Epoca de Cora Carolina
Não deixe que as flores murchem... Cuide do jardim, pois aquilo que é belo deve permanecer belo, até que encontre outra razão para sua existência.
As páginas da vida devem ser folheadas uma a uma. Não tente pulá-las, pois você pode se perder no final.
Não crie opiniões baseadas em aparências, pois elas apenas são disfarces que escondem seu verdadeiro eu.
Não escolha um caminho pelo o que você irá encontrar no seu percurso, pois apenas aquilo que é conquistado com luta é digno de glória no final.
Os fracos desistem de tudo na primeira queda. Os fortes dão a volta por cima, levando consigo as experiências que obteve.
O orgulho é inimigo do amor. Na verdade, quem ama perde o orgulho e dedica-se exclusivamente a amar quem o ama.
Sebe, eu bem que podia… Podia mesmo!
Mas acho melhor não, sabe como é,
eu, você, você e eu, nós dois no mesmo lugar,
é choque térmico na certa.
Você está aqui do meu lado agora, e só de pensar
em tudo que já aconteceu, fico arrepiada…
Que droga, seu beijo continua tão bom quanto antes,
só um pouco mais intenso, pelo menos esse foi, bastante.
E você nem deve imaginar que estou escrevendo sobre isso
agora, como você aqui, bem do meu lado.
As 12:35 horas da tarde, quem diria… Deixa estar, não é mesmo?
Deus é o Silêncio que resolve Cantar.
PS. Com seus vários, Cantos e Encantos, as vezes até Decanta.
Se o amor é um sentimento, em qual sentido sentimos o amor?
(Spoiler: A pergunta está invertida.)
A resposta não está na mente, mas na Fonte:
"Não sentimos Amor. Somos sentidos por Ele."
Você é um nó na Malha Divina,
onde o UNO se reconhece através de você.
Aquele que tem ouvidos, ouça
Não foi a maldade que mais me feriu.
Foi o acordo silencioso.
Foi ver mãos limpas
assinando pactos sujos
com a desculpa de que
“não havia escolha”.
Foi a violência vestida de normalidade,
o horror usando crachá,
a crueldade sentada à mesa
falando baixo
para não incomodar.
Não foi o grito do tirano
que me dilacerou.
Foi o coro dos neutros
afinando o silêncio
por medo de perder lugar.
Eu vi pessoas boas
negociando a própria alma
em parcelas pequenas,
chamando de sobrevivência
o que já era rendição.
Vi a mentira virar método.
Vi o interesse virar ética.
Vi a conveniência ser chamada de prudência.
E ninguém sangrava visivelmente,
por isso diziam que estava tudo bem.
Mas eu senti.
No corpo.
No peito.
Na garganta que treme
quando tenta dizer o óbvio
e descobre
que o óbvio virou heresia.
A maldade não venceu porque era forte.
Venceu porque foi aceita.
Porque parecia útil.
Porque dava lucro.
Porque protegia quem fechava os olhos.
E eu, que não aprendi a cegar,
carrego esse peso estranho:
ver demais,
sentir demais,
e ainda assim continuar aqui.
Não me chamem de dramática.
Não me peçam calma.
Não me peçam silêncio.
Eu não falo apenas para não morrer por dentro.
Eu falo porque acredito
que a voz não nasce
para ecoar sozinha.
Eu falo na esperança
de que algum ouvido reconheça o som
como quem reconhece um chamado antigo
e descubra, perplexo,
que também tem voz.
Eu falo porque sei
que a coragem não começa no punho.
Ela começa no peito,
quando alguém decide
não se esconder mais atrás do medo.
Não quero exércitos.
Não quero tronos.
Não quero vingança
vestida de justiça.
Quero gente em pé.
Inteira.
Com o coração exposto
e a consciência desperta.
Quero que os justos se levantem
não para destruir,
mas para não ceder.
Não para odiar,
mas para não negociar a alma.
Que se levantem com amor —
esse amor difícil,
que não passa pano,
que não mente para proteger privilégios,
que não chama covardia de prudência.
Que se levantem com coragem —
não a coragem do grito,
mas a coragem diária
de dizer “não”
quando o mundo inteiro diz
“é assim mesmo”.
Se minha voz encontra um ouvido,
que esse ouvido vire voz.
Se essa voz encontra outra,
que vire coro.
Não um coro de guerra,
mas um coro de presença.
Porque o mal prospera no escuro,
mas treme
diante da lucidez
que não se deixa comprar.
Eu falo porque ainda espero.
E enquanto houver esperança,
há humanidade tentando nascer
outra vez.
A Aranha
Não era a aranha.
Era o fio invisível
que me prendia há anos
no mesmo canto do quarto.
A aranha só apareceu
quando o cansaço já tinha nome,
quando o corpo já vivia
em modo de vigília permanente,
como se a paz fosse um boato.
Ela não ameaçava —
eu é que já estava ferida.
Ela não atacava —
eu é que vinha lutando sem armas,
no escuro,
há tempo demais.
A aranha virou símbolo:
do medo que não dorme,
do pensamento que insiste,
do dia que apaga o pouco de luz
que tentou nascer.
Eu não queria o fim.
Eu queria descanso.
Queria um lugar onde o peito
não precisasse se defender o tempo todo.
Queria existir
sem estar sempre aguentando.
E alguém gritou “levanta”,
como se levantar fosse simples,
como se coragem curasse exaustão,
como se a dor tivesse botão de desligar.
Mas ali, naquele instante,
o que me salvou
não foi a vassoura,
nem a força,
nem a razão.
Foi o fio mais frágil de todos:
ser vista.
Ser ouvida.
Permanecer.
A aranha ficou.
O medo também.
Mas eu fiquei mais um pouco —
e, por enquanto,
isso basta.
Eu quero fugir
Das idéias
Eu quero ir pra longe dos pensamentos
Que me cercam de certezas obscuras
Eu não quero mais entender
Alguém me leve de volta, quando eu podia escolher um lado
Meu lado agora é sob os escombros morais
que antecedem a ruína material
Me sinto doente em saber, e em não saber
Estou rouca de tanto gritar no silêncio, e não ser ouvida
Me sinto doente em saber
que existe uma conveniência em tudo isso
e que isso me torna doente e o mundo são
Me assusta o diagnóstico certo, da doença que me assola a alma
Mas sinto que se eu me curar, eu estaria mais doente ainda
A idéia de aceitar ou conviver com essa realidade
transforma a minha loucura na sobriedade mais avassaladora que eu já senti
Escrevo na esperança de não me engasgar com as palavras
um engasgo mental, quase fatal
De tudo que me assola e me atormenta
Escrevo, no fundo, para que eu nunca deixe a loucura perdida
e me torne alguém saudável
nesse mundo doente
Eu tentei ser compreendida
Tentei me encaixar
Mas as pessoas não conseguiam me enxergar E nem me escutar
Eu tentei mudar o tom
Troquei as roupas
Fiz o que pude, e o que não pude
Para ser compreendida e aceita
Mas nada foi o suficiente.
E eu entendi, que não existe demérito em não ser compreendido, o demérito é não compreender.
As portas que a dor me deu
Trago no peito um chaveiro antigo,
onde penduro as dores que ousei sentir.
Não as neguei, nem as adormeci —
dei-lhes nome, corpo e tempo.
E por cada uma, uma porta se abriu.
Oh, quantas vezes desejei não saber de mim!
Mas bastava que uma lágrima caísse inteira,
sem vergonha, sem pressa,
e o som de uma fechadura cedia —
como quem rende o coração a um amor impossível.
Há portas que me levaram a desertos,
onde o vento me arrancou as certezas;
outras, me devolveram o riso antigo
que eu pensava morto.
Nenhuma delas seria minha
se eu tivesse virado o rosto à dor.
Porque é no instante em que ela me atravessa,
que eu a torno caminho,
e o sangue, mapa.
Sim... cada dor que me rasgou,
destrancou um tempo, uma face, um lugar.
E hoje sou feita disso:
de cem portas escancaradas
por onde caminham os dias melhores
que antes,
eu apenas ousei sonhar.
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