Espelho
No espelho quebrado da rotina, vejo mil rostos todos meus.
Fragmentos de promessas, vícios de urgência, gritos que ninguém ouve.
As loucuras dançam, sedutoras, me puxando para o abismo do excesso.
Mas hoje, eu ergo o punho contra elas.
Chega de correr em círculos como um animal enjaulado pela própria mente.
Chega de alimentar o caos com distrações baratas e pendências empilhadas como cadáveres esquecidos.
O foco é minha arma.
A disciplina, meu açoite.
Cada passo certo é um prego no caixão da desordem.
Não quero mais sobreviver em meio ao ruído.
Quero silêncio.
Quero o peso do agora.
Quero o corte limpo da verdade.
Fortalecer o emocional não é sorrir para o espelho
É encarar o monstro que vive atrás dele.
É alinhar o processo à dor, ao medo, à vontade de desistir
E mesmo assim, continuar.
Seguro.
Eficaz.
Frio como aço, firme como pedra.
Porque só quem atravessa a noite com os olhos abertos
conhece o valor da luz.
11.01.2026
By Evans Araújo
"Não fale de feiúra antes de se refletir no espelho pois o interior pode estar cauterizado de feiúras irreparáveis"
A única rosa que te dei
não era flor, nem pétala, nem promessa —
era um espelho no meio do deserto,
um ponto luminoso na curva do nada,
o sinal de um certo querer que nem sempre se vê.
O gosto amargo permanece —
não na boca, mas no intervalo entre notas,
como se o silêncio fosse uma corda esticada demais.
Você era a borracha sobre calendários apagados,
apagando aquilo que nunca se soube desenhar.
O vento passou como uma lembrança
sobre o vidro frio dos dias alinhados,
um alfabeto de gestos que não se traduziu,
peças de um quebra‑cabeça que cabiam apenas
na caixa onde guardamos histórias incompletas.
Havia tanta corrente nas mãos —
um rio secreto subindo pelas margens do possível,
margens que se recusavam a ser caminhos.
O medo era ponte que avançava sobre espelhos,
cada passo dissolvendo areia invisível no ar.
Queimamos cartas que nunca se dobraram,
rasgamos páginas impregnadas de ausência,
apagamos sinais no calor das chamas —
gestos como pássaros que não voam,
ecoando um nome sem nunca pronunciá‑lo.
Agora restam os espaços vazios,
o ciclo fechado como livro antigo
que guarda apenas marcas de dedos na capa.
As linhas se tornaram fósseis de silêncio,
um suspiro seco que fica entre as notas
quando a canção já acabou.
E mesmo assim, no fundo do escuro,
a memória sussurra como vento em sala vazia,
um brilho que não ilumina nada,
um fogo que dobra as margens do possível,
um querer que recusa morrer —
não como chama, mas como reflexo de chama
sobre vidro que nunca virou cinza.
A respiração guarda vestígios de horizontes,
contornos de sombras que dançam sem corpo,
o olhar busca o que nunca foi alcançado,
o silêncio pesa como chão movediço,
cada lembrança uma ponte que não leva a lugar algum.
Não me procure, porque o que resta
é uma fome que não se cansa,
uma sede que não se dissolve em lágrimas,
um olhar que sempre busca o inalcançável,
um eco que insiste mesmo no silêncio.
Este é o ponto final do nosso nunca mais —
um fim absoluto, cruel, profundo,
mas mesmo assim, eu sempre vou querer mais.
Amei muitas vezes,
e cada amor foi como um espelho partido,
onde vi reflexos meus que jamais reconhecera.
Não amei por acaso,
não amei por distração
amei porque no fundo do meu vazio
era a única verdade que pulsava.
O amor foi meu templo e meu refúgio,
meu remédio e também minha ferida.
Nele encontrei paz,
mas também me perdi em labirintos sem saída.
E mesmo assim, voltava a amar,
como quem procura o ar
quando já não pode respirar.
Cada mulher que cruzei
carregava um universo,
e eu, sedento de infinito,
tentava me perder em suas constelações.
Não para fugir de mim,
mas talvez para me encontrar.
Porque dentro de mim há um vazio,
um buraco onde o silêncio ecoa,
mas o amor sempre ele
foi a única chama pura
que ousou desafiar a escuridão.
E se eu amei demais,
foi porque só no amor
eu soube ser inteiro.
Espelho, espelho meu
Quero ouvir um conselho seu
Diante de ti estou eu
Só nos dois, amigo meu
Sincero
Singelo
Olho profundamente nos olhos teus
Que são reflexo dos meus
É a idade?
Ou a vaidade?
Mostre-me espelho meu
Onde posso retocar
Onde posso melhorar?
Espelho, espelho meu
Diga-me que aconteceu
Onde preciso mudar
Para paz encontrar
Há algo a me incomodar
Só você pode mostrar
Diga espelho meu
Estamos aqui só você e eu!
Distorcer o espelho quando pensar
É deixar de sentir o brilho do luar
Contemplar as estrelas sem suspirar
Não deixar o outro falar
É o mesmo que não escutar
Desaparecer é também falhar
O tempo é arte sem controlar
Narrativas do inconsciente a cantar
Troca simultânea de energia a bailar
Manipular ao se ausentar
É dor ao se calar
Desejo inconsciente de amar
Medo do desejo a somar
Desejo pelo medo a multiplicar
Resultando em sublimar
Etapas importantes ao abandonar
São perdidas quando pular
Processos naturais como ondas do mar
Invadir o fluxo do sintonizar
É o mesmo que ironizar
Diante do espelho quando se olhar
O reflexo pode perdoar
Mas devolve e reverbera sem disfarçar
Assim como o sol ao eclipsar
Fugir sem encarar
Movimento celeste ao penetrar
Água, terra, fogo, ar
Éter sublime a dissipar
Brumas a visualizar
Campos silvestres para imaginar
Perder para encontrar
Sem nunca mais achar
Simplesmente por tentar forçar
Fiz um acordo com o espelho:
o mundo pode até me esquecer,
mas eu me levo pela mão
até o fim da estrada.
Desistir de mim nunca foi uma opção.
Tememos a simplicidade como quem teme a nudez diante do espelho. Preferimos vestir as coisas de palavras difíceis, adornar o óbvio com teorias emaranhadas, acreditar que a beleza só existe no labirinto. É como se a complexidade fosse medalha de intelecto, e a simplicidade, um vazio vergonhoso.
....e, de repente percebemos...que o VALOR que te dão, é o ESPELHO das atitudes contra ou a seu favor... enxergue a nitidez... é só observar as reações. Daí, não sinta culpa em posicionar-se, porque a vida é curta, para alimentar aborrecimentos ...
O espelho é um obejecto vil. De tão verdadeiro é vil. Nem tudo se deve mostrar como é — falta muita diplomacia ao espelho que só não escancara mais por que não pode. De mim só tem dez minutos por dia, devido à barba. E todos os dias faço-lhe uma careta de desprezo!
Você saiu do banho.
Toalha na cabeça..
no espelho do banheiro,
o vapor criava aquele ar embaçado.
Dizer que quero apenas os segredos da sua companhia,
Indiscretos e soltos pela boca,
seria despir as minhas intenções das roupas indecentes.
Roupas que já deixamos lá.
Dizer que vejo seu corpo nu
repousando embaixo do chuveiro
seria minimizar aquilo que podemos fazer.
Não quero corpo.
Quero aquela magia fora do dorso.Quero retorcer os quadris da sua confiança.
Quero sempre ser um presente no presente,
Quero o sabor dos seus lábios,
não num beijo extravagante,
mas numa noite constante onde as palavras escorregam pelo canto de um sorriso.
Quero você sem frescura.
Numa pista de loucura.
A mulher exaltada na sua forma de corpo que não importa.
A magia guardada desvendada pela conversa em qualquer lugar.
