As Pegadas Que Deixaremos Que mundo... Peregrino Nino Carneiro

As Pegadas Que Deixaremos
Que mundo poderemos esperar em um futuro muito próximo?
Às vezes, durante minhas caminhadas, faço perguntas que o silêncio não responde imediatamente. Pergunto a mim mesmo que mundo estamos construindo e, principalmente, que mundo estamos deixando para nossos filhos e netos.
Se o assunto é educação, vejo crianças que já não têm o mesmo contato com o lápis, a caneta, a caligrafia e as brincadeiras que despertavam a memória e a curiosidade. Vejo professores enfrentando dificuldades para ensinar e jovens que, muitas vezes, chegam à vida adulta sem descobrir o verdadeiro prazer de aprender.
Se o assunto é religião, vejo jovens que pouco conhecem sua própria fé e adultos que se lembram de Deus principalmente quando a dificuldade bate à porta. Talvez precisemos reaprender que a fé não deve estar presente apenas na hora da dor, mas também na hora do agradecimento, da solidariedade e do amor ao próximo.
Se o assunto é trabalho, muitos jovens chegam à idade adulta sem uma profissão e começam a trabalhar cada vez mais tarde. Enquanto isso, o desejo de consumir parece crescer mais rapidamente do que o desejo de construir. Esquecemos, às vezes, que o trabalho também ensina responsabilidade, independência e dignidade.
Se o assunto é política, preocupa-me ver jovens que repetem ideias sem procurar compreendê-las. Um país precisa de pessoas que pensem, questionem, participem e conheçam o papel de seus representantes. Democracia não é apenas escolher alguém nas urnas; é também acompanhar, cobrar e contribuir com ideias para melhorar a sociedade.
Se o assunto é convivência, até os cumprimentos estão mudando. O "bom dia", a “boa tarde”, o aperto de mão, o abraço e tantas demonstrações simples de carinho parecem perder espaço. A linguagem muda, é verdade, mas não podemos permitir que a mudança das palavras leve embora também a delicadeza dos gestos e a capacidade de olhar alguém nos olhos.
Se o assunto é ciclo da vida, não sei exatamente que futuro nos espera. Temos menos filhos, famílias menores, mais animais de estimação, idosos enfrentando dificuldades e sonhos que parecem cada vez mais distantes. Talvez o problema não esteja apenas no que estamos deixando de possuir, mas no tempo que estamos deixando de viver juntos.
E quando penso em felicidade, prefiro perguntar ao silêncio das minhas caminhadas. Ele me lembra que felicidade pode estar nas coisas mais simples: uma conversa, um abraço, uma oração, uma paisagem, ou simplesmente a oportunidade de continuar caminhando.
Mas quando penso em esperança, ainda acredito.
Acredito que o futuro não está pronto. Ele está sendo construído agora, pelas nossas escolhas, pelas nossas palavras e, principalmente, pelos nossos exemplos.
Como peregrino, aprendi que ninguém chega ao destino de uma só vez. São necessários milhares de passos.
Talvez com o mundo seja igual.
Se queremos um futuro melhor, precisamos começar a caminhar em sua direção hoje.
Que possamos plantar agora as sementes de um mundo mais justo, para que nossos filhos e netos possam colher amanhã os frutos da paz, do amor, da educação, do trabalho, da fé, do respeito e da dignidade.
Peregrino Nino Carneiro