Encontro entre Amigos
O teu coração estranha-me,
mas a tua pele quer conhecer-me.
Entre o teu coração
que me estranha
e a tua pele que me chama,
eu existo suspenso.
Há um impacto poético que
acontece entre o mar e a falésia,
não como violência,
mas como reencontro de velhos cúmplices.O mar desfaz-se em espuma, a falésia em ecos.
No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.
A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.
Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.
E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.
Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.
Mar
horizonte reduzido
à pergunta que não se diz
entre ambos,
o suspiro.
O mar não fala:
escreve-me por dentro.
Entre o que foi e o que é
Eu tô com alguém bom, alguém que me faz bem.
Mas ainda carrego ecos de quem me feriu.
Não porque eu queira voltar,
mas porque certas lembranças não sabem ir embora.
Meu corpo já entende o novo toque,
mas minha alma, às vezes, ainda procura o antigo.
E isso me confunde — me parte.
Ele me fez mal, eu sei.
Mas há pedaços de mim presos nas memórias que ele deixou.
E o amor, mesmo quando dói,
tem um jeito cruel de se fazer presente.
Talvez um dia eu acorde e o passado não pese mais.
Talvez um dia o novo amor ocupe todo o espaço.
Mas, por enquanto,
vivo nesse meio-termo —
entre o que me destruiu
e o que tenta me reconstruir.
---
Entre o que tenho e o que me falta
Tenho um amor que me acolhe,
amizades que me sustentam,
caminhos que me fazem crescer…
E mesmo assim, sinto um vazio.
Não de coisas, mas de momentos,
de sensações que ainda não vivi,
de um brilho que não se compra.
A vida é essa dança silenciosa:
entre a gratidão pelo que construí
e a curiosidade pelo que ainda me chama.
“O homem não é livre porque pode escolher entre as opções oferecidas pelo poder; é livre quando pode também recusar as opções.”
Que os ventos soprem a nosso favor
Que a vida seja vivida com positividade
Que reine entre nós otimismo e boa vontade
As coisas boas da vida não se afastem de nós
Que possamos encontrar a paz tão esperada
Entre achados e retalhos
Nada saiu como planejado.
O roteiro rasgou, a agenda mudou
e cá estou eu, vivendo no automático.
Apenas continuo respirando,
sem ter noção onde meus pés estão pisando.
O processo é local de aprendizado.
É bem dito por todos e bastante mencionado,
mas também é doloroso e nos torna mais cansados.
Por que o desespero corre mais rápido que a promessa?
Tudo corre rápido demais, o tempo me atropela,
me cobra uma inspiração que simplesmente não tenho mais.
Eu sobrevivi ao inverno passado,
mesmo que minha alma queira esquecer por onde trilhei.
Eu me lembro das tuas palavras
em todos os lugares que já caminhei.
Vou costurando a minha história,
entre achados e retalhos de quem sou.
Sem rimas prontas, no meu próprio tempo,
juntando os pedaços que o vento não levou.
O automático não vai me parar,
fecho os olhos e volto a crer:
estou pronta para recomeçar,
eu sou sonhadora e vou vencer.
Entre os peixes coloridos
e os corais acroporas
coloquei a prece, o enigma,
a rota e a amorosa
poesia para que a minha
mão alcance a sua
e tudo o quê o amor nos destina.
Tortéi
Quando o amor
entre nós se tornar
a mais alta grei,
Nunca mais haverá
de faltar um Tortéi
recheado com Abóbora,
Porque eu tenho
certeza que você adora.
Borboleta Fantasma Azul
que pode ser encontrada
entre a Mata Atlântica
e a Amazônia profunda
desta Pátria romântica.
Absoluta em ti e oceânica
é esta poesia que captura
total o teu peito a distância
trazendo a sutil fragrância.
Devoção, entrega e pendor
em íntima congregação,
querência e plena sedução.
Com desejo e imaginação
sem pausa e com evolução.
A volúpia muito mais
do que ardente entre
nós revela e acende
as chamas obscenas
do desejo que iluminam
os olhos e os corpos,
Sem dizer uma palavra
te escolhi como o ilustre
morador dos meus sonhos.
O mais vadio nos destina
na Rota da Seda que
em ti nasceu escorregadia,
e serve esse teu doce
veneno que destila e vicia.
Sob a sombra do Ingá,
eufórico diante minhas
Uvas maduras os teus
lábios namoradores foram
feitos para entusiasmar,
e carinhosamente afoito
adentrar neste piquenique.
Para no nosso paraíso
sem nenhum pejo,
O desejo ser o fogo eterno
e senha intransferível
para qualquer um que atreva
ir pelas curvas mais hipnóticas
das nossas paixões eróticas.
A senha serpenteando faz arrepio
entre os meus montes ao alcance
das afáveis mãos e do altíssimo
lance e da tua intrépida escalada,
Para que no espaço de um assobio
venha com os apelos sedentos,
rumo para desinibir os trejeitos
por intenção desavergonhada.
O prazer é comando compartilhado
entrego-te o cetro, o corpo e o poder,
Sou tu'alma nenhum pouco recatada,
terra ocupada e paraíso consagrado;
o encaixe eleito feito para o amado.
Onde a liberdade é a régua por regra,
em tempo de colheita de umbus,
com a maior consagração e entrega:
o amor em nós sempre se celebra.
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