Enquanto
Eu sinto tanta vontade de escrever
E enquanto eu não morrer
Eu vou desenhar com linhas um sonho, de um mundo onde
As palavras não sejam mentiras
E falem sobre amor, dores e verdades.
Ele nunca teve uma árvore para chamar de sua.
Enquanto as outras crianças aprendiam a subir nos galhos, ele aprendia a amarrar cordas. Enquanto aprendiam a cair e serem apanhadas, ele aprendia a cair e se levantar sozinho.
Não havia braços esperando por ele no fim da queda.
Então ele fez das mãos a sua casa.
Ele descobriu cedo que o amor não é uma palavra que se diz. É um nó que se faz. E ele se tornou um artista dos nós — dos nós que seguram, dos nós que protegem, dos nós que salvam.
Mas há um nó que ele nunca aprendeu a dar: o nó que prende uma pessoa à outra sem corda.
Ele olha para Ela e vê uma mulher que ele ama com a força de quem nunca teve certeza de que o amor fica. Cada vez que Ela se aproxima, Ele sente o cheiro do que poderia perder. E ele aperta os punhos, como quem segura uma corda que pode se romper.
Ele cresceu aprendendo que o mundo é um lugar onde as pessoas somem. Não por maldade — por gravidade. Elas se vão como a neblina que ele vê das montanhas: estão ali, e de repente não estão mais.
Então ele segura.
Segura o trabalho, segura os projetos, segura o corpo dela na cama, segura a mão dela na rua. Segura como quem segura a própria existência.
Mas ele não segura as palavras.
As palavras, para ele, são como pássaros que ele não aprendeu a domesticar. Elas voam para longe antes que ele possa nomear o que sente. Porque nomear o que sente, para ele, é abrir a porta do quarto onde a vida já morreu. É lembrar que o colo que teve foi tirado dele.
Ele não fala sobre a ausência que o formou.
Não fala sobre a infância sem porta, sem quintal, sem o som de uma voz chamando pelo seu nome à noite. Não fala sobre o instante em que descobriu que o mundo não tem dívida com ninguém — que o amor não é um direito, é uma aposta.
Talvez Ele aposta n'Ela. Mas aposta com o medo de quem já perdeu a aposta mais importante da vida.
Ele não sabe que o amor não é uma corda. Que não precisa ser segurado com tanta força. Que o amor é como o vento: a gente não segura, a gente sente. E, sentindo, a gente não precisa ter medo de que ele vá embora — porque, mesmo quando vai, ele deixou marcas.
Ele tem marcas.
Cada gesto de cuidado que ele tem por Ela é uma marca da vida que ele perdeu. Cada vez que ele estende a mão para ajudar alguém, ele está repetindo o gesto que a vida não repetiu por ele.
Ele é um homem que aprendeu a ser pai e mãe de si mesmo.
E isso, meu amigo, isso é a coisa mais solitária que um ser humano pode ser.
Então ele não sabe como responder a perguntas. Quando Ela pergunta o que aconteceu, ele responde com o que acontece. Não com o que se sente.
Ela quer o sentimento. Ele oferece o fato.
Ela quer a presença. Ele oferece o corpo.
Ela quer a alma. Ele oferece o que tem: a corda, a proteção, o café quente, a carona, o abraço firme.
Mas não é suficiente. E ele sabe que não é suficiente. E isso, isso o faz sentir-se como um menino novamente: pequeno, incapaz, com as mãos vazias diante de uma mulher que merece mais do que ele sabe dar.
O que ele não entende é que ela não quer mais. Ela quer diferente.
Ela quer que ele se sente no chão com ela. Que ele não tente consertar. Que ele apenas fique. Que ele confie que ficar é suficiente.
Ele nunca aprendeu que ficar é suficiente.
Porque, na vida dele, ficar sempre foi o prelúdio da partida.
Mas agora, com Ela, ele pode aprender. Se ele tiver coragem de desaprender o que a sobrevivência ensinou. Se ele conseguir soltar a corda por um instante e sentir que o vazio não vai engoli-lo. Se ele conseguir acreditar que o amor não é uma coisa que se constrói para não cair — mas uma coisa em que se cai, e se é apanhado.
Ele já foi apanhado por Ela.
Agora, ele precisa aprender a se deixar cair.
... coisa sobre Ele
Me fechei, me guardei,
me tornei abrigo de dores caladas,
enquanto o mundo seguia alto
e eu… cada vez mais apagada.
Helaine Machado
Viver no Brasil, às vezes,
é sorrir por fora
enquanto algo grita por dentro.
É um país hospedeiro,
bonito na vitrine,
mas desigual nos bastidores.
De um lado,
os que limpam o chão,
que acordam cedo,
que carregam o peso do dia nas costas.
Do outro,
os que decidem,
que discursam,
que pouco sentem o peso da própria decisão.
A diferença não é só de dinheiro —
é de tratamento,
de respeito,
de humanidade.
Quando a lei alcança uns,
vem pesada, fria, sem escolha.
Quando toca outros,
vem leve, quase gentil.
E assim,
entre celas lotadas e salas refrigeradas,
o povo aprende a sobreviver —
não a viver.
Mas ainda assim,
no meio dessa revolta toda,
existe algo que não conseguem tirar:
a voz.
E é ela que, um dia,
pode mudar tudo.
Helaine Machado
Rap Brasília
Enquanto o senado vota pra ferrar o cidadão,
tem engravatado rindo dentro da mansão,
promessa em campanha, mentira no telão,
e o pobre carregando o peso da inflação.
Deputado viajando, luxo internacional,
enquanto o povo sofre num sufoco nacional,
banco vira ponte pra esquema ilegal,
quem devia proteger participa do mensal.
Uma teia escondida, corrupção descarada,
roubaram aposentados na maior cara lavada,
idoso que trabalhou a vida inteira cansada,
agora conta moeda pra comprar a marmitada.
Enquanto isso o presidente faz viagem pelo mundo,
discursa bonito mas o bolso tá no fundo,
“Mercy beaucoup”, sorriso de vagabundo,
e o povo procurando carne no mercado imundo.
Nem ovo dá pra sonhar,
na mesa falta até o pão,
quem rouba janta caviar,
quem é honesto vive humilhação.
Helaine machado
Enquanto o luxo dorme em lençol importado,
o povo acorda cedo já sendo cobrado,
e mesmo carregando o país nas costas cansado,
continua invisível, esquecido e explorado.
Helaine machado
Messi dando show, mostrando seu valor, enquanto Neymar luta pra voltar com seu vigor. No futebol não basta só talento e inspiração, é preciso estar em campo ajudando a seleção.
A torcida compara, essa é a realidade, mas cada jogador tem sua própria caminhada e idade. Quem decide uma partida é o esforço e a dedicação, porque o brilho da carreira nasce dentro da competição.
Verso 2
Messi escreveu sua história com trabalho e persistência, transformando cada desafio em experiência. Já Neymar ainda busca seu momento de voltar, porque o futebol é dinâmico e nunca para de mudar.
Helaine Machado
Viva intensamente, ame sem medida,
faça da esperança a luz da sua vida.
Enquanto houver um novo amanhecer,
sempre haverá um motivo para viver.
Helaine machado
Eu esperei
Sempre esperei
E sempre esperaria.
Enquanto viver
Inevitavelmente vou esperar.
Só que não posso mais.
Não vou mais tentar
Nem lutar.
Não é que eu não queira
Eu sempre vou querer
Mas não posso mais ficar
Nas grades dessa prisão
E não posso mais fingir
Que tudo será melhor depois.
Eu desisti do mundo.
Eu desisti dos planos.
Eu desisti.
- Marcela Lobato
Por que eu me esforço em me destruir
Perseguindo a escuridão enquanto o sol usa uma coroa
Deixo minha saúde escapar
Deixo ela se deteriorar
Acho que sou minha própria tempestade que me leva embora
Olhos abertos à meia-noite
O relógio é meu ladrão
Contando as horas como folhas caídas
Por que eu me esforço
Por que eu não luto
Trocando meus sonhos por uma noite sem dormir
Acordando cansado
Uma sombra de mim
Por que eu me esforço
Por que não consigo ver
Este corpo é um templo
Mas eu o trato como sujeira
Correndo com o mínimo até começar a doer
Eu construo minha própria gaiola
Tranco a porta
Jogo a chave fora
E depois imploro por mais
Algumas horas
Apenas algumas
Sinto elas escapando
Como areia nas minhas mãos
Como fumaça no ar
Estou aqui, mas mal presente
Por que eu me esforço
Por que eu não luto
Trocando meus sonhos por uma noite sem dormir
Acordando cansado
Uma sombra de mim
Por que eu me esforço
Por que não consigo ver
A mídia é uma grande ilusionista que ilude o povo enquanto ele é roubado dos seus direitos, das suas condições, da sua vida.
A sociedade em que você vive só vai mudar quando você mudar, pois enquanto você não muda, nada muda. Sua mudança será uma referência para a mudança ao seu redor, e, através dela, você servirá como incentivo inconsciente para a mudança dos outros. A mudança dos outros, por sua vez, será referência para mais pessoas, e assim por diante.
Enquanto houver disputas, apegos, conflitos de gêneros, ideologias, dogmas, crenças, ideias, bolhas sociais, nunca iremos nos unir como família humana.
Enquanto houver vida no planeta, solidão é uma ilusão criada pela própria mente.
O que faz sentir-se só é só o próprio abandono de si mesmo.
Os bancos controlam o poder, substituindo as antigas monarquias. Enquanto mantiverem esse domínio, a miséria não terá fim. Os banqueiros e grandes empresários preferem a desigualdade, pois ela garante sua riqueza e o sustento de uma classe trabalhadora submissa. Eles manipulam os políticos para servir aos seus próprios interesses, enquanto a política se transforma em um jogo de aparências. A verdadeira solução para a pobreza não virá enquanto os bancos continuarem controlando o sistema econômico e as decisões políticas.
Pessoas com interesses egoístas só se importam com você enquanto você satisfaz suas necessidades ou desejos. Elas podem querer que você alimente seu ego, busque sua aprovação, ou esteja sempre disponível para elas. Quando você não consegue mais atender a essas demandas, o interesse delas por você desaparece, pois o vínculo delas é baseado no que você pode fazer por elas.
Já as pessoas que têm um vínculo emocional verdadeiro não esperam nada em troca. Elas se conectam de forma verdadeira, sem interesse próprio, e o amor e o respeito entre elas são recíprocos. A conexão que elas criam é duradoura e verdadeira, porque não depende de ações ou favores, mas do carinho e da confiança que se constroem naturalmente.
Não existe liberdade enquanto o ser humano precisar de necessidades básicas para viver.
Pode até se sentir livre, mas não será livre de fato.
Liberdade é existir sem precisar de nada. Ninguém é livre.
