Era
O toque de suas mãos em minha pele traduzia todo o carinho envolvido entre dois apaixonados. Era as mãos de um anjo a tocar minha alma. Uma leveza ao percorrer meu corpo capaz de atingir os mais profundos nervos e levar a mente a sensação de torpor que remediava o meu interior. Suas mãos são como as de uma fada. Encanta e me arrebata.
O movimento em vida
Fui peixe em águas claras, meu doce refúgio,
Ali a piscina era o mundo, o silêncio era o estudo.
Mas o mar, imenso e mestre, me ensinou a lição:
Diante de sua grandeza, curva-se a arrogância e o coração.
Pequena na estatura, mas gigante na quadra,
O basquete era o palco onde a alma bailava.
Convites surgiram, o talento brilhou,
Mas o medo no caminho, em um rastro, me parou.
Então veio a dança, o ritmo, o chão que flutua,
Piruetas no ar, a arte que a vida acentua.
No compasso do pagode, o show era a nossa história,
Passos difíceis gravados na pele e na memória.
Mas o tempo é operário e a distância é um muro,
A dança cedeu lugar ao trabalho e ao futuro.
Nas rodas da bicicleta, encontrei meu novo vento,
A liberdade de guiar o próprio destino e o momento.
Mas a vida prega peças em um passo descuidado,
Um tombo bobo de chinelo deixou meu braço paralisado.
A dor virou rotina, a fisioterapia, o deserto,
Mas a fé era a bússola que me mantinha no rumo certo.
Aprendi a ser canhota por força da necessidade,
O corpo é sábio e se molda em meio à adversidade.
Cada movimento de volta era uma joia, um tesouro:
Escovar os dentes, pentear-se, escrever valia como ouro.
A mente comanda a matéria, a disciplina é o guia,
Voltei à lida, ao trabalho, com toda a minha energia.
Escolhi o desafio do frio, onde a dor me testava,
Em um dia de choro escondido, a alma quase parava.
Mas enxuguei o rosto, disse ao espelho: "Eu consigo!"
Pois o meu maior inimigo já não morava comigo.
E quando veio o prêmio, o reconhecimento enfim,
Ouvi o eco da vitória dentro e fora de mim.
"Você conseguiu", disseram as vozes da vida,
Para a mulher que renasceu de cada queda e ferida. Disse: obrigada! Deus!
Roseli Ribeiro
Fui chama em teu peito, paixão passageira,
Teu zelo era um manto bordado em romance.
Éramos beijos, almas em sintonia,
Um desejo que se jurava verdadeiro...
Mas era apenas o labirinto da minha ingenuidade.
Caminhei anos por uma estrada sem destino,
Buscando abrigo no teu cuidado,
Refletindo meu sorriso no teu riso raso.
Até que o desdém pelo meu saber virou arma,
E a distância, antes dor, tornou-se tua regra.
Teu "respeito" eram mentiras bem vestidas,
Capa de proteção para esconder o abismo.
Desde o tempo em que eu era apenas menina,
E o teu desejo, um incêndio que me consumia...
Hoje o fogo é cinza, o caminho é outro.
O ciclo se encerra.
A história descansa em paz...
Ass Roseli Ribeiro
A montanha acordou antes mesmo de lembrarem que ela tinha nome, não era pedra, era silêncio acumulado em camadas. No meio dela existia uma floresta lilás que parecia bug visual do universo, como se o céu tivesse dado erro e deixado sua cor espalhada ali. Borboletas cor de neon cruzavam o ar como notificações urgentes, brilhando demais para serem ignoradas, enquanto o químico Otto misturava fórmulas invisíveis em frascos vazios, dizendo que toda reação começa onde aparentemente não tem nada. Aviões cortavam o horizonte como se estivessem assinando o próprio destino no céu, sem explicar partida nem chegada. E lá no improvável, havia uma cachoeira no meio de desertos cheio de flores, água escorrendo contra a lógica e pétalas nascendo da areia seca como se o impossível fosse só questão de perspectiva. Nada parecia fazer sentido, mas tudo funcionava perfeitamente dentro de uma matemática secreta: a montanha sustentava o vazio, a floresta lilás provava que cor também é argumento, as borboletas neon iluminavam o que ninguém queria ver, Otto entendia que caos é só ciência em processo, os aviões voavam para dentro do silêncio e o deserto florescia porque sempre soube que era jardim antes de ser ausência. Era estranho, era confuso, mas era exatamente assim que precisava ser.
Se não depende só de você, não carregue tanta culpa… às vezes, simplesmente não era para acontecer.
— Jess.
E por amor tomou-se tudo o que acontecia.
E tudo o que acontecia era mera educação.
E a educação levou a uma confusão.
E a confusão despertou o interesse.
E o interesse aprofundou o conhecer.
E ao conhecer se apaixonou.
E ao se apaixonar amou.
E ao amar tudo valeu recomeçar.
A Ponte
Incrivelmente o céu descortinou-se e azul apresentou-se. Este tom ainda era desconhecido. Um azul intenso, forte, transparente que incomoda os olhos acostumados a viver na escuridão. Algumas almas nobres são atingidas pela luz intensa e azulada e percebem na luz uma ponte que se forma. Ponte que leva a novos caminhos, novas estradas, outras nuvens, outras tempestades...
Era uma vez
Eu e você
E o Amor que estava prestes a acontecer,
Parou no caminho do quase
Virou utopia
Nos tornamos aqueles que poderiam ser;
Sujeitos,
Pretérito imperfeito
De onde não conseguimos passar do quase;
Ficamos na primeira fase
Findamos o meio do caminho
Cruzamos a linha do começo,
mas não sustentamos o depois.
Tocamos o futuro,
mas não virou nós dois
Fomos além do quase,
mas não do fim.
ENCONTRO MARCADO
Eu havia estragado tudo naquele dia. Roubei um pão. Era tão pequeno… Sentia fome, mas havia outras maneiras: oferecer-me para trabalhar, pedir ajuda, qualquer coisa menos aquilo. Roubei aos oito anos de idade — e nunca mais parei.
Sabia que não era certo. Sentia-me mal todas as vezes que roubava. Era pesada aquela palavra: roubo. Não sei por que me incomodava tanto, mas incomodava. Quando fui deixado na rua por meu pai — algo que eu não entendia — encontrei um grupo de crianças que roubava. Quem não roubasse, não comia. Roubávamos bolsas, relógios, pulseiras e carteiras.
Aos doze anos, depois de quatro vivendo assim, aquilo já me parecia normal. Mas não deixava de me incomodar. Eu sempre me perguntava por que não tinha casa, pais, família ou escola.
Os carros passavam, e eu me encantava. As casas maravilhosas eram a visão dos meus sonhos. No entanto, eu não tinha nada, a não ser a larga liberdade: todas as ruas eram minhas, aquela vastidão de céu me pertencia. Eu não tinha ninguém, e ninguém tinha a mim. Mas eu queria outra vida. Sempre pensava: por que é assim? O que posso fazer?
Não sabia quem poderia me ajudar. Uma voz me disse: “Deus.” E onde procurar Deus? Na igreja, não — de lá eu já tinha sido expulso por estar muito sujo. “Procure no seu coração”, a voz insistia. “Talvez no centro da dona Dalva. Ela, além de dar comida, sorri e chama você de filho.”
Cheguei lá naquele dia sem saber exatamente por quê, com o coração acelerado. Dona Dalva montava um lindo vaso de flores amarelas. Eu disse:
— Bom dia.
Ela sorriu:
— Bom dia, meu filho.
— Posso falar com a senhora?
— Claro, meu filho.
Então perguntei:
— O que é Deus?
Ela respondeu com calma:
— A pergunta é outra: quem é Deus? É o Pai de todos nós, o mais generoso que existe. Aquele que mais nos ama.
Perguntei:
— Então por que Ele me abandonou tão pequeno? Não sei trabalhar, as pessoas me expulsam e têm medo de mim. E quando roubo, a polícia vem atrás. A senhora acha que Deus ama todos iguais?
Ela respondeu:
— Tenho certeza. O que Ele espera é que Seu filho retorne a Ele, em qualquer situação.
Depois ficou em silêncio por um instante e disse algo que me atravessou:
— Olhando de fora, parece que você é apenas vítima. Mas a vida é mais longa do que um único dia. Já foste alguém que teve pais carinhosos, conforto e oportunidade. Jogaste fora o que tinhas, foste mesquinho quando podias ter ajudado. A aprendizagem não retrocede. A vida continua.
— Mas como vou fazer isso? Sou apenas um menino. Amanhã acho que faço doze anos.
Ela sorriu:
— Não subestime a sabedoria do Pai. Você voltou para casa. Estou há anos à sua espera. Cuidarei de você como um filho muito amado, e você cuidará de mim como uma mãe muito amada. Na verdade, você não tem doze anos. Tem uma eternidade de experiências.
Foi ali que comecei a viver de verdade.
Encontrei uma mãe carinhosa e bondosa, um lar confortável, estudo de qualidade. Trabalhei muito e me tornei um adulto bem-sucedido, como ela dissera tempos atrás.
Abri um abrigo para crianças. Por muitos anos tirei meninos das ruas. Amei-os e cuidei deles como um pai.
E quando, já velho, parti e cheguei ao outro lado, encontrei Dalva — minha mãe — que me disse:
— Compreendeu? A vida continua, e Deus não abandona Seus filhos. Ele é seu Pai.
“Vivemos em uma era de clamores. Gritamos para sermos vistos, porque temos medo de desaparecer no esquecimento.”
— Douglas Santos, em O Deus Silencioso
Saudades daquela Rede Social que ficava na varanda, onde apenas uma amiga era o suficiente para me completar.
Gotas de lágrimas
Quando eu era criança presenciei inúmeras vezes a minha mãe chorar, horas para pedir a clemência de Deus, horas para agradecer pela clemência que Deus concedera a ela.
Presenciei inúmeras vezes suas lágrimas ocasionadas pelo preconceito que ela sofria por conta da vida humilde que ela tinha, quantidade de filhos que sustentava, e por que ganhava a vida sozinha.
Zombavam da sua casa simples Que era feita de alvenaria sem estrutura, enquanto minha mãe chorava de felicidade por sair da tapera cujo teto e as paredes eram feitas de tapete.
Sem entender o motivo de suas lágrimas, por conta da pouca idade que eu tinha, me perguntei inúmeras vezes porque tantas lágrimas caia.
Hoje eu sendo mulher, mãe de dois filhos e sozinha, vejo os mesmos motivos das lágrimas da mãezinha.
E como ela chorou, eu também posso chorar horas para agradecer a Deus por tanta clemência, horas para pedir de Deus clemência.
Nesse momento eu me calarei, não direi uma só palavra, deixarei que minha lágrima caia,
Que fale por mim como as lágrimas da minha mãe falavam.
E como inúmeras vezes por tanta clemência agradecem as minhas lágrimas, por clemência elas rolam de novo, molhando meu rosto pouco a pouco.
Não tenho mais palavras, nesse momento tudo que tenho são gotas de lágrimas.
Porque é que te vivi?
E deixei de ser quem eu era
Para nunca mais o poder ser?
É quando eu acho que tenho tudo sob controlo
Que controlar-me é suficiente
Que me perco
Acho que esse é o problema do fogo
Tu não te queimas a menos que acredites que ele não te vai magoar
Quando te aproximas o calor é conforto
Mas só quando entras é que percebes quе também ardes
Ardemos os dois
Será quе ele percebe que me queima?
Será que é só a mim?
Será que também sofre por não saber o porquê da cinza?
São estas dúvidas que me agarram a mão
Onde acaba ele e começo eu
Quando é que deixa de arder?
Se arde espera que cure
Mas mesmo o que cura deixa cicatrizes
Eu não tenho ar para todas neste ato.
“O tempo não se apressa nem espera; ele apenas revela o que era invisível e eterniza o instante que importa.”
Ela nunca soube explicar quem era, porque viver era sentir — e sentir, para ela, sempre foi um ato silencioso de coragem, uma luz que existia sem esforço, mesmo quando o mundo tentava fragmentá-la.
Pensamento XIV
"moderno saber."
"Não é porque vivemos na era da informação que edificaremos pessoas entendidas. De que te servem sete mares, se te satisfazes com um copo d'água? A resposta está nisto: o tamanho da sede."
Dor na farsa
O nosso "nós" era um teatro,
uma peça de um cenário, cruel.
Brincamos de amar com roteiro,
um ensaio dedicado na ferida, do mel
que se revelou veneno.
E quando a cortina fechou,
A verdadeira luz se acendeu,
a farsa desmoronou em pó.
Não era amor, mas técnica,
uma coreografia perfeita.
A única coisa real era o tempo,
E a única promessa cumprida,
foi o sofrimento.
Aquela dor que, ironicamente,
Também fingimos sentir,
para que, no final, ela fosse
a nossa única verdade,
crua e ilimitada.
Sempre fui assim, empoderada, auto estima elevado, mesmo sabendo que não era perfeita me amava do jeitinho que eu era
Mas teve um tempo que estava sufocada por certas amizades
Sempre atrai pessoas com baixo auto estima e na maioria das vezes tive êxito em ajudá-las
Mas algumas não teve jeito, achavam errado eu me amar tanto
Se eu me amava magra, ficavam tristes porque se sentiam gordas
Se eu me amava alta, ficavam triste porque se sentiam baixas
Se eu eu me achava linda, ficavam tristes por se sentirem feias
Eu comecei a me retrair, a me fechar, por medo de magoá-las
Cuidava até o que postava...me sentia sufocada, apagada, presa...
Foi então que descobri que as mesmas que se faziam de "amigas"
Por traz riam, tiravam printes, me maldiziam, diziam que eu me achava
Aquelas coisinhas de gente invejosa
Pois bem me afastei desse tipo de gente
Hoje não deixo mais ninguém tentar apagar meu brilho
Vivo intensamente me amo demais
E se alguém se incomodar com isso, meu conselho é: senta e aprenda comigo
Se ame! Seja phoda! Seja incrível! E brilhe tbm, porque o universo e amplo demais e tem espaço pra todas que queiram resplandecer
Era só uma menina
Lutando para vencer
Exemplo que ensina
Nunca desistir de ser
Insistência em ser feliz
Realizar seu maior prazer
Novos contatos florescem no que antes era medo,
Descubro que a vida não guarda segredo:
Perder quem não soma é, enfim, se encontrar,
Pois quem nunca foi seu, não há como deixar.
