Era
Subvertemos o que era simples e perdemos tudo de mais complexo, agora, só o tempo dirá a hora de voltar.
Me iludi por tanto tempo achando que o sentimento era tão real que tinha te feito voltar. Hoje eu vejo que a sua volta não passava de uma estratégia.
E eu não queria ter me afastado dele. O combinado não era esse. O combinado era eu ir atrás dele depois que eu terminasse o Ensino Médio. O combinado era que ele soubesse só depois de dez anos que eu havia me apaixonado por ele. Mas como todo homem, ele não foi diferente. Ele só me mostrou que foi um tamanho de um canalha. Um canalha e mimado. E eu gostava de toda confusão que eu havia criado. Eu gostei de sentir aquilo dentro de mim. Gostava de sonhar com ele e acordar desesperada no outro dia. Gostava de sussurrar baixinho que o queria por perto.
Ele era o fogo, e eu o gelo. Na verdade, a geleira inteira. Sou o livro fechado que ninguém consegue abrir, ou que não tem o poder suficiente para ler a minha mente. Eu o queria, queria muito mas não poderia dizer.
Queria chegar perto e contar todos os meus medos. Queria dizer que ele era tão lindo, tão legal, tão homem. Mas eu me calei. Calei pela primeira vez, calei quando era preciso dizer, gritar, destruir. E falei quando não era para dizer mais nada, nem adeus. E ele me mandou embora muitas vezes daquele mundo. Daquele mundo quente, e eu tão fria, fiquei encantada. Fiquei encantada e só conseguia rir.
Me fez inúmeras perguntas e eu só conseguia pensar que apaixonar era realmente inesperada. Ninguém vai gostar de alguém por obrigação. E ele ria, só ria de como eu tenho mania de questionar o que nunca se pode questionar. E eu queria rir junto, mas queria ser meiga, sensata e diferente do que já havia sido. Mas não fui. Mostrei quem realmente era. Às vezes seca demais, outras vezes melosa demais.
E eu nunca entendi muito bem qual era a dele, e ele certamente nunca deve ter entendido porque eu fiz esse drama todo em cima de um amor mal resolvido. Muita coisa atrapalhava, e eu arrumei desculpas e disfarces para ser dele, as escondidas. Fui dele sem que ele saiba. Fui dele mesmo quando havia ido embora. Escrevi para que ele entendesse que o amava, mas ainda assim, foi uma besteira. Escrever nunca vai fazer ninguém voltar, e eu tive que aprender isso.
Eu era feliz por ser amiga dele. Era feliz porque querendo ou não, perdidamente ou não, saberia que ele estava me esperando para me aconselhar. Mas quando dei por mim, ele havia ido embora para sempre, e eu fiquei sem meu amigo.
Sabe aquela história de Anjo da Guarda? Pois bem você era o meu Anjo da Guarda e agora que você se foi eu me sinto desprotegido.
De verdade, eu só queria entender o que tu sentia. era tão estranho e oscilava a todo instante que confundia com o que eu estava aprendendo a lidar.
Minha vontade de estar ao teu lado e te querer só minha se estendia quando de repente uma bipolaridade surgiu e me deixou na corda bamba. bombeou, caí.
Me sinto tão estranho, tão diferente da pessoa que era quando estive ao teu lado. Mudei tão bruscamente que penso as vezes, que aquele não era eu. Ando entediado, estressado, sem animo, sem vontades. Mas meus sonhos continuam aqui, dai paro e penso; se ainda estão aqui, esse ainda sou eu.
O espetáculo verossímil estava a pouco instantes distante de cumular meus olhos e minha alma. Era previsível a mim saber o momento que ela apareceria e como apareceria. Sucedeu-se do mesmo modo ontem e antes de ontem e todos os outros dias que antecenderam esta noite. Ela viria logo depois do número final do mágico onde ele fatia a sua cobaia. (É assim que chamo todas as assistentes de mágicos quaisquer.) Ele estara a fazer exatamente o que ela fazia com meu coração, cortando-o em partes, dilacerando-o como o senhor de cartola negra o faz com a loira de sorriso malicioso e convidativo. A criatura de curvas gritantes e o dono da magia ilusória se despedem daqueles que fazem o seu sustento embalados por centenas de aplausos ruidosos. E eis que ela surge por entre os firmamentos da enorme lona de cores vibrantes cortando a brisa da noite com suas longas pernas revestidas de brilhantes que me fazem confundir com o resplendor de seu olhos. Senti tudo o que me rodeava parar ao vê-la esvoaçar pendurada a um trapézio que mesmo com toda confiança que demonstrava em estar empregnado lá no alto provocava-me um temor assustador. A tensão tornava-se alívio só mesmo ao firma-la os olhos e tocando a tranquilidade que desaguava de seu semblante. Acostumada a milhões de olhares atenuosos em sua direção, ela jamais perceberia o meu por entre tantos outros dali e de fato eu não queria que o fizesse. Ela, acredito eu, parecia fitar alguém como uma águia firma os olhos em sua preza. E eu contentava-me apenas em vê-la no alto, como um sonhador centenário ainda almeja seu sonho, como uma criança deseja tocar uma estrela.
O mundo da voltas e inverte as posições dia a dia... O que era prioridade HOJE amanhã pode não ser mais. REPENSE !
O que nunca foi amor era sustentado por um profundo respeito e admiração. O próprio desrespeito acabou com o aquele profundo respeito e a admiração a decepção tratou de destruir.Durante anos olhava como se estivesse diante de alguém que fosse incapaz de alcançar,quando na verdade era alguém comum como qualquer outra pessoa e que nem merecia tanta dedicação,por não saber cuidar de quem lhe cuidava tão bem,por nem mesmo aceitar os afetos,por até mesmo rejeitar o carinho que lhe era demonstrado,e quantas vezes isso acontecia,hoje o que nunca foi amor,também não é mais respeito nem admiração,se sustenta por uma razão que trás consigo um sacrifício doloroso,viver sem amor.Agora existe um vazio que de tão imenso nem da pra medir,e a tristeza entrou nesse vazio e se perdeu como quem entra num labirinto e não encontra saída,nessa história não há fim pois me perdi no começo e vivo no meio desse labirinto sem saída que se tornou a vida.
E então ela acordou e seu príncipe ainda estava ali, ao seu lado, e ela percebeu que não era apenas um sonho e sim que seu sonho havia virado realidade.
Estatua
Ao seu lado adormecia
Nem um toque
Seu mundo era sonhos
Desejos sem prazeres
Uma boca fumegava tão perto
Nem um encostar de sentimentos
Teu corpo se enchia de malicias
ao lado uma estatua caida
No amanhecer do dia
convencia-se abandono
Quando o corpo ao lado nunca
Retrocedia suas vontades.
Ninguém sai de uma guerra sem nenhuma cicatriz, ainda mais se a guerra for contra o sistema. Na era do conhecimento, o fuzil é a inteligência e os nervos de aço são os coletes á prova de balas...
Se deu errado, é porque ainda não era o certo. Se foi embora, nunca foi seu. Se não correspondeu, não merece o sofrimento. Se foi seu, volta e… Não, o que é seu não volta. Permanece.
