Embora
Eu não consigo mais sorrir desde o dia em que você foi embora e até agora eu ainda não me acostumei a sair lá fora e não te ver. Os dias estão entediantes. Lentas são as horas. Já não sei o que fazer!? Você pode até estar longe mas aqui dentro de mim você ainda mora. A rua parece que ficou estreita, estranha, cinza e torta. Ao meu redor tudo silenciou. E o sol já não bate mais naquela porta onde você um dia morou. Sem você por perto a rua que antes era cheia de alegria agora é vazia,feia e sem graça - Um imenso deserto onde a hora não passa!...
Que até logo é este... assim, tão demorado!? Por que você não volta logo e não fica ao meu lado? Será que o teu até logo não era apenas um adeus disfarçado!? Que até logo é este que deixou o meu mundo calado, tudo parado, como se fora um sonho despedaçado... Parece que o teu até logo ficou perdido no tempo na busca de um momento e tornou-se eternizado!... Que até logo é este... Assim, tão demorado!?Por que você não volta logo? O que há de errado? Não me deixe aqui preocupado! Que até logo é este... assim, tão demorado?!
"Euforia"
Há tantos meios de dor
Tantas promessas
Quebradas nua e crua
Tantas palavras mau ditas
Mau entendidas ,
Perspicaz perdição
Diluindo o medo
Amargo quanto aquele último beijo
Quando a porta fechou
Eu respirei fundo
Só havia meu travesseiro
E um pedido de desculpas
Rasgados em um papel
Eu não queria mais sentir saudade,foi
uma longa conversa entre nós, nos abraçamose choramos juntos.Eu
disse a ela, váembora!Aladisse
não vou, não vou! Eu disse,
então fique.De repente
meuamorvoltae te
mata de uma vez.
Embora você e todos me chamem de louco, tolo, nada mais sou que um sonhador, um admirador, um qualquer coisa que acredita que é possível. Que é possível um mundo mais lindo, mais verdadeiro, mais doce - um mundo com mais belezas - belezas de um sorriso, de um beijo, de um desejo, de um sonho, de um verdadeiro "amo você".
O problema com certeza são as lembranças. Elas se mantêm em mim, elas não vão embora contigo na estação da luz.
Vamos embora ao vento,
ao que sucede um novo romance
numerosos serão os momentos
embriagados nessa eterna nuance
sobretudo jamais cairá em esquecimento
sem saber se terá fim a nossa história,
assim também será eterna, e viva na nossa memória.
Ela tentou sentir meu coração, mas nem bateu na hora. Só tinha metade, e a outra metade ela levou embora.
SURPREENDE
O verdadeiro homem entende
Que pela vaidade não se prende
Aquele que muito se defende
É comum que ao outro recomende
E talvez nem a si próprio emende
Muita Força e Luz pra quem aprende
É no silêncio que bem se empreende
Evolução que ao vulgo transcende.
SEM DEMORA
E então chegou a hora
De aflorar tantos defeitos
Noutros tempos eram glórias
Crucificando o sujeito
Que logo ali sem demora
Ressuscita o seu jeito
Sem deixar mais ir embora!
Acho que seria melhor você me matar do que me mandar embora sabendo que eu não saberia pra onde ir...
E se eu fosse embora? Não me afastar, ir embora mesmo, sabe? Não olhar mais na sua cara, não responder suas mensagens, não esbarrar em você propositalmente pelos corredores, não ir na sua casa, não olhar nos seus olhos, não olhar mais para você, não te seguir mais nas redes sociais, não dar moral aos seus retweets, não ligar para o que você escreve nas notas, não me importo para onde e com você vai, não querer mais receber suas mensagens tarde da noite quando você chegar em casa. Respiro fundo e penso mais um pouquinho, talvez eu devesse ir embora.
Talvez você nem perceba ou note no começo, talvez eu vá embora do nada, no meio de uma tarde de terça qualquer, ou talvez eu esteja indo embora aos poucos, cortando nossas conversas longas, ficando longe, não indo frequentemente a sua casa, não te olhando pela escola, eu estou indo embora e quando você notar, eu já terei ido embora.
Dois de novembro
No silêncio íntimo que invade o Dia de Finados, a saudade se debruça. Ela não tem pressa, é senhora do seu próprio compasso. É o dia em que a ausência brinca de ser presença, quando os que partiram voltam, não em carne, mas em sopro, como se sempre estivessem apenas a um afago de distância.
Os túmulos não mentem. São declarações sem palavras de que o que foi vivido realmente existiu, confessando com a solidez do mármore que a vida é frágil e que o tempo é um rascunho rabiscado à pressa. Cada nome entalhado ascende, não como uma mera inscrição, mas como um feitiço sussurrado entre as frestas do esquecimento.
Nem toda ausência é tratada pelo tempo. O tempo não se compromete com permanências. Passa por nós sem desculpas, sem aviso, sem oferecer alívio. Quando alguém que amamos morre, morre também uma versão nossa. Deixamos de existir daquele jeito. É como ter sua casa assaltada por uma ausência. Por isso, não se deve apressar a dor de ninguém. No luto, não se questiona o amor por quem partiu. No luto, deixamos de nos amar, e voltar ao amor próprio demora. Deixe a pessoa doer.
O luto não passa; somos nós que passamos por ele. É um caminho de fragilidades. Não há como sair de uma dor caminhando. Precisamos engatinhar até voltar a firmar os pés novamente. E demora até que essa dor vire saudade. Demora até que essa saudade vire gratidão. A dor é solitária, e você tem todo o direito ao seu luto, mesmo depois da licença do outro acabar. Cada um tem seu tempo de digestão.
No murmúrio de uma prece, na chama vacilante de uma vela, reside a certeza de que, do outro lado do mistério, alguém sorri — os eternos hóspedes da eternidade. Hoje, flores são depositadas por mãos trêmulas de emoção. Mas não é o frescor das pétalas que importa, e sim o gesto. É flor de ir embora. É uma homenagem ao laço que nem a morte é capaz de desfazer.
Eu sou aquela pessoa que vai embora aos poucos, vou recuando atrás de um doce sorriso, ou um olhar reflexivo, com doce resmungo em tom de advertência, comprimo os olhos para esconder uma furtiva lágrima que rola e explodo em alegria, aceno com as mãos de forma positiva e quando me procuram já estou longe, em outra.
