Drama
Mulher gosta de cara carinhoso e não grudento, Brincalhão mas não babaca, Chorão mas não drámatico, Que se importe mas que nao pegue no pé.
”Sou parente do drama
Muito amiga do orgulho
Namoro a autoestima
Mas a paciência, nunca nem vi.” (Leonina)
Carta aberta: o cansaço que ninguém quer ver
Não é drama.
Não é falta de fé.
Não é preguiça.
É exaustão.
Física, mental, emocional. Uma falência silenciosa do corpo e da alma.
Tenho tentado.
Fui a médicos, psicólogos, psiquiatras, fiz exames, busquei respostas.
E ainda assim, nada muda.
Parece que estou me apagando aos poucos, como uma luz que vai perdendo força, mesmo quando alguém gira o interruptor com força.
É uma junção de tudo: depressão, ansiedade, burnout, hormônios em desordem, imunidade baixa, cansaço crônico.
Um corpo que pede socorro, e uma mente que já não tem mais fôlego pra gritar.
Às vezes, levantar da cama é uma guerra.
Tomar banho parece escalar uma montanha.
Comer, responder mensagens, existir… tudo dói.
E o pior é sentir que ninguém entende.
Vivemos em um mundo doente, onde todo mundo diz “cuide-se”, mas ninguém tem tempo pra escutar.
Os profissionais tentam, mas o sistema é frio, impessoal, repetitivo.
E a gente segue colecionando diagnósticos, receitas, e o mesmo vazio.
Escrever isso talvez seja o pouco de vida que ainda me resta.
Talvez alguém leia e se reconheça — e perceba que não está sozinho.
Talvez isso sirva pra lembrar que há uma linha muito tênue entre estar vivo e apenas continuar existindo.
Eu não sei o que vem depois.
Só sei que estou cansada.
E que, se eu ainda falo, é porque algo em mim insiste em não se calar completamente.
Mas eu queria, de verdade, só descansar — de tudo isso, de mim, do peso que é sentir demais.
Procurei me esconder do drama
mas ele atravessou
as paredes da minha casa
e me encontrou parado,
diante do espelho,
com um certo constrangimento,
como se envelhecer fosse pecado...
Há quem ache exagero, drama, fraqueza.
Mas ninguém imagina o inferno que é existir entre dois extremos que se devoram:
a apatia da depressão e o caos da ansiedade.
De um lado, um vazio que te puxa para baixo, que apaga cores, vontades, sentidos.
A vida perde o gosto, o brilho, o nome.
Nada interessa, nada empolga, nada move.
Você sabe que está ali, respirando — mas é como se não estivesse em lugar nenhum.
Do outro lado, uma mente que não para.
Pensamentos atropelados, exigências que se acumulam, cobranças que nunca cessam.
Um corpo implorando por descanso, pedindo dias inteiros de sono, semanas de silêncio,
mas forçado a continuar funcionando como se nada estivesse acontecendo.
Entre esses dois mundos, existe o burnout.
A exaustão que não vem só do trabalho, mas do peso de existir quando tudo dói.
É quando o corpo quebra, quando a alma grita, quando não há mais força para fingir.
É quando você percebe que passou tempo demais segurando o mundo com as próprias mãos
e agora mal consegue segurar a si mesma.
E ninguém vê.
Porque por fora você continua andando, respondendo, vivendo.
Mas por dentro… por dentro é um campo de batalha.
Um fogo lento que consome sem fazer barulho.
O que assusta não é só a depressão que apaga,
nem a ansiedade que acelera.
É viver presa entre as duas, sem parar, sem descanso, sem lugar seguro.
É pedir ajuda para dentro e ouvir só o eco.
É pedir sono ao corpo e receber insônia.
É pedir paz e receber pensamentos que machucam.
Esse é o inferno que ninguém entende — o inferno de continuar de pé quando tudo em você já caiu.
Afinal, se você não é o protagonista de seu próprio drama, é um figurante no de outra pessoa – e pode muito bem ser escalado para interpretar um papel triste, solitário e trágico.
Menos drama, mais sorrisos, menos exibições, mais momentos de reflexão e introspeção, menos álcool, mais água, menos balada, mais teatro, menos rua, mais casa, menos trabalho, mais meu filho, menos computador, mais livro, menos cigarro, mais yoga, menos bagunça, mais cabeça no lugar, menos quem quero ser, mais quem eu sou mesmo.
Sempre pensei que ninguém prestava atenção no que eu fazia, que o único drama era na minha cabeça, mas, afinal, eu não era tão invisível assim.
A vida é um drama porque a vida, individual ou colectiva, pessoal ou histórica, é a única entidade do universo cuja substância é o perigo. Compõe-se de peripécias. É, rigorosamente falando, drama.
Nós não nos demos a vida, mas esta nos é dada; encontramo-nos nela sem saber como nem por quê; mas do fato de que ela nos é dada resulta que temos de fazê-la nós mesmos, cada um a sua.
Eu vivo fazendo drama. Pra tudo. Desde acordar de manhã até ir dormir a noite. Por qualquer coisa, a qualquer momento. Eu adoro drama, tenho que confessar. Mas adoro o drama comigo, em mim. O drama dos outros é que me incomoda profundamente.
Morro com indiferença e tenho vontade de passar 2 hrs fazendo um drama e depois te socar quando você age assim.
Frente ao drama da vida a única consolação é a palavra que adquire valor próprio porque não exprime a verdade mas a aparência.
Coisa de mãe
Vez por outra ela duvida
até do nosso amor,
fazendo drama e falando
como quem sente uma dor:
– “Um dia, quando eu morrer,
é que tu vai aprender
e talvez me dar valor.”
Por mais que exista amor,
por mais que exista afeto,
um fato que deixa a gente
preocupado e inquieto
é quando a mãe pronuncia
sem nenhuma alegria
o nosso nome completo!
Quando a gente quer sair,
bate um receio profundo.
Pede à mãe cheio de medo
e nesse exato segundo
diz que “todo mundo vai”
e a resposta dela sai:
– “Você não é todo mundo!”
Tem outra situação
difícil e muito adversa.
Às vezes no mei da rua
a mãe também é perversa
quando ela aponta o dedinho
e diz assim bem baixinho:
– “Em casa a gente conversa.”
Por mais que a gente estude,
que tenha dedicação,
o boletim todo azul
ela olha com atenção
e fala sem gaguejar:
– “Tem mesmo é que estudar.
Não fez mais que a obrigação!”
Se acaso a gente perder
coisa boba ou coisa rara,
ela ativa um radar
potente que nunca para
e diz: – “Se eu for procurar,
garanto que vou achar
e esfregar na sua cara.”
Quando a gente chega perto,
faz um carinho qualquer,
e diz: – “Mãe, vou te amar
enquanto vida tiver!”
Ela responde ligeiro:
– “Hoje eu não tenho dinheiro.
Diga logo o que tu quer!”
Coisa de mãe é dizer:
– Você vai se machucar.
– Cadê o troco, menino?
– Mais tarde vai esfriar.
– Só vou contar até três!
– Bagunçou, vai arrumar.
– Já pegou o guarda-chuva?
– Eu não sou sua empregada.
– Engole esse choro agora!
– Eu nunca estou enganada.
– Na volta a gente compra.
– Você não ajuda em nada!
Coisa de mãe é ser cura
pra aliviar qualquer dor.
Coisa de mãe é o abraço
mais forte e mais protetor.
Coisa de mãe é cuidar,
coisa de mãe é amor.
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