Espirita

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REVISTA ESPÍRITA — ABRIL DE 1858. JÚPITER:
UM MUNDO ONDE O BEM ORGANIZA A VIDA
REVISTA ESPÍRITA — ABRIL DE 1858.
JÚPITER: UM MUNDO ONDE O BEM ORGANIZA A VIDA.

TEMA:
A DIFERENÇA DE EVOLUÇÃO ENTRE OS ESPÍRITOS, OS HABITANTES DE JÚPITER E O CONTRASTE MORAL COM A TERRA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Existe uma diferença entre olhar para Júpiter com os olhos da curiosidade e contemplá-lo com os olhos do estudo espírita.
A curiosidade pergunta:
Como são os habitantes de Júpiter?
O estudo pergunta:
O que a condição desses habitantes revela sobre o progresso do Espírito?
É nessa segunda perspectiva que a descrição apresentada por Allan Kardec na Revista Espírita de abril de 1858 adquire verdadeira profundidade.
O texto integra as chamadas “Conversas familiares de além-túmulo” e registra uma comunicação atribuída a Bernard Palissy, célebre oleiro do século XVI, evocado em 9 de março de 1858. Kardec afirma que, por evocações anteriores, já sabia que Palissy habitava Júpiter e observa que as informações recebidas coincidiam com descrições anteriores obtidas por diferentes médiuns. Ele considera essa concordância uma presunção de exatidão.
Mas existe uma frase que deve permanecer como chave de leitura de todo o estudo.
Ao ser perguntado sobre a finalidade dos desenhos que transmitira por intermédio de Victorien Sardou, Palissy responde que o objetivo era inspirar os homens a se tornarem melhores.
Portanto, antes de perguntarmos como é Júpiter, precisamos compreender por que Kardec publicou a descrição de Júpiter.

OS NOMES DOS ESPÍRITOS ASSOCIADOS A JÚPITER.
É importante não generalizar nem acrescentar nomes que as fontes não apresentam.
Na comunicação de abril de 1858, o Espírito que fala é Bernard Palissy, que afirma habitar Júpiter.
O próprio Palissy menciona ainda São Luís quando Kardec pergunta se poderia nomear Espíritos habitantes de Júpiter que tivessem desempenhado uma grande missão na Terra. A resposta é simplesmente:
“São Luís.”
Assim, dentro dessa comunicação, temos explicitamente Bernard Palissy e São Luís associados a Júpiter.
Posteriormente, na Revista Espírita de agosto de 1858, ao tratar das habitações de Júpiter, Kardec menciona expressamente Palissy ou Mozart como habitantes daquele mundo, convidando o leitor a confrontar as informações por meio das evocações.
E, em setembro, a Revista publica observações relacionadas ao desenho da casa de Mozart em Júpiter.
Portanto, considerando exclusivamente essas referências da Revista Espírita de 1858, encontramos associados a Júpiter:
Bernard Palissy - São Luís - Mozart.
É importante, contudo, fazer uma distinção: eles não aparecem todos da mesma maneira na comunicação de abril. Palissy é o comunicante; São Luís é citado por Palissy; Mozart surge posteriormente nas matérias da Revista relativas a Júpiter.
Essa precisão é necessária para que o estudo não transforme referências diferentes em uma única comunicação.

POR QUE HAVERIA ESPÍRITOS MAIS ADIANTADOS EM UM MUNDO DO QUE EM OUTRO?
Aqui entramos no cerne da questão.
A doutrina espírita não apresenta os Espíritos como seres criados prontos, acabados e desiguais por determinação arbitrária de Deus.
Eles percorrem uma trajetória de desenvolvimento.
É por isso que a descrição de Júpiter não pode ser separada da questão 222 de O Livro dos Espíritos.
Nela, Kardec desenvolve extensa consideração sobre a pluralidade das existências e sobre a necessidade de compreender a vida humana dentro de uma perspectiva muito mais ampla do que uma única encarnação.
A existência atual não encerra a história do Espírito.
Isso permite compreender, dentro da lógica espírita, por que existem diferenças tão profundas entre os seres: conhecimento, experiência, tendências, aptidões e conquistas morais não surgem todos simultaneamente.
O Espírito progride.
E, se progride, é natural que existam diferentes graus de adiantamento.
(Ver também O Livro dos Espíritos, questões 100 Escala Espírita,114, 115 e 121.)
É justamente essa chave que permite compreender a passagem da Revista Espírita em que Kardec pergunta sobre os habitantes de Júpiter.
A resposta não diz que todos são absolutamente iguais.
Diz que são todos bons, todos superiores, mas existem diferentes graus, relacionados à soma de conhecimentos e experiências.
Isso é extraordinariamente importante.
Ser superior não significa ser perfeito.
Mesmo num mundo mais adiantado existem Espíritos mais adiantados que outros.

A EVOLUÇÃO NÃO É UM PRIVILÉGIO: É UMA CONQUISTA.
Essa concepção impede uma interpretação equivocada.
Não existem, segundo a doutrina espírita, Espíritos criados para serem eternamente superiores e outros destinados eternamente à inferioridade.
O que existe é uma trajetória.
Um Espírito que hoje se encontra em condição inferior não está condenado a permanecer nela.
E aquele que alcançou uma condição elevada não recebeu um privilégio gratuito: percorreu um caminho.
É por isso que a existência em mundos superiores deve ser entendida como consequência do progresso.
(Ver O Livro dos Espíritos, questões 100, 172 a 188, sobre as diferentes condições das existências nos mundos.)
Júpiter, nessa perspectiva, não é simplesmente “um planeta onde moram seres especiais”.
É apresentado como um mundo correspondente a um grau mais avançado de desenvolvimento espiritual.

A TERRA NÃO É UM FRACASSO.
Essa comparação também não deve produzir desprezo pela Terra.
A Terra é um mundo de provas e expiações dentro da classificação apresentada pela Codificação, e seus habitantes ainda carregam numerosas imperfeições.
Mas estar num mundo inferior não significa estar abandonado.
Significa estar em processo.
A própria lógica da reencarnação dá sentido à luta.
O Espírito que ainda não alcançou determinado grau terá novas oportunidades de aprendizado.
É justamente por isso que a questão 222 possui importância tão grande.
A pluralidade das existências impede que uma única vida seja transformada em medida absoluta da justiça divina.
O que hoje parece desigual quando observado apenas através de uma existência ganha outra dimensão quando considerado através da trajetória do Espírito.

“MAS JÚPITER? ISSO NÃO É ABSURDO?”
É possível que alguém leia essas páginas e zombe.
Pode achar estranha a ideia de habitantes de Júpiter, de corpos menos densos, de comunicação pelo pensamento, de cidades e habitações em outro mundo.
Mas há uma diferença entre questionar e ridicularizar.
Questionar é legítimo.
Investigar é saudável.
Discordar é possível.
Ridicularizar sem conhecer o objeto da discussão, entretanto, não constitui estudo.
E há uma razão adicional para a prudência.
Kardec não apresenta essas descrições como se fossem resultado de uma viagem física ao planeta.
Ele está tratando de comunicações mediúnicas, submetidas ao método de observação que empregava em seus estudos.
Em março de 1858, ao escrever sobre Júpiter e outros mundos, Kardec já explicava que as informações deveriam ser consideradas à luz da escala espírita e do princípio do progresso dos Espíritos.
Mais tarde, em agosto, ao publicar “As habitações do planeta Júpiter”, Kardec registra inclusive que havia pessoas que consideravam aquilo motivo de gracejo e afirma que as informações poderiam ser confrontadas por novas evocações.
Isso revela algo muito importante sobre o próprio procedimento de Kardec:
ele não exigia que o leitor abandonasse o raciocínio.
Ao contrário, convidava-o a examinar.
Esse é um ponto que frequentemente se perde quando se fala superficialmente do Espiritismo.

NÃO PRECISAMOS INVENTAR PARA DEFENDER A DOUTRINA.
Também não é necessário exagerar.
Não precisamos dizer que a descrição de Júpiter constitui uma fotografia astronômica.
Não precisamos afirmar que a ciência terrestre contemporânea confirmou cada detalhe da comunicação.
E não devemos acrescentar nomes de Espíritos que as fontes aqui consultadas não apresentam como habitantes de Júpiter.
A força do texto está justamente em outra parte.
Está no quadro moral.
Palissy descreve um mundo em que não há guerras; em que o necessário não falta a ninguém enquanto outro possui o supérfluo; em que os dirigentes são superiores pelo grau de perfeição; em que os habitantes se unem pelos laços do amor; em que a principal ocupação dos Espíritos superiores inclui auxiliar os habitantes dos mundos inferiores.
Isso é muito mais importante para a reflexão espírita do que uma discussão precipitada sobre detalhes físicos.

JÚPITER NÃO É APENAS UM LUGAR.
Observe-se a diferença.
Na Terra, ainda encontramos a guerra.
Em Júpiter, a comunicação a apresenta como desconhecida.
Na Terra, o egoísmo ainda estabelece profundas barreiras.
Em Júpiter, o progresso moral já modificou as relações.
Na Terra, a riqueza pode conviver com a miséria.
Em Júpiter, a resposta afirma que ninguém possui o supérfluo enquanto outro carece do necessário.
Na Terra, a autoridade frequentemente se apoia na força.
Em Júpiter, ela é relacionada ao grau superior de perfeição.
Na Terra, muitas vezes o conhecimento é utilizado para dominar.
Em Júpiter, os mais adiantados dedicam-se também a auxiliar os menos adiantados.
A comparação não foi feita para humilhar a humanidade.
Foi feita para mostrar uma possibilidade de futuro.

O ESPÍRITO SUPERIOR NÃO ABANDONA OS INFERIORES.
Esse talvez seja um dos pontos mais belos.
Kardec pergunta quais são as principais ocupações dos habitantes de Júpiter.
A resposta afirma que eles procuram os mundos onde existem infortúnios, para auxiliar aqueles que ainda lutam.
A elevação espiritual, portanto, não conduz ao afastamento dos que sofrem.
Conduz à aproximação.
Quanto mais o Espírito se liberta do egoísmo, mais compreende a solidariedade.
Isso se harmoniza profundamente com a moral de O Evangelho Segundo o Espiritismo, particularmente com os ensinamentos sobre caridade, amor ao próximo e aperfeiçoamento moral.
(Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulos XI, XV e XVII.)

A DIFERENÇA ENTRE OS ESPÍRITOS NÃO É UMA CASTA.
Há aqui uma distinção essencial.
Se existem Espíritos em diferentes graus de desenvolvimento, isso não significa a existência de castas espirituais.
A diferença é dinâmica.
Hoje um Espírito pode estar atrás.
Amanhã poderá estar adiante.
O progresso não é um privilégio reservado a poucos.
É uma lei.
E justamente por isso a comparação entre Terra e Júpiter pode ser lida sem humilhação.
Júpiter representa aquilo que o Espírito pode alcançar.
A Terra representa uma etapa de sua caminhada.
E nós, individualmente, estamos em algum ponto desse caminho.

O TEMPLO E O CULTO.
No final da comunicação, Kardec pergunta se existem diferentes religiões em Júpiter.
A resposta é particularmente significativa:
“Por templo há o coração do homem; por culto, o bem que ele faz.”
Depois de toda a descrição, corpos, alimentação, linguagem, animais, habitações, autoridade, riqueza, organização social, a comunicação termina onde o Espiritismo sempre precisa retornar:
na moral.
Não basta saber.
É preciso transformar.
Não basta falar sobre o bem.
É preciso realizá-lo.
Não basta admirar os Espíritos superiores.
É preciso caminhar na direção daquilo que eles representam.
(Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII.)

O QUE JÚPITER NOS PERGUNTA.
Talvez essa seja a maior contribuição dessa página da Revista Espírita.
Ela nos obriga a inverter a pergunta.
Não:
“Será que existem pessoas em Júpiter?”
Mas:
“Que espécie de humanidade precisaremos nos tornar para que a Terra deixe de reproduzir aquilo que ainda nos prende aos mundos inferiores?”
Não:
“Como vivem Palissy, São Luís ou Mozart em Júpiter?”
Mas:
“O que esses nomes representam na perspectiva do progresso espiritual?”
Não:
“Por que eles seriam superiores a nós?”
Mas:
“Que distância moral ainda precisamos percorrer?”
Essa é a lucidez espírita.
Nem credulidade ingênua.
Nem zombaria ignorante.
Nem fantasia.
Estudo, comparação, prudência, raciocínio e consequência moral.
Kardec oferece o quadro.
A doutrina fornece os princípios.
E a consciência de cada um precisa decidir o que fazer diante deles.
Júpiter, então, deixa de ser apenas um mundo distante.
Torna-se uma pergunta dirigida à Terra.
E, sobretudo, dirigida a cada um de nós.
Porque se a diferença entre os Espíritos é diferença de progresso e não de criação, então ninguém está condenado a permanecer para sempre onde hoje se encontra.
O caminho permanece aberto.
A evolução continua.
E talvez seja precisamente essa a mensagem mais luminosa escondida entre as páginas antigas da Revista Espírita:
o Espírito não está pronto; está a caminho.
FONTES:
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, março de 1858 — “Júpiter e alguns outros mundos”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, abril de 1858 — “Conversas familiares de além-túmulo — Bernard Palissy (9 de março de 1858) — Descrição de Júpiter”.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, agosto de 1858 — “As habitações do planeta Júpiter”, por Victorien Sardou.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, setembro de 1858 — “Observações sobre o desenho da casa de Mozart”.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questão 222 e questões relativas à pluralidade das existências, progresso dos Espíritos e pluralidade dos mundos.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Questões,100, 114, 115, 121 e 172 a 188.
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Princípios referentes à natureza das comunicações e ao exame das manifestações espíritas.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulos XI, XV, XVI e XVII.
KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Primeira Parte — considerações sobre o futuro e as consequências dos atos.
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DA CENTELHA AO CRISTO INTERIOR.
A TRAJETÓRIA DO ESPÍRITO À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA.
O entendimento espírita acerca da vida não se limita ao instante biológico do nascer. Ele amplia-se para além da matéria, alcançando as causas profundas que precedem e sucedem a existência corpórea. Assim, ao tratar do “filho de Deus”, não se fala de privilégio exclusivo, mas da condição universal do Espírito criado simples e ignorante, destinado à perfectibilidade.
O nascimento, sob essa perspectiva, não constitui um começo absoluto, mas a continuidade de uma jornada. Segundo a codificação de Allan Kardec, na questão 344 de O Livro dos Espíritos, a união da alma ao corpo inicia-se na concepção. A fecundação, portanto, não é mero fenômeno orgânico, mas um ponto de convergência entre o plano espiritual e o físico, onde o perispírito se liga gradualmente ao embrião em formação.
A reencarnação surge como lei indispensável ao progresso. Não há aprendizado completo em uma única existência. Cada retorno ao corpo físico representa uma oportunidade de reajuste, de quitação de débitos morais e de aquisição de novas virtudes. A pluralidade das existências, longe de ser punição, constitui mecanismo pedagógico da justiça divina.
O livre-arbítrio é a ferramenta que confere dignidade ao Espírito. Ele escolhe, dentro de suas possibilidades evolutivas, os caminhos que deseja trilhar. Contudo, essa liberdade não é absoluta em seus efeitos. A lei de ação e reação, ou causa e efeito, regula o universo moral. Cada ato gera consequências proporcionais, conforme ensina a questão 964 da mesma obra, estabelecendo que a felicidade ou o sofrimento decorrem das próprias escolhas.
Na sociedade, o Espírito encontra o campo de provas mais fecundo. É no convívio com outros que se revelam as imperfeições ainda latentes. As dificuldades sociais, familiares e íntimas não são castigos arbitrários, mas instrumentos de educação da alma. A dor, muitas vezes, é o recurso extremo que a consciência utiliza para despertar-se.
A resignação, nesse contexto, não significa passividade, mas compreensão ativa das leis divinas. Conforme exposto no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “bem-aventurados os aflitos”, pois a aflição, quando compreendida, converte-se em alavanca de elevação moral.
O perdão, por sua vez, constitui uma das mais altas expressões de libertação interior. Perdoar é romper os grilhões invisíveis que prendem o Espírito às correntes do passado. Não se trata de esquecer mecanicamente, mas de ressignificar, dissolvendo o vínculo de ódio que perpetua o sofrimento.
A felicidade, na visão espírita, não é um estado permanente nas esferas inferiores da existência. Ela é relativa ao grau de evolução do Espírito. Contudo, pode ser antecipada na Terra por meio da consciência tranquila, do dever cumprido e da prática do bem. A verdadeira felicidade é interior e independe das circunstâncias externas.
A evolução é a lei maior que rege todos os seres. Desde os estágios mais rudimentares até a angelitude, o Espírito progride incessantemente. Não há retrocesso no princípio inteligente, apenas estacionamentos momentâneos causados pelo uso indevido da liberdade.
As influências encarnadas e desencarnadas exercem papel constante na vida humana. Pensamentos, emoções e intenções criam sintonia. Espíritos afins aproximam-se por afinidade vibratória. Assim, tanto podemos ser auxiliados por benfeitores espirituais quanto perturbados por entidades ainda presas às sombras do ressentimento. A vigilância moral e a elevação do pensamento funcionam como filtros protetores.
A proteção espiritual não se dá por privilégio, mas por merecimento e afinidade. Os chamados “mentores” acompanham o Espírito em sua jornada, inspirando, intuindo e, dentro das leis, auxiliando. Entretanto, jamais substituem o esforço individual. A assistência espiritual respeita o livre-arbítrio e atua de forma discreta, sem violar a autonomia da consciência.
E, por fim, chegamos à figura de Jesus. Não como exceção inacessível, mas como modelo e guia da humanidade. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ele é apresentado como o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem. Sua vida sintetiza todas as leis anteriormente expostas. Ele exemplifica o uso pleno do livre-arbítrio em harmonia com a vontade divina, demonstra a resignação consciente diante do sofrimento, ensina o perdão irrestrito e revela a felicidade que nasce da união com o bem.
Ser “filho de Deus”, portanto, é reconhecer-se parte desse processo grandioso. Não é um título estático, mas uma vocação dinâmica. Cada Espírito carrega em si o germe da luz que, um dia, há de florescer em plenitude.
E assim, entre quedas e reerguimentos, entre sombras e claridades, o ser avança, silenciosamente, rumo à sua mais alta destinação, onde a consciência, enfim harmonizada, deixa de apenas existir e passa a compreender.
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O ÓDIO SOB A ÓTICA ESPÍRITA E SEUS EFEITOS PSICOLÓGICOS.
O ódio, à luz da doutrina, não é apenas um sentimento moralmente reprovável. É um estado vibratório de profunda desarmonia que compromete o equilíbrio do Espírito e repercute diretamente sobre o corpo físico por intermédio do perispírito.
Em "O Livro dos Espíritos", questão 886, lê-se que o verdadeiro sentido da caridade é benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições alheias e perdão das ofensas. O ódio, portanto, é a negação prática dessa tríade moral. Ele fixa a consciência no passado, cristaliza a dor e impede o avanço espiritual. Não se trata apenas de falha ética, mas de estagnação evolutiva.
Dimensão Espiritual do Ódio
Segundo a perspectiva espírita, o Espírito é um ser em progresso contínuo. Emoções densas como o ódio produzem condensações fluídicas no perispírito, que é o envoltório semimaterial da alma. Esse envoltório, ao sofrer perturbações prolongadas, transmite ao corpo físico estados de tensão persistente.
A literatura doutrinária, inclusive nas reflexões de Léon Denis, esclarece que pensamentos reiterados estruturam formas mentais que se agregam ao campo vibratório do indivíduo. O ódio reiterado torna-se um circuito fechado. A criatura passa a nutrir-se da própria amargura. Forma-se um processo de auto obsessão, no qual o ofensor já não é necessário para que o sofrimento continue.
Efeitos Psicológicos
Sob o prisma psicológico, o ódio prolongado gera:
Ruminação mental persistente. A mente retorna compulsivamente ao fato que gerou a ofensa.
Alterações fisiológicas crônicas, como elevação constante de adrenalina e cortisol.
Rigidez cognitiva. A pessoa perde a capacidade de interpretar os fatos com elasticidade.
Identificação com a dor. O sujeito passa a definir-se pela ofensa recebida.
A psicologia contemporânea demonstra que emoções hostis mantidas por longo período estão associadas a transtornos de ansiedade, quadros depressivos e distúrbios psicossomáticos. O Espiritismo acrescenta que tais estados podem abrir campo para processos obsessivos, conforme analisado em "O Livro dos Médiuns", quando há sintonia vibratória com Espíritos igualmente perturbados.
Lei de Causa e Efeito
O ódio também se insere na dinâmica da lei de causa e efeito. Não como punição externa, mas como consequência natural. Ao odiar, o Espírito compromete sua própria paz. A desarmonia interior torna-se campo fértil para experiências regeneradoras futuras, inclusive por meio de reencontros reencarnatórios com aqueles a quem se ligou pelo ressentimento.
A reencarnação, portanto, surge como pedagogia divina. O desafeto de hoje pode converter-se no filho de amanhã. O adversário pode retornar como irmão consanguíneo. A providência espiritual não visa castigar, mas educar.
Superação
A superação do ódio não é repressão emocional. É transmutação. O perdão, segundo a ótica espírita, é libertação íntima. Não significa concordância com o erro alheio, mas recusa em manter-se prisioneiro dele.
A prática da oração, da vigilância mental e da reforma íntima modifica a frequência vibratória do Espírito. A disciplina do pensamento reorganiza o perispírito. O hábito do bem dilui gradualmente as cristalizações emocionais.
O ódio corrói, paralisa e obscurece. O perdão reorganiza, fortalece e ilumina. Entre permanecer na sombra da ofensa ou avançar na direção da consciência pacificada, o Espírito é sempre chamado a escolher.

DA MEDIUNIDADE ANIMAL À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA.
A investigação da suposta mediunidade no reino animal exige, antes de qualquer conjectura apressada, um rigor metodológico que se harmonize com os princípios da epistemologia espírita, cuja base repousa na observação sistemática, na universalidade do ensino dos Espíritos e na prudência analítica diante dos fenômenos. Não se trata de matéria que se resolva por impressões subjetivas ou sentimentalismos afetivos, mas por criteriosa exegese das fontes primárias da Codificação e dos registros experimentais consignados nos anais do Espiritismo nascente.
Desde as primeiras deliberações da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, observa-se que a questão da mediunidade animal foi tratada com notável circunspecção. Longe de qualquer afirmação categórica precipitada, o exame foi conduzido sob o crivo da razão disciplinada, conforme o próprio princípio kardeciano de que "os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos julgamentos" e que, "na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem sensato". Tal diretriz metodológica estabelece um paradigma que afasta tanto o dogmatismo afirmativo quanto a negação arbitrária.
No que concerne às obras fundamentais, particularmente nas questões 234 a 236 de "O Livro dos Médiuns", delineia-se com clareza a distinção essencial entre sensibilidade orgânica e mediunidade propriamente dita. A mediunidade, em sua acepção rigorosa, pressupõe não apenas receptividade fluídica, mas igualmente uma estrutura psíquica capaz de elaborar, traduzir e exteriorizar conteúdos inteligíveis oriundos do plano espiritual. Tal faculdade exige memória organizada, capacidade simbólica e desenvolvimento intelectual suficiente para a articulação de ideias.
Ora, os animais, embora dotados de notável sensibilidade e de um instinto refinado, não possuem ainda tais atributos em grau que permita a comunicação consciente. Sua atividade psíquica permanece circunscrita ao domínio do instinto e da percepção imediata, desprovida da abstração reflexiva que caracteriza o Espírito humano.
O célebre relato publicado na "Revista Espírita" de junho de 1860 ilustra com singular clareza essa distinção. O comportamento do cão que aparentava reconhecer o antigo proprietário desencarnado não foi interpretado como manifestação mediúnica, mas como expressão da extrema acuidade sensorial própria à espécie. Conforme esclarecido pelo Espírito comunicante, "a extrema finura dos sentidos pode levar a adivinhar a presença do Espírito e até a vê-lo", sendo o olfato e o chamado fluido magnético os principais veículos dessa percepção.
A explicação posterior, atribuída ao Espírito Georges, aprofunda essa análise ao introduzir o conceito de ressonância fluídica. Segundo ele, "a vontade humana atinge e adverte o instinto dos animais", estabelecendo uma comunicação indireta que não se realiza por vias intelectuais, mas por intermédio de impressões vibratórias que alcançam o sistema nervoso do animal. Tal fenômeno revela uma interação sutil entre os planos material e espiritual, mediada pelo perispírito e pelas correntes fluídicas que permeiam ambos.
Dessa forma, o animal não percebe o Espírito por visão objetiva, mas por uma espécie de intuição sensorial ampliada, na qual o conjunto de seu organismo reage à presença invisível. Trata-se, portanto, de um fenômeno sensitivo e não mediúnico, instintivo e não consciente.
A análise torna-se ainda mais complexa quando se examinam os relatos de manifestações pós-morte de animais, como o caso da cadelinha Mika, descrito na "Revista Espírita" de maio de 1865. O testemunho, corroborado por múltiplas percepções independentes, sugere a possibilidade de uma forma de sobrevivência do princípio inteligente animal. Todavia, a interpretação doutrinária mantém-se prudente.
O próprio codificador observa que "os fatos desse gênero não são ainda nem bastante numerosos, nem bastante averiguados para deles deduzir uma teoria afirmativa ou negativa". Tal afirmação revela uma postura científica exemplar, que se recusa a transformar casos isolados em leis gerais.
A comunicação espiritual recebida em 21 de abril de 1865 introduz o conceito de "estado de crisálida espiritual", no qual o princípio inteligente animal se encontra em fase de elaboração e transição. Nesse estágio, o perispírito não possui forma definida nem estabilidade suficiente para sustentar manifestações duradouras. As eventuais aparições seriam, portanto, efêmeras, desprovidas de consciência reflexiva e incapazes de estabelecer comunicação estruturada.
Esse entendimento coaduna-se com a noção de progressividade da alma, segundo a qual o princípio inteligente percorre uma escala ascensional que vai do instinto à razão. Somente ao atingir o grau humano adquire as faculdades necessárias à mediunidade, entendida como instrumento de intercâmbio consciente entre os dois planos da existência.
Importa ainda considerar a teoria das criações fluídicas, exposta na "Revista Espírita" de junho de 1868. Segundo essa concepção, o Espírito pode plasmar formas no envoltório perispiritual, produzindo imagens que possuem realidade relativa no plano espiritual. Assim, certas manifestações atribuídas a animais podem, em verdade, ser projeções fluídicas criadas por Espíritos, utilizando formas conhecidas para fins didáticos ou experimentais.
Essa hipótese explica a aparente materialidade de certas aparições sem implicar a presença efetiva de um Espírito animal individualizado. Trata-se de imagens fluídicas que, embora perceptíveis, não possuem autonomia consciente.
Diante desse conjunto de elementos, a Doutrina Espírita estabelece com notável coerência um princípio hierárquico no desenvolvimento espiritual. A mediunidade, enquanto faculdade complexa e consciente, pertence ao estágio humano da evolução. Os animais, embora sensíveis às influências espirituais, não dispõem ainda dos instrumentos psíquicos necessários para exercê-la.
Contudo, longe de rebaixar o valor do reino animal, essa compreensão o insere numa perspectiva grandiosa de continuidade evolutiva. O animal não é um ser estático, mas um Espírito em formação, destinado a ascender progressivamente na escala dos seres. Sua sensibilidade aguçada, sua capacidade de afeição e sua percepção sutil constituem indícios dessa trajetória ascensional.
Assim, ao perscrutar os limites entre instinto e inteligência, entre sensação e consciência, o pensamento espírita revela uma ordem universal regida por leis sábias e graduais. Cada ser ocupa o lugar que lhe corresponde, não por privilégio, mas por mérito evolutivo, avançando silenciosamente na direção de uma lucidez cada vez mais ampla e profunda.
E é nessa harmonia progressiva, onde nada se perde e tudo se transforma, que se descortina a grandeza da criação, convidando o espírito humano a contemplar, com reverência e responsabilidade, o vasto encadeamento da vida."

" Na filosofia espírita, a comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material ocorre essencialmente por intermédio do ser humano dotado de mediunidade. O espírito desencarnado atua sobre o pensamento do médium e este, por sua vez, traduz a ideia recebida por palavras, escrita ou outras formas de expressão. "

O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
QUADRO DA VIDA ESPÍRITA E A PRESENÇA DOS ESPÍRITOS NA EXISTÊNCIA HUMANA.
Artigo: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
A Doutrina Espírita desde sua formulação inicial apresenta um dos mais profundos e desafiadores deslocamentos da consciência humana. Ela não se limita a oferecer uma promessa futura ou uma explicação consoladora para a morte. Ela reorganiza a compreensão do que seja viver. Ao afirmar a sobrevivência da alma e a presença constante dos Espíritos no cotidiano humano o Espiritismo desloca a vida do eixo do acaso para o eixo da responsabilidade moral contínua.
No texto clássico publicado na Revista Espírita no ano de 1859 encontra se delineado um verdadeiro tratado de psicologia espiritual. Nele a morte não aparece como ruptura violenta nem como aniquilamento. Ela surge como transição gradual marcada por estados de perturbação lucidez adaptação e reconhecimento. Esse processo descrito com sobriedade e precisão retira da morte o caráter fantástico e devolve lhe a dignidade de fenômeno natural submetido a leis.
A ideia do nada após a morte apresentada como hipótese materialista é descrita como psicologicamente insustentável. A angústia diante do vazio absoluto a dissolução da memória o apagamento dos afetos e a inutilidade moral de toda ação revelam se como fontes profundas de desespero existencial. A razão humana segundo o próprio texto não se satisfaz com uma existência futura vaga indefinida e sem estrutura. É justamente nesse ponto que a revelação espírita intervém não como imaginação poética mas como observação racional dos fatos mediúnicos.
A alma segundo a Codificação não é abstração metafísica nem princípio impalpável sem propriedades. Ela é o Espírito individualizado revestido de um envoltório semimaterial que lhe confere forma percepção identidade e continuidade. Essa concepção rompe com séculos de indefinição teológica e filosófica. O Espírito vê sente pensa recorda ama sofre e progride. Ele não se dissolve no todo nem se reduz a centelha impessoal. Permanece sendo alguém.
Do ponto de vista psicológico essa continuidade da identidade é decisiva. A consciência humana necessita de sentido de permanência para manter equilíbrio interior. A noção de que tudo termina no nada desorganiza a psique aprofunda o medo da perda e gera comportamentos de apego desespero ou indiferença moral. A Doutrina Espírita ao afirmar a sobrevivência consciente oferece uma base sólida para a maturidade emocional. O indivíduo compreende que suas escolhas não se apagam com a morte e que seu mundo interior o acompanha.
A presença constante dos Espíritos descrita no texto não deve ser interpretada como vigilância punitiva nem como interferência arbitrária. Trata se de convivência por afinidade. Os Espíritos aproximam se segundo a sintonia moral intelectual e afetiva. Esse princípio possui enorme valor educativo. Ele desloca a ética do medo para a ética da coerência interior. Não se evita o mal por temor de castigo externo mas por compreensão das consequências naturais da própria vibração íntima.
A psicologia espírita reconhece que pensamentos emoções e desejos constituem campos ativos de atração. O Espírito encarnado não está isolado em sua interioridade. Ele emite e recebe influências. Essa interação explica muitos fenômenos psíquicos ignorados pela psicologia materialista como certas obsessões angústias persistentes impulsos incoerentes ou estados de inspiração elevada. A Codificação apresenta esse mecanismo com clareza ao afirmar que os Espíritos veem ouvem observam e participam da vida humana conforme lhes seja permitido pela afinidade moral.
O estado de erraticidade longe de ser ocioso é apresentado como intensamente ativo. Os Espíritos trabalham aprendem orientam protegem inspiram e deliberam. Essa descrição dissolve a ideia infantil de um céu estático ou de um inferno material. A felicidade e o sofrimento são estados de consciência decorrentes do grau de lucidez e harmonia interior. Espíritos elevados encontram alegria no serviço. Espíritos inferiores sofrem pela impossibilidade de satisfazer paixões que ainda conservam.
Essa concepção tem profundo impacto moral. Não existe salvação instantânea nem condenação eterna. Existe progresso gradual sustentado pelo esforço pessoal. A responsabilidade é contínua mas também é contínua a possibilidade de reparação. O sofrimento não é vingança divina mas consequência educativa. Essa lógica restaura a confiança na justiça da vida e elimina o desespero metafísico.
A presença dos Espíritos amados após a morte reorganiza também a experiência do luto. A dor da ausência não é negada mas é ressignificada. O vínculo não se rompe. Ele muda de plano. Essa certeza impede que a saudade se transforme em desintegração psíquica. O amor deixa de ser posse e torna se comunhão duradoura. Esse ponto foi amplamente desenvolvido nas obras mediúnicas do século 20 que aprofundaram com detalhes psicológicos aquilo que a Codificação apresentou em estado germinal.
Do ponto de vista coletivo essa doutrina restaura a dignidade das relações humanas. Nenhum gesto de bondade é inútil. Nenhuma fidelidade é esquecida. Nenhum esforço moral se perde. A vida deixa de ser aposta incerta e passa a ser construção consciente. O bem acompanha o Espírito. O mal pesa sobre a consciência até ser reparado. Essa lógica educa sem ameaçar e eleva sem iludir.
A compreensão da vida espiritual apresentada na Codificação e confirmada pelas comunicações posteriores constitui uma das mais coerentes arquiteturas morais já oferecidas ao pensamento humano. Ela une razão fé observação e ética em um mesmo corpo doutrinário. Não promete facilidades mas oferece sentido. Não infantiliza mas responsabiliza. Não assusta mas esclarece.
Quando essa visão se instala no íntimo o ser humano deixa de viver como quem atravessa o mundo às cegas. Cada pensamento adquire peso. Cada emoção ganha direção. Cada escolha prolonga se além do instante. A vida cotidiana torna se escola e preparação. E o indivíduo passa a compreender que viver bem não é agradar forças invisíveis mas harmonizar se com a lei profunda da existência que governa tanto o mundo visível quanto o invisível.

Fontes doutrinárias.
Allan Kardec O Livro dos Espíritos 1857. O Céu e o Inferno 1865. Revista Espírita 1858 a 1869.
José Herculano Pires traduções e estudos da Codificação Espírita.
Francisco Cândido Xavier obras mediúnicas de André Luiz especialmente Nosso Lar e Os Mensageiros.

Encontro de LÉON DENIS com KARDEC.
Havia em Tours um grupo espírita bem organizado, ao qual, porém, Denis não podia frequentar regularmente devido seus compromissos de trabalho. Mas, em meio aos primeiros estudos doutrinários, junto com alguns amigos espíritas, o rapaz ficou sabendo de um evento especial que se daria na sua cidade: a visita do autor de O Livro dos Espíritos.

O ano era o de 1867 e Denis tinha apenas 21 anos de idade. A reunião estava prevista para se realizar num salão, mas a prefeitura não providenciou a autorização do evento; então uma das personalidades espíritas da cidade ofereceu sua residência para sediar a palestra. Denis encarregou-se de ficar à porta do endereço anterior para prevenir os convidados da mudança de local; depois, ele foi se juntar os trezentos ouvintes que disputavam um lugar nos jardins da casa do Sr. Rebondin, para ouvir o codificador espírita. Ele registrou esse momento jubilar nos Anais do Congresso de 1925:

“Sob a claridade das estrelas, a voz suave e grave de Allan Kardec se elevava, e sua fisionomia meditativa, iluminada por uma pequena lâmpada colocada sobre uma mesa, no centro do jardim, produzia um aspecto fantástico. [...] Os canteiros do Sr. Rebondin ficaram bem pisoteados, mas cada um levou dessa noite uma inesquecível lembrança.”
No dia seguinte, o rapaz foi cedinho na casa que hospedava o Mestre espírita, só para dar uma espiadinha, do que vai contar: “[...] encontrei-o sobre um pequeno banco, junto a uma grande cerejeira, colhendo frutos que atirava para a Sra. Allan Kardec — cena bucólica que contrastava com aquelas graves preocupações.”

A passagem de Kardec em Tours rendeu a fundação de um novo centro espírita, do qual Denis foi escolhido secretário. A propósito de mais instruções, o apóstolo iria se encontrar o mestre mais duas vezes ainda em 1867; uma vez em Paris, no escritório de Kardec; outra vez num evento espírita em Bonneval. Dois anos depois, à distância, Léon lamentaria a morte do professor.

ANJOS E A TUTELA ESPIRITUAL NA VISÃO ESPÍRITA.GUARDIÕES
Marcelo Caetano Monteiro.
Nas questões 489 a 491 de , apresenta uma das mais sublimes e consoladoras reflexões da Doutrina Espírita acerca da proteção espiritual concedida ao ser humano.
Questão 489: “Há Espíritos que se ligam particularmente a um indivíduo para protegê-lo?” Os Espíritos respondem: “Sim. O irmão espiritual, a quem chamais o Espírito bom ou bom gênio.”
Questão 490: “O que se deve entender por anjo guardião?” Resposta: “O Espírito protetor de uma ordem elevada.”
Questão 491: “Qual é a missão de um Espírito protetor?” Resposta: “A de um pai em relação aos filhos. Guiar o seu protegido pelo bom caminho, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo em suas aflições e sustentar sua coragem nas provas da vida.”
Segundo os princípios da Doutrina Espírita, o anjo guardião não constitui figura mitológica ou mera alegoria religiosa. Trata-se de um Espírito elevado que acompanha o indivíduo durante sua jornada reencarnatória, inspirando-lhe pensamentos nobres e auxiliando-o silenciosamente em suas dificuldades morais e emocionais.
A Doutrina Espírita esclarece que esses benfeitores espirituais respeitam profundamente o livre-arbítrio humano. Eles não impedem as provas necessárias ao crescimento da alma, mas oferecem inspiração, fortalecimento íntimo e amparo invisível para que o ser atravesse as dores sem sucumbir moralmente.
Quantas vezes uma intuição inesperada impede um erro. Quantas vezes um pensamento de esperança surge precisamente quando a alma se encontra fatigada. Quantas vezes uma palavra, um livro ou um encontro providencial modifica destinos inteiros. Para o Espiritismo, nada disso ocorre fora das leis espirituais que regem a vida.
A afinidade moral permanece fundamento essencial dessa relação. Pensamentos elevados, oração sincera, prática do bem e esforço ético aproximam o homem de seus protetores espirituais. A invigilância moral e a persistência no mal obscurecem a percepção dessas influências benéficas.
Divulgar a Doutrina Espírita é evangelizar porque esclarece a imortalidade da alma, fortalece a esperança e recorda ao homem que jamais caminha sozinho pelas estradas da existência.
Fontes:
Parte Segunda. Capítulo IX. Questões 489 a 491.
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- O problema não é você ser evangélico, católico, judeu, espírita, ateu, machista, feminista, corintiano, flamenguista, coxinha, mortadela...
o problema é o seu fanatismo!
Fanatismo é coisa de gente burra.
Fanatismo gera guerras.
Haredita Angel
29.07.17

!


Os fundamentos e a doutrina espírita, seja ela kardecista ou de vertente afro-brasileira (Umbanda e Candomblé), não se coadunam com a ideologia de extrema-direita.


São doutrinas de amor, caridade, acolhimento ao diferente e respeito à diversidade.


Pregam a igualdade, a justiça social e a caridade sem distinção.


O contrário disso é pura HIPOCRISIA!


✍@MiriamDaCosta

Acho que talvez tenha acontecido só comigo, pois quando comecei na frequentar uma casa espirita e naquele tempo era diferente de hoje, todas as pessoas se sentavam em volta de uma mesa e começavam a receber espíritos. Eu também, sentia uma força diferente e começava a falar. Quando terminava, ninguém se lembrava do que havia falado, somente eu. Com o tempo, fui me sentindo muito mal, pois achava que estava fazendo teatro e, por várias vezes me afastei. Mais tarde, fui para a Umbanda e o mesmo aconteceu. Ninguém se lembrava. apenas eu. Lá comecei a receber um caboclo. Eu ficava nada roda cantando e, quando a mãe de santo chamava por ele eu começava a dançar sem parar. Só que, naquele tempo, eu tinha um problema sério de torcicolo, q1ualquer movimento mais brusco com a cabeça fazia com que meu pescoço começasse a doer e não havia, remédio, massagem ou pomada que curasse. Isso durava por dias e até semanas. Por isso, tomava todo cuidado com o meu pescoço, balançava todo o corpo, mas sempre tomava cuidado com a minha cabeça. Depois de algum tempo, resolvi que não ia mais fazer aquilo, que eu estava fazendo teatro e que não era certo. Eu gostava das roupas, das musicas, mas não precisava mentir. Em um dia, resolvi que por mais que a mãe de santo chamasse, eu não ia dançar nem balançar o corpo. Ela se aproximou, chamou, chamou e eu firme. De repente, sem que eu conseguisse controlar, comecei a dançar e a minha cabeça a se mexer, violentamente, da frente para trás, de um lado para outro por mais que eu quisesse, não conseguia parar. Enquanto isso acontecia, a minha maior preocupação era com o meu pescoço. Eu só pensava: preciso parar se não o meu pescoço vai sair do lugar dos dois lados, mas não parrou. Quando eu já estava muito cansada, parou e eu estava com os dois lados do pescoço em frangalhos. Sai de lá andando dura sem conseguir mover a cabeça para lado nenhum. Na época eu tinha duas crianças pequenas e a minha preocupação só era de como eu poderia cuidar delas. No dia seguinte, om muito custo, consegui fazer o almoço e cuidar mais ou menos das crianças. Depois do almoço, coloquei as crianças para dormir e dormi também. Sonhei que era para eu pegar novalgina, que eu tinha em casa, e passar pelo pescoço. Acordei, fiz isso e nunca mais tive problema algum com torcicolo. Naquele dia, aprendi que, embora eu estivesse consciente, eu tinha sim, um guia e nuca mais duvidei. Fiquei na umbanda até que percebi que a mãe de santo explorava as pessoas. Sai. mas aprendi muito com os guias da Umbanda. Depois disso, voltei para o espiritismo e estou até hoje. Mesmo depois disso, nunca entendi muito bem o que acontecia com as pessoas que diziam ser inconscientes até que meu mentor escreveu a respeito do livre arbítrio. Escrevi tudo isso, para vc ver que eu não tenho só teoria, mas acho que vc não precisa se preocupar, pois, inconsciente ou consciente o importante é estarmos fazendo o bem para as pessoas que nos procuram. Desculpe se, de alguma forma eu o machuquei, essa não era a minha intenção.

Inserida por LuPAComunicacao

Deus não criou o evangelho católico, protestante, espírita ou seja lá qual for a designação. Nós os criamos com nossas traduções e interpretações e, diga-se de passagem, no mais das vezes, de acordo com nossas próprias conveniências

Inserida por ARYCAMPOS

Ser procurado por um ex é um caso sério de assombração melhor você procurar um centro espírita. Agora ter uma recaída e ir para cama com um ex, aí então é um caso sério de possessão, procure um exorcista.

Inserida por Marcellothadeu

Se o autor do livro espírita Nosso Lar, tivesse conhecido o facebook, diria que muitas das ideias contidas no livro é um plágio da rede social.
No mundo espiritual os espíritos se comunicam pelo pensamento. Não há distância que os separem. E também formam grupos que tem afinidade entre si. Então, quando estamos no face estamos a um passo da eternidade. Meus amigos estão fisicamente tão longe e
ao mesmo tempo tão perto de mim. Sempre que nossos pensamentos e gostos combinam, mesmo estando a quilõmetros ele me diz "que legal", "gostei" e a
quilômetros de distância, dou uma cutucada em quem eu gosto e recebo outra de quem gosta de mim.
Não tenha medo de morrer.
Quando passar para o outro lado você vai continuar no facebook com uma
configuração até mais sofisticada. E diante do novo computador você nem vai sentir o tempo passar. E olha que lá tem tempo de sobra.

Inserida por DavidFrancisco

O QUE É UM ESPÍRITA

Toda convicção regiliosa é importante, todavia, se buscamos a Doutrina Espírita, não podemos negar-lhe fidelidade.

Por inúmeras razões precisamos preservar a incoluminidade doutrinária. Até porque, ante as funções educativas das crenças religiosas, em geral, explica Emmanuel: só a Doutrina Espírita permite-nos o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas,
para que a fé contemple a razão, face a face. Se as religiões "preparam" as almas para punições e recompensas no além-túmulo, só o conceitos kardecianos elucidam que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina.

A Doutrina codificada por Allan Kardec nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho.

Por representar em si mesmo a liberdade e o entendimento. Há quem interprete seja a Terceira Revelação obrigada a miscigenar-se com todas as peripécias aventureiras e com todos os exotismos religiosos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula. Mas temos que acautelar-nos sobre esse lisonjeiro ecletismo, buscando dignificar a Doutrina que nos consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade para que não colaboremos, sub-repticiamente, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.

O legado da tolerância não se pode transfigurar na omissão da obrigatória advertência verbal ante às enxertias conceituais e práticas anômalas que alguns confrades intentam impor nas hostes do movimento doutrinário.

Inobstante repelir as atitudes extremas não devemos abrir mão da vigilância exigida pela pureza dos postulados espíritas e não hesitemos, quando a situação se impõe, no alerta sobre a fidelidade que devemos a Allan Kardec e a Jesus.

É importante não esquecermos que nas pequeninas concessões vamos descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. É óbvio que a luta pela pureza e simplicidade doutrinária sem vivê-la é consolidar focos de perturbação, impondo normas para os outros, despreocupados da própria vigília.

Destarte, para evitarmos determinadas práticas perfeitamente dispensáveis em nome do Espiritismo, entendamos que prática de fidelidade aos preceitos kardecianos é processo de aprendizagem com responsabilidade nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer laivos de fanatismo, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de questões controversas, porém não olvidemos que Espírita deve ser o nosso caráter, ainda mesmo nos sintamos em reajuste, depois da queda.

- Espírita deve ser a nossa conduta, ainda mesmo que estejamos em duras experiências.
- Espírita deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo respiremos em aflitivos combates conosco mesmo.
- Espírita deve ser o claro adjetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

E, ainda, Emmanuel admoesta:

Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo.

E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos. Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.

Inserida por ParmAmyKarmA

"O verdadeiro espírita não é o que crê nas manifestações, mas aquele que aproveita do ensino dado pelos Espíritos. De nada adianta acreditar, se a crença não o levar a dar um passo à frente no caminho do progresso e não o tornar melhor para com o seu próximo."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)

"Para ser proveitosa, a primeira condição de toda reunião espírita é a seriedade e o recolhimento; que tudo aí se deve passar respeitosamente, religiosamente e com dignidade, caso se queira obter o concurso habitual dos bons Espíritos. Não se deve esquecer que se esses Espíritos aí se tivessem apresentado em vida, por eles teríamos dispensado considerações a que fazem jus ainda mais depois da morte do corpo físico."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)

(O espiritismo em sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec / por Allan Kardec; [tradução de Evandro Noleto Bezerra]. - Brasília: FEB.)

Enquanto na próxima novela das seis (18h) da Globo, que é uma novela espírita, o “espelho” é o próprio ser humano (espírito de um ser humano que já morreu, segundo o autor da novela; mas que na verdade não é um ser humano, é um espírito maligno), na fé cristã o “Espelho” é o próprio Deus, pois a Bíblia diz que Ele nos criou à Sua imagem e semelhança. Assim, o Deus que nos criou não é um igual a nós, mas infinitamente maior que nós.

Inserida por PASTORJORDAO

Na visão espírita o ser humano precisa reencarnar várias vezes para evoluir. Ou será que o objetivo oculto da reencarnação é fazê-lo aprender que não se progride através da hipocrisia, um aprendizado que aparentemente não é mesmo muito fácil de ser absorvido, daí a necessidade de tantas vidas.

Inserida por Gracaleal

Para aqueles que procuram nas cartas de tarot, nas cartomantes, na adivinhação, nos centros espíritas, nos terreiros de umbanda entre outros tantos que preconizam milagres que nunca irão se cumprir, um conselho, façam assim:

1. Pense como está agindo dentro do seu relacionamento;

2- Dê mais do que acha que pode, ou pior, que deve receber;

3. Dê mais carinho e compreensão do que recebe;

4. Analise suas próprias faltas;

5. Analise como reage a cada situação;

6. Analise o que fala em cada situação;

7. Veja se retribui o carinho que recebe, mesmo nas pequenas coisas;

8. Analise como está sua vida sexual;

9. Analise seus traumas particulares vendo se eles não são um empecilho ao relacionamento;

10. Pense que se está falido tal relacionamento, qual a sua parcela de culpa?;

11. Pense se espera mais financeiramente do que aquilo que imaginou;

12. Não se chateie se não se lembraram do seu aniversário, da data que se conheceram, do mês de aniversário de casamento, namoro, entre outras tantas datas que muitos dão uma importância que não tem;

13. Pense em como se veste dentro de casa e como se veste ao sair pra rua. Quem merece a sua beleza? Quem está do seu lado, ou alguém estranho?

14. Saiba que dinheiro tem limite, não gaste além do que pode, nem exija que outros o façam por você:

15. Imagine que tratar quem supostamente ama, seria como tratar algum amigo ou até desconhecido com a mesma lisura e educação;

16. Não use roupas como se estivesse sozinho;

17. Mantenha-se limpo e cheiroso;

18. Trate com educação os parentes dele ou dela, mesmo que patifes: eles são parentes de quem supostamente ama;

19. Tenha um mínimo de imaginação na cama: não precisa ser um profissional, mas também não precisa ser uma múmia descoberta e rediviva;

20. Saiba educar seus filhos em conjunto: foram necessários um homem e uma mulher para concebê-los;

21. Não deixe parentes, amigos e afins acharem que sabem mais da sua vida amorosa que você;

22. Não se porte como vítima, nem como agressor;

23. Saiba que paixão pode durar um tempo, mas não serve para casamento. Amor serve.

A lista é longa e bem maior que isso, mas um conselho: se depois que fizer tudo isso e não der certo, tente de novo de outra forma.

Não deu certo?

Não vai ser com magia, feitiços, adivinhações, despacho na encruzilhada que isso irá se resolver, isso é certo.

Você pode achar que não tem saída, mas tem, ela está dentro de cada um, basta seguir. Ninguém vai resolver por você aquilo que somente vai se resolver se você quiser.

Inserida por swamipaatrashankara