que esperavam de mim.
Cresci tentando compreender por que o mundo parecia tão distante, por que havia tanto de mim que não encontrava lugar nos outros. Às vezes, sequer em mim mesmo.
Havia uma solidão que me acompanhava, mesmo quando eu não estava sozinho. Uma antiga sensação de desencontro, de estar presente sem necessariamente pertencer.
Ainda assim, sempre que alguém cruzava meu caminho, eu me doava inteiro, sem hesitar.
Entregava o que em mim era força, o que era luz, e até aquilo que eu sabia que me faria falta depois.
Amar, mesmo em ruínas, sempre me pareceu uma forma sincera de tocar a vida que tanto almejo.
E, por um instante, eu me permitia viver aquela realidade sonhada. A presença bastava, e o agora parecia conter tudo aquilo que eu havia esperado.
Mas, depois do inevitável “até logo”, a maré me devolvia à margem de mim.
Ali, onde já não havia ninguém a quem oferecer minha inteireza, eu reencontrava as partes que havia deixado para depois.
As ausências antes negligenciadas, os sentimentos que havia silenciado e as perguntas que permaneciam mesmo depois de todas as despedidas.
Tentava compreender, reconstruir, encontrar algum sentido naquilo que repetidas vezes me escapava.
Parecia inútil. Às vezes, era mesmo.
Houve dias em que viver foi apenas sobreviver. Dias em que a própria existência pesava e nenhuma explicação parecia suficiente para tornar a dor mais suportável.
Ainda assim, nunca deixei de desejar a vida por inteiro.
Ainda creio na beleza dos dias, embora nem sempre consiga encontrá-la. Houve dias que apenas aconteceram. E outros dos quais trouxe somente a consciência de ter conseguido atravessá-los.
Foi preciso tempo para compreender que nem toda dor traz um ensinamento e que minhas feridas não precisam de justificativas para merecer cuidado.
Penso, então, no kintsugi.
Na delicadeza de recolher os fragmentos, na paciência e na precisão de cada encaixe, no ouro que acompanha as rachaduras sem apagar as marcas da ruptura.
Por muito tempo, acreditei que precisava reparar tudo aquilo que havia se partido em mim. Que somente depois de inteiro poderia finalmente viver bem.
Hoje, acolho meus cacos com reverência.
Há partes que ainda compreendo pouco, outras que já não desejo recuperar. Há marcas que permanecem dolorosas e algumas que o tempo tornou familiares.
Nem todas precisam se transformar em beleza. Nem toda perda precisa encontrar um propósito. E nenhuma das minhas feridas, por mais profundas que sejam, contém a totalidade do que sou.
Há muito de mim que existia antes delas. Há muito que nasceu depois. E há, sobretudo, aquilo que ainda desconheço.
Mulher menina..
Ah,linda mulher menina,
Assim,como uma bela paisagem de um chalé à beira do mar, a sua voz canta e encanta.
Como não se apaixonar?
por esse leve swing, em seu andar...
Swing esse, que faz balançar, seus lindos cabelos, como ondas no belo azul do mar.
Ah, linda mulher menina,
como não amar?
"Caio Camara Cesar"
Meu amor..
Meu amor por ti transcende o tempo e espaço,
É um sentimento que jamais se desfaz,
Um laço eterno que nunca se desfalece.
Nas tuas curvas eu me perco e me acho,
No teu sorriso encontro paz e felicidade,
Minha musa inspiradora, minha metade.
És a estrela que brilha em minha escuridão,
A luz que me guia em meio à tempestade,
A paixão ardente que aquece meu coração.
E quando a vida nos separar por algum motivo,
Saiba que meu amor por ti nunca será vencido,
Pois és a minha eterna musa, meu amor infinito.
"Caio Camara Cesar"
O mundo está se tornando um verdadeiro hospício. Muita gente agindo sem noção, guiada apenas pela emoção e vivendo cada vez mais distante da realidade.
A URGÊNCIA DE VIVER
A vida é única,
e a sua duração é como o passar de um dia,
que logo termina
sem ao menos percebermos.
Como o dia,
que só tem utilidade enquanto não acaba,
assim é a vida
enquanto dura.
Por isso, aproveite agora
a dádiva desse extraordinário dia de vida
como algo único e essencial
para pensar mais em você.
Cuide melhor da sua saúde,
alimente-se bem,
corra atrás dos seus objetivos
e acredite na sua capacidade de realizar sonhos.
Sendo assim,
que o principal motivo de você viver bem hoje
seja o fato de você
talvez não estar vivo amanhã!
As Pegadas Que Deixaremos
Que mundo poderemos esperar em um futuro muito próximo?
Às vezes, durante minhas caminhadas, faço perguntas que o silêncio não responde imediatamente. Pergunto a mim mesmo que mundo estamos construindo e, principalmente, que mundo estamos deixando para nossos filhos e netos.
Se o assunto é educação, vejo crianças que já não têm o mesmo contato com o lápis, a caneta, a caligrafia e as brincadeiras que despertavam a memória e a curiosidade. Vejo professores enfrentando dificuldades para ensinar e jovens que, muitas vezes, chegam à vida adulta sem descobrir o verdadeiro prazer de aprender.
Se o assunto é religião, vejo jovens que pouco conhecem sua própria fé e adultos que se lembram de Deus principalmente quando a dificuldade bate à porta. Talvez precisemos reaprender que a fé não deve estar presente apenas na hora da dor, mas também na hora do agradecimento, da solidariedade e do amor ao próximo.
Se o assunto é trabalho, muitos jovens chegam à idade adulta sem uma profissão e começam a trabalhar cada vez mais tarde. Enquanto isso, o desejo de consumir parece crescer mais rapidamente do que o desejo de construir. Esquecemos, às vezes, que o trabalho também ensina responsabilidade, independência e dignidade.
Se o assunto é política, preocupa-me ver jovens que repetem ideias sem procurar compreendê-las. Um país precisa de pessoas que pensem, questionem, participem e conheçam o papel de seus representantes. Democracia não é apenas escolher alguém nas urnas; é também acompanhar, cobrar e contribuir com ideias para melhorar a sociedade.
Se o assunto é convivência, até os cumprimentos estão mudando. O "bom dia", a “boa tarde”, o aperto de mão, o abraço e tantas demonstrações simples de carinho parecem perder espaço. A linguagem muda, é verdade, mas não podemos permitir que a mudança das palavras leve embora também a delicadeza dos gestos e a capacidade de olhar alguém nos olhos.
Se o assunto é ciclo da vida, não sei exatamente que futuro nos espera. Temos menos filhos, famílias menores, mais animais de estimação, idosos enfrentando dificuldades e sonhos que parecem cada vez mais distantes. Talvez o problema não esteja apenas no que estamos deixando de possuir, mas no tempo que estamos deixando de viver juntos.
E quando penso em felicidade, prefiro perguntar ao silêncio das minhas caminhadas. Ele me lembra que felicidade pode estar nas coisas mais simples: uma conversa, um abraço, uma oração, uma paisagem, ou simplesmente a oportunidade de continuar caminhando.
Mas quando penso em esperança, ainda acredito.
Acredito que o futuro não está pronto. Ele está sendo construído agora, pelas nossas escolhas, pelas nossas palavras e, principalmente, pelos nossos exemplos.
Como peregrino, aprendi que ninguém chega ao destino de uma só vez. São necessários milhares de passos.
Talvez com o mundo seja igual.
Se queremos um futuro melhor, precisamos começar a caminhar em sua direção hoje.
Que possamos plantar agora as sementes de um mundo mais justo, para que nossos filhos e netos possam colher amanhã os frutos da paz, do amor, da educação, do trabalho, da fé, do respeito e da dignidade.
Peregrino Nino Carneiro
Os jovens falam da morte como de um evento exterior; uma vez atingidos em cheio pela doença, eles perderão todas as ilusões de sua juventude.
Em um ambiente onde vivem
-farinha pouca, meu pirão primeiro-
quando a farinha acabar você será o próximo prato.
Vou costurar meu dia assim café com tapiocas um abridor de garrafa um tira gosto que arde e ver o mar no fim de tarde.
- Relacionados
- Poemas de aniversário: versos para iluminar um novo ciclo
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- Frases para falsos amigos: palavras para se expressar e mandar um recado
- Frases de perda de um ente querido para encontrar conforto em palavras
- Textos de volta às aulas para um começo brilhante
- 31 mensagens de aniversário para a melhor amiga ter um dia incrível
- Frases de valorização profissional para reconhecer um bom trabalho
