Era
Dai quando fica assim não sei o que falar e eu que achava que era bom com as palavras pelo menos escrevendo... Reza a lenda que foi por isso que inventaram o beijo para quando faltarem as palavras..
Quando eu era jovem
Prometi que um dia eu ia
Realizar um sonho que eu tinha
E buscar a Lua pra ela
A Lua seria dela
E ela seria minha
De mão dadas nós iríamos
caminhar até aquela linha
Onde o Sol encosta na Terra
Hoje
Eu olho pro Céu e não vejo mais
As mesmas coisas que eu via
Agora as nuvens são verticais
Os olhos dela também
Não exibem aquele brilho
Que pareciam dizer
"Se eu estiver com você
então, tá tudo bem, meu filho"
Olho pro espelho e percebo
Que não foram apenas o Céu
E o brilho nos olhos dela que mudaram
Meus traços também se alteraram
e muito
Porém aquele espaço
Que eu tenho no coração
pra guardar um amor
E a vontade de dar um abraço
toda vez que eu a vejo
São ainda muito grandes
E muito
Muda a maneira de vêr e olhar
Hoje
Até mesmo as ondas do Mar
Parecem quebrar diferente
Mas tem coisas
Que por mais que o tempo passe
Não passam
Portanto
Basta querer que eu te abrace
Que meus braços, felizes
te abraçam
Quando eu era criança
Sempre desenhava Sóis sorrindo
e nuvens com cara de nuvens boas
A vida foi passando
E tempo escoou por entre os dedos
Que há tempos não mais desenham
O Mundo não parece mais
Ser daquele jeito lindo que eu via
O coração anda cansado de bater à toa
Um minuto passa lento
e outro voa
A tristeza me maltrata com certo requinte
E eu chego a esquecer os minutos
Quando a gente vê, passaram vinte
Andei divagando
Lembrando de um pé de pitanga
Perdido nas mangas do tempo
Longas horas passei sob ele
Aguardando a chegada dos domingos
Que era quando eu sumia
Nunca mais houve tanta alegria
Nunca mais houve quase nada
Além de medo
Que não existia, naquele mundo encantado
Meus dedos não sabem mais
desenhar nenhum sorriso
Nem tecer nenhum poema
Que fale sobre flores
Nuvens boas ou paz
Viver ou não
hoje em dia tanto faz
Milton Sérgio Paiva.
Quando a gente era criança
Ele foi pra mim um Gigante
Que me guiaria pelas mãos
Nos caminhos da vida afora
Ele cantava pra eu dormir
Ele me mostrou o compasso
Ele indicou pra mim a régua
Ele caminhava sobre a água
Ele tinha o braço mais forte
Pulava mais alto e sorria
E ele estava ali todo dia
E era eu que não dormia
Se ele não estivesse em casa
O tempo passou, não houve apelo
E de alguma forma ele realmente
Me guiou pelas mãos, foi meu modelo
Desde adolescente me ensinou
A pegar cedo no batente
E a viver sempre contente
Indiferente ao que houvesse
Eu tentei seguir seus passos
Queria ser como ele era
E passaram-se muitas primaveras
Mas permaneceu aquele olhar sereno
Mesmo que hoje ele seja pequeno
Perto de mim ele ainda é gigante
E seus exemplos me calam fundo
Pois desde os primeiros instantes
Ele continua sendo
O Maior irmão deste Mundo.
Deus
de vez em quando
tudo que eu queria
era estar contigo
um pouco
Deus
Meu melhor amigo
Reconheço estar
errado, muito errado
"de vez em quando"
não passa de um engano
um grande engodo
Deus
Faça o que quiser comigo
Se for a Sua vontade
Me submeto de bom grado
não ligo
Deus
Agora eu compreendo
Que na verdade
Minha vontade
é de estar Contigo
o tempo todo
Quando eu era criança, ainda
Não me ensinaram a olhar o Céu
E chamar as pipas de "pipas"
Àqueles mágicos brinquedos
Eu dava o nome de "quadrados"
Em alusão à coincidência geométrica
Finas ripas de bambu,
papel de seda
e sonhos
A voar mais alto
Que o próprio urubu
Não havia e ainda não há
Qualquer outra coisa quadrada
A simbolizar
Com tanta desenvoltura
A liberdade
A simplicidade
E a ausência do medo de altura
Humildade de papel
A ganhar o Céu
Ensinando
Que nem sempre
fragilidade é sinal de fraqueza
Se cada coisa tem o seu lugar
O lugar do quadrado é lá
Nos Céus imagiários da minha infância
Pois as coisas simples
Sempre serão aquelas
belas lembranças
Que o tempo há de ensinar
Que ao final
haverão de ter
O lugar de maior importância.
"Quando a gente deixa de reclamar que o Mundo não é perfeito, percebemos que a imperfeição era nossa. Nós não vivemos em Marte ou em Saturno; vivemos no Planeta Terra: O lugar mais perfeito pra se viver do qual nós temos notícia."
A árvore cresceu
Ontem
Era somente
uma semente
Que brotou
e floresceu
A árvore deu frutos
Galhos e folhas
Cai a chuva
e tudo molha
A árvore
tá linda
e há de crescer
muito mais ainda
A árvore
Alimenta o beija-flor
Alimenta o bem-te-ví
Alimenta o homem
Aumenta de tamanho
a cada ano
E mais insetos
mais pássaros
e mais seres humanos
dela comem
E sob a sombra de seus galhos
Se abrigam do calor
A aranha vem morar
As abelhas vem buscar
Algo doce
Em sua flor
Fazem ninho
Nos seus galhos
Com as folhas
Que dela caem
E assim a árvore espalha
Humildemente, com sua bondade
Um pouco do amor
Daquele que criou
Todos os insetos
e frutos
e pássaros
e flores deste mundo
Mas um dia
Tudo precisa partir
e assim como tudo se vai
A árvore cai
Ficam no chão
Muitas sementes
Outras árvores crescem
Resplandecem
E os seres da criação
Vem beber das suas flores
Novamente.
edsonricardopaiva
O que a gente precisava, realmente
Era um mundo mais positivo
Mais abraços e menos discursos
Menos ira e prepotência
um pouco menos de mentira
De gente que fosse lá
E visse a cara da verdade
Ao invés de tanta credulidade
Menos aplausos pra tanta indecência
Um pouco mais de livros
Um pouco mais de voos de pássaros
E mais água pura nos cântaros
Menos gols combinados
Menos troféus comprados
Nenhum resultado tratado
Cansei-me se ser enganado
E que daqui a cem anos
Só houvesse verdades nos arquivos
Basta de corte nos orçamentos
Somente quando o destino do gasto
For o refestelo e o repasto do povo
Basta de tirar o ovo da ave
Cansei de ver bola na trave
Não cheguei até aqui
Pra contar somente com a sorte
O que a gente precisava
Há de ser bem mais ativo
Precisamos de mais coisas belas
Em vez de telas pintadas de morte
e tantas mortes ao vivo
Precisamos de mais arte
Mais ciência
Mais fotos de Marte
Mais festas de aniversário
Mais festas no calendário
Um pouco mais de alegria
Um pouco mais de trabalho
Precisamos disso urgente
Antes que se acabe o dia.
Eu tenho um amigo
Que sempre andou comigo
Acordava atrasado
e era muito atrapalhado
Coitado, meu amigo enviesado
Quando criança
Nunca soube jogar bola
Jamais foi bom em dança
Jamais foi bom em nada
Não era bom de briga
Nem tinha namorada
Na vida Militar, coitado!
Não era bom soldado
Não era bom atleta
Bom marido ou bom poeta
Jamais teve jeito pra nada
Pois trazia no peito
Um coração
Totalmente desprovido de ambição
e comia o pão da ilusão
Tinha como companhia um violão
Mas, pra não destoar
Também
Não cantava muito bem
Porém
Ele era um bom amigo
e sempre andou comigo
No lugar onde fui criado
Os corações eram neve
Era esta
a maneira que encontravam
Pra criarem gente forte
de sorte, que não havia
Abraços ou sorrisos
Brinquedos, imaginação, sutileza
Nem palavras imprecisas
A gente precisava só crescer
e ser homem de verdade
Qualquer demonstração de carinho
era sempre sinal de fraqueza
No lugar onde eu nasci
Ninguém sorria
Era um lugar onde não havia
Lugar para poesia
E ninguém podia chorar
Nem por medo
e nem de fome
Aquele lugar e aquele tempo
Realmente fizeram de mim
Um Homem
Cujos sentimentos e aflições
Aprendeu a dominar
Tem dias até que parece
Que eles simplesmente
nem existem
E hoje eu transformo
Muito daquilo em versos
Se alegres ou tristes
Não sei
Não aprendi expressar sentimentos
Mas todo dia reservo, mesmo assim
Alguns momentos
E permito que meus dedos
Em movimentos lentos
e uma suavidade, que não é
e nunca foi minha
Escrevam palavras
e depois as transformem em versos
Pois foi esse o jeito que eu encontrei
Pra externar
Aquelas lágrimas do passado
Que deixei tanto tempo de lado
Pois eu, realmente
Nunca as chorei.
Edson Ricardo Paiva
Quando a gente era criança
E a vida era simplesmente
Um lance um tanto mágico
Praticamente um Circo
Semi-monossilábico
Um circo onde havia até dança
Aquela dança
Que a gente não se cansa
Nunca...jamais; de se recordar
A Pá já se levantava
Com aquele sorriso a mais
E quando ela vinha pra sala
Trazia as duas outras atrás
A Pá corria pra lá
A Sí sentava-se aqui
Eu dava um pãozinho pra cada
Mas a mais malandra
Sempre foi a Sandra
Acordava emburrada
Não falava nada
Tomava o seu café
e depois dava no pé
As outras duas
A Pá e a Sí
Ficavam brincando por ali
Achando que eram princesas
Uma olhava e a outra ria
Minha mãe chegava e mandava
A Sì limpar toda a mesa
Enquanto a Pá lavava
A louça que estava na pia
Lá da sala, a Sandra ria
E assim começava o dia
Num tempo
Hoje tão distante
Que causa saudade cortante
Nesse pobre coração
Daquele, outrora sempre presente
Irmão de sangue, de alma
e de saudade
Edson Ricardo Paiva
O Sentido da Vida
Certa vez, quando era criança
Eu pisei na areia
E ao perceber
a marca dos meus pés
Primeiramente pensei
Que elas não estariam mais ali
No dia seguinte
Mas logo em seguida eu pensei
Que antes que o dia terminasse
Poderia ocorrer
um desenlace qualquer
E eu também não estar mais aqui
Antes que sumissem
As marcas dos meus pés
Em pouco tempo
Não restaria nada de mim
E foi assim, desse jeito
Que ao invés de sentir-me triste
ou com medo
Percebi o quanto era feliz
Pois eu havia acabado
de desvendar um segredo:
Eu fazia parte de um todo
Eu era um grão de areia
deixando marcas da areia
Fincando as estacas
Que se tornariam os alicerces
do meu próprio entendimento
Pois, aquele momento
Foi quando eu me senti
Muito próximo Daquela Inteligência
Que Exerce, por Excelência
Todo o Poder de movimentar
Este Universo
Meus passos
Eram iguais a todos os passos
Se deixamos marcas ou não
Essas, tem que estar no coração
daqueles que vão estar aqui
depois de nós
Pois
No dia em que partirmos
Permaneceremos
de alguma forma
Na areia, que marca o tempo
No vento que carrega a areia
Na luz do Sol
Que nos entrega a vida
E a energia que alimenta esta Terra
Pois a vida é uma bela história
Que não faz nenhum sentido
Quando nascemos
É preciso que a gente
Pise antes na areia
Pra dar um sentido à vida
Pois ela terá o sentido
Que a gente der à ela
Edson Ricardo Paiva
"Ontem eu era alguém
Que não sabia quem era
À espera do dia de hoje
Onde, longe de ser quem era
Eu digo que tanto faz
Pois de tanto ter sido quem era
Agora eu não sei quem sou
Mas quem eu era já não sou mais"
Edson Ricardo Paiva.
Eu tenho uma esperança
Que eu trouxe de lá
Do lugar de onde eu venho
Era lá nesse lugar
Que todas elas nasciam
Bonitas como Luas
Refletidas no espelho dos lagos
Eu a trago de lá
Porque lá elas eram doces
Essa é a minha
Muita gente as perdeu
Mas não eu
Que também não troquei por nada
Cada qual, conforme a vida
Não faz mal
Se alguém tiver outra igual
Pode ser que parecida
Elas podem sempre
Ser divididas ou compartilhadas
Mas quando são perdidas
Sobra pouco tempo
Pra que não sobre mais nada
Por isso eu escondo essa minha
Lá dentro do meu coração
Junto da alma
Perto da vida
Pra que nunca seja confundida
Com algo que se deixa ficar
Naquela triste escuridão
Onde perto não cresce nada
Um lugar deserto
Chamado ilusão.
Edson Ricardo Paiva.
.
Hoje
Pensei que fosse
por acidente
Pois encontrei-me comigo
Achei que era sorte
Pois era aquele lado de mim
Que era amigo
E que eu nem percebia
Que tinha deixado saudade
Mas como o acaso inexiste
Cheguei a sentir-me um tanto triste
Quando percebi
Que ele esteve sempre aqui
E era eu
Que tinha me afastado
De mim mesmo
Acontece
Que isso acontece
Muito mais do que se pensa
Mas o tempo passa depressa
E um dia, de repente
A gente deixa de perceber
Que existe sim, diferença
Entre viver somente
E viver
E querer estar comigo
Gostar de mim
Assim, do jeito que eu era
Imperfeito, assim como sou ainda
Porém um tanto mais vivido
Pois, não existe
Ninguém neste mundo
Mais indicado que eu
E esse meu lado que gosta de mim
Pra poder me aconselhar
Nas horas que pensar em ficar triste
E agora
Vou estar comigo
Até o fim
Só não sei por que foi que eu permiti
Que a vida toda
Não tenha sido assim.
Edson Ricardo Paiva.
Era estrada de caminho incerto
Incerteza que andava por perto
Andava, que...por ser caminho
Se chamava estrada
Ao contrário, que se pressupõe
Era sim, um caminho
Mas era apenas ida
Com pequenas diferenças
Havia lances de escada
Faces largas e falsos sorrisos
de cara cansada
Mais nada, além do preciso
Havia chovido e ressecado
E também de vez em quando
Tinha gosto de pão amanhecido
Com cor de aquarela
Dependia da luz
Vez em quando, desbotada
E bela no instante seguinte
Não falava nada
E também não era bem ouvinte
Era pressa, era espera
Era uma fera
Dessas, que parecem mansas
Que nem gente velha
de tão velha despertou pra vida
Cuja experiência
Convida a ser criança
Parece até que não pensa
Mas pensa
Bem mais que se pensa
E não se arrepende
Parecia justiça
Parecia que era
Só não digo que era
Porque era brasileira
E não pendia pros lados
Portanto, a chamo de estrada
Por enquanto é tudo
Mais nada.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tive um sonho pequeno
Era plena a alegria
Era noite de verão naquele dia
Eu sonhei que uma doce Lua
Brilhava no Céu, tão bela
Igual que se estrela fosse
Mas sonhei que era noite de inverno
E que tinha sopa de ervilha
Um prato de pão torrado
E uma estante cor de palha
Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva
Pois eu sei que a memória falha
Mas não sei se essa vida é verdade
Eu só sei que sonhar não é escolha
É como um vento, que varre as folhas
Então, só sonhei
Que eu estava sentado à mesa
E que tinha fogueira acesa
E também um amor ao meu lado
Eu tive um sonho bonito
Eu tive um poema escrito
E eu tocava um violão
Cantando pra Lua, tão bela
Mas não sei que Lua era aquela
Nem o nome do anjo que a trouxe
Mas, brilhava no Céu, tão doce
Igual que se estrela fosse!
Edson Ricardo Paiva.
Quando a gente era criança
Existia uma lenda
Sobre um pote de ouro escondido
E que nem todo mundo o encontra
Havia um segredo
Eram coisas que se queria
Sem saber bem ao certo o que era
E talvez estivessem por perto
Quando o certo
Era antes responder pra si
Que, se a gente conquistasse
Todo o ouro que existe no mundo
Pra que será que ele servia?
A vida, uma estrada bem larga
Felicidade, uma senda
Enquanto isso
A gente ia sentado
Nas janelas do trem da vida
Pesquisando em mapas e fotografias
E perdia as mais belas paisagens
O tempo apressado, pediu pra passar
E eu deixei
O tesouro não era um pote
Nem bau, nem nada assim
O segredo da vida, é a vida
Que se encontra espalhada
No caminho a ser percorrido
Pra poder ser vivida
Um pouquinho a cada dia
E todo dia ela muda
O tesouro da vida é um sorriso
Um resto de melodia
É saudade que gruda
Então, se é possível sorrir, ainda
Faça isso em cada dificuldade
O pote de ouro da vida
Não era uma lenda
A mentira escondida, era sobre o valor
Das coisas que o dinheiro compra
Há tesouros diferentes
De vida pra vida
E se tornam semelhantes
Na medida em que você percebe
Que os tesouros de maior valor na vida
Vem de graça, na graça da vida
E eles não estão à venda.
Edson Ricardo Paiva.
"Não era uma espera
E nem primavera sem Sol
Não era pela pedra no caminho
e nem no sapato
Não era pelo fato de a via ser de dupla-mão
Não, não era
Porque por ela, só ia
Não era a linha solta e nem cruzada
Não, não era nada
Era por causa da vida
Porque era isso que era."
Edson Ricardo Paiva.
