Elegia de um Tucano Morto
Todos os espíritas são covardes, medrosos e mentirosos, porque têm medo de consultar o morto no cemitério de madrugada, caem fora se lhes pedir ajuda de médium e velas, porque sabem que na hora da consulta, os demônios só se manifestam para negar a verdade e atrapalhar a vida dos outros.
Se o mundo físico falasse mais alto do que o espiritual, o cristão estaria morto nos primeiros passos para escalar o seu sucesso.
Seja qual for a sua religião, nela não há cabeça com plenitude; apenas um corpo morto na fé e cercado de outros que riem das suas práticas.
O último espírito de morto a ser consultado pelos seus simpatizantes foi o diabo, que continua enganando a mesa dos mortos.
Eu aprendi a viver meio vivo. A sentir meio morto. A sofrer meio calado. E a chorar meio em silêncio.
"Ceú, aprender pelo infinito, que o infinito
é o conhecimento, e viver mesmo morto entendendo que nada sabe, infinita vida!
O inferno também existe no céu, tudo no céu habita, mas
nada existe, nada não existe neste pensamento que a dúvida é pouca coisa, e que o limite exista.
Tudo existe no que não existe, menos neste
pensamento que se alto limita.
A vida é um livro ainda sendo escrito, e não tem como
parar. A morte não é um capítulo final e
sim uma 2ª saga!
O que é viver? Viver é pensar, e mesmo depois de mortos ainda pensamos, logo vivemos!
Desculpa, cego estou
Mas escuto ainda vocês
Tento me esforçar
Mas tudo me desmotiva
Pois morto já estou
Só me falta aceitar.
Nicodemos só conseguiu ajudar Jesus morto. Até mesmo a Luz de Cristo não foi suficiente para alumiar sua escuridão existencial. Só saber sobre Jesus não basta, nãotem como ser infiltrado de Cristo, é preciso rasgar as vestes e viver o Novo!
Ser morto pelas circunstâncias não te faz um sacrifício vivo. O sacrifício vivo vem de uma entrega voluntária.
Segunda canção do peregrino
Vencido, exausto, quase morto,
cortei um galho do teu horto
e dele fiz o meu bordão.
Foi minha vista e foi meu tacto:
constantemente foi o pacto
que fez comigo a escuridão.
Pois nem fantasmas, nem torrentes,
nem salteadores, nem serpentes
prevaleceram no meu chão.
Somente os homens, que me viam
passar sozinho, riam, riam,
riam, não sei por que razão.
Mas, certa vez, parei um pouco,
e ouvi gritar:-"Aí vem o louco
que leva uma árvore na mão!"
E, erguendo o olhar, vi folhas, flores,
pássaros, frutos, luzes, cores...
-Tinha florido o meu bordão
Mais um corpo de um morto estendido na calçada, atrapalhando a manhã da grande cidade. Quem foi não sabemos enfim, onde foi o começo e este breve fim. Quem sabe sera mais um afortunado de uma vida inteira de enormes buscas e alguns encontrares por diversos lugares, onde foi confundido como filosofo social e permitido ver com profundos olhares e incendiados efusivos sentimentos. Por tudo isto, agora não é mais nada, não tem documento vai como indigente, um corpo perdido que se expõe ao tempo, pelo mau cheiro fétido de carniça que espalha o vento.
