Escravidão
Tem pessoas que ajudam as outras, não porque simplesmente as amam (ou como uma forma de agradecimento pela ajuda que receberam antes); mas sim, para sentirem-se acima e senhores(as) delas, manipulando-as e tornando-as escravas dessa ajuda que faz com que os ajudados não tenham mais opinião, vontade e vida própria.
Fazem com uma mão e depois cobram em dobro com a outra. Jogam na cara, humilham e maltratam na primeira oportunidade que surge.
Isso é tão comum acontecer!
Já vi isso de mãe pra filha, de filho pra pai, entre irmãos, cônjuges, amigos e até entre patrão e funcionário... Seja por dinheiro ou condição hierárquica, muitas vezes a caridade é uma bola de ferro acorrentada nos pés do necessitado.
O dinheiro (e o falso poder que vem com ele) é o grande mal deste mundo. É o maior destruidor de almas e relações humanas.
Pessoas apegadas ao dinheiro muitas vezes "nem se dão conta" desta idolatria e dos abusos que cometem. Se acham no pleno direito de fazerem o que bem quiserem, quando, como e com quem quiserem. Não enxergam e muito menos assumem seus erros, porque a arrogância e o orgulho os transformam em semi-deuses e os impedem de olharem para si mesmos como seres corruptíveis e passíveis de falhas. Estão acostumados em COMPRAR a admiração, o respeito, o silêncio e a reação de mentes fracas e escravizadas.
E é tão comum os abusados se tornarem o espelho de seus abusadores, refletindo e repassando a terceiros os abusos que sofrem.
Este é o grande perigo em confiarmos em outro ser humano, qualquer que seja, e nos entregarmos cegamente a uma fidelidade que ultrapasse os limites da moral e dos valores éticos.
E nesse ciclo vicioso, a humanidade vai se destruindo e destruindo tudo a sua frente, por ganância, poder e vaidade.
Somente o ser humano destrói o ser humano.
Aquele que almeja a Liberdade paga um preço muito alto. O deboche, a ironia e as criticas das pessoas que vivem na escravidão do sistema. Mas, mesmo assim, vale a pena pagar.
"Mal os homens tinham descoberto a troca e começaram logo a ser trocados eles próprios"
(Origem da Família - citado em História da Burguesia Brasileira)
A medida, porém, que a exportação do algodão tornou-se o interesse vital desses estados, o negro foi sobrecarregado e a consumação de sua vida em sete anos de trabalho tornou-se parte integrante de um sistema friamente calculado. Não se tratava de obter dele uma certa massa de produtos úteis. Tratava-se de produção de mais-valia ao máximo - História da Burguesia Brasileira
O trabalho é uma virtude. Do contrário se não é virtude, mas uma necessidade para sobrevivência, transforma-se em privilégio da servidão.
Liberdade?
Somos todos escravos.
Do cheiro, do sabor e do tato.
Da beleza e feiura
Das escolhas prematuras.
Somos todos escravos.
Das conscequencias dos atos.
Das verdades não ditas
E pela vida omitidas.
Somos todos escravos.
Pelas regras acorrentados.
Pelo medo presos, calados.
O que é santo? O que é pecado?
O que é escolha?
Nesta vida em bolha,
Neste cercado fechado.
Opções limitadas lado a lado.
O que é liberdade?
Nem transitamos na vida a vontade.
Nem a roupa se pode negar
Nem a loucura se pode abraçar.
Somos todos escravos.
Uma sociedade contemporânea solta mas não livre e muito doente entre becos e vielas da persistência esquisita sem visão do depois.Tantas falas, muitos ficares, achares diversos sem direção, palpites infelizes e uma crescente devastadora interna solidão, sentimento de vazio e depressão. A vida por nada ou por tão pouco em todos os lugares que vagueia por indecisão. A contra-mão da emoção.
Diz o bom senso que os filhos não herdam as dívidas dos pais ou ancestrais. Assim sendo, o povo que não se identifica pela cor da pele em relação aos seus pares (se os considerarmos iguais perante a Lei) não têm dívida histórica alguma, nem para com pessoas que já se foram, vítimas ou não de crimes no passado, nem para com os descendentes destes se não estiverem num regime legal isonômico (ou seja, se estes são tão cidadãos quanto todos os outros).
As favelas foram criadas pelo despreparo. . E continuam ainda hoje pelo conformismo.. Ainda somos escravos.. Os senhores de engenho hoje são os grandes empresários, derramando migalhas em nossos pratos enquanto se deliciam com banquetes regados a champanhe e a nosso suor.. Assim como era no início,tu continua na latrina, deixe de ser presa, você é ave de rapina..
Bem-aventurados os pobres pelo espírito, os que, pela força do espírito, se emanciparam da escravidão da matéria. Deles é o reino dos céus, agora, aqui, e para sempre e por toda a parte, porque, sendo que o reino dos céus está dentro do homem, esse homem leva consigo o reino da sua felicidade aonde quer que vá...
Devemos nos moldar de acordo com a própria vontade e não como as pessoas desejam. Visar agradar a todos relaciona-se mais com uma escravidão do que com uma felicidade em si. Nota-se que a felicidade é subjetiva. Então estejamos felizes para nós e não para os outros.
Conversa de Senhora
Ôh nêga!
O café está na mesa?
Já raiou o dia
Quero a mesa posta,
Quero toda mordomia.
Vá nêga!
Mexa o doce,
Para que de tarde a mesa seja posta à corte.
Virá a mulher do prefeito.
Virá a do coronel.
Quero a toalha engomada
Branca feito véu
Senão é tronco nêga.
Cadê o açúcar?
Cadê o melaço?
Os seus já cortaram a cana?
Mande dar dura nesses escravos!
E arrume minha cama.
Depois faça quitutes nêga,
e leve os restos à senzala,
Loucos que falam de liberdade...
Vocês vivem melhor que muita majestade.
Jovens baderneiros!
Querem pregar a abolição.
Esbórnia e bagunça nêga.
Pregue este botão!
Perderam a noção.
Quem irá servir o café?
Quem vai mexer o tacho?
Quem cuida do meu filho?
Eu não lavo nem passo.
Sinhá (pensa)
Não tome como ofensa...
Mas filho teu brinca
o meu encurva o lombo na cinta.
Filho teu estuda...
Filho meu luta...
Pela comida,
Pela água,
Pela vida.
Mas não sentimos nada...
Nem que somos gente.
Nem que estamos vivos
Nóis não sentimos nada.
Haikai
A hegemonia que triunfa
A minoria que cai.
Chico
Barulho de corrente que azucrina.
Tapas fortes.
Chicotes.
Essa e a cina.
De quem nasceu com forte cor.
Suor na testa.
Nenhuma fresta.
De amor.
O ódio queima o coração branco.
Sem trégua, com ardor.
Impaciente.
Guerreiro que nada teme.
Surge no meio do mar.
Forte, guerreiro, sábio.
Tomou as rédeas da situação.
Lutou pra proteger seus irmão.
Fez por onde os libertar.
Enfrentou todos e tudo.
Se mostrou forte e guerreiro.
“Não há força bruta nesse mundo, que faça reabrir o porto negreiro”
Donos de terra.
Obrigados a libertar seus escravos.
Meu Deus que coragem.
Foi perdendo o que conquistou.
Mas o guerreiro não desistiu.
Persistiu.
Os escravos libertar.
Com bravura com vontade.
Parou os portos do Ceará.
Com beleza e sem vaidade.
Esse jovem de verdade.
Era um dragão do mar.
Vivemos em um país que não é nosso. Nossos ancestrais mataram índios e roubaram suas terras. Vivemos em um país que se ergueu com sangue e suor da África. Vivemos em um país que marginaliza sua história quando um brasileiro desconhece a barbárie que foi a escravidão, antes disso, a colonização. Brasileiros sim. Usurpadores também.
Responsabilidade é como uma doença, involuntariamente se apodera do seu corpo e da sua mente e pode escravizar de forma perversamente dissimulada.
