Era
Saudades da minha infância, de quando eu era apenas uma criança, não sabia nem o que era vingança, tampouco a dor de sofrer por um amor...
Passado meia noite em claro ela chorou igual criança, seu soluço era desesperador, queria por um momento tirar aquela dor que a atingia demasiadamente, o mundo parecia desabado em suas costas, e não se sabe se o mal é o amor ou se o verdadeiro mal é a traição.
Saudade do seu cheiro , saudades dos seus beijos, saudade de quando você era minha por inteiro, mas oque mais me acalma é que te levo em minha alma e seu sorriso em meu peito...
Rosa mais linda é a Mulher em toda Era,
Desabrocha por toda vida,
Sem ter a necessidade da primavera.
Percebi que não dava a mínima pra vida, quando sofri lesões no joelho e a medicina apontava que era possível perder os movimentos da perna. Conviver sabendo que poderia nunca mais por os pés no chão não me assustava. A minha alma estava corrompida por crises existenciais maiores.
Vinícius era dramático,
todo poeta é assim!
contabilize os amores que ele teve....
Poeta sofre em um dia o que os normais levam 100 anos para esquecer.
Para o poeta tudo é intenso, mas passa com o alvorecer!
Antigamente pregador de camisa suada era sinônimo de alguém que não suportava
um culto normal, pois dava o melhor de si para ver o povo se derramar.
Atualmente nem isso mais adianta, não que os pregadores estão crus é que seus
ouvintes já não sabem se estão no shopping ou na sala assistindo TV.
Outrora um mundo iluminado, hoje perdido em tantos acasos acaba sendo repleto de feras, tu que era um iluminado hoje vive em tamanha desordem regozijando a tua alma em merda.
O mundo já não é o mesmo, e tu ainda contribui para que ele permaneça em tamanha desordem, te acalma, a tua alma ainda tem esperança, perdidas em tantas lambanças o teu Deus ainda acredita em ti, seja puro, o iluminado, e não se perca nesse mundo feito pelo descaso onde vive em feras quem já foi iluminado.
Eu estava longe de ser uma pessoa útil, eu era completamente desinteressante. Nunca quis forçar ser uma pessoa interessante, parecia cansativo. Eu queria mesmo era um momento de paz, um buraco obscuro pra viver a minha solidão insatisfatória; por outro lado, a depressão atacava, eu começava a distribuir patadas, eu estava desequilibrada, queria tudo, e nunca conseguia nada.
Quem diria
O mundo deu suas voltas,
E um dia
Você voltaria.
Aquilo era apenas
Um desvio,
Na estrada
Do nosso destino.
Eu percebi, depois de muito pestanejar que aquela moça era mais do que mostrava-se, muito mais do que o mundo estava adaptado a ver. Ela era uma mistura de doçura e acidez, caos e calmaria, turbulência e dias quentes. De fato, aquela moça era um ser ainda tão indescritível que eu, na ânsia de desvendá-la, decifrei com meus olhos míopes um dos tantos labirintos construídos em seu coração.
Aos outros olhos aquela moça fez-se sorrisos e cuidados. Sem pedir nada se foi ouvidos para aqueles que melancólicos necessitavam de acalanto. Era a ponte, o pedestal, a âncora dos naufragados, a luz dispersa na escuridão. Ela nada pedia ao mundo, doava-se de coração aberto e por vezes esquecia suas próprias e silenciadas dores, ia, com o sorriso brilhando sobre a face, cuidar dos corações alheios, das almas que procuravam incansáveis por paz.
Mas quem diria que aquela moça –a do sorriso largo- traria consigo o segredo do sentir? Quem, neste mundo tão individualista, olharia para aquela moça aparentemente forte e veria uma menina com medos, receios e dores? Creio que nessa troca de sentir, poucos pararam para ouvi-la e raras pessoas a conheciam de fato.
Porque ela, ah, ela era mais do que o rosto dizia, do que a risada falava. Ela era a maturidade de uma mente firme, cheia de princípios e verdades. Ela era o medo do erro, a tentativa árdua dos acertos, o receio do não conseguir. A vi por muitas vezes gargalhar com uma sombra pairando no olhar, e entendi por fim, que o silêncio é necessário e revelador quando deixamos o coração trocar confidências.
Hoje talvez eu ainda não a conheça, pois esta moça é mutável como o vento que dança em seus cabelos, mas acredito que sei enxergá-la como poucos conseguem. Eu vejo seu coração, falo com sua alma, desvendo suas entrelinhas. Mas acima de todas as coisas, eu aceito os seus silêncios.
Tudo que eu queria era sentir seu coraçao, te tocar, olhar dentro dos seus olhos e decifrar o que se passa dentro desse ser tão misterioso que você é. Sua timidez, sua calma, sua forma de pensar, de agir. Ah...como queria te abraçar e sentir sua mãos acariciando meu rosto, poder sentir você, e dizer tudo que tenho vontade. Você é o anjo que faltava na minha vida!
Sei que um Bom dia meu não era a melhor coisa que você queria receber hoje! Mais você ainda e minha filha! e apesar de tudo de ruim que você achar que eu tenha feito! um Bom dia pra você minha filha!...
Debaixo desta pele cansada havia esquecido que era humano, e quando achava que não tinha mais nada para oferecer, você chega me pega em seus braços, abraçando minha alma, me carrega numa viagem ao melhor de mim, e me mostra que tenho tanto para dar e receber.
E então eu vejo seu rosto, seu sorriso rasgado, posso sentir seus olhos falando com os meus, sua alma dançando com a minha, mesmo sem palavras, ou diálogos extensos, lhe sinto e lhe pertenço, como o reflexo de um espelho.
Peter Pires
Tudo o que eu queria era alguém que eu pudesse chamar de meu amor, mas não queria chamar de amor da boca pra fora, queria que fosse do coração.
Talvez, aquela cidade onde eu morava não existisse amor, eram o que todos falavam, mas não sei se era à cidade ou eram as pessoas que não sabiam amar.
Uma coisa era certeza naquela cidade e não podia negar... Amar era uma tarefa difícil, onde qualquer coisa era motivo de brigas, ou qualquer gesto de gratidão fosse motivo para ser ignorado.
Encontrar alguém parecia ser algo que eu acharia que nunca iria conseguir encontrar, mas até que um dia ele apareceu, aquele sorriso, rosto, e aqueles olhos? Droga! Não tem como não pensar nele, será que tudo isso que eu estava sentindo era amor? Talvez sim, mas como seria amor se eu morava em uma cidade onde não existia amor. Mas foi ali que eu percebi que não se tratava da cidade, e sim das pessoas que não sabiam o que era o amor.
Às 03:17 fui tomar um café ao som de "Blue Jeans", os pensamentos mudavam à cada minuto, e ter você perto de mim era uma questão de fechar os olhos, será que todas às noites seriam desse jeito? Estava torcendo para que aquela insônia fosse apenas de uma noite, mas toda aquela insônia tinha um nome e um sorriso lindo.
Da luz que atravessa a janela do quarto meio morto
meio torto eu era, da lonjura que era minha vida de outras
do frio que adormecia meus pés, do medo e do café morno
da praticidade de uma pena em mão, um termo em grão
do chiar da noite lá fora, meia noite lá fora
ela passeava entre os outros que eram meus outros eus
da loucura entre estar consciente e estar presente
da folha que caia das árvores no parque
do cão que respondia aos pedidos de socorro da cidade
e o terror do silêncio quando a vontade é gritar
com o piscar dos olhos e a vontade ausente
agradecer o nascer do sol e ao poente
ao vinho barato, pra conter às tristes alegrias
o exagero de rimar palavras vazias
do ser que ama o mar e prefere só admirar
do sorriso da moça, cuja boca já não me sorri mais
de alguns anos atrás, que para trás queria andar às vezes
do som que vem de fora, vem da forma que o sal escorre
da barba feita, e o nojo da roupa bem arrumada
o bicho do mato, ô, bicho, eu não mato
o brilho da parede verde, e das histórias pra contar
de quando tu me falava pr'onde ia viajar
essa fumaça na minha cara, era o bom senhor
da alma em praça, que acalmava a minha
da chuva de setembro e em ser teu acendente
da manhã morta em mim, morrendo os domingos
um pouco mais disso, daquilo, um quilo de solidão
um tanto assim de nós que em nós morava
fechava a porta mas não se despedia
do chão quadriculado, da grama e da flor
o pouco se importar não é normal
talvez ninguém seja, ou não quer
dos prazeres que parecem pagamentos
salda mais uma das minhas parcelas de culpa
da vontade de não escrever mais
parei
