Encontro entre Amigos

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AUTOANAMNESE


Entre a memória e o que ainda podemos ser


Existe uma história dentro de cada pessoa.


Uma história que não está escrita apenas em fotografias, documentos ou lembranças. Ela também vive nos gestos, nas escolhas, nos medos, nos sonhos, nas palavras que ficaram e, principalmente, naquilo que fazemos sem perceber.


Somos feitos de encontros, despedidas, descobertas, perdas, conquistas, erros e recomeços. Somos também feitos de perguntas que nunca encontraram respostas e de respostas que o tempo modificou.


Talvez por isso a autoanamnese seja tão importante: porque, antes de compreender o mundo, precisamos aprender a observar aquele que o contempla.


Volto os olhos para trás,
não para morar no passado,
mas para compreender
as pegadas que deixei.


Há caminhos que escolhi conscientemente. Outros surgiram diante de mim quando eu sequer sabia para onde estava indo. Alguns abandonei. Outros me abandonaram. E existem aqueles que ainda percorro, tentando compreender por que os escolhi.


Fazer uma autoanamnese é estabelecer um diálogo sincero com a própria história.


É perguntar:


Quem fui?
Quem sou?
O que me trouxe até aqui?
O que ainda carrego?
E o que já posso deixar partir?


Não se trata de procurar culpados, nem de transformar o passado em sentença. Trata-se de compreender.


Porque aquilo que não compreendemos muitas vezes se repete.


Repetimos comportamentos, escolhas, relações e pensamentos sem perceber que estamos seguindo antigos caminhos.


Por isso, olhar para dentro pode ser um ato de liberdade.


Há hábitos que herdei,
há pensamentos que aprendi,
há caminhos que percorri
sem jamais perguntar
se realmente eram meus.


A autoanamnese nos permite separar aquilo que somos daquilo que simplesmente aprendemos a ser.


Na vida pessoal, ela nos ajuda a reconhecer nossos valores, limites, desejos e contradições.


Nas relações, revela como amamos, confiamos, ouvimos, perdoamos, reagimos e estabelecemos limites.


Na família, permite compreender as histórias que recebemos e decidir conscientemente quais heranças queremos preservar e quais precisam ser transformadas.


Na vida acadêmica e profissional, ajuda a perceber talentos, interesses, escolhas e caminhos que talvez tenham sido construídos mais pelas expectativas externas do que pelos nossos próprios propósitos.


Nas decisões, cria um espaço entre o impulso e a escolha.


E, nesse pequeno espaço, pode nascer a consciência.


Antes de responder,
eu observo.
Antes de escolher,
eu compreendo.
Antes de seguir,
eu pergunto
para onde estou indo.


Também precisamos fazer uma autoanamnese dos nossos erros.


Não para viver em culpa, mas para transformar experiência em aprendizado.


O erro pertence à nossa história, mas não precisa determinar nosso destino.


A pessoa que fomos tomou decisões com os conhecimentos, sentimentos e circunstâncias que possuía naquele momento. Hoje podemos saber mais. Podemos enxergar diferente. Podemos escolher diferente.


Ontem eu não sabia.
Hoje compreendo.
Amanhã talvez transforme
aquilo que hoje ainda estou aprendendo.


Isso também é amadurecer.


Olhar para quem fomos sem desprezo, olhar para quem somos sem arrogância e olhar para quem podemos ser sem medo.


A autoanamnese também alcança nossos sonhos.


Quantos desejos são verdadeiramente nossos?


Quantos nasceram das expectativas de outras pessoas?


Quantas vezes confundimos sucesso com aprovação?


Quantas vezes seguimos uma estrada porque todos diziam que era o caminho certo?


Há sonhos que permanecem,
sonhos que se transformam
e sonhos que descobrimos
que nunca foram nossos.


Conhecer a própria história é também descobrir quais sonhos ainda fazem sentido.


E talvez esse seja um dos maiores poderes da reflexão: perceber que o passado explica muito, mas não determina tudo.


Somos memória, mas também possibilidade.


Somos consequência, mas também escolha.


Somos continuidade, mas também transformação.


O passado pode explicar nossas cicatrizes, mas não precisa escrever sozinho os próximos capítulos.


Carrego o que vivi,
mas não sou apenas o que vivi.
Carrego minhas marcas,
mas elas não são meu nome.
Carrego meus erros,
mas eles não são meu destino.


A vida inteira pode ser compreendida como uma grande conversa entre aquilo que fomos e aquilo que estamos nos tornando.


E talvez seja justamente por isso que precisamos, de tempos em tempos, silenciar o mundo.


Desligar o ruído.


Parar.


Respirar.


E perguntar:


O que está acontecendo dentro de mim?


Nem toda resposta surgirá imediatamente.


Algumas perguntas precisam permanecer conosco durante algum tempo. Algumas respostas chegam lentamente, através da experiência, da reflexão e das mudanças que fazemos no cotidiano.


A autoanamnese não é uma fotografia de quem somos.


É um espelho em movimento.


Hoje enxergamos uma parte.


Amanhã compreenderemos outra.


E, enquanto vivemos, aprendemos que conhecer a si mesmo não é encontrar uma definição definitiva, mas permanecer disposto a se conhecer novamente.


Sou memória
e sou possibilidade.
Sou passado
e sou caminho.
Sou aquilo que aprendi
e aquilo que ainda posso aprender.


Por isso, fazer uma autoanamnese não é voltar para trás.


É voltar para dentro.


É revisitar a própria história com honestidade, reconhecer o que nos construiu, compreender o que nos limita, valorizar o que nos fortalece e escolher, com maior consciência, aquilo que desejamos levar adiante.


Porque a vida não é somente aquilo que nos acontece.


É também aquilo que fazemos com o que nos acontece.


E enquanto houver consciência, haverá aprendizado.


Enquanto houver aprendizado, haverá transformação.


Enquanto houver escolha, haverá possibilidade.


E enquanto houver vida,


a história ainda estará sendo escrita.

“Entre a certeza de Deus e a dúvida dos homens, o Estado deve escolher a liberdade.”

Quiçá cá entre nós, nas ondas vocais,
No ritmo cardio
Ouvir sua doce vós, é tudo o que quero mais.

Na dúvida entre o certo e o errado, escolha o lado certo. Aja com ética, porque é nela que a verdade encontra seu caminho.

Deus, conceda-me o Dom do Discernimento para que eu possa distinguir entre o certo e o errado e fazer escolhas sábias em minha vida. Amém.
Bom dia!

Jesus Veio Trazer Divisão Entre o Certo e o Errado.

“Liberdade não é ausência de limites; é consciência da margem que ainda existe entre o limite e a resposta.”

A consciência de não viver por acaso

Existe uma diferença entre estar vivo e tomar consciência da própria existência.

Nascer nos coloca no mundo. Crescer nos apresenta ao mundo. Mas somente o desenvolvimento da consciência pode nos apresentar verdadeiramente a nós mesmos.

Talvez grande parte da humanidade viva respondendo perguntas que nunca fez, perseguindo objetivos que nunca escolheu e defendendo convicções que nunca examinou.

Somos educados para aprender muitas coisas, mas raramente somos ensinados a investigar quem está aprendendo.

Aprendemos matemática, história, geografia, profissões, regras e comportamentos. Aprendemos como devemos falar, produzir, competir e pertencer.

Mas quem nos ensina a perceber como estamos construindo aquilo que chamamos de nós mesmos?

Esse talvez seja um dos grandes desafios da educação humana.

Não basta ensinar alguém a conhecer o mundo.

É preciso ajudá-lo a desenvolver consciência suficiente para não desaparecer dentro dele.

Porque existe um momento em que aprender deixa de significar apenas acrescentar.

Algumas vezes, aprender significa retirar.

Retirar preconceitos.

Retirar condicionamentos.

Retirar certezas herdadas.

Retirar personagens construídos para receber aprovação.

Desaprender também é uma forma de aprender.

E talvez seja uma das mais difíceis.

Acrescentar conhecimento ao que já acreditamos exige memória. Permitir que o conhecimento transforme aquilo em que acreditamos exige consciência.

É nesse ponto que surge o discernimento.

Discernimento não é possuir todas as respostas. É desenvolver critérios para não aceitar qualquer resposta — inclusive aquelas produzidas por nós mesmos.

É conseguir observar uma ideia antes de transformá-la em convicção.

Questionar uma emoção antes de transformá-la em decisão.

Examinar uma crença antes de transformá-la em verdade.

Somos influenciados pelo passado, pela família, pela cultura, pela educação, pelas experiências e pelas circunstâncias.

Mas ser influenciado pela própria história não significa estar condenado a repeti-la.

Entre aquilo que aconteceu e aquilo que ainda acontecerá existe um espaço.

Nesse espaço estão nossas escolhas.

E escolhas constroem autoria.

Autoria não significa controlar a vida. Significa participar conscientemente da construção da resposta que damos a ela.

Talvez seja essa a essência do protagonismo.

Ser protagonista não é acreditar que o mundo gira ao nosso redor. É compreender que não podemos continuar girando ao redor de tudo aquilo que nos impede de sermos quem podemos ser.

Responsabilidade, portanto, não é culpa.

Culpa olha para trás procurando condenação.

Responsabilidade olha para frente procurando possibilidade.

Não podemos alterar todas as causas que nos trouxeram até aqui, mas podemos interferir nas consequências que levaremos daqui para frente.

Essa é uma das fronteiras entre existência e consciência.

Quem apenas existe pergunta:

“O que a vida fará comigo?”

Quem começa a assumir autoria também pergunta:

“O que farei com a vida que tenho?”

Talvez desenvolvimento humano seja exatamente esse movimento: sair gradativamente do automatismo para a consciência; da consciência para o discernimento; do discernimento para a escolha; da escolha para a ação; e da ação para a transformação.

Não para nos tornarmos perfeitos.

Mas para nos tornarmos cada vez mais conscientes da imperfeição de estarmos permanentemente em construção.

Somos obras que também participam da própria autoria.

Por isso, conhecer a si mesmo não deveria significar encontrar uma definição definitiva de quem somos.

Talvez seja exatamente o contrário.

Quando transformamos nossa identidade em uma definição, corremos o risco de transformar quem fomos em limite para quem ainda podemos ser.

A vida não exige uma versão final.

Enquanto houver consciência, haverá revisão.

Enquanto houver dúvida, haverá possibilidade.

Enquanto houver escolha, haverá autoria.

E enquanto houver vida, haverá algo em nós que ainda poderá ser reconstruído.

Talvez o verdadeiro desenvolvimento humano não esteja em chegar ao ponto de poder dizer:

“Finalmente sei quem sou.”

Mas em alcançar consciência suficiente para perguntar:

“Quem estou me tornando a partir daquilo que escolho ser todos os dias?”

Porque viver não deveria ser apenas consequência daquilo que aconteceu conosco.

Viver conscientemente é participar da construção daquilo que acontecerá a partir de nós.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

A fronteira entre o impossível e o não tentado

Nem tudo é possível.

Talvez amadurecer também seja reconhecer isso.

Existem limites físicos, circunstanciais, temporais e humanos que nenhuma frase motivacional conseguirá eliminar.

Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer um limite e construir uma limitação.

O limite pertence à realidade. A limitação pode pertencer à interpretação que fazemos dela.

E talvez passemos boa parte da vida confundindo os dois.

Dizemos “não consigo” quando, algumas vezes, o que realmente queremos dizer é:

não sei como.

Nunca tentei.

Tentei uma vez.

Tenho medo.

Não quero fracassar novamente.

Não acredito que conseguirei.

Ou simplesmente:

ninguém ao meu redor conseguiu.

Transformamos experiências em previsões e previsões em certezas.

Depois chamamos essas certezas de realidade.

Mas uma conclusão sobre o futuro não se torna fato apenas porque acreditamos profundamente nela.

Convicção não transforma possibilidade em certeza nem medo em profecia.

Talvez muitas impossibilidades humanas tenham uma história curiosa:

antes de serem consideradas possíveis, foram consideradas absurdas.

Não porque tudo possa ser realizado.

Mas porque aquilo que uma época chama de impossível pode ser apenas aquilo para o qual ainda não encontrou caminho.

Existe, portanto, uma pergunta que deveríamos fazer diante de algumas impossibilidades:

“Isso não pode ser feito ou ainda não descobrimos como fazer?”

Uma única palavra modifica toda a perspectiva:

ainda.

Não consigo — ainda.

Não compreendo — ainda.

Não encontrei — ainda.

Não aprendi — ainda.

O “ainda” não promete que conseguiremos.

Ele apenas impede que o presente tenha autoridade para decretar definitivamente o futuro.

O “ainda” é a humildade de reconhecer que aquilo que hoje não sabemos não representa necessariamente o limite daquilo que amanhã poderemos descobrir.

Talvez desenvolvimento seja também aprender a não transformar o estágio atual em sentença final.

Somos frequentemente avaliados por fotografias.

Uma nota.

Um erro.

Uma derrota.

Uma dificuldade.

Um resultado.

Mas seres humanos não são fotografias.

Somos processos.

Avaliar alguém apenas pelo que ele é hoje pode significar ignorar tudo aquilo que ainda está aprendendo a ser.

O mesmo vale para nós.

Existe uma violência silenciosa quando utilizamos nossas limitações atuais como definição permanente de identidade.

“Eu não sou inteligente.”

“Eu não tenho capacidade.”

“Eu não sei falar.”

“Eu nunca consigo.”

“Eu sou assim.”

Talvez algumas dessas frases não descrevam uma pessoa.

Descrevam apenas uma fase que recebeu indevidamente o nome de identidade.

Quando transformamos dificuldade em identidade, deixamos de enfrentar um problema e começamos a defender uma limitação.

Isso acontece porque aquilo que repetimos sobre nós começa a organizar nossas escolhas.

Se acredito que não consigo, talvez não tente.

Se não tento, não desenvolvo.

Se não desenvolvo, continuo não conseguindo.

E então utilizo o resultado para provar a crença que ajudou a produzi-lo.

É um círculo aparentemente lógico construído sobre uma premissa nunca examinada.

Talvez algumas certezas sejam apenas profecias que trabalhamos inconscientemente para confirmar.

É por isso que o desenvolvimento exige discernimento.

Não para acreditar que podemos tudo.

Essa seria apenas outra forma de ilusão.

Mas para distinguir três coisas:

aquilo que realmente não podemos, aquilo que ainda não podemos e aquilo que acreditamos que não podemos.

Essas três realidades parecem semelhantes na linguagem.

Na vida, são profundamente diferentes.

Quem não reconhece limites pode destruir-se tentando ultrapassá-los.

Mas quem transforma todo obstáculo em limitação pode destruir possibilidades antes mesmo de conhecê-las.

Sabedoria talvez esteja exatamente nessa fronteira.

Nem desistir porque é difícil, nem insistir apenas porque desejamos. Discernir também é saber quando persistir, quando mudar e quando parar.

Persistência sem consciência pode se transformar em teimosia.

Flexibilidade sem direção pode se transformar em desistência.

Coragem sem discernimento pode se transformar em imprudência.

Por isso, não basta avançar.

É preciso compreender por que avançamos.

Há caminhos que precisam ser enfrentados.

Outros precisam ser abandonados.

E existem caminhos que sequer existiam até alguém decidir construí-los.

Talvez seja esse um dos movimentos mais extraordinários da criatividade humana:

quando não encontramos passagem, podemos começar a perguntar se estamos diante de uma parede ou diante de um lugar onde ninguém tentou construir uma porta.

Nem toda parede terá uma porta.

Mas nenhuma porta nova nasce de uma certeza absoluta de que paredes jamais poderão ser atravessadas.

Talvez inovar seja justamente recusar duas arrogâncias:

a arrogância de acreditar que tudo é possível e a arrogância de acreditar que aquilo que ainda não sabemos fazer seja impossível.

Entre ambas existe investigação.

Tentativa.

Erro.

Aprendizado.

Revisão.

Descoberta.

O erro não prova necessariamente incapacidade. Algumas vezes, prova apenas que encontramos uma maneira que não funcionou.

O problema começa quando um resultado temporário recebe uma interpretação definitiva.

Fracassei.

Logo, sou fracassado.

Não consegui.

Logo, sou incapaz.

Fui rejeitado.

Logo, não tenho valor.

Perdi.

Logo, não posso vencer.

Perceba a violência da conclusão.

O acontecimento termina em um verbo e nós o transformamos em substantivo.

Uma coisa é fracassar. Outra é transformar o fracasso em identidade.

Talvez precisemos aprender uma nova relação com nossos próprios limites.

Reconhecê-los sem venerá-los.

Respeitá-los sem necessariamente eternizá-los.

Investigá-los antes de aceitá-los.

E ultrapassá-los quando puderem ser ultrapassados.

Porque alguns limites nos protegem.

Outros nos desafiam.

E algumas limitações talvez nunca tenham existido fora da interpretação que fizemos delas.

Por isso, diante de um “não consigo”, talvez valha acrescentar algumas perguntas:

Não consigo por quê?

Não consigo desde quando?

Quem determinou isso?

Já tentei de outra maneira?

Preciso insistir ou preciso aprender?

É um limite ou uma limitação?

É impossível…

ou apenas ainda não encontrei o possível dentro daquilo que hoje considero impossível?

Talvez crescer não seja descobrir que podemos tudo.

É algo muito mais consciente:

descobrir que não precisamos continuar sendo limitados por tudo aquilo que um dia acreditamos não poder.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

“Discernimento é a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.”

A distância entre pensar e acreditar

Discernimento é a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.

Porque pensar alguma coisa não significa que aquilo seja verdade.

Pensamentos surgem de experiências, medos, desejos, lembranças, crenças, condicionamentos e interpretações. Alguns nasceram em nós. Outros foram colocados em nós antes mesmo que tivéssemos consciência suficiente para questioná-los.

O problema começa quando transformamos todo pensamento em verdade simplesmente porque ele aconteceu dentro da nossa própria mente.

Pensamos e acreditamos.

Acreditamos e repetimos.

Repetimos e nos convencemos.

Depois de algum tempo, já não sabemos se aquela ideia é verdadeira ou se apenas se tornou familiar.

A repetição pode dar aparência de verdade até mesmo àquilo que nunca foi questionado.

É justamente nesse pequeno espaço entre pensar e acreditar que o discernimento precisa existir.

Discernir não significa impedir a mente de pensar.

Significa impedir que todo pensamento tenha autoridade para nos governar.

É conseguir olhar para aquilo que pensamos e perguntar:

Isso é um fato ou uma interpretação?

É uma convicção ou um condicionamento?

É prudência ou medo?

É aquilo que penso hoje ou apenas aquilo que aprendi a pensar ontem?

Talvez liberdade intelectual não seja poder pensar qualquer coisa.

Liberdade intelectual é poder questionar até aquilo que pensamos livremente.

Porque algumas das prisões mais difíceis de perceber não possuem grades. Possuem certezas.

E algumas das ideias que mais limitam nossa existência não foram impostas por alguém.

Foram repetidas tantas vezes dentro de nós que deixamos de perceber que poderiam ser revistas.

Por isso, desenvolver discernimento também significa desenvolver uma espécie de intervalo consciente.

Um espaço entre o pensamento e a crença.

Entre o impulso e a decisão.

Entre aquilo que aparece na consciência e aquilo que receberá nossa autorização para permanecer nela.

Talvez não possamos escolher todos os pensamentos que chegam.

Mas podemos aprender a escolher quais pensamentos continuarão encontrando morada em nós.

Pensar é um acontecimento da mente. Continuar pensando também pode ser uma decisão da consciência.

É nessa distância que começamos a deixar de ser apenas consequência daquilo que pensamos para nos tornarmos também autores daquilo que decidimos cultivar.

Porque amadurecer não é parar de mudar de pensamento.

É exatamente o contrário.

É adquirir consciência suficiente para perceber quando um pensamento já não merece continuar sendo nosso.

Discernimento é a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.

E talvez seja justamente nessa distância que comece uma das formas mais profundas de liberdade:

a liberdade de não precisar continuar acreditando em nós mesmos apenas porque fomos nós que pensamos.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

“Entre o pensamento que surge e o pensamento que assumo, existe o discernimento.”

Entre existir e viver

Há uma diferença imensa entre passar pela vida e permitir que a vida passe por nós.

Existir é inevitável. Viver é uma construção.

Talvez tenhamos aprendido cedo demais a procurar caminhos prontos, respostas certas e lugares seguros. Fomos ensinados a responder antes mesmo de aprender a perguntar. Decoramos conceitos, acumulamos informações e confundimos instrução com formação.

Mas a educação não tem segredo; o segredo está na educação.

Educar não deveria significar ensinar alguém a repetir aquilo que sabemos. Deveria significar ajudá-lo a descobrir aquilo que ainda não consegue enxergar.

O problema é que enxergar exige mais do que olhar.

O óbvio só é óbvio para quem não observa sem absorver.

Quem apenas olha reconhece a aparência. Quem observa questiona a essência.

E talvez seja exatamente por isso que algumas pessoas atravessam décadas repetindo os mesmos comportamentos, cometendo os mesmos erros e chamando o passar dos anos de experiência.

Idade não é sinônimo de maturidade.

Experiência não é aquilo que simplesmente aconteceu conosco, mas aquilo que conseguimos compreender a partir do que aconteceu.

Há quem envelheça sem amadurecer e há quem sofra sem aprender.

A dor, sozinha, não ensina.

É a consciência construída a partir dela que pode transformar sofrimento em aprendizado.

Talvez crescer seja abandonar gradativamente a necessidade de encontrar culpados e assumir a responsabilidade por aquilo que ainda podemos transformar.

Responsabilidade não significa assumir a culpa por tudo.

Significa compreender que, mesmo quando não escolhemos aquilo que nos aconteceu, continuamos responsáveis pelo que faremos com aquilo que aconteceu.

Esse é um dos lugares mais difíceis da existência: perceber que algumas respostas que esperamos do mundo precisarão nascer de nós.

E, enquanto resistimos a essa compreensão, permanecemos presos exatamente àquilo que desejamos superar.

Se penso, logo resisto.

Resistimos ao novo porque o conhecido, mesmo quando dói, oferece a falsa segurança da familiaridade.

Queremos transformação sem desconstrução. Mudança sem renúncia. Resultados diferentes preservando os mesmos comportamentos.

Mas não existe transformação verdadeira sem alguma despedida.

Para que uma nova versão de nós encontre espaço, alguma versão anterior precisará deixar de ocupar todo o lugar.

E talvez seja justamente aí que muitos parem.

Querem chegar inteiros permanecendo divididos.

De meio em meio termo, nunca seremos inteiros.

Inteireza exige posicionamento.

Exige compreender que autenticidade não é fazer tudo aquilo que queremos, mas deixar de viver exclusivamente aquilo que esperam de nós.

Não precisamos ser diferentes apenas para sermos diferentes.

Precisamos ter coragem para não sermos iguais apenas para sermos aceitos.

A verdadeira liberdade começa quando já não precisamos representar permanentemente um personagem para merecer pertencer ao cenário.

Porque uma vida inteira tentando corresponder às expectativas alheias pode terminar com a descoberta mais dolorosa de todas:

ter agradado a muitos e nunca ter verdadeiramente encontrado a si mesmo.

Talvez viver seja isso:

não chegar pronto, mas continuar tornando-se.

Não saber tudo, mas nunca perder a capacidade de aprender.

Não procurar uma vida sem conflitos, mas construir consciência suficiente para não desperdiçar os conflitos que a vida inevitavelmente nos oferecerá.

No final, não somos apenas aquilo que nos aconteceu.

Somos, sobretudo, aquilo que decidimos construir a partir do que nos aconteceu.

E entre simplesmente existir e verdadeiramente viver existe uma palavra que muda toda a história:

Autoria.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026

⁠No jardim dos sentimentos floresceu,
Um amor nasceu, tão puro e verdadeiro,
Entre risos e olhares, o coração se aqueceu,
Numa dança de ternura, num doce roteiro.

Teus olhos, duas estrelas a brilhar,
Guiam-me pelos caminhos do encanto,
Teu sorriso, um sol a me iluminar,
Em teus braços, encontro meu porto, meu manto.

Como um rio que corre sereno ao mar,
Nosso amor flui, sem pressa, sem fim,
És a melodia que em minha alma faz ecoar,
A canção mais doce, o mais belo jardim.

Em teus abraços encontro meu lar,
Nossos corações em harmonia a pulsar,
Neste eterno presente, neste doce lugar,
Nosso amor floresce, sem jamais cessar.

Raphael Denizart * 08/04/2024 * ReJ

“Entre Deus e o homem pode existir a fé; entre o Estado e o homem deve existir o Direito.”

Que a sabedoria divina nos guie a discernir entre o que edifica e o que destrói, e que nossas conversas sejam sempre guiadas pelo Espírito.

⁠Não importa a sua estatura, você faz diferença entre os demais, por ser totalmente conectado e dependente da direção de DEUS, sendo assim; DEUS te faz grande, você é conhecido DELE !

⁠Entre na batalha sem medo ou receio,
Entre para vencer, e o poder de Deus honrará a sua determinação.

Quando você estiver na cruz entre ladrões, guarde seus conselhos para si mesmo.

"Tem coisas que é só entre você e Deus. Judas comia e bebia com Jesus e mesmo assim O traiu. Vigia com quem você se assenta, na mesa tem pão e vinho mais também tem traidor."

—By Coelhinha