Entenda como Quiser So Nao me Julgue
O mecanismo que a clínica reconhece como adiamento existencial tem estrutura de dívida psíquica: vende-se o presente em nome de um futuro que raramente chega com a forma prometida, e o passado cobra com juros de sentido — não em moeda, mas em sonhos não realizados, em percepções tardias do que poderia ter sido. O que se perde não é o tempo cronológico, mas a capacidade de habitar o instante: o sujeito torna-se mendigo não do futuro, mas do agora — estendendo a mão não ao relógio, mas àquilo que, dentro dele, já não sabe como acessar. E assim avança empobrecido, não de horas, mas de experiência real.
O que Homero inscreveu em Thersites, a clínica reconhece como formação reativa: o sujeito incapaz de sustentar o próprio desejo projeta no brilho alheio a fonte de sua angústia. Não combate porque critica; não constrói porque corrói. A ironia do ressentimento é que ele sempre acredita estar denunciando a fraude do outro, quando na verdade está confessando a própria insuficiência que não suporta examinar. A voz que nivela por baixo não nasce da lucidez — nasce do medo de que a coragem dos outros revele o que faltou em si. Essa figura não pertence apenas ao mito; a clínica a encontra com frequência onde a impotência não encontrou outro caminho de expressão senão a demolição.
A tecnologia insinua-se como um vírus que atravessa a porta que o próprio homem abriu: instala-se sem alarde, reorganiza vínculos, substitui presença por interface. Aproxima à distância e afasta na proximidade, enquanto persuade de que nunca se esteve tão conectado. E, nesse paradoxo, quanto mais se comunica, menos se encontra — porque o vínculo mediado simula contato, mas não sustenta encontro.
Vive-se uma época em que a liberdade — individual e econômica — é proclamada como fim supremo, enquanto, em paralelo, a autonomia é silenciosamente entregue a objetos que não pensam, não sentem, não sofrem, mas passam a orientar o modo de viver. Busca-se independência e aceita-se condução; exalta-se escolha e pratica-se delegação. E, nesse paradoxo, quanto mais se fala em liberdade, mais se normaliza a dependência que a esvazia.
Amar foi cronometrado, comprimido entre tarefas, como se coubesse no intervalo entre compromissos. Tornou-se item de agenda, gesto apressado, presença fragmentada. Mas o amor não obedece ao relógio: exige duração, atenção inteira, disponibilidade que não se mede. Quando se tenta encaixá-lo no tempo útil, ele se esvazia — permanece o ato, perde-se o encontro.
Um dos maiores erros da História é expor o Apartheid, o Holocausto e a Escravidão como se fossem coisas do passado, com datas de início e fim. Na verdade, elas estão ainda bem presentes: a diferença é que hoje mudaram para uma abrangência bem maior, o cunho social.
ENFIM 40
Sabe como eu me sinto?! Que "a vida começa aos 40".
Pra falar falar a verdade me sinto mais forte, leve e seguro do que quando eu tinha 20 ou 30. Só tenho que agradecer a Deus por ter chegado até aqui. " Até aqui nos ajudou o Senhor".
Parece algo tão distante, mas, acredite, é um "piscar de olhos".
Parece até que foi ontem que eu era ainda menino.
A vida não é linear como pensamos. Na verdade, são composições de fases, transições que nos vão levando a um destino... Ciclos com inícios e términos baseados em escolhas, onde cada escolha, por mais simples que seja, tem peso decisivo no resultado de sua vivência.
Se me arrependo de escolhas que fiz??! Sim, muitas! Às vezes até me lamento por isso... Se no passado eu tivesse a experiência que tenho hoje não teria errado tanto, teria feito tudo diferente ( assim dizemos nós.
Mas se não fossem os aprendizados que tivemos durante a vida, por mais dolorosas que tenham sido, teríamos a experiência e clareza que temos hoje?
Nos perdoem crianças por sermos cuidadosos, às vezes até exageradamente. Vocês não gostam quando "pegamos nos pés de vocês " mas é que não queremos que sofram como nós sofremos, nem passem o que nós passamos.
Hoje eu olho para uma criança, adolescente , um jovem e me vejo. Hormônios "a flor da pele", achando que sabem tudo, que viver o hoje é o bastante... mas o tempo passa e, acredite, é um "piscar de olhos" e chegará o tempo que você vai olhar para trás e vai dizer :
" Parece que foi ontem em que eu era apenas um menino. "
Muitos se comportam como fogo, incendiando tudo no seu caminho, mas basta uma tempestade para apagar seu ímpeto e jogá-los na lama!
Alguns se portam como folhas que caem de uma árvore! O sol forte as seca totalmente, a chuva as apodrece e qualquer brisa as leva!
Se, um dia, finalmente chegar o momento em que me perguntem como eu realmente me sinto, talvez eu responda, de uma vez por todas, que sempre carrego comigo o sentimento de que fui jogado no mundo sem qualquer consentimento prévio meu, e obrigado, dia após dia, a me adaptar e aprender a viver de uma maneira minimamente organizada, inteligente, madura e com qualidade.
Digo talvez, porque nunca sei se um dia vou me sentir verdadeiramente confortável para decidir compartilhar uma experiência tão profunda, significativa e íntima minha com mais alguém.
Cada dia parece uma briga e um exercício diferentes para mim. Eu sinto a necessidade furiosa e quase insatisfeita de estar alerta a quase todo momento; a sensação de ter que estar preparado, para o bom e para o ruim. Em geral eu me sinto estressado, eufórico e, em especial, machucado: tudo ao mesmo tempo.
A vida machuca. Viver machuca. Viver dói. Estar vivo é não encontrar paz mesmo estando com ela, pois mesmo aí, lá no fundo, os pensamentos inconscientes e ruminosos continuam a passar e vibrar, lembrando que estar vivo é estar acordado — sentindo, processando, pensando, acumulando emoção, colocando-a pra fora — às vezes furiosamente e de forma quase agressiva —.
Talvez a minha resposta... seja apenas a de uma pessoa que reconhece o fato de estar vivo — e de como isso fascina e pesa, ao mesmo tempo.
Incrível como nos dias chuvosos e nublados o sentimento é mais intenso. Mas quem dera se esse sentimento fosse apenas de amor profundo e sem saudade. Mais um dia se passou desde que terminamos e parece que sempre vou lembrar de você. Eu não posso mentir para mim mesma que eu não te amo mais, porque já faz um bom tempo que não te vejo e tudo que sei no momento, é que não sei viver sem amar você. Me explica o que eu fiz de tão errado? Foi porque nossos planos não eram combinados? Eu abriria mão de muita coisa por você, ou no mínimo, adaptaria minha vida para viver sempre com você. Mas dessa vez não vou correr atras porque não tenha mais condições de sofrer por você. Talvez, nós temos que assumir que nenhum de nós conseguiu sustentar este relacionamento. Quantas vezes terminamos, mas o amor era mais intenso e voltamos? Porém dessa vez eu tenho certeza que é diferente, e está sendo tão difícil assumir isso...mas é a verdade. Talvez um dia eu te encontre novamente e quem sabe a gente consegue algo bom outra vez.
Assim como o tempo nublado se vai... depois da chuva, as mágoas também se vão... depois das lágrimas.
Tentar amar duas pessoas no mesmo sopro romântico é como tentar ouvir, ao mesmo tempo, duas melodias complexas: talvez se perceba as notas, mas a canção se desfaz.
O coração até pode se dividir em afetos, mas o amor que se reconhece como paixão de alma — aquele que nos move a transcender o ego e nos lança na vulnerabilidade — esse, por sua própria natureza, pede a unidade de quem o sente.
“O cabelo preto brilha como a noite silenciosa que guarda mistérios, enquanto o loiro irradia como o sol que desperta a vida — ambos belos, cada um com sua própria luz.”
Sou como uma colmeia de abelhas: quem vem me cutucar, descobre tarde demais que a doçura que guardo também sabe se defender. 🐝
“ Tentar se vingar de quem está longe é como lançar uma flecha contra o vento — o esforço parte de você, mas o retorno da energia negativa e o desgaste acaba voltando para você também "
