Escritores Brasileiros
O que escrevo não pede favor a ninguém e não implora socorro: aguenta-se na sua chamada dor com uma dignidade de barão.
O pardalzinho nasceu
Livre. Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu uma casa,
Água, comida e carinhos.
Foram cuidados em vão:
A casa era uma prisão,
O pardalzinho morreu.
O corpo Sacha enterrou
No jardim; a alma, essa voou
Para o céu dos passarinhos!
Escrever pensando em leitor é bobagem. Leitor não existe.
Atribuímos as defesas aos defendidos, embora uma pena estranha as escreva.
Pobres dos escritores que não se derem conta disso: escrever é transmitir vida, emoção, o que conheço e sei, minha experiência e forma de ver a vida.
Eu sou incapaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Além de gostar de uma mulher e escrever, uma terceira coisa eu não consigo, não consegui nunca em minha vida.
Eu continuo firmemente pensando em modificar o mundo e acho que a literatura tem uma grande importância.
Eu acho que o escritor verdadeiro é aquele que escreve sobre o que ele viveu.
Penso que o escritor que um dia se considere realizado, se não for um idiota (e deve ser) tem o dever de deixar de escrever, pois já se realizou.
Só escrevo aquilo que nasce e cresce dentro de mim.
Peço também que não leia tudo o que escrevo porque muitas vezes sou áspera e não quero que você receba minha aspereza.
Talvez porque não somos nós que escrevemos os melhores momentos da nossa vida. (Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei)
Tudo vai sendo jamais,
tudo é para sempre nunca.
INOCENTES DO LEBLON
Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe emigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
Minha voz é o modo como vou buscar a realidade; a realidade, antes de minha linguagem, existe como um pensamento que não se pensa, mas por fatalidade fui e sou impelida a precisar saber o que o pensamento pensa. A realidade antecede a voz que a procura, mas como a terra antecede a árvore, mas como o mundo antecede o homem, mas como o mar antecede a visão do mar, a vida antecede o amor, a matéria do corpo antecede o corpo, e por sua vez a linguagem um dia terá antecedido a posse do silêncio.
Ouve-me, ouve o silêncio. O que eu te falo nunca é o que te falo e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão. Um instante me leva insensivelmente a outro e o tema atemático vai se desenrolando sem plano mas geométrico como as figuras sucessivas em um caleidoscópio.
Cada coisa tem o seu lugar. Que o digam as pirâmides do Egito.
