Encontro entre Amigos

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A simbiose entre a polarização e as narrativas conspiratórias representa o esvaziamento da inteligência coletiva. Quando a mentira conveniente é abraçada para blindar o próprio lado ou atacar o oposto, a verdade se torna uma moeda sem valor. Esse processo transforma o debate político em um campo de batalha puramente emocional, onde dados reais são tratados como heresia e delírios são aplaudidos como coragem. O maior perigo desse cenário não é apenas a desinformação, mas o colapso do tecido social: uma democracia não sobrevive quando os cidadãos perdem a capacidade de concordar sobre o que é real.

Entre o laço de sangue e o laço do abraço, há uma grande distância. Tem quem seja pai por condição, obrigação ou educação. Mas o verdadeiro Pai se veste de dedicação. Ele não apenas dá a vida; ele se faz vida na rotina, ensina a voar segurando a mão e se eterniza no peito do filho como sinônimo de amor.⁠

Foi então que surgiram os zeladores, figuras que caminhavam entre as vírgulas dos decretos, à procura de corpos de vogais e de bocas que falavam as línguas mortas das árvores e o dialecto do rio.

Entre aquilo que sou e aquilo que quero ser existe uma distância chamada trabalho.

Transito entre o determinismo e o minimalismo, não por acaso: escolher exige renúncias e, num exercício de futurologia, não posso congelar o vapor ou prever a fúria do amanhã.
Reno Fioraso

MEMÓRIAS NASCIDAS DA ILUSÃO


Existem memórias
que nunca aconteceram.


Vivem entre o que foi real
e aquilo que a mente
desejou desesperadamente lembrar.


Rostos sem nomes.
Lugares que nunca existiram.
Vozes familiares
perdidas no silêncio da noite.


Às vezes, pergunto:


Lembro de uma vida que vivi,
ou de uma ilusão
na qual acreditei por tempo demais?


O passado se torna mais sombrio.


Suas bordas desaparecem,
suas cores se apagam,


e resta apenas
a frágil impressão
de algo que talvez


nunca tenha estado ali.

IDENTIDADES

Como cordas tensionadas entre pontos fixos produzem música, também nós precisamos de limites para dar voz à nossa singularidade. É precisamente através das nossas fronteiras que descobrimos a vastidão do que podemos ser.




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FRONTEIRAS DO SER

Somos a intersecção criativa entre o que carregamos e o que nos cerca. Os limites não nos aprisionam, são eles que nos permitem existir como únicos.

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RELAÇÕES

Sou feito de mim mesmo e das circunstâncias. Entre o que somos e o que as circunstâncias nos fazem ser, nasce o que podemos vir a ser.

Não somos nem pura essência nem mera circunstância, somos a dança criativa entre ambas.
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⁠Só cabe a nós escolher entre ser pastor, caçador ou ainda nos juntar à alcateia ou ao rebanho ou ficar fora do sistema!

Entre o chamado da alma e o ruído do mundo, o islam lembra que cada gesto pode ser oração.

A distinção entre um líder e um superior hierárquico é que o líder se posiciona na vanguarda, atuando com lógica, enquanto o chefe apenas transfere comandos recebidos.

"O que faço com esse desejo que dança no silêncio entre teu pescoço e meus pensamentos?"
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Existe uma conexão entre o ser humano e Deus que pode ser sentida nas pequenas ações, na beleza da natureza e nos detalhes da vida. Cada gesto de amor, cada nascer do sol e cada sopro de esperança revelam um propósito maior, lembrando-nos de que a criação carrega o significado da presença do Criador.

A busca por uma vida épica exige a criação do equilíbrio: entre o excelente e o extraordinário.

No palco aberto da vida a girar,
Cada manhã traz um novo atuar.
Entre cortinas de sonho e razão,
A gente aprende a seguir o coração
Helaine machado

O pensamento crítico é a última trincheira entre a multidão e o rebanho.

⁠Entre os escombros, você




Eu te conheci quando já não restava ninguém.


Ou, pelo menos,
era assim que o meu coração enxergava o mundo.


É claro que eu tinha amigos.
Tinha minha família.
Tinha pessoas que diziam estar por perto.


Mas nenhuma delas entendia
o tamanho do vazio que alguém havia deixado.


Porque perder uma rotina
também é perder um pedaço de si.


É sentir falta das ligações de todos os dias,
das conversas sem hora para acabar,
das discussões bobas,
dos filmes assistidos juntos,
da certeza de que, do outro lado da tela,
sempre haveria alguém.


E, quando tudo isso acabou,
eu fiquei.


Fiquei tentando convencer a mim mesma
de que ainda era suficiente.


Foi então que, em um belo dia,
você apareceu.


Talvez você nunca saiba,
mas chegou exatamente quando eu mais precisava.


Não para ocupar o lugar de ninguém.
Ninguém ocupa.


Mas para me lembrar
que o universo ainda conspirava encontros,
enquanto eu acreditava
que só me restavam despedidas.


A gente começou a conversar.


Vieram as calls de quase todos os dias,
as conversas longas,
as vezes em que você me contrariava
e, por incrível que pareça,
isso fazia bem.


Porque eu precisava de alguém
que não tivesse medo de me mostrar
que a vida continua.


Sem perceber,
você foi se tornando presença.


E presença cura
mais do que qualquer discurso bonito.


Hoje você conhece partes minhas
que muita gente nunca conheceu.


Sabe como eu penso,
como eu sinto,
como eu me escondo
quando finjo estar bem.


E, talvez por isso,
eu ainda tenha medo.


Não de você.


Mas da despedida.


Depois que alguém vai embora,
a gente aprende a colocar prazo
até nas pessoas que ainda estão ficando.


Então eu tento não me apegar.


Tento.


Mas existe algo em mim
que insiste em acreditar
que algumas pessoas chegam
não para substituir quem partiu,
mas para reconstruir
aquilo que a dor destruiu.


Se um dia você ler isso,
quero que saiba:


obrigada.


Obrigada por ter aparecido
quando eu já não sabia caminhar sozinha.


Obrigada por cada conversa,
por cada call,
por cada momento em que você esteve presente
sem sequer imaginar
o quanto isso significava.


Talvez você nunca entenda
o tamanho da diferença que fez.


Mas eu sei.


Porque, sem você,
talvez eu ainda estivesse
tentando juntar os cacos
de uma versão minha
que acreditava
que sempre seria deixada para trás.


E hoje...


Ainda tenho medo.


Ainda carrego cicatrizes.


Mas já não caminho completamente sozinha.

Entre o céu e o inferno, Eu sou o mais temido. (Exceto o meu Criador)

⁠Entre Sensações e Cansaços

Diria que a vida é feita de sensações,
que entrelaçam muitas emoções,
das quais não se vê tantas menções.

O que se faz quando todas as palavras
já parecem repetidas?
Já não sei...
Mas sigo a escrever,
mesmo sem sentir que algo irá permanecer.

Gosto de imaginar o cantarolar dos pássaros
que me cercam no desconhecido —
o lugar onde, mais do que reconhecido,
encontro meu verdadeiro eu.
Ali, já não preciso fugir.
Ali, não preciso me inserir.

Pertencimento…
uma falsa convicção criada por aqueles
que mal sabem de si mesmos.
Afinal, onde pertencer,
senão ao próprio ser?

Estou tão cansado,
até um pouco frustrado…
Já não sei o que é me sentir fechado.
Nem tenho mais o desejo de ser encontrado.

Acho que a maturidade
é menos sobre a seriedade
e mais sobre o quanto você se expõe —
por dentro, por fora,
sem precisar de terno,
mas com verdade no interno.