Enquanto

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Ode à Terra e à Marte


Enquanto vivo e observo
o presente desolador da Terra,
sinto a ferida aberta
daquilo que um dia foi jardim...


O céu cinzento cobre
os pulmões das cidades,
rios agonizam no silêncio,
florestas ardem como preces
jamais atendidas...


E então penso
no longínquo futuro de Marte,
no planeta vermelho
onde a humanidade deposita
sua febre de fuga e conquista...


Será igual?!!
Será que levaremos para lá
a mesma sede insaciável
que nos trouxe até aqui?...


Será que os desertos de Marte
serão povoados não de flores,
mas de nossas velhas ganâncias
e ruínas repetidas?...


Ó Terra, mãe esquecida,
teus ossos ainda sustentam
a vida que maltratamos...


Ó Marte, planeta distante,
tens a chance de não carregar
a maldição de nossa história....


Mas o homem é o mesmo,
onde põe os pés, deixa cicatrizes...


Se não aprender a cultivar a razão
com o coração,
nenhum planeta nos salvará...


Pois a verdadeira viagem
não é rumo ao espaço,
mas para dentro,
sem essa travessia,
nem Terra, nem Marte,
serão lar...
✍©️@MiriamDaCosta

Enquanto isso, aquilo
e mais alguma coisa...
atrás das telas e teclados
há muitos heróis
e benfeitores…
mas por dentro,
um mundo de criminosos
e monstros.


Enquanto isso, aquilo
e mais alguma coisa...
o espetáculo nebuloso segue,
atrás das telas e teclados
proliferam heróis de plástico,
benfeitores de vitrine
e justiceiros de Wi-Fi...
digitam virtudes
com dedos sujos de ego,
e dentro, no subterrâneo
que não posta selfies,
um mundo de criminosos,
monstros bem penteados
e consciências
que não suportam
o próprio reflexo...


✍©️@MiriamDaCosta

Enquanto uns
inventam cursos para homens
enfraquecidos e etc e tal...
e outros
se ocupam em apoiar
ou criticar tais invenções...


eu, no meu canto, permaneço,
observando e refletindo.


E, nesse silêncio que me acompanha,
recordo um episódio antigo,
daqueles que o tempo não apaga,
porque certas palavras não envelhecem…
elas permanecem.


Em um grupo de escritores, poetas
e pensadores,
alguém, certo de sua própria lucidez,
aconselhou-me a fazer um curso
para aprender a escrever poesia.


Lembro-me com nitidez.
Há frases que não passam,
ecoam.
Minha resposta foi simples, direta,
como sempre procurei ser:


A poesia, desde sempre,
brota do meu âmago.
Não a busco, ela me atravessa.
Poesia se sente.
Poeta se nasce.
Pode-se estudar técnica, forma, estrutura,
pode-se aprender a organizar palavras,
a dominar ritmos e estilos…
mas há algo, esse algo essencial,
que não se ensina.


É o que separa
o ser
do aparentar ser.


E assim também é o humano,
um homem de princípios,
uma mulher de valores,
não se constroem em cursos rápidos,
nem em fórmulas prontas.


Nascem, sim,
mas sobretudo se desenvolvem
no seio das relações,
no convívio, no exemplo,
no tecido invisível da educação cotidiana.


O que realmente falta,
e disso pouco se fala,
não são métodos para "corrigir"
ou "melhorar" identidades,
mas sim, educação humana.


Educação para o respeito.
Para a escuta.
Para a diferença.
O resto…
é puro ruído tentando se vender
como solução.


Uma confusão de ideias
que confundem ainda mais
o que anda confuso.


✍@MiriamDaCosta

Enquanto uns assistem
ao jogo de futebol
e soltam fogos estrondosos...


Eu, da minha varanda,
entre a renda portuguesa
e a escuridão da noite,


assisto ao jogo
da grande bola no céu,
em disputa silenciosa
com as nuvens,


e solto faíscas
de versos silentes...
✍ @MiriamDaCosta

Ando cansada de todos os absurdos
que, de forma quase banal,
se apresentam como pontuais
enquanto se espalham
feito praga silenciosa
pelos dias do Brasil
e do mundo.


Cansada dessa coreografia grotesca
onde o incoerente se veste de lógica
e o injusto se disfarça de ordem.


Cansada de ver o espanto morrer
aos poucos, porque tudo já parece
esperado demais.


E o mais exaustivo não é o absurdo em si,
mas a naturalidade com que ele se instala,
se acomoda e passa a ser considerado normal.
✍@MiriamDaCosta

Meu coração viaja com as nuvens enquanto meu pés ainda estão presos no chão.
Infeliz seria meu destino caso não tivesse aprendido, desde cedo, que o Amor liberta da limitação que realidade me impõe!

Estude,enquanto eles dormem...
Trabalhe, enquanto eles dormem...
Depois durma, a falta de sono afeta a saúde física e mental.
Gisele Fernandes Vieira Fidelis

Enquanto o desespero consumia tua alma
e a morte já estendia o véu sobre teu caminho,
tu tremias diante da escuridão.


Eu, porém, dancei com ela.


Fitei seus olhos sem desviar o meu,
atravessei seu silêncio
e a distraí o bastante para arrancar-te de seus braços.


Hoje, proclamas tuas vitórias
como se jamais tivesses caído.
Mas nunca venceste a morte;
apenas sobreviveste porque alguém
teve a coragem de bailar com ela
enquanto tu te desesperavas.

A Conta é do Povo


Enquanto o povo trabalha para pagar imposto,
os poderosos trabalham para justificar o imposto.
A conta cresce, o salário encolhe,
e ainda dizem que é preciso ter paciência.


Curioso: quando falta dinheiro ao povo,
chamam de crise.
Quando sobra privilégio aos de cima,
chamam de direito.


Cobram sacrifício de quem já vive no limite,
mas protegem o conforto de quem nunca conheceu esse limite.
Prometem cortar gastos,
mas raramente cortam os próprios privilégios.


E depois perguntam por que o povo está cansado.


Não somos apenas números em uma planilha.
Somos quem paga, trabalha e sustenta essa máquina.


O poder muda de mãos.
Os discursos mudam de nome.
Mas a conta continua chegando.


E talvez o maior medo dos poderosos
não seja a revolta do povo —
seja o dia em que o povo finalmente
comece a perguntar, sem medo:


“Se o dinheiro é nosso,
por que a vida continua sendo tão cara para nós?”

O Vendedor de Sonhos


Há sonhos que se perdem no calor da madrugada,
Enquanto a sociedade corre sem olhar para trás;
Surge um homem, de alma cansada,
Vendendo esperança onde ninguém encontra paz,
E lembrando aos esquecidos que sonhar ainda é capaz.


Ele não vende ouro, riqueza ou poder,
Vende coragem para quem deseja recomeçar;
Cobra com juros de quem quer aprender
Que até uma lágrima pode ensinar
E que nunca é tarde demais para tentar.


Caminha entre fantasmas, perdidos e esquecidos,
Recolhendo histórias marcadas pela dor;
Costura sonhos em corações feridos,
Com palavras que devolvem ao silêncio o seu valor,
E despertam, em cada alma, a coragem de sentir amor.


O Vendedor de Sonhos não promete ilusão,
Oferece perguntas para a mente despertar;
Mostra que a liberdade nasce no coração,
Quando o medo deixa de nos dominar
E escolhemos, mesmo feridos, continuar.


Assim, cada sonho encontra uma nova estrada,
E o fracasso deixa de ser uma sentença;
A vida, antes vazia, torna-se renovada,
Pois quem aprende a sonhar encontra esperança,
E descobre que viver também exige confiança.


Mas não se esqueça:
Quando a noite parecer não ter fim,
É a esperança que acende a luz dentro de nós.
Porque sonhos não morrem quando caímos —
Morrem quando desistimos de levantá-los.




Autor: James Richard Ferreira Pantoja
Pseudônimo: KANGAL


© 2026 James Richard Ferreira Pantoja (KANGAL) — Todos os direitos reservados.

“O Direito não descreve a sociedade, ele a corrige enquanto a observa.”

Quando a lei perde a humanidade, a legalidade pode sobreviver enquanto a justiça morre.

Uma sociedade pode enriquecer enquanto seus indivíduos empobrecem em tempo, confiança e sentido.

Sou abrigo de um amor que não mora em mim;
ele olha para outra, enquanto eu olho para ele.
Somos desencontros caminhando juntos:
eu, querendo ser escolhida;
ele, querendo esquecer quem não o quis

Solilóquio de Guerra

Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.

- Ramile Godon

Enquanto o resultado não chega, a mente cria cenários.
"E se for alguma coisa?"
"E se der errado?"
"E se eu não conseguir?"
A mente odeia espaços vazios. Quando não possui informação, muitas vezes tenta preenchê-los com possibilidades.

⁠Enquanto a vida se limita a uma sobrevivência constante perante o vazio existencial, escrevo poemas de salvação, meros aperitivos para o vazio que me cerca profundamente enquanto luto para marcar a minha existência sábia e inocente diante das possibilidades que apenas me enlouquecem, assim escrevo poemas, de salvação.

⁠Atualmente a minha existência se define perante os seus olhos sonolentos enquanto mergulho profundamente no vazio existencial da realidade tão cheia de vida, e assim se define os meus olhos despertos e atentos, focados em chegar do outro lado da porta, após esse infinito mergulho no vazio enquanto seus olhos dormem, dormem para não me ver mergulhar, no vazio, atrás da porta, do meu quarto quadrado, mais quadrado do que os teus pensamentos.

⁠enquanto procuras palavras,
respondo com meu silêncio
e meu abraço.

⁠enquanto insisto,
desejo pensar que,
nada mais é que um desejo.
Insisto, persisto !
. . então percebo que meu sentimento,
é a saudade de um instante
que nada mais é, que a vontade inexplicável de estar.
Não diria, é verdade !
nem mesmo assim sei que sou seu destino em um instante de felicidade.
mas sei que esse instante me completa.