Erasmo de Rotterdam Elogio a Loucura
Quando a loucura
faz parte da normalidade do cotidiano ...
Louco é aquele que não fica louco
vivendo circundado por loucos.
Foi ajudar um mendigo a despertar, então despertou e se ajudou a virar mendigo.
Loucura do desapego autêntico.
São os intervalos de sanidade que tenho na minha loucura que me incomodam!
As pessoas sãs não conseguem ver além da alienação do mundo.
Se faz necessária uma dose considerável de loucura para abrir mão das ilusões e encarar a realidade como ela é.
Se o que a sociedade chama de loucura for a causa de nossa morte, pelo menos partiremos com dignidade.
Ontem eu era uma mistura de medo, desejo, resistência e loucura. Tudo isso ao mesmo tempo. Quando eu abria os meus olhos, a vida era rotina. Quando fechava-os era tudo entrega, como luzes que quebravam na retina. Só eu e você. Seu olhar e suas caras cheias de desejo e dominação, que ainda permanecem em meus pensamentos. O simples fato de lembrar do seu olhar já me traz o gosto do seu beijo que vem como um cheiro que não se esquece. Não se apaga. Estou tão apegada a esse cheiro que distraidamente ele me invade e minhas pernas ficam moles. Você é o inalcansavel que tomou o controle de toda minha capacidade de te resistir. Agora tudo que eu posso querer é me entregar toda de um modo tão intenso e forte que só de imaginar já faz eu sentir meus pés sumirem. Ontem eu era um passado de desejo, hoje sou um presente de realização e o encontro de mim mesma.
se esconder em minhas escritas, é rebelar se contra a saniedade e a loucura, uma dor de não se manifestar um praser de desabafar. E para quem importa? E para que escrever e para que tudo isso ?
De nada presta se não em sentir o tempo se esvairar e levar toda minha juventude, e com ele a esperança de ter o que não se pode ter
Loucura não é?
Querer e não poder;
Sentir e não dizer;
Sonhar e não viver;
Te ver e não te tocar;
Amar e não falar;
Imagine a loucura que seria
achar que nada é real energia
sendo que tudo um diapassa em algum marco inicial
com marca passo individual
em cada um animal
louco pelo malem si mesmo
por achar que só existem os seus próprios desejos.
IV. A lucidez que enlouquece
Nem toda loucura é fuga. Algumas são excesso de lucidez. Quando se vê demais, sente-se demais. Quando se compreende além do que é possível suportar, a mente busca rotas que a consciência não escolhe. Há dores que não cabem na razão, e há verdades tão nuas que dilaceram.
A lucidez, quando absoluta, é um risco. Porque ver tudo sem véus é também ver o absurdo, a finitude, o vão das promessas humanas. E nem sempre se está pronto para permanecer são dentro desse deserto.
A loucura, por sua vez, aparece como véu restaurador. Ela recobre o intolerável, inventa símbolos, reinventa a lógica. Cria sistemas próprios onde o indivíduo pode ainda ser deus, vítima, redentor, qualquer coisa que impeça o colapso. É nesse sentido que a loucura pode ser também criação, não destruição. A reconstrução de um universo interno, com regras próprias, para que o ser não se desintegre.
E no entanto, mesmo no delírio, há beleza. Porque onde há linguagem, ainda que dissonante, há desejo de expressão. Onde há construção, ainda que simbólica, há instinto de permanência. E onde há dor, há humanidade.
Compreender esse ponto é recusar a dicotomia. É não separar em rótulos estanques o que, na verdade, se entrelaça em ondas. Todos os que pensam profundamente já roçaram a margem da loucura. Todos os que criam com intensidade já sentiram a vertigem do descontrole. O equilíbrio é uma dança. E a lucidez verdadeira não exclui o delírio, apenas o traduz.
“Nem toda loucura é ruína. Algumas são defesa. Outras, travessia. Há quem precise se despedaçar para sobreviver à rigidez do que é dito normal. E há quem se esconda atrás da sanidade como quem se fecha numa prisão segura, mas estéril.”
Fragmentos de “O vazio de Ivan em mim”
(por Leonardo Azevedo)
10.
Entre a loucura e o vazio, escolhi a lucidez.
Ela não consola, mas me mantém de pé.
“São muito fanáticos e talvez não tenham culpa, ou sofrem de uma loucura localizada, sofreram uma lavagem cerebral. E ainda dizem que eu favoreço os espíritas.”
Talvez, na realidade,
a loucura possa ser
uma amostra de sanidade,
uma fuga momentânea
para não surtarmos de verdade.
Momento surpreendente,
quando a razão é ignorada
e a loucura se faz presente,
uma forte emoção é partilhada
por uma mútua vontade veemente.
