Era
O Natal era pra ser
A festa da cristandade
Mas o que tem na verdade
É disputa de poder
Que só faz favorecer
Ao tal consumo cruel
E o povo inverte o papel
Que é o que mais se tem visto
Ao invés de Jesus Cristo
Adoram Papai Noel.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
Viagem insólita
Era um balão vultoso
Que era de extasiar
Me deixara vultuoso
De tanto eu observar.
Que se tornava flagrante
Com aspecto invulgar
E interior bem fragrante
Que dava gosto exalar.
Estava num canto estático
Quiçá para um conserto
E eu fiquei bem extático
Como a quem ouve um concerto.
Eu tinha que ascender
Pra iniciar a viagem
Mas tinha que acender
Para então fazer a viajem.
Era um momento eminente
Para eu poder emigrar
E estava muito iminente
Pra eu então imigrar,
Mas tinha que ter cuidado
Para nada eu infringir
E agir bem-comportado
Para ninguém me infligir.
Na atual conjuntura
Eu tive que ser facundo
E por minha conjetura
Eu me mostrei bem fecundo.
E a minha aventura
Tinha que iniciar
Mesmo que fosse loucura
O aeróstato pilotar.
Mas eu já estava lasso
De tanto eu trabalhar
Sabe o que fi afinal?
Do balão tirei o laço
E fiquei com alto-astral
Eu o botei no espaço
Fui prum lugar no austral.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
Terra dos Cordelistas
13 Maio 2018
Prenúncio
Fui na frente do espelho
E lá eu vi um menino
Era um portal pro futuro
Que mostrava meu destino
Eu não entrei, só olhei
Pois se eu entrasse, eu sei
Que eu seria clandestino.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
Terra dos Cordelistas
21 Maio 2018
Eu me lembro do passado
Do meu tempo de apogeu
Que eu era o cabra mais brabo
Que em Santo Antônio já deu
Mas todo mundo falava
Que tanto eu apanhava
Como os cabras dava em neu.
Santo Antônio do Salto da Onça RN
Terra do Cordelistas
01 Abril 2024
Era doze de dezembro
O sol das nuvens surgia
Quando vi a claridade
Me enchi de alegria
Eu tentei me levantar
Na hora que fui chorar
Não chorei, disse Poesia.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
03/07/2025
A moral
O pródigo que sentiu o sabor impalatável daquilo que se alimentavam os animais, viu que era amoral aos principios de onde viera. Contudo, os porcos que se nutriam com as vagens de alfarrobeira, saciavam-se indiferentes ao dilema de valores.
Eu era antes de senhor
Uma arvore linda
um brilhar lindo
uma lua cheia
Eu era um desertor sem destino
Uma emoção a se viver
Um paraíso gostoso de se ver
A última gota de água
a rosa mais belas do planeta
Entre os casais, era comum nas décadas de 60/70 o chefe de família proibir a esposa de fazer amizades, proibindo também que a mesma tivesse qualquer tipo de diálogo seja com quem fosse, sem que ele estivesse presente, assim ele controlava a esposa para que a mesma nunca tivesse acesso à informações ou evidências da vida pregressa ou desonesta que ele vivia quando ausente do lar.
Chuva de verão
Era verão quando te conheci, dias quentes, noites quentes.
Você apareceu como chuva no fim da tarde, tão leve e tão intensa, capaz de lavar até a alma.
Eu pude sentir cada gota dessa chuva, através de suas palavras, o seu olhar era tão luminoso, brilhante como os raios e relâmpagos, o seu silêncio ensurdecedor como o mais alto trovão.
Diante disso, meu "jardim" se alegrou, se refrescou, se apaixonou e te desejou.
Porém, é verão, e você é chuva passageira, hoje está regando a outro jardim.
Do tempo em que por aqui passou, resta saudades.
E jamais te esquecerei, por isso eu te peço por favor, que não se esqueça de mim.
Era uma vez um garoto que nutria um profundo sonho. Porém, esse sonho não era apenas uma ilusão; ele era algo real, cuidadosamente planejado e estruturado. O planejamento que ele fez estava voltado para o futuro, mas, curiosamente, esse futuro nunca se concretizou como ele esperava.
Com o passar do tempo, aquele garoto cresceu e se transformou em um homem. Agora, este homem ainda carrega dentro de si os sonhos que, até então, não se tornaram realidade. Contudo, ele sente que a realização desses sonhos está cada vez mais próxima.
Entretanto, essa chegada dos sonhos à sua vida é um processo que requer paciência, porque o tempo, que muitas vezes parece escasso, acaba por se metamorfosear em um futuro novamente. E esse futuro, por sua vez, é uma nova interpretação do que um dia foi um sonho, perpetuando o ciclo de aspirações e o desejo de realização que habita em seu coração.
RETRATO
Na brincadeira era trato,
No direito um contrato,
Mas na lembrança,
O teu retrato.
De fato,
Num único ato,
Perdi teu contato,
Lástima.
Por minha falta de tato.
Ainda tenho o retrato,
Formado no coração,
E na janela de minha alma,
Permanece a ilusão.
Quando se trata de amor,
Ah! Amor... Não sou sensato,
Não correspondido é dissabor,
Correspondido é substrato.
MAL TRAÇADAS LINHAS
Antes de existir,
Tanta tecnologia,
Era preciso possuir,
Papel, caneta e ousadia.
Geralmente assim,
começavam as modinhas,
E as cartas de amor,
Escrevo-te estas mal traçadas linhas,
Dizia o tal sonhador.
Enviava o envelope,
Por algum menino ou estafeta,
Mandava a galope,
Com rosas ou violetas.
A resposta da donzela,
Aguardava ansioso,
Observando a janela,
Sempre curioso.
Ah! Mas tinha um medo tremendo.
Do pai da jovem e saía correndo,
Pois o primeiro gritava,
Minha filha casará com um doutor,
E o último retrucava,
E serei eu, sim senhor.
Depois de muitas confusões,
Os apaixonados se casavam,
A custa de choro e safanões,
Ambos se amavam.
Então as crianças chegavam,
Os avós se rendiam,
Com alegria esperavam,
E sobre os netos amor derretiam.
E a vida então seguia,
Mas chegou um dia,
Que veio a tal tecnologia,
E uma estranha mania.
As conversas em rodas de amigos,
Hoje são por uma tal,
de rede social,
E aí mora o castigo,
A juventude pouco lê,
Mas tem opinião,
Mesmo que seja a da TV,
Para alguma ocasião.
Escrever até que escrevem,
Com figuras de linguagem,
Erros ortográficos e abreviações,
Claro que há exceções.
Ainda existem papel e caneta,
Mas isso quase não se usa mais,
Restou a ousadia com nova faceta,
Apenas para romances banais.
Hoje se escreve na rede social,
E perdoem-me se pareço banal,
Mas ainda usarei a expressão,
Escrevo-te estas mal traçadas linhas,
Para confessar minha paixão,
E sonhar que um dia serás minha.
Não apenas namorada,
Mas também esposa e amiga,
Amante amada,
Companheira querida.
Perdoe estas mal traçadas linhas.
Autor: Agnaldo Borges
03 e 04/10/2014 - 18:30 - 16:28
SINTO FALTA I
Sinto falta de muita coisa ou de quase nada,
Sinto falta do que era simples, inocente,
Sinto falta do que não entendia
e de contos de fada,
Sinto falta da poesia,
Do sol poente.
Sinto falta de Castro Alves a Manoel Bandeira,
Sinto falta de Gonçalves Dias a Tom Jobim,
Sinto falta dos frutos de minha goiabeira,
Sinto falta da inocência que chegou ao fim.
Sinto falta de poemas e versos,
Que um dia fiz e hoje perdidos ou dispersos,
Sinto falta de amigos, de minha mãe e de meu pai,
Sinto falta de sonhos e tenho saudades que do coração não sai.
Autor: Agnaldo Borges
24/04/2005
Era um labirinto... mas não tão somente um labirinto, em se tratando de mim, era um labirinto onde a única saída era um abismo, esmurrei as paredes do labirinto, voei,me espatifei,ninguém juntou meus pedaços só eu mesma, estava na solidão da dor de me quebrar,quando me reconstruí, eu queria APENAS um sorvete de casquinha,a timidez de seu olhar, seu sorriso sem saber o que fazer comigo, e um monte de sonhos bobos...
"Então cheguei à ilustre conclusão de que: eu já era doida muito antes de ser maluca..."
— Edineurai SaMarSi
Dádiva de um sonho
Flor Azul
Era meia noite...
E o céu brilhava entre as estrelas...
E no meu quarto...
Despi me e deitei me...
Confusa em meio a tantos devaneios...
De repente sinto um perfume no ar...
E como sempre...
Ele está lá...
Com uma Flor Azul em suas mãos...
A flor dos meus sonhos...
Olho assustada para a porta e ela continua trancada...
...Se aproxima de mansinho e já não sinto medo...
Me beija suavemente, enquanto coloca a flor em meus cabelos...
Acordo na manhã seguinte...
Nua, sozinha, com os lençóis em desalinho...
Meio atordoada...
Começo a acreditar...
Que tudo não passou de um lindo sonho...
Mas o cheiro da Flor Azul ainda está no ar...
Me cubro com um lençol...
Vou até a janela...
Olho para fora e nada vejo...
E nesse exato momento...
A Flor Azul cai do meu cabelo...
O tempo passa com rapidez...
Daquela noite não me esqueço...
Os sonhos são engraçados...
Pois, estão sempre a um passo da realidade...
Um dia abri a porta procurando uma saída...
E o encontro com a Flor Azul em mãos...
Novamente...
Invadindo a minha vida...
Um lugar para chamar de lar...
Tinha um lugar...
Era apenas um espaço escondido...
Como nos filmes de terror...
Um lugar afastado, onde ninguém iria e principalmente, ninguém veria...
E, lá tinha a minha árvore...
Por ser escondida achei que não incomodaria ninguém...
Ela estava linda e esperava ansiosamente pelos seus primeiros frutos e isso pelas flores seria em breve...
Mas não...
Foi cortada do caminho onde ninguém passa...
Onde ninguém a veria... .
Mas que de alguma maneira... atrapalhava...
Não era a árvore...
Não era o lugar...
Não, não era...
Um lar é feito de amor e aceitação...
Qualquer lugar é um lar...
Se vc se sentir acolhido, mas se vc é só uma árvore no meio do nada, mas no caminho de alguém pode ser tirada e esquecida, porque vc não conquistou o terreno e não foi acolhida por ninguém...
O melhor lar é o coração e é fácil de sair... Mas tão difícil de entrar...
"Quando você estiver prestes a morrer, lembre-se de quem você foi. Se você não era ninguém, então lembre-se de quem você NÃO foi."
