Era
A inteligência e a loucura andam de mãos dadas.
Fruto da busca por conhecimento que era desconhecido!
Ele me olhava como se me desejasse com a alma
Não era só desejo.
Era admiração.
Ele me olhava com fome e ternura ao mesmo tempo.
Como se eu fosse poesia viva.
E quando me tocava…
era como se dissesse:
“Eu te vejo. Te quero. Te reverencio.”
Era o tipo de toque que faz a mulher lembrar quem ela é.
Que faz ela se sentir poderosa, linda, inteira.
Ele me chamava de rainha…
e eu acreditava.
“Não sei se ainda te amo, ou se só sinto falta de quem eu era com você”
Às vezes, eu não sei se é você que eu ainda amo…
ou se é a mulher que eu era do seu lado.
Eu me sentia linda com o teu olhar.
Firme com a tua mão na minha.
Viva com o teu desejo em mim.
Talvez eu tenha amado o reflexo que vi nos teus olhos.
E agora que você se foi,
eu tento descobrir quem eu sou sem você.
“Será que era amor...
ou só o reflexo de mim no seu olhar?”
Às vezes, tudo o que eu queria era sumir do mundo e descansar no abrigo do seu colo, deitar a cabeça e viver apenas no toque dos seus carinhos... para sempre.
Borderline
Eu achava que sentia demais,
Abruptamente tudo era o máximo e na sequência tudo era o mínimo,
Sobrevivência?
Sumia no tempo do meu espaço que era escasso,
Em mim,
O que para os outros era sobra,
Era minha própria falta,
Me enfrentei, muitas vezes e já sem paciência,
Tentando me encaixar num mundo de caixa,
Que o jeito era de agradar a outrem,
Onde o pensamento do outro me chegava com força tamanha,
A ponto de mexer as entranhas,
Hoje respiro,
Não lido mais com isso,
Sou abrigo ainda frio,
Recuperado e restaurado em mim mesma,
Em meio a tanto clamor de rancor e ódio,
Sou inteira e o Universo se encarrega,
Nunca fiz parte do vago,
Estrago?
Nunca fiz mal de caso pensado,
E tudo isso se torna justificado,
Em contrapartida,
Pessoas levando o nome de "psico" envolvidas,
Bloqueando as saídas,
Ainda falando mal de mim no labirinto da vida,
Ainda assim, aguentei muito tempo,
Gritando no meio do silêncio,
Cercada de pessoas como se eu fosse uma ilha,
E elas, o mar que afoga,
Apitando,
Feito chaleira?
Não feito panela de pressão pronta a explodir,
E explodiu,
Foi assim que a ciência veio como redenção.
Veio com nome e com cura.
Não era carência,
Era dor não nomeada,
E agora, com nome, eu vejo.
Mas, eu é que não quero mais quem não sabe estar,
Não me demoro no vago,
Quem não sabe acolher a dor do outro sem julgamento só lamento,
Sei que ninguém é perfeito,
Mas, agora me contento em ser meu alento.
Letícia Del Rio.
*Todos os direitos reservados*
Pequena Resistência
Era um grão no chão duro,
Pisada pela pressa do mundo.
Vozes grossas, vento cortante,
Vida apertada, mas não tanto.
Sob o peso do inverno longo,
Guardou calor no punho fechado.
Cada passo era montanha,
Mas seu sonho, semente teimosa.
Um dia a raiz furou o cimento,
Broto verde ergueu o dia.
Na altura do joelho alheio, foi quando eu conheci.
Floresceu sua quieta ousadia.
Hoje carrega o sol na palma,
Pequenina nave mestre
De si mesma —
Flor de asfalto.
Achei que era preciso morrer para encontrar algo tão fora do comum.
Eu sabia o que era Revolução Russa e a fórmula do oxigênio, mais nada sobre Paulo, João de Patmos ou os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Era como se compartilhássemos a mesma Terra, mas falássemos línguas completamente diferentes.
🔥 Ouro Depois da Dor
Cada um deu a Jó um pendente de ouro...
Não era esmola — era honra espiritual traduzida em glória material.
O céu devolve em dobro tudo que o inferno tentou roubar.
Te feriram, te esqueceram, zombaram… mas o ouro tá vindo!
A marca do sofrimento vai virar testemunho de superação.
Quem ficou pra rir, vai ter que aplaudir. Quem foi embora, vai ter que voltar.
— Purificação
AQUELA POESIA (soneto)
Era tão poética, serena e encaminhada
Aquelas sensações que tanto bem fazia
Cheia de sentimento, e tão apaixonada
Por verso que a prazerosa alegria trazia
A versificação era de somente ternura
Sempre meiga, que o olhar entretinha
Onde cada palavra tinha cortês figura
E nas entrelinhas aquela poesia, tinha!
Era promessa que se dava com carinho
Repartindo amor, sempre com jeitinho
Onde em cada verso eram versos seus
Aquela poesia de você, quanta saudade
Emoção, suspiros, paixão, muita vontade
Fartamente sussurrado nos versos meus.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
15 julho 2025, 19’08” – Araguari, MG
Do chão sofrido, a poeira batendo na cara, eu lembro de cada gemido do velho pau de arara.
Era sede e dor, fome e desespero, em meio a tudo um sorriso, que durava quase o dia inteiro.
Quando eu era mais novo, lia nos ônibus: ‘Fale ao motorista apenas o necessário’. Anos depois, entendi que essa frase vale pra vida: fale apenas o essencial. Nem todo mundo merece saber dos seus planos… tem gente que escuta só pra usar contra você.
Era uma vez um casal apaixonado, cheio de presentes, e pouco de futuros incertos. É, foi assim como um conto de fadas e, ela me apareceu de vestido azul ou seria branco. Sempre tive problemas com cores, mas de algum jeito ela me fez ver todas as cores que o mundo proporciona. O mundo poderia ter gosto naquele exato momento que derrubou o seu café em minha roupa, seria um suco de maracujá, no fim foi um café para despertar.
A vida surpreende o infeliz com a felicidade, daquela surpresa que tive assim como as desculpas que me esperavam no esbarrar, vi os olhos castanhos "enormes" pareciam encher a própria vida e tomar da luz do sol, era estonteante. No dia que não chovia, no dia em que não nos beijamos, pedi ao mundo que me jogasse todo café novamente ( era um clássico) se o beijo tivesse acontecido o seu desastre seria ruim, mas, com toda organização das desculpas vi que seria tão gostoso quanto o café desperdiçado. Logo quando me pediu perdão por se atrapalhar, partiu e nunca mais a vi. No domingo enquanto rasgava jornais para montar caça-palavras, observei que as palavras conversavam entre si, era algo tão diferente. Me senti um louco por pensar em mulher no fazer da rotina. Sempre fui muito intelectual, disperso de coisas que me ocupariam o tempo sem agregar. Depois de organizar mais de cem palavras no sentar das horas, enxerguei uma intrigante "passado" bem, não fez sentido algum, afinal, já passou. Levantei assim que terminei meu rotineiro montar de histórias. Observei enquanto passava café toda aquelas letras misturadas, certamente tinha motivo toda a mistura. Era, ainda são, sempre serão necessárias as misturas para formar um sequer história.
Além da história, o café estava horrível. A água queimou demais o pó, ou, o pó sujou demais a água . As palavras estavam paradas, minhas risadas solitárias na cozinha, tudo se completava em total sintonia. Talvez, faça algum tempo que não saiu com alguém. O mundo é o mesmo, as pessoas o remedam de forma tão tola que desinteressa. Não queria um amor, mas, o passado me perguntava naquela sala: -Kissmann, o tempo que leva os olhos, os olhos levam o momento. Ali, bem ali, onde bebi o café horrendo, a pingueira chorando na infiltração, percebi tudo. Assim que percebi o significado do que é ser feliz, me veio um único nome: Elenny.
De saia , saltava
Sorria , como Deus dizia
Aquela menina
Não era Maria
Pois não era Santa
De pernas bambas , dançava
Se sacudia
Era arretada
Cabra da peste que pense
Que ela é boba , inteligente
Como a gente
Sempre sorridente , ardente como
O sol de meio dia
Essa moça era seca , mas brotava
Entre suas pernas , um rio que só
Um bom moço saberia nadar
Danada ela , sabia o que queria
Mas , não sabia quem queria
E , quem diria , ali naquela via ,
Sempre havia , alguém que a queria ,
Mas não existia aquele que a teria.
Sua esclera era branca como areia da praia
Sua pupila era castanha,mas não era do pará
Sua pele é negra, como noite estrelada
Apenas teu sorriso iluminava a noite em tua pele
Seus cabelos emaranhados se enroscavam em meus dedos
Em um desleixo de te olhar dê fronte, me ceguei com o brilho dos teus olhos
Naveguei por rios de pensamentos, que ali era posto a desaguar
Era um rio fundo, mergulhei de cabeça naquela imensidão
Me afoguei em minha paixão.
Era âmago, era âmago, tão âmago que me deixou amargo
Rasgou-me os tecidos dos órgãos e se entulhou em cima de sentimentos
Admoesta por ser tão besta meu amor!
O eflúvio do teu corpo, me cabia as narinas
Era âmago o meu amor
A quem fala que viu
A quem fala que tocou
Era Âmago meu amor, meus beijos que brotavam na beira da praia do mar das suas coxas
Quem dera nadar, quem dera morar, quem dera ficar lá
Na proá dos teus olhos via o Brasil sem cobertor
Quem dera meu amor, ser tela e tinta, transformando-me em quadro, adequar da sua ideia de pintar
Mistura as tintas, mergulha o pincel de sentimentos que sentes por mim
Transforma em arte, tudo que é belo além de ti.
