Escrevo
Nem sempre escrevo o que vivo em mim. Escrevo para aprender, aprender como eu não devo ser.
Nildinha Freitas
Talvez hoje seja a última vez que escrevo. Talvez sejam essas minhas últimas palavras. Talvez minha última refeição seja hoje. Talvez o sorriso que viu partindo de mim seja o último que lhe darei. Talvez eu não esteja aqui no próximo alvorecer. Pode ser que o que não me disse hoje não possa dizer amanhã. Talvez até diga, mas não ouvirei. Pode ser que o "eu te amo" dito por mim a você seja o último que ouvirá com o som da minha voz.
Só percebemos a intensidade da vida quando entendemos que ela e a morte caminham de mãos dadas por um vasto campo onde uma semeia e a outra colhe.
Meu paraíso particular, ninguém sabe quao bem eu escrevo, ninguém vê quao bem eu vomito palavras que formam frases, eu sou a garota do abismo, mas já fui a girafa rosa, vomitar versos é algo que faço deis de a meninice, quando aprendi sobre poesia e tudo aquilo, eu amo escrever, eu posso dissecar a mim mesma numa folha, seja digital ou física,
Já não escrevo como antes.
Esta metamorfose é notória demais.
Houve tempos em que escrever não era um exercício exaustivo — era apenas uma forma de conversar comigo mesmo.
Hoje, parece-me que o meu Eu e eu sofremos uma mudança drástica. Sentar-me para dialogar com ele tornou-se uma tarefa árdua, quase impossível.
Mas o que julgavam? Que era apenas acordar e escrever? Não. Nunca funcionou assim.
A verdade é que percebo, aos poucos, que estou a perder um grande amigo: o meu Eu.
Riamo-nos tanto das complexidades e banalidades… e nunca partilhei algo tão íntimo com outro alguém senão com ele.
Nem sei por que vos escrevo isto. Talvez não me entendam. Não estais preparados para compreender-me. Já é tarde demais. Estive acessível durante tanto tempo, esperando ser entendido, mas o meu Eu decidiu libertar-me deste tédio.
Encarnei uma introspecção feroz, que me levou a muitos estágios: da lógica à filosofia, dos delírios ao retorno — sempre o retorno.
O lado sombrio cessou por um tempo, mas agora que o meu Eu se esvai, sinto que não terei mais controle sobre as trevas que habitavam o meu ser.
Antes de conhecer o meu Eu, eu e elas — as trevas, o abismo — éramos um só. Eu ia para a cama, mas elas não; eu ficava de vigia para não sucumbir. O meu universo não tinha colorações, apenas escuridão.
Com a chegada do meu Eu, tudo mudou. Olhámo-nos nos olhos com sinceridade.
Quando vos digo que não sou pertença vossa, ignorais o facto. Apenas quereis ouvir o que convém ao vosso ego.
Mas o meu Eu esvai-se… esvai-se e nunca mais retornará.
E quando eu também me for, não me sigam.
Tentei trancar-lhe as portas dentro de mim, implorei que ficasse. Disse-lhe que ninguém o poderia substituir, que sem ele eu sucumbiria.
Ele ajoelhou-se para me alcançar. Questionei-o: “Porquê tudo isto?”
Mas apenas partiu.
E eu morri com a sua partida.
Morri, porque a minha paz era a única força que me mantinha longe das sombras.
Morri sem remorso, apenas para reencontrar o meu fiel amigo — o meu Eu.
Não compreendereis isto.
Não me sigam.
Vivam a vossa vida.
Há em mim tremores de mundos complexos, de uma aura tenebrosa.
Apartai-vos de mim.
Não pedi socorro.
Livrem-me da vossa pena.
Tirai-me do alcance da vossa visão.
— SUSATEL
LINHAS REFLEXIVAS
Quando encontro o caos, escrevo,
e minha alma libera tudo o que nela pesa.
Meu coração acelera quando o mundo simplesmente adormece.
Por um instante, percebo, a tempestade que em mim carrego.
Sou um reflexo dividido, e quando a tempestade chega, caminho por linhas que me mantêm submersa.
Onde escrever se torna a única forma de tocar as bordas mais profundas das minhas reflexões internas.
- Iani Melo >•<
Manifesto do Insubmisso
Eu escrevo a história dos ninguéns, dos que sofrem o horror da perversidade do sistema.
Eu pinto a tela social dos mais atormentados pela exclusão de um sistema estúpido que é vendido como progresso, mas que atua como máquina de fazer embutidos.
Eu sou a pena que sangra nos cadernos rasgados dos que não têm nome nos registros da glória. Eu fotografo com palavras as cicatrizes deixadas pela engrenagem que tritura a dignidade e cospe o resto. Este progresso não é a luz, mas sim a sombra densa onde a esperança é esmagada sob o peso de um capital que se alimenta da miséria e da obediência cega.
Eles nos querem quietos, padronizados, meros ingredientes no produto final do lucro. Mas eu não me calo. Minhas linhas são o grito sufocado que ecoa dos cortiços, das esquinas frias, dos campos varridos pela ganância. Eu sou o memorialista da resistência silenciosa, e minha arte é o espelho que estilhaça a ilusão: o sistema não falhou; ele está funcionando exatamente como foi projetado. E meu trabalho é garantir que o horror não seja esquecido nem perdoado.
Sou a vela vermelha dos Exus das encruzilhadas, sou o terreiro inteiro se mudando de lugar.
Sou a tenda resistindo à estupidez da hipocrisia religiosa.
Sou o Cristo do crucifixo morto – porque a vida pulsa onde a opressão o mata.
Sou a rua, a esquina, a Banda de esquerda, o armário vermelho amarelo.
Sou o furacão que arrasta o ego e o joga no paredão do terreiro das entidades mais intensas.
Eu sou a contradição que liberta. A liturgia profana que desfaz os dogmas e veste o corpo nu da verdade. Não aceito o céu prometido em troca do silêncio na terra.
Sou a Pomba Gira que dança sobre os contratos sociais não cumpridos. Sou o Zé Pilintra que bebe a indiferença e cospe a revolta, dando dignidade aos que o sistema chama de marginais.
Eu sou o ruído necessário que quebra a missa silenciosa da conformidade. Eu sou o verbo encarnado na pele dos marginalizados, o ponto cantado que ninguém pode abafar.
Minha escrita é a macumba social, feita para desmanchar as armadilhas do "progresso" e invocar a justiça sob a luz da Lua e o cheiro de pólvora da insubmissão.
Pedro Alexandre
Não escrevo para culpar nem para exigir o que não tenho. Escrevo porque a verdade cabe melhor no papel do que no silêncio: eu tenho falta de nós. Sinto falta de dividir o trivial e o extraordinário. Se o amor mudou, que seja para melhor, talvez possamos aprender a reconhecê‑lo outra vez, com outras palavras divididas, outros gestos positivos, sem pressa na caminhada e sem medo de errar até acertar.
Escrevo
Escrevo porque preciso
Porque se não coloco no papel...
Transbordo!
A palavra me organiza
Me revela, me esconde, me cura.
Escrevo para me encontrar
Mas também para me inventar...
Soneto para Narraly
Narraly, não te escrevo por urgência
Nem por promessas fáceis de sentir
Te escrevo pela calma da presença
Que fez meu mundo, aos poucos, ir sorrir
Foi só um beijo e isso foi bastante
Um gesto simples, cheio de intenção
Depois, a noite quieta, elegante
Guardou no silêncio a admiração
Dormir ao lado e nada exigir
Foi jeito claro e sincero de querer
Respeito também sabe construir
Se algum dia teus passos me escolher
Estarei aqui, sem pressa de pedir
Com tempo, cuidado e vontade de te conhecer
Escrevo-me
quando o silêncio pesa
e a alma pede morada.
Escrevo-me
não para ser lida depressa,
mas para ser sentida
no tempo certo do coração.
Há dias em que sou rascunho,
outros em que sou verso inteiro.
Mas sigo,
mesmo borrada,
mesmo em construção.
Escrever-me
é não desistir de quem sou,
é juntar pedaços de fé,
cicatrizes e esperança
numa mesma linha.
Porque enquanto me escrevo,
eu existo.
Inteira.
Viva.
Aprendendo a ficar.
_escrevendo.me
ilação
no lugar comum
de explicar por que escrevo,
não pretendo achar motivo
que, por outro,
já não se tenha dito:
escrevo só mesmo porque é bonito
e, assim, alento os meus dilemas;
escrevo porque,
embora sangrem mais,
as feridas doem menos
quando abertas em poemas.
Tudo o que escrevo é sobre mim, minha vida e meus pensamentos. Sou minha única referência, portanto o que digo sou eu mesma em palavras.
Numa folha branca escrevo a minha vida, o rap e poesia, sempre foram minhas melodias. Parece uma mágica, eles me animam quando triste me encontro.
Tem hora que a cabeça fica cheia e o coração meio perdido. Escrevo para tentar me entender. Não é bonito, nem certo, é só meu jeito de lidar. Às vezes é no bloco de notas do celular, outras vezes em um papel qualquer, ou no computador. Estou aprendendo tanto e vejo que a escrita me deu oportunidades incríveis, além de me proteger. Muitas vezes, ao reler todos os meus pensamentos, os altos e baixos, noto que, mesmo quando tive todos os motivos para desistir, só me fortaleci com tudo isso. A escrita, no fim, sempre me ajudou a continuar.
Não escrevo mais...
Não escrevo mais...
Seu houvesse algo a ser escrito seria: tanto faz...
Quem me dera sentir meu corpo leve como em meus sonhos
E atravessar as paredes
As portas
Quem me dera... sentir meu espírito, finalmente livre.
Não há céu suficiente para eu voar
Nem corpo suficiente para me preencher
Eu não escrevo mais...
Mas para mim, do além, que um dia jaz
Eu diria:
Boa sorte...
Para o Infinito
Escrevo, pois sinto.
E se sinto, é porque vivo.
Sinto meu coração pulsar
enquanto minha mente se projeta no infinito —
lá, onde as palavras não bastam,
onde me recuso a ser limitado.
Vou além,
tocando a beira do universo.
Sou um instante,
um sopro breve,
que, em certos momentos,
se ilude com a eternidade.
Ignorância minha.
Nada sou além de um simples ser humano:
respiro, sinto, falho.
Sinto demais.
Sinto que, por instantes,
o mundo ainda é um lugar bom.
Falho em acreditar que realmente seja.
Respiro…
e ergo meus olhos ao céu,
atento aos detalhes secretos,
às minúcias mágicas
que o universo me entrega.
Como uma orquestra,
tudo pulsa em harmonia,
tudo ocupa o seu lugar.
Ouso dizer que sou privilegiado:
pois não prendo meu olhar ao chão,
mas o lanço ao infinito.
Sobre o livro que escrevo... "Este livro não é um guia de conforto, mas um mapa para a verdade. Sua jornada exigirá que você confronte e desmantele a fantasia da realidade na qual você vive. Se você se sentir perdido no Vazio que precede a criação, lembre-se: o Nada é apenas o silêncio fértil onde a sua Visão Abstrata tece. A Desintegração não é o fim, mas o preço da entrada para a Amortalidade."
...por que escrevo?...escrevo porque me dá prazer, gosto de saber o que está escrito no livro da minha alma, assim me livro de sentimentos reprimidos.
Minha Querida Stela,
Sei que as palavras que escrevo agora chegam tarde demais, e a dor de não as ter dito pessoalmente consome-me. Não há um único dia que passe sem que a sua imagem não me visite, sem que a culpa não aperte o meu peito.
Fui um tolo, Stela. Você esteve sempre lá para mim, um pilar de força e uma presença constante. O seu amor e a sua amizade eram um presente que eu não soube valorizar, que tomei como garantido na minha ignorância e egoísmo.
A sua mãe pedia-me para ir vê-la. Você queria que eu fosse. Mas eu falhei em aparecer, falhei em estar presente quando mais precisava de mim. Não consigo encontrar uma desculpa que justifique a minha ausência.
Quando recebi aquela mensagem, aquela confissão de amor corajosa e desesperada, eu fiquei sem palavras, mas admito que eu sempre soube dos teus sentimentos por mim. A minha chamada foi um ato de pânico e tarde demais. O seu último suspiro foi de tristeza, e essa realidade assombra-me.
Stela, se pudesse voltar atrás, eu mudaria tudo. Eu estaria ao seu lado, seguraria a sua mão, e diria que a amava também. Diria o quanto a sua amizade significava para mim.
Não posso pedir-lhe para me perdoar, porque sei o sofrimento que causei. O que lhe peço é que, de alguma forma, encontre paz. Eu vou viver o resto da minha vida com esta lição gravada no meu coração. Vou esforçar-me para ser a pessoa que você merecia ter tido como amigo: presente, atento e amoroso.
Você foi uma pessoa incrível e a sua memória vai viver através de mim, como um lembrete constante de como viver com mais bondade e presença.
Adeus, minha amiga. Descansa em paz.
Com amor e eterno arrependimento,
Luciano
