É hoje

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Hoje, ao cuidar do jardim
Eu pensei assim:
de que me vale cuidar da flor
se não tenho um amor
pra quem eu a possa ofertar?
E logo em seguida
surgiu-me mais uma pergunta
De que me valeria amar alguém
Se não a tivesse junto a mim
E se junto a mim, o amor acabasse
Pode ser que o amor durasse
E o desenlasse não fosse feliz
De que me valeria fazer tanta coisa
Se o mais importante eu não fiz
E de que me valeria fazer o mais importante
Se de instante em instante
A vida passa
E se a vida não passasse
Qual seria a graça
De ficar pra sempre nessa dor
E qual é o motivo da pressa
Em morrer sem viver
Sem flor a chorar por mim?
E então, nessa hora eu pensei assim:
Acho melhor eu cuidar desse jardim

Edson Ricardo Paiva

Hoje a Lua brilha
Sobre o meu quintal.
A luz do Sol que trilha,
Mas não deixa rastro
Sobre a escuridão.

Eu penso nas noites passadas,
Penso sobre densos nevoeiros,
Flechas atravessadas
Quando os olhos pouco viam.
Do pouco que viram,
Traduziram pouco… ou quase nada.

Um cinzeiro sobre a mesa,
A luz da Light na calçada,
Tantas diferenças,
Tênues relevâncias.

A noite flutuante
Paira sobre a noite enluarada.
Madrugada avança sobre horas de sonhos,
Meu sono acanhado,
Meus olhares, cada vez mais poucos,
Traduzindo a cada noite
Muito mais do que enxergam —
Pouco ou quase nada.

O silêncio da noite
Chega a ser maior, mais denso
E mais abrangente que a própria noite.
Até que sobre pouco:
Muita luz, muita neblina, silêncio demais.

Paz por sobre a rua,
Luz do poste, que,
Goste ou não goste, não passa da esquina.
Meus olhares cansados também não.

Edson Ricardo Paiva

A beleza do nosso afeto está na simplicidade de querer o seu bem, hoje, amanhã e sempre.

É TEMPO!

Hoje, justiça e tempo se alinham.
Avançam unidos, na mesma passada.

Porque é tempo dos justos.

É perceptível a força da resistência.
O tempo não deixou corroer.

Onde a justiça é implacável,
ela opera sobre os males que habitam o opressor.

Aquilo que nos dispersou,
estamos reconstruindo nas afinidades das lutas,
nos elementos simbólicos de nossas conformações,
através dos coletivos reinventados
para a escalada do empoderamento.

Formação necessária
de combatentes contra as práticas estruturantes do racismo.

Estamos avançando.

Ainda que dolorosas perdas nos conduzam às dores e aos lamentos,
aos nossos sentimentos mais profundos,
estamos avançando.

Avançamos com conhecimento.
Conscientes da força ancestral,
dos nossos guias,
daquilo que nos impulsiona,
nos condiciona
e habita em nós.

Somos representatividade resistente.

Somos a continuidade daqueles que nos antecederam
nas lutas igualitárias.

Somos incansáveis opositores do racismo.

E somos conscientes
de que a luta é desigual.

Alinhados,
destruímos todos os dias
pilares e mais pilares da barbárie racista.

Lutamos na defesa dos nossos direitos.
Lutamos em defesa dos nossos.
Lutamos contra o desumano desrespeito
que invisibiliza nossas contribuições.

Lutamos pelo direito de existir
em condições humanas.

Somos quem resiste.

Sim!

Resistimos secularmente ao genocídio identitário.
E somos, secularmente, fortes.

Somos nós a base.
O sustentáculo.
A estrutura que mantém o opressor no privilégio.

E é por isso que somos temidos.

Porque se a base sair,
a pirâmide cai.

Mudam-se as posições.

Tentam.
Tentam nos barrar.

Mas já provamos:

a estrutura começou a abalar.

Nós podemos.

Estamos movimentando.
Estamos invertendo posições.

Posições às quais fomos sentenciados,
julgados
e condenados.

Conquistamos direitos,
mas seguimos buscando equidade.

Buscando justiça,
não maldade.

Saindo daquilo que nos foi determinado
por mais de quinhentos anos.

Desbravando novas trilhas.

Ainda que percamos alguns pelo caminho,
lamentamos.

Sentimos.

Honramos.

E prosseguimos nos enfrentamentos.

Reivindicamos a efetivação das ações afirmativas.
Firmamos possibilidades de avanços igualitários.

Porque é chegado o novo tempo.

Reflitam.

Acostumem-se ao incômodo.

Acostumem-se à mudança.

Acostumem-se às novas posições.

Porque os tempos são outros.

É TEMPO!

Eli Odara Theodoro

Se a vida fosse
resultado de um desenho
Eu pensaria hoje
Que meu lápis estava assombrado
Mas como tudo termina
Num lugar aonde
Meus pés me levaram
Só posso concluir
Que eu não soube mesmo
caminhar
Mesmo assim
Não sei dizer
Se a caminhada foi perdida
Só sei dizer
Tenha sido com as mãos
Ou com os pés
Esta foi minha vida
Pés calejados
Mãos doloridas
Desenhos e caminhadas
Cujos resultados
Somente Deus conhece
Pensamos ver e saber
A vida é uma jornada
Vivida de olhos vendados.

Está decidido
À partir de hoje
É proibido odiar
falar mal e reclamar
À partir de hoje
É proibido ser infeliz
proibido fazer fofoca
proibido o diz que me diz
é proibido ficar doente
é proibido não entender
é proibido ser carente
Fica também decretado
Que todos serão obrigados
a gostarem uns dos outros
e também se olharem
como irmãos
Se você não tem religião
Esta lei é fundamentada
Na Eva Mitocondrial
Mãe dos seus pais
e dos meus
Se você tem religião
esta Lei se baseia
Nos Mandamentos de Deus
Ciência ou Religião
tanto faz
À partir de agora
É obrigatório
Viver em paz.

Carta de despedida: Nosso mundo encantado


Querida,
Hoje, ao ver uma foto sua,
um álbum inteiro se abriu diante de mim —
não de imagens, mas de memórias inventadas,
histórias que criei e roteiros que escrevi
acreditando que seriam nossos.
Projetei um enredo,
acreditei no roteiro que escrevi sozinho.
E quando o silêncio chegou,
percebi que o eco não era ausência tua —
era excesso meu.
Nesse excesso, construí um mundo só nosso,
mas apenas eu tinha acesso.
Olho com carinho para tudo que senti.
Não acabou.
É apenas o primeiro dia fora do nosso mundo encantado.
Um mundo criado por mim,
mas que, em essência, pertencia a nós dois.
O que doeu não foi perder alguém —
foi perder o personagem que inventei,
aquele que você talvez nunca tenha conhecido.
Descobri que o amor idealizado
tem o brilho exato do pôr do sol:
belo, mas breve, e feito de despedida.
Me vejo como um belo arquiteto,
mas um péssimo projetista.
Criei estruturas lindas,
dignas de um conto de fadas.
E hoje, de fora,
observo o “nosso mundo perfeito”,
sem saber se você o acharia perfeito também.
Entendi que a decepção
é só a luz acendendo no cinema,
revelando que o filme era projeção.
E no escuro que fica depois,
a vida me convida a assistir de novo —
dessa vez, com os olhos abertos.
Das cenas que mais gosto são os créditos.
Porque, mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação,
todas as cores e formas vieram de você.
Lhe agradeço por ter sido inspiração,
mesmo sem saber.
Nunca haverá mágoas
em um mundo onde só um coração pulsava.
E mesmo que esse mundo tenha sido só meu,
ele foi feito com amor —
e por isso, ele sempre será bonito.
Com carinho,
Luis

⁠"Hoje somos antônimos de um amanhã que jurava ser sinônimo de eternidade."

Na varanda do quintal
Igual a tantos ontens
Hoje escondo um olho à luz do Sol
E vejo um pouco mais aquém
E penso por um segundo
Que nunca olhei tão profundo
Enxergo em olhar marimbondo
Levando pra sob o telhado
A alguma coisa que Deus lhe deu
E concluo aqui comigo
Se esse voar fosse meu
Eu voava até o fim do mundo
Chegando o final do dia
Dizia pro meu amor
Por favor, se ainda não me esqueceu
Se eu fosse você, não esquecia.
Abelha a fazer mel na telha
Desde que sumiste
A chama da vela
Bailando tão triste
Madrugada que ainda clareia
Na areia das horas
Caminho de volta
Não há nada que eu faça
Ou que possa fazer
O monstro da Santa Agonia
É fumaça de vela a também ir embora
Aquilo a que tanto eu queria
Vou querer por mais outro dia.

Edson Ricardo Paiva.

Hoje
Os dias são de inverno
No inverno
os dias sempre são mais curtos
Mas existe a solidão lá fora
Embora
ela esteja aqui dentro há tempos
Pois os tempos não voltam
E as lembranças remontam
O meu dia aos avessos
E a cada dia mais frio
Tão frio quanto a madrugada
Desses dias de frio inverno
Resta escrever poesia
Fria, em seus mornos versos
O latido de cães
E as cantigas de roda de outrora
Agora, tudo isso
é coisa por demais antiga
Saudade verdadeira
Verdade da boa
O forno de pão
O chão de terra batida
Violão e conversa
Lembranças tão dispersas
Quanto estrelas no Céu
Isso é a vida
No início
Um papel em branco
... e bonito
No final
Um livro escrito de qualquer jeito
Com direito à notas de rodapé
Em tempos de outra estação
Infância de poetas
São sempre as mais felizes
ou talvez as mais tristes
de vez que o poeta existe
Pra que elas sejam sempre algo mais
Mesmo que sejam somente
as mais distantes
tão distantes que agora
Não existe diferença
entre as verdades e as mentiras
O vento sopra e a roda gira
Uma longa lista de lembranças
As quadras,
cantigas de roda
e canções pra lá de antigas
Pondero
Que nunca mais eu cantei como antes
Pois a dura vida de ontem
vivida de hora em hora
Eu vejo agora
Parece que durou
somente um mero instante.

Edson Ricardo Paiva.

Hoje eu abri a janela
E enxerguei longe, lá no Céu
Algo que parecia
Um casal de andorinhas
Voando alegremente
Não sei se estavam mesmo lá
Ou se era ilusão da minha mente
Com o tempo a gente percebe
Que não é certo
E nem inteligente
Sempre crer
Naquilo que se vê de longe
Nem naquilo que se vê de perto
Mas as andorinhas
Pra sempre estarão voando
Acreditando nelas
Ou não
O difícil não é sabê-las
Pois é pra isso que existem janelas
Triste
É viver sem nenhuma ilusão.

Edson Ricardo Paiva.

Hoje, quando entardeceu
Eu olhei pra claridade
E desejei boa tarde
Boa tarde pro mundo
Pra quem flutua na nuvem
Pra quem tá à toa na vida
Pra todo aquele que ainda sonha
Os sonhos que eu sonhei
Quando era moço
Pra quem convida a tarde a entrar
Oferece uma xícara de chá
Sem saber
Que todo aquele que a tarde convida
Mais cedo ou mais tarde
Há de perceber
O quanto a tarde adentrou na sua vida
Hoje
Eu desejo boa tarde à tarde
E depois fecho a cortina
Pra essa lâmina-inquilina
Cada tarde que entardece
É outra página virada
Da qual eu me esqueço
Antes mesmo que anoiteça
Mas agora é tarde
E parece que a vida
É um navio à deriva
Outra tarde escrevi um poema pra Deus
Agora eu pergunto
Como será que teria sido
Se Deus tivesse lido
Mas agora é tarde
A tarde partiu pra não sei aonde
E essa vida, essa história sem tema
Foi Deus que escreveu
Qual se fosse um poema
Um poema que Deus escreveu pra ser vivido
Mas eu fecho a cortina
Pois agora é tarde.

Edson Ricardo Paiva.

O valor de um fato hoje parece depender de quantas pessoas concordam com ele, e não da sua capacidade de ser real.

Perdeu-se o hábito de questionar; hoje, basta que uma frase soe bem para ser aceita como dogma.

E hoje dia da comemoração né tô chegando

Ah! Você parece estar bem melhor hoje


Uma pessoa livre não pode viver reclusa


O sol não se esconde da luz do dia


Levante, respire e sorria

Na época de escola
Eu gostava de uma menina
Hoje ela tem 56
E eu continuo gostando dela

Em seu tempo
A águia de ROMA dominou o mundo


E hoje


É o AMOR quem domina tudo

Hoje é quarta feira e é dia da Palavramiga! E o sapinho mochileiro Gabiróba estava pensando no quanto nós nos queixamos da vida, da situação atual do mundo, das coisas e da política. Então ele descobriu que este é o momento propício para eu e você começar fazer algo a respeito, sim pode começar já a reorganizar seus pensamentos, suas ideias e seus projetos, evite ser negativo e entrar em desentendimentos e vamos juntos consertar o que está errado, endireitar a rota do presente e alcançar os objetivos cuidadosamente planejados. O sapinho mochileiro Gabiróba está começando agora mesmo a eliminar toda crítica, toda amargura e toda negatividade dos seus pensamentos, venha com ele e viva o seu melhor momento!

hoje é dia da Palavramiga e o sapinho mochileiro Gabiróba reflete sobre o tempo, talvez por ser hoje o dia do descobrimento do Brasil. Como o tempo voa, quando estamos cheios de alegrias e felicidades e conquistas, quando estamos sendo e vivendo o melhor de nós e até deixa a impressão que temos tempo para tudo e somos donos de todo tempo do mundo. Mas, quando as coisas não vão muito bem já começamos reclamar do tempo e ficamos com a sensação que não dá tempo pra nada e que os outros tem mais tempo que nós. Mas a questão é que alguns podem ter mais dinheiro que outros, mais saúde talvez. Mas o tempo é igual para todos, use bem o seu tempo...e sempre terá tempo para fazer o bem. Gabiróba, o sapinho viajante decidiu que sempre é tempo se seguir em frente...e seguiu...pulando e cantando alegremente.