Escrever
O ato de escrever não foi exatamente um momento de alívio ou cura – nem gosto muito dessa palavra. Mas quando eu escrevia acontecia algo ali que me conectava de novo ao mundo. Ou à minha filha. Hoje eu nem entendo como fiz isso. Eu estava completamente destruído e, mesmo assim, escrevia.
Não escolhi escrever!
As palavras são assim, me tomam.
Quando encontram a melhor forma de sair, entram em combustão, incendeia e queima.
Então escrevo, não porque escolhi, mas minh'alma precisa falar.
O lápis se torna os lábios de onde saem palavras doentes e o papel... o ouvinte a ser curado.
" Busquei palavras no mundo para encarar a realidade e todas as vezes que parava para escrever eram as palavras mais belas sobre você que saíam dos meus pensamentos."
Queria escrever algo sobre meus sentimentos, mas é difícil escrever algo sobre nossos sentimentos, quando não sentimos mais nada.
Escrever é tarefa difícil.
É somente para os mais ousados.
Significa abrir seu coração e compartilhar pedaços da sua essência com outras pessoas
Não queira apagar meu passado, ele por si só já o fez, mas preocupe-se com o presente e escrever o futuro meu lado , pois são somente eles que importam para mim.
43 ANOS
Ainda tenho 43 anos pra escrever o que vi...
O que senti e não percebi
O que percebi e não entendi
E até o que entendi mas não compreendi...
Tenho 43 anos pra voltar no tempo
Buscar no passado
Fazer emergir o que esteve no fundo
Quase enterrado...
Quase esquecido
Quase omitido, quase guardado.
43 anos pra frente
43 anos pra trás
Tanto faz...
43 anos diferentes
De coisas iguais...
Ainda tenho meu tempo
Ainda dá tempo
De solidificar os meus pensamentos
De realizar
Poder transformar
43 anos pra todos os planos
Eu realizar
43 anos pra que pelo menos
Eu possa tentar...
Ainda tenho !
ESCREVER DÓI
Escrever dói.
Não são as mãos.
É que a alma escapa
Pelas pontas dos dedos
E desembarca no papel
Através da caneta.
Sinto que é como
Se me tirassem um pedaço.
Dias de solidão
Hoje estou vazio
sem nada pra escrever
não sinto calor nem frio
mas peço para chover.
quero ver o dia cinza
como a cinza do cigarro tragado
do homem parado na esquina,
pois nada me chama atenção
nem o sorriso de uma bela menina
não tenho sina
nem gana
parece que estou sem chão.
Como é ruim dias assim
dias que parece não ter fim
dias que em mim
há uma grande confusão.
Dias que não como pão
pois na garganta parece ter um nó
dias que prefiro estar só.
Dias de solidão.
Freneticamente o som que faz escrever sobre você, Marcimeire, Meire , uau, seu sorriso, galanteador dos meus versos encontrados!
Para escrever, como para viver ou amar, não devemos apertar, mas soltar, não segurar, mas desprender.
Só homens grandes deveriam escrever, é um insulto que não seja assim! A grande maioria só diz ou se pronuncia inutilmente.
por ora, eu o deixei
fora dos meus pensamentos.
não só hoje, pra escrever
como outros dias, pra ver
se ainda havia ti
se ainda habitava em mim.
e pela hora, ele não foi embora.
perdooa o equívoco.
