Espelho
Autoconsumo Geral
Você deve internalizar toda a dor
E sorrir pro espelho como um vencedor
Deve queimar o estoque de afeição
E aceitar a própria autodestruição
E se for cobrado por mais energia
Entregue a alma e a última alegria
Assim, você será um exemplo raro
De quem consome o próprio ser bem caro.
Você deve ser o combustível e a chama
Mesmo que o peito arda e o corpo reclame
Pois é de bom tom, é de bom senso
Se desfazer num cansaço imenso.
E se o vazio vier te visitar
Não ouse parar para descansar
Transforme a angústia em produtividade
Ignore o grito da sua verdade
E por fim, quando não sobrar mais nada
Aplauda a si mesmo na sua jornada
Pois quem se devora com tal perfeição
Merece o troféu da exaustão.
Você deve ser o combustível e a chama
Mesmo que o peito arda e o corpo reclame
Pois é de bom tom, é de bom senso
Se desfazer num cansaço imenso.
Para um grupo seleto de pessoas, o espelho tem uma função muito nobre e incontestável: ele, simplesmente, reflete a verdade.
"Nos olhamos no espelho todos os dias, esperando encontrar uma imagem diferente quando não fazemos nada pra mudá-la."
-Aline Lopes
Quanto custa ser o que se é? Pergunta besta, mas incômoda. Quem já se olhou no espelho com a suspeita de que o reflexo sabe algo que você insiste em negar sabe: a resposta dói antes de chegar.
A culpa se aloja em cada gesto ousado, em cada palavra engolida, nos silêncios que preferimos. Ela é pegajosa, insistente, um lodo que adere à pele e ao pensamento. A liberdade, por outro lado, chega quase sussurrando e exige preço: ser inteiro, visível, irreversível.
Ser quem se é significa viver com a língua raspando as feridas da própria alma. Admitir que cada escolha, mesmo mínima, é uma cratera na qual a culpa pode se esconder — e que ainda assim, é ali que respiramos.
A culpa se veste de memória; a liberdade, de coragem. Oscilamos entre elas. Algumas vezes, a culpa nos segura pelo tornozelo; outras, a liberdade nos carrega pelo peito, nos atirando contra o céu.
Ser quem somos não é leve. Não é fácil. Não é barato. Mas o preço, cada suspiro, cada nó na garganta — vale mais que fingimento, mais que qualquer paz comprada com silêncio ou complacência.
No fim, o duelo nunca termina.
Mas existe algo de radicalmente bonito em atravessar essa colisão entre culpa e liberdade: sentir cada choque, cada fissura, cada centelha — e ainda assim continuar inteiro, pulsando, crua e irreversivelmente vivo.
No espelho quebrado da rotina, vejo mil rostos todos meus.
Fragmentos de promessas, vícios de urgência, gritos que ninguém ouve.
As loucuras dançam, sedutoras, me puxando para o abismo do excesso.
Mas hoje, eu ergo o punho contra elas.
Chega de correr em círculos como um animal enjaulado pela própria mente.
Chega de alimentar o caos com distrações baratas e pendências empilhadas como cadáveres esquecidos.
O foco é minha arma.
A disciplina, meu açoite.
Cada passo certo é um prego no caixão da desordem.
Não quero mais sobreviver em meio ao ruído.
Quero silêncio.
Quero o peso do agora.
Quero o corte limpo da verdade.
Fortalecer o emocional não é sorrir para o espelho
É encarar o monstro que vive atrás dele.
É alinhar o processo à dor, ao medo, à vontade de desistir
E mesmo assim, continuar.
Seguro.
Eficaz.
Frio como aço, firme como pedra.
Porque só quem atravessa a noite com os olhos abertos
conhece o valor da luz.
11.01.2026
By Evans Araújo
O ataque raramente é sobre você. É sobre o efeito que você causa no outro. Você virou espelho. E espelho honesto irrita. Porque ele não discute, ele apenas reflete. A pessoa olha e vê o que não quer ver sobre si mesma. Aí ela tenta quebrar o espelho. Não porque o espelho mentiu, mas porque o reflexo doeu.
LEITO DA FELICIDADE
O espelho reflete meu apreço
Na vereda da mocidade!
Pois sem seu amor nada sou
E a morte a mim invade,
Ceifando o meu sorriso
E provocando gemidosno crivo da saudade,
Que te venera sem segredos
Pois com você eu sou inteiro
No leito da felicidade!
... conviver
com o próprio espelho,
sempre foi - e por muito tempo
ainda será - amais complexa,
indigesta e inspiradora de
todasas artes!
Desiludir-se é o luto de uma mentira, é quando o espelho da expectativa quebra para que possamos, enfim, enxergar o rosto nu da realidade. Dói porque a verdade é fria, mas liberta porque o engano cansa.
O convívio é um espelho: quem preza pela própria decência não se demora em terrenos onde o caráter é escasso.
