Era
Que engraçado! Quando você não tinha ninguém, eu era seu tudo.
Quando eu queria você te faltava tempo.
Quando você tinha tudo eu não era nada.
Quando eu te procurava você se afastava.
Agora não quero ser seu tudo nem o seu nada.
Sou apenas aquela que você vai se arrepender a vida inteira por ter perdido.
E você pra mim foi um aprendizado, de tudo o que não se deve querer em uma relação.
Quando te vi, senti uma coisa diferente.
Não soube nem me explicar. Era uma coisa boa, que me fez sentir bem.
Demorei em aceitar, mas comecei a me apaixonar.
Agora só em você sei pensar, e procuro estratégias pra te conquistar.
Por favor, pare com suas historinhas e lamentações. Não acredito mais em você.
Quando era pra você reverter isso você não o fez.
Cansei de esperar por alguém que sei que nada vai me dar.
Você não me deve explicações, mas sim me deixar em paz.
Suas mentiras eu não quero mais.
Sempre quis buscar tão longe o que não era meu.
agora eu sei.o que me pertence sempre esteve do meu lado!
Mas quando fiquei de frente, me faltaram palavras. Era como se ficasse sem voz, tentei de todas as maneiras que da minha boca, que insistia em ficar fechada, fizesse sair alguma palavra para mudar aquele momento, tentando o tornar único. Não adiantou, é como se ela não fizesse mais parte de mim, como se tivesse vida própria e me abandonaste justo naquele momento. Olhei sorri e parti arrependida, como deixei escapar, sabia que pudesse não voltar a ter mais oportunidades.
Indo embora para minha casa, encontro no caminho minha vizinha Lúcia, alta magra e com humor desigual. Contei toda a história que havia ocorrido antes de tê-la encontrado, ela sorriu aquele sorriso que particularmente eu adorava, e me disse
- Há de ter outras oportunidades Juca... o apelido que me dera . – você há de ver, ainda vai me encontrar e contar a história totalmente diferente, com abraços e beijos no contexto.
Com o sorriso que abri naquele momento, percebeu o tamanho do meu entusiasmo por aquela simples frase. Lúcia sabia exatamente como melhorar meu humor, e como me deixar feliz, tinha as palavras certas sempre.
Triste era ter que conviver com a coincidência rotineira dos finais de tarde, quando ia embora para casa depois de dias longos — e todos eram. Era sempre pôr-do-sol.
— É quando a gente se sente mais solitário do que nunca.
Essa era a explicação de Aurora. Mas o que eu acredito é que ela era uma pessoa realmente solitária, independente dos ponteiros do relógio e da posição do sol. Se apegava à qualquer chance de bater um papo com algum dos colegas de trabalho, mas o que me parece é que por lá ela não era das mais interessantes para conversar.
Se segurava firme ao ver o tom alaranjado do céu quando o sol ia se despedindo. Há algumas estações, esse era o seu momento preferido de todo o dia. Os pôres-do-sol eram seus bons acompanhantes. O sol continua indo embora ao final de cada dia, mas ela, essa menina de quem falo, parece ter tomado um rumo inesperado até por ela própria.
Em um de seus piores dias, olhou para o céu ao cantarolar suas velhas canções tolas e apreciou melancolicamente a revoada que, assim como ela, atravessava as ruas da grande cidade ao final de mais um dia de trabalho. Desejou ser um deles. Parou em meio à calçada, e mirou com seus olhos ingênuos seus próprios pés. Por que diabos eles tinham de ser mais como raízes do que como asas?! Era justo, meu Deus? Era justo que essa menina, tão pequena e leve como pássaro e tão sutilmente grande em sua essência, fosse privada de voar? Estava fatigada da calçada dura e fria sob os seus pés. Queria mesmo era o vento forte arrastando seus cabelos vermelhos e machucando com carinho a sua pele cheia de sardas. Onde é que estava as asas dessa menina, quando o que ela mais precisava era voar para longe? Por qual trilha imunda haveria de ter caído suas penas, afinal?
E em invernos mais amenos, Aurora tinha descoberto que, se andasse com certa pressa, olhando as nuvens ao invés do chão, poderia ter a sensação de voar. Sua descoberta, porém, fora útil apenas por alguns segundos, já que a menina tinha pavor de não saber onde pisava. Era por isso que sempre mirava o chão. Era por isso que tinha aquela postura cabisbaixa tão questionável — não era tristeza, como diziam. Era medo. Medo de cair.
Tola! Mas que menina tola! Era por isso que não tinha asas. Era por isso que não podia voar junto dos pássaros que sobrevoavam sua cabeça a cada dia. Não é permitido se deixar levar pelo medo quando a ambição é tão grande como voar. Ah, se tivesse apressado os passos, se tivesse aberto os braços e mirado as nuvens… menina, você teria voado para longe! Você teria virado pássaro.
Bom dia flores, e fuleiros, hoje não estou muito animado, ontem cheguei a achar que era miragem aquilo, mas não era, o Rock perdeu o respeito, esse povo aê só quer saber de lucros, cadê Bim Ladem nessas horas?, é brabo gente, vocês que gosta dessa parada de dezordem, beleza sei como é, cada um é cada um, definitivamente aquilo não é pra quem é do Rock, ou então, eu não sei mas nada, mas de uma coisa eu sei, não vou ficar discutindo com um rockeiro q gosta d ouvir riffs d guitarra de Claúdia Leite... á vá..., também porque gosto não se discuti, o que dirá MAU gosto.
Desde quando eu era criança
Jamais fui a Budapeste
Ó, que belíssima festança
São Roque, livre-nos da peste.
X Desde quando eu era criança
Saia na linda procissão
A cantar, tendo fé e esperança
Pedindo a São Roque intercessão.
II Era passagem de tropeiro
De viajante, mascate solitário
Pessoas ganhando seu honesto dinheiro
Molhando-se no frio orvalho
Criei um luto só meu. Criei um lugarzinho entre o que era realmente realidade e o que era imaginário. Criei um lugar que eu poderia ficar triste sem dar muita explicação. Eu pude chorar por tudo, pude sofrer todas as dores do mundo, sozinha. Pude me preparar para a volta por cima. Eu não estava pronta para levantar. Não estava pronta para ser feliz – Creio que nunca estou, na verdade - . Tudo que eu pensava era como iria dar a volta por cima.
Era tanta mágoa, tanto rancor, tanta dor que não conseguia me movimentar. Estava cheia de tudo aquilo, literalmente. Foi apenas uma história. Foi apenas uma lembrança daqueles anos atrás. Foi apenas o fim daquilo que nunca começou realmente. Foi apenas eu e você.
O que eu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse um chocolate quente. Apagasse as luzes, me cobrisse com um cobertor, um beijinho na testa só para ficar seguro nessa noite e me contasse uma história, uma histórinha qualquer, só para eu dormir feliz. E pela manhã, me acordasse com um belo café da manhã, cheio de pãezinhos de queijo, um chocolate bem quente, ou morninho. Tanto que venha quente, porque eu prefiro as coisas quentes. Tudo quente, até o amor.
